
Só pra explicar, essa é minha primeira tentativa de fazer uma matéria jornalística, só que aquele jornalismo estilo revista cruzeiro, anos 70, conhecem? Conte uma história, ao invés de dar a notícia. Espero que gostem. Fiz as fotos também, pra ver todas, clique aqui.
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Dez minutos para as sete da manhã. Seu Genesco, 70 anos de idade e pintor de paredes aposentado, assiste à movimentação do banco da praça onde está sentado. Diz que no tempo dele as pessoas sabiam fazer protesto, mas hoje essa molecada de universidade já não tem os ideais dos anos 70 e 80; escutam música ruim e bebem coca-cola. Estudantes na praça Dr. Carlos gritam palavras de ordem e usam apitos de festa infantil, fazendo um barulho ensurdecedor. Nas lojas e prédios do centro de Montes Claros curiosos olham pelas janelas e portas para saber o que está acontecendo. Também, o movimento só foi divulgado na internet, principalmente no twitter, site que a maioria das pessoas não têm acesso ou não conhecem.

Seu Genesco, nascido num tempo onde as pessoas sabiam fazer bagunça. Concorda com o movimento e não gosta do atual prefeito, mas hoje em dia prefere ver a banda passar.
O movimento #ForaTadeu iniciou na internet e teve sua segunda visita às ruas no dia 19 de março, um sábado qualquer. Até então solenemente ignorado pela imprensa local, mesmo tendo alcançando o Trending Topics Brasil semanas atrás, desta vez contou com a presença tímida de alguns jornais televisivos, como o Canal20 (Mastercabo) e InterTV (Globo). O maior lucro do evento foi para o seu Zé, ambulante vendedor de picolés, que aumentou em 100% as vendas no dia. “Hoje tem churrasco em casa”.
Por volta de oito horas e dez minutos da manhã já exisitia um tapete de cartazes contra a atual administração extendido no chão da praça. Pessoas seguindo para o trabalho paravam para ler e perguntar o que estava acontecendo logo que desciam do ônibus, mas não ficavam muito: passeata é divertido e cívico mas o que paga as contas é o trabalho e este não aceita atrasos.

Precavida, a manifestante tem escrito no rosto o objetivo de sua presença, caso perca a voz por causa do esforço gritando.
Enquanto o protesto se desenrolava, manifestantes se aproximavam de ônibus e carros parados no sinal vermelho pra mostrar cartazes aos motoristas e passageiros. Alguns buzinavam, alguns fechavam o vidro. Aparentemete, nenhum dos curiosos que ali assistiam ao protesto discordam dos manifestantes. Todos, quando perguntados, acham mesmo que o trabalho do governo não vem correspondendo às expectativas. Fabrício, lavador de carros na praça da Matriz, concorda com o protesto por ter sido demitido do antigo trabalho na prefeitura. Concorda com os manifestantes e dá um grito de “Fora Tadeu” enquanto responde à pergunta.
Num dado momento a massa de gente começa uma romaria pelas ruas do centro da cidade. Mais curiosos saem nas portas e janelas para se inteirar do que está acontecendo e assistir ao “apitaço” e o trânsito lento. Alguns olham pela fresta e ao terem a câmera apontada para seus rostos, entram rápidamente pra dentro de casa. Medo? Talvez timidez.

Manifestante puxa o coro "putaquepariu, é o pior prefeito do Brasil" mesmo sem meios de mensurar o valor qualitativo da eficiência da administração
Ao chegar à Praça de Esportes, famoso reduto de prostitutas e malandros durante a noite e camelôs e trabalhadores durante o dia, mais pessoas se juntam à massa e acompanham o coro. Palavras de ordem são ditas e o negócio todo estava realmente muito ordenado. Não houveram incidentes com a polícia e a manifestação seguiu calma. De acordo com algumas placas o movimento #ForaTadeu é apartidário e apolítico. Apartidário talvez, apolítico nunca. O ser humano é político em todas as suas relações.
