

O Rafa já falou sobre o assunto e muito bem (O Show da Vida Virtual) mas eu quero aproveitar o gancho e ‘aprofundar’ um pouco mais no assunto. Faço isso com o conhecimento de ter vivido em quase todas as ‘redes’, por ser um estudante de comunicação e por gostar da tal internet.
A primeira vez que eu entrei na internet foi há 13 anos, em 1996, e lá as coisas eram um tanto diferentes… mas nem todas. Eu tinha meus 9 anos e me dava bem com a conexão por ‘tela preta’ e adorava o barulhinho do modem. Nessa época eu fazia apenas duas coisas nos poucos momentos em que tinha o novíssimo COMPAQ Presário 100Mhz, Pombaloca – é eu sempre fui um pervertido – e mIRC.
Pouco tempo depois, o mIRC de várzea, o mIRC moleque, o mIRC de raiz havia acabado. Todo mundo já usava e os maiores canais já bombavam de participantes. Criaram-se regras, tinha ética, tinha tudo que vemos em qualquer rede que se populariza. Foi quando descobriu-se que na vida você podia ser um loser, mas se você tivesse uma “@” você era Rei. Os arrobinhas ficavam conhecidos em suas cidades, ninguém tinha mais nome, todo mundo tinha nick. O cara que passava na rua não era fulano, era Operador do canal da mãe-do-guarda. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
As arrobas então se tornavam cada vez mais ‘poderosos’ porque o número de participantes aumentava. Na mesma medida, ele eram arrogantes, não falavam com você a menos que você fosse pelo menos voice ou conhecido de um outro @. Mais coincidências? Como diria Roland Deschain. O ka é uma roda. Ou em bom português, o destino é uma roda.
O mIRC acabou – assim como o ICQ – com a popularização do MSN. (off the Record: é sigla para caralho!). Pouquíssimo tempo depois, veio o Orkut. Eu entrei no Orkut logo no início também, com convite – que era como convinha na época. Eu não vou escrever de novo porque vai parecer repetitivo, mas aconteceu a mesma coisa. Os Donos de Comunidades eram os novos “@”, os moderadores os novos “voices” e tudo era legal, Orkut era bom demais para encontrar os velhos amigos. O pessoal que já começava a atinar para Mídias Sociais achara fantástica a interação.
Era uma felicidade geral. Você tinha Orkut, você era descolado, você era bacana, você manda convites para alguém entrar na brincadeira.
*Um pequeno adendo nesta parte, se me permitem: As putinhas que arrancaram os cabelos quando os “V1d4 l0k4 mlk p1r4nh4” entraram no Orkut, fizeram EXATAMENTE A MESMA COISA que os americanos fizeram quando nós invadimos o Orkut. E tenho CERTEZA que os mesmos reclamaram da atitude dos americanos. Mas… espera aí, pense bem… NÓS (para eles) somos os “V1d4 l0k4 mlk p1r4nh4”. Got the point? Sacou o que eu quis dizer? Tipo assim: se é contra a gente é errado, mas o povão – favela – não pode. Entendi.
Então, a gente invadiu a parada feliz da vida. Éramos bacanas, existiam grandes comunidades, onde a galera discutia muita coisa bacana. Éramos todos felizes… aí… bem… aí veio o Computador do Milhão e fodeu com tudo, acabara ai o Orkut moleque, o Orkut de várzea, o Orkut de raiz. Os “V1d4 l0k4 mlk p1r4nh4” invadiram geral, o negócio começou a ficar tosco, ninguém escrevia certo, fotos chulas e blogs de pérolas e tolices pipocando em tudo que era canto. Mais uma vez, o poder subia, dos donos de comunidade, dos moderadores. Mas eis que o os sábios mestres e reis da Meritocracia Informal da Internet Brasileira – os caras que comandam – debandaram do Orkut.
