Esse texto não é recomendado para pessoas que não tem coração.

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Enquanto tem gente que acumula rancores, eu coleciono alegrias. Porque no final do ano a gente vai chorar de emoção pelas coisas boas, pelos momentos deliciosos, pela nova ou renovada amizade.
Somente quem não tem o que comemorar é que critica a felicidade “estúpida” do final de ano. Se temos problemas o ano inteiro, qual o mal em querer sorrir e agradecer mais um ano que sobrevivemos ao caos? Isso não é hipocrisia, é não querer afundar cada minuto mais, evitando assim uma depressão.
Claro que aqueles que só procuram confusão, que criar discórdia e que acumulam inimigos, ou irão se isolar, ou viver um falso júbilo.

Não tive o melhor ano da minha vida, mas aproveitei ao máximo as razões que me fazem levantar todas as manhãs. Amigos, família, trabalho. “Pequenos” e importantes detalhes que tornam todas as más coisas/pessoas minúsculos problemas.

Conheci pessoas maravilhosas, me aproximei de outras que nem imaginava a possibilidade de uma amizade tão legal e também me decepcionei.

“Talvez os nossos erros escrevam nossos destinos. Se não, o que mais formaria nossas vidas? Talvez se nunca mudássemos de direção, jamais nos apaixonaríamos, ou teríamos bebês, ou seríamos quem somos. Afinal de contas as estações mudam. As cidades também.
As pessoas entram e saem da sua vida.
Mas é bom saber que quem se ama está sempre no seu coração, e se você tiver muita sorte, a um vôo de distância.”

(Carrie Bradshaw, Sex and The City)

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É o natural da vida, e o importante é o que fica, a lição que tiramos (mesmo daquilo que nos machucou). Aprendi muito nos meus poucos 23 anos, cada ano começo e termino diferente. O importante não é viver centenas de emoções, mas acrescentar algo na nossa vida, mesmo que o errado seja outro. Erros alheios também podem nos mostrar como não ser e isso é uma coisa que minha “curta vida” ensinou.

  • Deixei a vergonha de lado e aprendi que mostrar quem eu sou só atrai as pessoas.
  • Parei de gaguejar ao falar em público. Criei uma outra Naya que sobe no palco cada vez que eu tenho que falar.
  • Descobri que ser tímida não significa não falar o quanto gosta de alguém.
  • Mas também vi que falar que ama tudo e todos é babaquice
  • Deixei o ciúmes de lado ao ver o quanto é chato e ridículo alguém dar ataques sem razão.
  • Aprendi a pensar antes de soltar alguma piadinha e evitar constrangimentos.
  • Descobri que ser cara de pau não é pagar mico, e sim ter vantagem sem comprometer sua imagem ou outras pessoas.
  • Vi que sexto sentido funciona mesmo, dar chance a alguém depois de anos não é legal.
  • Percebi que não dar chance também não é legal. Cada caso é um caso, virar a cara é pior ainda.
  • Rearfimei que o tipo de pessoa que não se dá a oportunidade de conhecer de verdade alguém e que julga por aparências é o pior tipo de pessoa do planeta.
  • E esse tipo de pessoa não merece desprezo, merece pena, por não ser o tipo de pessoa que aprende e sim o tipo que vai morrer sozinha.
  • Também aprendi que engolir sapos só vale a pena se a pessoa for muito importante. Para o resto não vale o sacrifício.
  • Tive tempo de ver que amizades do passado, mesmo distantes e com pouco contato, ainda são tão importantes quanto respirar e esses nunca irão nos abandonar
  • Infelizmente notei que a vida pode acabar, ou mesmo passar muito perto disso, e que somos vulneráveis.
  • Aliás, quando esse tipo de coisa acontece, os mais fortes são os que mais sofrem, por ter que segurar os outros.
  • Com isso aprendi que não chorar não faz bem. Você desaba depois por qualquer besteira.
  • E o mais importante (e a razão do começo do meu post) – aprendi que pessoas que fazem questão de cutucar os outros não vivem, apenas estão por aí e quando sumirem não farão diferença no mundo.

Depois de um dos anos mais corridos da minha vida, em meio a confusões desnecessárias, perdas familiares (quase perdas tb), TCC, saída da agência…hoje eu posso agradecer por encontros lindos, amigos ao meu lado, apoio familiar, um novo e ótimo emprego…

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Mas também quero agraceder àqueles que me infernizaram, criticaram e me acusaram de coisas que eu nunca fiz. São pessoas que já atacam se defendendo ao melhor estilo “só fiz isso porque fizeram comigo primeiro…”. E a pergunta que fica é: fizeram mesmo ou você ACHA que fizeram?

Você passa uma vida sendo uma boa pessoa, até alguém chegar e começar a inventar besteiras sobre seu caráter. E o que machuca não é o que inventam, mas porque inventam. E quando você vê já caiu na teia do filhote de aranha. Uma pena. Só não resta mais nada a não ser se soltar e fingir que está tudo bem, pois uma vez aprendiz de vilão, sempre vilão. Essa pessoa não vai crescer, não vai aprender. Não tão cedo.

E acho até engraçado que pessoas que se dizem inteligentes caiam em cada historinha. Entretanto a gente enxerga o que quer ver.

Aliás, sempre que escrevo eu faço diversas pesquisas…referências, inspirações e até mesmo me corrigir…eis que me deparo com um texto da maravilhosa Fernanda Young que diz tudo…tudo…


Aos que não nos enxergam

Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.

Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.

Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.

Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?

Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.

Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.

Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.

Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz…”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz…”*

Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você. Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.

* Trechos da música OLHOS NOS OLHOS, de Chico Buarque

Fernanda Young

Fernanda Young é escritora, roteirista e apresentadora de TV


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É esse é o tipo de lição que eu não tenho mais que aprender, mas que serve para tantas e tantas pessoas que não sabem viver, justamente por não se permitir conhecer, aprender e parar de cometer os mesmos erros.

Que em 2010 você viva cada segundo. Erre desejando acertar, acerte e peça perdão para você mesmo pelo seu erro. Cresça, apareça…se torne uma pessoa importante para o mundo e não apenas para uma única pessoa.
Percebemos vendo o passado que pessoas lembradas no futuro são aquelas que fizeram algo de bom para um grupo.

Hoje eu posso até falar de você que não me enxerga, mas justamente pra você aprender e quem sabe ser uma pessoa que poderá ser lembrada no futuro.

Feliz 2010 pra todos vocês!


  1. Queridíssima Brabul que tem um blog lindo Poucas Palavras. Vale a pena a visita!
  2. Esse ano eu conheci o Diego Camara e Neto Macedo. Agora minha meta pra 2010 é finalmente apertar as bochechas do Pedro Turambar
  3. Se eu sobreviver ao meu ano-novo eu conto como foi a virada =D