O tão esperado Programa CQC (Custe o que custar) da Band não deu as caras no evento. Provavelmente porque custaria muito. Mesmo assim, era grande a presença de fotógrafos amadores, prontos para levar suas imagens para o twitter e blogs para mostrar como foi aos que não puderam comparecer, e claro, enviar algumas fotos para o queridinho dos jovens com consciência política, Marcelo Tas.

Já pelo fim, o calor e o cansaço é evidente, e comprar um refrigerante pra matar a sede já não parece tão capitalista.
Tereza trabalha como atendente de balcão numa pastelaria qualquer ali nas imediações da Praça. Acha que o pessoal exagerou e estão lutando por uma causa natimorta. Perderam o foco, assim como algumas fotografias apresentadas com este texto. O certo seria #AcordaTadeu, um movimento voltado para a cobrança, e não expulsão. Na prática o protesto mudaria de emprego, ao invés de leão-de-chácara enxotando pessoas pra fora de estabelecimentos, seria firma de cobrança, que liga todos os dias azucrinando a vida do camarada, mas não coloca ninguém na rua. “Mas de qualquer forma, eu não sei de nada não, eu sou uma moça besta, eu nasci foi na roça, não é?”. É Tereza, é verdade. Tirar prefeito é meio complicado.
Como manifestante também cansa, a passeata chega ao fim na mesma praça de inicio, a praça Dr. Carlos. Discursos são feitos e cidadãos falam no púpito para trabalhadores, agora já esperando o ônibus para voltar pra casa. Salva de palmas e o movimento se encerra. Pego meu rumo. Fotógrafo também cansa.
Seu Genesco talvez esteja certo sobre a situação da cidade. Seus dois filhos, formados em economia e letras pela Unimontes, não seguiram carreira pois não acharam emprego. Trabalham hoje como pintores, como o pai trabalhou um dia. Não viram a passeata porque não pegam onibus pra trabalhar. Os tempos estão mudando.
Os fotógrafos lambe-lambe da praça não registraram o evento.
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1. Fotos por Neto Macedo. Mais fotos do protesto no meu flickr.
2. Se você está em alguma foto e não gostou, é só enviar um email ou comentário que retiro a foto imediatamente. =)
3. Não estou nem a favor nem contra o protesto, nem a favor nem contra o prefeito. Fui só como visitante para registrar minhas próprias impressões do evento.
Pois é, essa seção já foi muito usada numa época negra do Blog, mas agora é diferente…
Venho recebendo ótimos textos de leitores e esperei juntar alguns para reativar de vez essa seção. Já que ninguém do blog mesmo posta [/risada maléfica on]muahahahahha[/risada maléfica off] até esse trabalho eu vou deixar para os leitores. Além desse post de hoje, já estou programando o próximo com dois ótimos textos da Camila para sexta-feira.
O texto de hoje é o primeiro da leva que o blog terá sobre as eleições de outubro. Vamos soltar o verbo sem dó aqui. Vai ter comentando propaganda especial sobre as maravilhosas campanhas on-line dos candidatos e post`s periódicos sobre a parada toda. O negócio vai ser movimentado daqui pra frente, Copa do Mundo, Eleições… o bixo vai pegar.
Segue o ótimo texto do meu querido amigo Thiago Carmona, ou Mona… para os íntimos
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Mictório de político, até quando?
Quem nunca se deparou com um banheiro tão, mas tão fedido que dava até medo de entrar? Geralmente, as mulheres, por sua anatomia, não se arriscam a encarar. Homens, entretanto, não ligam muito para isso, encaram qualquer tipo de banheiro para se aliviar.
Um dia desses passei por esse constrangimento. Estava em um local com os amigos e fiquei, como dizia minha avó, com a bexiga cheia. Não foi difícil encontrar o banheiro. Mesmo para uma pessoa como eu, que tem um olfato ruim, foi fácil identificar o odor horrível e forte que brotava daquilo que era chamado de sanitário.
Mas a situação estava séria. Era ali ou nas calças. Tomei fôlego e fui.