Junto com o Orkut, cresciam os blogs. E mais uma vez, a história se repete. Os mais acessados eram os novos donos de comunidades que por sua vez foram as novas arrobas. Os amigos desses aí, eram os novos moderadores e assim vai. Perceba que sempre que você era primeiro em alguma coisa e depois de um tempo já sabia ‘usar’ a parada, já tinha algum conhecimento, virava rapidamente um baita relevante que cuspia (valei-me Exucaveiracover) nos noobs.
O engraçado nesta parte, é que quando se trata de blogs NINGUÉM reclama dos moleques piranha, sabe porque? Porque são exatamente esses aí que eles tanto repudiam em seu mundinho lindo de “rede social” que lhes dão os números. E para esse tipo de blogueiro (que possivelmente foi um @, que foi um Dono de Comunidade) você leitor não passa de número e de, desculpe a palavra, paugrandismo próprio. Se são os ‘v1d4 l0k4’ que clicam no AdSense, para quê eu vou reclamar? Esse conteúdo CHULO e copiado é a diversão deles mesmo. Para quê um blog de conteúdo original? Para que um blog que soma alguma coisa se é para poucas pessoas? Prefiro um público burro que clica nos banners e anúncios do que um público inteligente que comenta, participa e COLABORA.
Mais um adendo.
*Esse povinho adora encher a boca para falar de web 2.0, redes sociais, colaboração, compartilhar isso e aquilo. Mas na verdade estão pouco se fodendo para isso, eles querem mais é gado. Querem mais é que o gado encha seus bolsos de pró-blogger ‘bem-sucedido’. Reparem nos mestres em colaboração que travam suas mensagens no twitter.
Então, voltando às redes sociais. Elas começaram a pipocar, a se diferenciar e a ter um público bem seleto. Aí os ex-“@” descobriram o passarinho azul. O que aconteceu? Se você chutou o que eu imagino que tenha chutado… BINGO. Agora o negócio era quem tinha mais seguidor. Quanto mais seguidores, maior seu pau é. Antigamente o Cardoso dizia que quem tinha pouco seguidor não tinha relevância alguma. Depois do advento do script adicionador ele mudou sua posição. Mais uma vez, o paugrandismo entrou em ação e depois veio o medo tremendo dos Meritocratas perderem o lugar.
A TV descobriu o twitter, a velha mídia descobriu a nova mídia. Tá bom… sei. Descobriu errado, como era de se esperar. Vide reportagem de blogs do Jornal da Globo e mais recente a reportagem do Twitter no Fantástico.
Em blog é legal, mas no nosso… NO NOSSO twitter não né? Pô, todo Computador do Milhão agora vai vim com tutorial para o twitter. Vão acabar com nosso mundinho…
Ô dó.
Mais uma vez eu vou parafrasear o personagem de Stephen King: “O ka é uma roda”. Não vai demorar para o twitter ser “invadido”, mais e mais pessoas vão ter acesso a internet e às redes sociais. Não adianta dar xiliquinho, não adianta arrancar os cabelos, não adianta os faniquitos. Eu acho é bom, motivos para rir não irão faltar, nascerá um Tolices ou Pérolas do Twitter – fará sucesso – e como disse e muito bem (as usual) o Kid, no meio desse tanto de gente, garanto que virão pessoas legais, malemolentes, cheias de idéias e coisas boas. Pessoas que também vão querer compartilhar (de verdade) conteúdo relevante (de verdade).
É o que eu acredito e é o que eu espero. Enquanto isso eu assisto o circo pegando fogo – com os bombeiros de férias – rindo muito da imensa grandeza de muitos murcharem em meio à própria arrogância.
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1 – Visitem o blog do Kid – Hoje é Um Bom Dia. Textos incríveis, games, gadgets. Garanto que vale a visita e o feed.
2 – Falando nisso, assine o Feed do Crepúsculo.
3 – Não poderia de deixar de citar os champs do Tolices do Orkut

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