

Essa foi exatamente a cara que eu fiz quando fiquei sabendo que o post sobre o tumor do Neto era mentira. Na minha cabeça, a causa da morte dele não seria o tumor mesmo e sim a quantidade de porrada que ele merecia por não ter principalmente me avisado. Sendo eu o Senhor de Engenho desta bagaça aqui, merecia saber. É leitor, eu também não sabia de nada. Obviamente, não foi meu primeiro sentimento, a primeira coisa que eu senti foi alívio, porra… ele não estava nas últimas. Na verdade estava, porque se ele morasse em BH eu talvez cometeria um assassinato (¬¬).
Quando fiquei sabendo, também fiquei com medo da reação dos leitores… tudo isso porque eu ainda não sabia qual foi realmente o motivo todo, não da brincadeira – nunca uma brincadeira, do “experimento” do Neto. Na mesma hora ele tentou explicar dizendo que havia uma explicação. *Só para contextualizar, estávamos no grupo de msn do Crepúsculo, eu, Naya, Diego e o Morto. Eu então resolvi esperar pelo tal post onde ele explicaria tudo. No meio disso tudo, eu – mais calmo – fiquei pensando… meio que supondo o que ele iria dizer, principalmente após os comentários.
Ele tinha que ter um ótimo motivo para fazer isso, e teve. O post da explicação foi perfeito, e até melhor do que eu imaginava. Claro que ele poderia simplesmente ter feito um simples post falando sobre o assunto, mas ele foi muito mais esperto e inteligente por fazer uma experiência empírica. Ele nos testou e conseguiu ótimos resultados. E eu como um eterno admirador das reações humanas, achei fantástico o que esse garoto de Montes Claros conseguiu fazer.
Primeiro: Eu não conheço o Neto, bom… pessoalmente não. De qualquer forma se você colocar friamente, ele é um cara que posta no meu blog. Ou seja, ele nos fez ver que mesmo um “amigo virtual”, é um amigo. E o que eu senti quando li o post moribundo dele, foi provavelmente o mesmo que eu sentiria se fosse um amigo de longa data que conviveu comigo.
Segundo: No dia-a-dia normal de uma pessoa ela não costuma pensar sobre a morte… ou sobre a infinidade do universo, sei lá. Então de repente esse post nos trouxe uma realidade que todo ser humano prefere bloquear e esquecer: todos vamos morrer algum dia. E como o Neto muito bem disse, a morte é uma parte da vida, e nós a bloqueamos porque obviamente não queremos morrer. Mas… é sempre bom, tomar um tapa de realidade de vez em quando.
Terceiro: O fato de várias pessoas terem comentado “aproveite a vida”, “faça dos últimos dias os melhores”… mesmo sem ler o post dele eu já pensei “Mas… porra, porque diabos esperar receber um deadline da vida para começar a aproveitá-la?” Essa é uma pergunta extraodinária, caro leitor. O que é aproveitar a vida para você? Seria largar tudo e viajar pelo mundo – contando que você tenha dinheiro para tal- ? Olha, eu gosto bem da minha vida. Não é nada perfeita se comparada a alguns padrões, mas é ótima para mim. Se isso acontecesse comigo, é claro que iria me esforçar para fazer coisa que eu pretendia fazer mais tarde, mas não mudaria nada radicalmente. Continuaria fazendo o que eu faço, tentaria desesperadamente terminar o meu livro, continuaria a ir na faculdade e tudo mais. E olha, eu aproveito minha vida muito bem.
Sinceramente, deixo aqui os meus parabéns ao Morto (mesmo assim, nós vamos continuar chamando ele de Morto ou Moribundo) pela maneira inteligentíssima de fazer não só os leitores desse blog, como a nós editores a refletir sobre um assunto muito delicado. E refletir bem. Bom, comente… quero muito saber se você concorda comigo.
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1 – Esse aqui vai para o Rafa que enquanto eu escrevia esse post ele me ajudava com as coisas mais chatas de se mexer em um blog. Á, e porque o blog dele é foda demais: Fottus – As Melhores Imagens da Internet.
2 – Este post aqui mostra três ótimos anúncios de revista, vale a pena conferir. Direto do FesterBlog.
3 – Não esqueça de mandar dicas e posts na comunidade do Crepúsculo para as Rapidinhas de Segunda.

São 4:54 da manhã e eu resolvi postar. O Pedro, a Naya e o Diego não foram avisados, o que me leva a crer que eles terão uma grande surpresa ao ler este post.
Vou ser bem direto. Há duas semanas eu fiz alguns exames e o resultado foi o seguinte: estou com um tumor de aproximadamente 2,5 centímetros de diâmetro no centro do meu cérebro. Não esperava que fosse isso mas, já vinha sentindo algumas dores fortes de cabeça havia alguns meses. Não vou entrar em detalhes mas, por ser no centro do cérebro, o tumor é inoperável. Vou fazer tratamento (não sei ainda se vai ser radio ou quimioterapia, nem lembrei de perguntar) mas conversei francamente com o médico e ele já me avisou de antemão que não há muitas chances de cura (praticamente nenhuma). O tumor cresce rápido e não pode ser retirado sem me deixar totalmente retardado.
A maior ironia de todas é o fato de eu escrever há alguns meses para um (grande) blog chamado O Crepúsculo.
cre.pús.cu.lo
sm (lat crepusculu) 1 Claridade frouxa, que precede o nascer do Sol ou persiste algum tempo depois de ele se pôr. 2 fig Decadência, ocaso. C. da vida: a velhice.
Acho que é justamente assim que eu me sinto agora. Uma luz fraca, de pôr-do-sol mesmo, sem forças para continuar e que vai aos poucos se apagando.
Enfim. Resolvi filtrar disso tudo alguma experiência bacana para deixar para as outras pessoas afinal, todo mundo vai passar por isso e, garanto, é um caminho que se percorre sozinho. Vou abrir uma seção aqui no blog chamada Meu Crepúsculo, onde eu vou descrever, de vez em quando, quais são as sensações (acredite, são muitas) que vão se acumulando na cabeça de uma pessoa prestes a enfrentar o seu crepúsculo final (tá bom, chega de metáforas porra).
Mesmo quando o tumor estiver um pouco maior, e começar a atrapalhar as minhas habilidades cognitivas e motoras, tentarei continuar postando, ou pedirei para alguém próximo postar ou, no caso de eu não poder conversar ou escrever mais (me comunicar), escrever como eu estou.
Agora no momento eu sinto um pouco de dor de cabeça mas deve passar logo porque tomei um analgésico. Sentimentos são de: fraqueza, impotência diante das coisas, tristeza, saudade antecipada de qualquer coisa e um turbilhão de sensações que eu nem consigo definir ainda.
Fiz uma música sobre saudades e postei no youtube. Se chama Sertão:
Espero que tenham gostado dela. É um pouco de mim que eu vou deixando para trás. Minha marca neste mundo.
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1 – Pelo menos descobri uma coisa. Todos dizem que não existe ateu na hora do desespero. Aqui estou eu.
2 – Não sei se esse tipo de postagem acabaria com o blog mas, gostaria muito de compartilhar tudo que estou sentindo e que vou sentir nos meses para frente.
3 – Tem a letra da música no youtube, na descrição do vídeo.
UPDATE:
Pra quem ainda não leu o post que vem depois desse: este post é uma mentira. Pode parar de chorar e fique sabendo da história toda aqui.

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