Como já estava escuro, ascendi a luz, sem nenhum problema, e entrei. A situação era pior do que imaginava, mas confesso que o que chamou minha atenção não foi o estado do banheiro, que era horrível. O que me deixou intrigado mesmo é como nós, seres humanos, conseguimos criar um código, uma forma, que não importa quem vai entrar no banheiro, sempre sabemos onde se encontra o interruptor da luz. Não importa se somos baixos, altos, magros, gordos etc. Basta procurar a uma meia-altura, do lado da porta, que ali está o interruptor. Pode parecer loucura a comparação que fiz instantaneamente, mas, por favor, no fundo, há um pouco de sanidade. Ao encontrar o interruptor e entrar naquele banheiro, a primeira coisa que veio à minha cabeça foram as eleições presidenciais que se aproximam.
Parece que não tem nada a ver, mas, calma, vou explicar. Primeiramente, com relação ao banheiro e aos políticos, a semelhança é obvia. Em sua maior parte, ambos fedem.
Fedem por causa do xixi que é feito no chão, no caso do banheiro, e pelas safadezas, jogo de influências e corrupções no caso dos políticos. Além disso, os banheiros sujos e os políticos se parecem porque, muitas vezes, eles são bem mais contaminados do que imaginamos. Basta apenas acender a luz para percebermos. Porém, o mais preocupante mesmo é a posição do interruptor. Os políticos safados aprenderam a colocar pequenos interruptores na nossa frente. São frases de efeito como: “É hora da renovação!” “Por uma saúde digna à nossa população!” “A esperança venceu o medo!” “Por uma melhor educação!” Blá, blá, blá, blá. São frases que não dizem nada, mas desde que vivemos essa pseudo-democracia, têm convencido milhares de pessoas a votar ou não em determinado candidato. Não procuramos saber nada sobre a pessoa em quem pretendemos votar.
Precisamos mudar isso e parar de apertar o interruptor irracionalmente. É hora de pesquisarmos em quem votar. Não vote em ninguém que tenha qualquer processo na justiça, procure saber o que o camarada já fez. Há sites que ajudam nisso, um deles é o transparenciabrasil.com.br. Você pode pesquisar e saber as mazelas de cada político. Se isso vai resolver o problema não sei, mas, pelo menos, depois que a luz estiver acesa talvez seja possível ver menos merda no congresso e nas câmaras municipais e estaduais. E quem sabe, pensando mais positivamente, não conseguimos colocar bons políticos que até ajudem a limpar o grande sanitário que virou o reduto dos nossos políticos.
Thiago Carmona
Publicitário, comediante e
produtor do 1º Grupo de Stand Up de Minas Gerais
o Queijo, Comédia e Cachaça.
[/comentário] Tá cheio das coisas agora esse Thiago não?, publicitário… comediante… aiai… cismou, deixa. Ahahahahah
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1 – Se quiser entrar em contato com o Mona mandem e-mails para: thiago.carmona@gmail.com
2 – Quer ver seu texto aqui também? Mail para ocrepusculo@ocrepusculo.com / Coloque “Contribuição do Leitor” como Assunto do e-mail. Fica mais fácil de ver junto aos 49t98475833 de Spams que eu recebo nesse e-mail.
3 – Quando o Thiago tiver a coragem de me passar, eu coloco mais informações sobre o grupo de Stand-up dele.

Imagem: Chavez em uma capa da Folha disfarçado de Mickey Mouse ou vice-versa
Esta semana sem dúvidas foi leve. Carnaval, descanso, praia, sol, a Naya curtindo as micaretas… mas parece que não foi tanto assim para a Folha de S. Paulo, um jornal “conceituado” no Brasil, e alguns intelectuais de esquerda, todos canhotos, que travaram um confronto um tanto inusitado que passou dos jornais para os sites e foi parar nos Blogs.
O Idelber publicou um bom texto apoiando os professores, enquanto o Imprensa Marrom abordou de maneira diferente, não concordando com a Folha, mas ao mesmo tempo também discutindo a neutralidade dos doutores que encabeçam a ação.
