O papel em branco…

Escrever é uma coisa estranha. Usar das palavras para comunicar exige uma grande concentração e foco nas letras; porém, também é preciso divagar em pensamentos para referenciar o que está sendo escrito. Nada surge do nada. E, antes da escrita, há a tortura do papel em branco, sem nada…

No meu caso, como nasci na era dos sedentários da internet, é a página do Word em branco. Palavras surgem e somem, contextos aparecem e desaparecem, referências nascem e findam, subitamente. Agora entendo porquê professores e mamãe dizem que estudar muito ajuda a organizar as ideias na hora de escrever, ajuda mesmo.

Volto-me a focar no texto. No Word, o cursor sobre a página branca me aponta que não escrevi nada. Pisca, pisca, pisca, pisca novamente. Cada vez que pisca, é uma lembrança de que não comecei.

Escrever é uma ânsia. Após começar as primeiras letras, mesmo que não sejam definitivas, sou tomado por uma vontade inexplicável de acabar de escrever. Não consigo começar um texto e terminar no dia seguinte, terminar horas depois já é uma tortura. Vá entender.

Todos vamos morrer. O mais religioso homem conformado com a ideia de uma vida eterna sabe que vai morrer, e fica, no mínimo, ressentido. Escrever é um jeito de tirar esse peso da morte, de criar algo que vá sobreviver ao tempo, um pedaço de você que não findará ao fim da vida.

Lutar contra esse papel em branco, essa caixa misteriosa, é um dever complicado. Por isso sustento que o escritor é deveras quixotesco. Nós sempre esperamos escrever algo bombástico, revolucionário, inquiridor, chocante ou, pelo menos, curioso. Nada problemático, visto que disse que a escrita é um jeito de sobreviver à morte, verdadeira religião.

Não satisfeito em achar uma tremenda dificuldade começar um texto, só quem se aventura pelo universo dos símbolos escritos entende o sofrimento para finalizar sua obra. Sempre fica aquela sensação irrisória, mas insistente, de que não está bom. Não encontro ser mais autocrítico do que o escritor. E autocrítico pessismista, pois sempre acha que seu texto não está bom.

Mas, afirmo que escrever é como um vírus. Podemos ver que traz todo esse sofrimento e ânsia, mas cada vez mais e mais queremos escrever, nos superar, superar as críticas, superar a morte. Escrever é a vida.

A minha teoria é a seguinte – preste atenção casais que tenham algum problema em ter filhos – se você tem problemas de fertilidade eu tenho uma grande dica: Vá para a periferia, abstenha-se de empregos bons, salários idem, conforto, vire pobre, construa uma casa de um cômodo e principalmente, não tenha uma televisão. Prontinho, em dois tempos o primeiro filho vem para alegrar a casa, logo depois vem outro…e outro…e outro…vai ser produção em série, acredite em mim.

É óbvio que você já reparou que somente as famílias que NÃO podem ter muitos filhos são exatamente as famílias que os tem em números incríveis? No campo é para ajudar na lavoura, na cidade para vender balas no sinal e aumentar a renda da família. Eu pergunto a você porque diabos isso acontece? Eu mesmo respondo. Primeiro, burrice e antes que você me xingue eu explico. Não estou dizendo que só porque é pobre é burro – a grande maioria é mesmo, mas não só pobres, pessoas que tem acesso à informação, estudos e tudo mais e ainda sim são burras para mim é pior ainda – estou dizendo que grande parte dessas pessoas não teve possibilidade de estudar, teve que começar a trabalhar cedo para ajudar a casa com um monte de outros irmãos. É um círculo vicioso, que dificilmente irá acabar.

O Governo não ajuda muito, até porque quando mais burrice melhor para o governo “Oras, pra que diabos eu vou querer 180 milhões de pessoas capazes de ter pensamento crítico? Como essa mídia podre vai entreter um monte de gente que tem discernimento?” Não não, isso não é nada bom para o governo, seja do nosso país ou de qualquer outro. Voltando ao assunto, estão lá marido e mulher, sem emprego, numa ‘casa muito engraçada’ com uma cama gigante para abrigar toda a prole…o que eles vão fazer? Uai, fuc fuc, nhá nhá, o velho entra e sai, uma bimbada, sexo, amor, umazinha, rapidinha…chame do que quiser.

Camisinha? AHAHHAAHAHAH essa é boa, eles não usam, provavelmente nem sabem pra que que serve isso, “Eu num vô botá um prástico no meu pau naum” é o que dizem eles. Mal sabem eles que camisinhas e outros métodos contraceptivos são dados de graça em postos de saúde ‘próximos’ às casas deles.

Agora me responda, você já viu alguma família dessas com problemas em ter filhos? Me mostre, por favor. Seu Zé lá do morro não tem o que fazer, às vezes não tem nada para comer – tirando a própria mulher – não é feliz, é controlado por quem controla a ‘região’, tem medo, não acredita em futuro. O quê diabos ele vai fazer? Filho uai, tem coisa melhor do que fazê-los? Ter uns dez já é outra história, mas o ser humano nunca vai perder a felicidade e o prazer do ato. Talvez a única felicidade que resta ao Seu Zé é essa, vai saber.

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1 -  Esse texto foi derivado de um projeto em conjunto com o Leles do Estranhos Europeus e com o Rafa do RafaBarbosa.com, tudo começou com o post sobre o Sexo dos Gafanhotos do Rafa. O tema foi dado pelo Leles, que nesta semana me passou o meu tema, que derivou o texto aí em cima. Por enquanto nós três vamos continuar com isso, quem quiser é só levantar a mão e dar o grito…será um tema por semana. Está aberta a seção Texto Incríveis para temas incríveis…ou não.

2 – Não esqueçam de discutir sobre o tema abaixo!!

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