Toda famÃlia tem as suas histórias. Inclusive aquelas bem misteriosas que ninguém explica direito e cada um tem sua versão. Algumas histórias só vão nos sendo apresentadas quando ficamos mais velhos, maduros. Acho que vocês sabem do que eu estou falando. Sua famÃlia também deve ter histórias assim.
Eu sempre achei o caso de uma tia minha (na verdade, minha tia-avó) uma puta história. Daquelas dignas de serem mandadas pra telona. E essa história tem a ver com o TarcÃsio Meira. Você vai entender no final.
Aconteceu na década de 50, na cidade de Montes Claros, no norte de Minas, quando ela tinha então seus 19 anos. Uma moça. Ela conheceu um rapaz, Carlos era o nome dele. Ela era bem bonita (bem formosa, bem apessoada e garbosa) e tinha muitos pretendentes (naquela época era assim). E quando ela o conheceu ele morava numa pensão daquelas bem safadas, não tinha 1 centavo no bolso e (juro), não tinha uma roupa sequer, só a do corpo. Documento então, nem se fala. A famÃlia dela não gostou muito, mas os dois se encontravam mesmo assim.
Só pra dar uma explicada no perfil do tal do Carlos: ele era um rapaz bonito e simpático. Dono de um enorme carisma, além de possuir uma lábia digna dos melhores polÃticos e/ou trambiqueiros. O cara era capaz de convencer alguém que urubu era bem-te-vi.
Isso ainda se comprova mais porque dois meses após conhecer minha tia, o cara já tinha a maior loja de iluminação e elétricos da cidade(!), um carro (ter um carro na década de 50 em Montes Claros era ser muito rico), e viajava sempre para Belo Horizonte de avião (porra! Isso na década de 50 em Montes Claros!). Um dia a minha avó (que era bem nova), ao pegar carona com ele, viu que o bispo da cidade estava no carro, de carona também. Ele chamava o tal do Carlos de doutor. Era doutor pra cá, doutor pra lá, isso tudo na maior puxação de saco. Só pra vocês sentirem a moral que o cara conseguiu em pouco tempo.
Enfim. Em mais ou menos 6 meses e ele já era o magnata da cidade, rico “pá caralho”, bonito e arrumado, e o melhor partido da cidade. E ainda “cortejava” (naquela época era assim) minha tia.
Com 8 meses de estadia na cidade ele a pediu em casamento e, pra espanto geral, fez a maior festa de casamento que a cidade viu. Até reformou a igreja só pra fazer o casório. Trocou a iluminação. Fez buffet. Enfim, fez uma festa do caralho. A única coisa que não teve na festa foi fotógrafo. Ele nunca foi de tirar fotos e as fotos que tiraram deles, em todas ele aparecia meio de lado, meio escondido. Na porta da igreja, um homem veio tomar seu carro, cobrando uma dÃvida. Ele desconversou muito bem e falou: “tá vendo como eu tenho sorte? No dia do meu casamento consegui vender meu carro“.
Casaram-se no cartório (no civil) sem que ele apresentasse um documento sequer (!). Só tinha um documento de Portugal (ele se dizia português) com uma foto meio borrada. E por incrÃvel que pareça, ele convenceu o juiz a alegar que os documentos dele tinham sido roubados e casar os dois sem nem mesmo uma certidão de nascimento dele que fosse.
Passaram a lua de mel em São Paulo. Foi uma surpresa quando ele comentou com o diretor do cinema (que na época era o lugar mais bem frequentado de Sampa) que ele tinha estado na inauguração do cinema. Ainda contou com detalhes como foi a festa de inauguração e qual as personalidades da cidade estavam lá.
O casamento durou um mês. Um dia Carlos saiu de casa e nunca mais voltou. Minha tia teve notÃcias, uns dois dias depois. Ele tinha seguido de avião para Belo Horizonte. Abandonou a casa, a mulher, a empresa, e junto com ele levou tudo o que provava sua existência: algumas poucas fotos e o documento de Portugal. Foi embora com a roupa do corpo.
Alguns meses depois , ao visitar BH, minha tia encontrou com ele na rua, conversando com um homem. Ela gritou o nome dele. Ele saiu de perto do homem e a arrastou para um restaurante. Os dois almoçaram, ele contou que tinha dÃvidas de jogo (truco, bilhar, apostas, etc.), disse que não podia ficar com ela, e sumiu. Nunca mais foi visto.
Meu avô, que era maçon, mandou recado para as maçonarias do paÃs, para o caso de alguém encontrar o cara. Teve uma notÃcia só. Ele tinha sido visto em Pelotas (curiosamente a cidade que a mulher de TarcÃsio Meira nasceu e foi criada).
A vida seguiu para minha tia e ela se casou de novo, com o irmão do meu avô. Minha avó foi visitá-la um dia (isso mais ou menos um ano depois do abandono), e a encontrou chorando com uma revista no colo. Na capa da revista tinha uma foto do TarcÃsio Meira (o próprio). Ela perguntou a minha avó:
- É ou não é a mesma pessoa, Marizete?
Concordou que era a mesma pessoa. O assunto morreu aÃ. Até hoje, quando minha avó vê o TarcÃsio na TV fala que ele além de ser parecido fisicamente com o tal do Carlos, tem o mesmo jeito de conversar.
A história é real e o pessoal da famÃlia não quis me contar direito. Juntei as partes da história que cada um foi contando, mas deve ter muito mais coisa por trás. Se conseguir a foto com minha tia (o que provavelmente nunca vai acontecer), eu posto ela aqui.
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1 – O TarcÃsio declarou recentemente ter morado em Montes Claros, neste vÃdeo.
2 – O link de cima foi brincadeira, mas a história não.
3 – Porqque serrrá que ass minhas palllavras cruzadas nunnca dão certoo?


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