Para os que não estão dentro do assunto, o jornal Folha de S. Paulo publicou um editorial que falava sobre os novos moldes da ditadura na América Latina, em especial a de Hugo Chávez. Dentro deste espaço, o autor do artigo classificou a Ditadura Militar brasileira como sendo uma “Ditabranda”. Isto, obviamente, causou a ira de vários leitores, que tanto em comentários na página do editorial na internet (somente disponível para assinantes) quanto em cartas mostraram o total descontentamento com o modo da Folha representar o período. Não bastasse isso, dois renomados doutores (tenha noção de que isso é tanto para o bem quanto para o mal), Fabio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, fizeram parte desta leva de leitores. A eles a resposta da Folha foi a seguinte:
“A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa.” (slapt!)
Juntando tudo isso foi colocada a assinatura de uma Petição para fazer não sei o que, encabeçada pelo também doutor da USP, Emir Sader. Estes três citados são, realmente como declarou a Folha (mesmo de maneira deselegante), adeptos do regime de esquerda cubano, ponto final. Fatos a mesa, cada um tire suas conclusões sobre isto, não irei tomar partido algum, no meu ver todos os lados deste conflito estão mais que errados, cada um por seus motivos particulares.
Como declarou o Pedro Dória em seu blog, as palavras da Folha foram dadas na área de opinião do Jornal, não de noticiário. A área de Editorial de um jornal é totalmente opinativa, também conhecida como Página 2, onde também há a sessão de cartas do Jornal. Nesta área o jornal tem todo e qualquer direito de exprimir sua opinião, independente de qual seja. Um veículo de comunicação deve estar ciente do que sua opinião deve acarretar, afinal ninguém pode agradar gregos e troianos. A Folha, quando escreveu este artigo, realmente deu pano para a manga.
No meu ver o erro deste grupo de gênios que sabem de tudo e ninguém sabe nada intelectuais é achar que a Folha deve se desculpar por ter uma opinião contrária. Eu não acho a ditadura maravilhosa, nem acho que é certo ficar colocando a ditadura brasileira em textos onde o tema central é na verdade a nova “democracia” venezuelana. Mas o que posso fazer se a Folha acha que tivemos uma “ditabranda”? Posso não concordar, e não concordo! Mas posso privar deles o direito de achar isto?
E o padre maluco que acha que o holocausto não existiu… deixem ele! Ele tem o total direito de achar o que pensa, mesmo estando completamente maluco. Se não concorda, você pode discutir, dar sua opinião sobre o assunto ou simplesmente ignorar a questão.
Eu não entendo como opiniões contrárias podem gerir tanto “xiitismo” da parte das pessoas. Há os Metaleiros e Rockeiros Xiitas, como diz o Pedro, agora também temos os políticos e intelectuais xiitas, que já consideram opiniões contrárias a eles afrontas a democracia e aos que sofreram com a ditadura militar. Ninguém desrespeitou o passado nem as famílias daqueles que não voltaram para casa. Se eu disser que a Segunda Guerra Mundial foi mais branda do que a Guerra do Vietnã vão me dizer que estou “ferindo aqueles que perderam familiares na época ou os Judeus que morreram no Holocausto”? Façam-me o favor… e não amolem a todos com isto.
Parece que no Brasil as coisas são realmente estranhas neste ponto. Você luta, se esforça, combate um regime autoritário tentando trazer a liberdade da informação e do ir e vir, para depois ir contra ela. Me pergunto onde foi parar aquele senso tão comum dos intelectuais: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo”. (frase do Voltaire, coisa chique, achei na internet)
Pois é, parece que talvez nem eles mesmos saibam…
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1- Alguém aí acha que a Ditadura Militar era uma “Ditabranda?
2- O Joildo postou em seu blog a resposta de Maria Victória Benevides a revista Carta Capital, o poço de neutralidade em meio a imprensa, você pode vê-la aqui.
3- Considerem este um início do curso de Jornalistas para não Jornalistas de Diego Camara, e não se esqueçam, Editoriais são lugares onde você pode falar o que quiser e deixar comunistas estressados e ainda ofender eles. Tem coisa mais legal?
4- Leiam o Pedro no Suspensa, se não o Bicho Comunista irá comer vocês: Crônicas de um Mineiro


Nunca fui fã do 
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