
Nunca, jamais, em hipotese alguma sente ao lado de uma pessoa quando ainda existem bancos completamente vazios. Isso não se faz e vai irritar a pessoa que divide o banco com você.
É praticamente uma invasão de privacidade ficar tão próximo a um desconhecido, ainda mais com o balanço do busão. Vai que algo acontece! Já na balada você DEVE tocar os outros, sentar próximo e deixar os corpos encostarem no balanço da música. Mas no ônibus é proibido, é sujo e feio.
Os bancos do meio sempre são ocupados antes. Talvez em caso de incêndio seja mais prático para virar espetinho, já que as saídas estão longe do seu lugar. Em seguida vem os bancos da frente e por fim os do fundão. A galera do fundão é a que sempre dorme, portanto é difícil escapar das pernas jogadas no caminho.
Aliás, para sentar no fundo existe uma regra. Primeiro as pontas, depois o meio. Lembram que não se deve sentar ao lado. Isso mantém uma distância mínima.
Se todos os bancos já estão ocupados, inclusive os da frente e do meio já foram divididos entre desconhecidos, então você vai para o fundo e se senta ao lado da mulher que está na ponta, sempre!
É uma medida de segurança. Sentar entre dois homens é complicado demais, você corre sérios riscos e pode sair do ônibus sem uma mão. A mulher transmite segurança e você ainda pode sair com o telefone dela, ou não.
Lembrem-se disso na próxima vez que entrarem no ônibus, ou comprem um carro. É mais prático para não precisar dividir seu espaço com ninguém.

Andar de ônibus é algo que ainda faço com freqüência. Bem, penso nisso mais pelas vantagens de poder ler, não ter problema para estacionar, fico menos irritado com o transito e tal. Lógico, isso não significa que é uma escolha ótima, nem mesmo que é uma escolha, mas não me importo muito.
Resolvi escrever uma parte das coisas que escutei no ônibus. Posso escrever mais de 200 estórias que presenciei neste transporte, mas hoje resolvi fazer apenas uma compilação das coisa mais geniais que já escutei dentro dessa lata de rodas:
O Bonsai:
Um casal conversava na minha frente enquanto lia, nada de mais, nem mesmo prestava atenção no que diziam, até que o homem pergunta para a mulher: “Bonsai é feito de qualquer arvore ou tem uma específica pra fazer?”. Neste momento quis escutar a resposta, a correta seria dizer que não existe uma arvore especifica mas que algumas, como a bananeira, não servem, pois bonsai é uma técnica de poda (ou quase isso). Mas a resposta foi a seguinte: “Não, bonsai é uma arvore especifica, lá no Japão eles usam a arvore Bonsai. Aqui no Brasil é que eles falsificam com qualquer uma”.
O pior é que ela repetiu isso umas 5 vezes. O complexo de vira –lata do Brasileiro fez essa pessoa acreditar que até o nosso Bonsai e falso. Agora vamos comprar Bonsai no mercado paralelo. “Copia perfeita!” Diz o camelô.
O amigo:
Mais uma vez um casal, no maior amor. O cara (feio) estava com uma “gatinha”, não era mesmo uma gatinha, mas pra ele era. Ele pergunta pra ela: “Tá nervosa?”
Ela: “Nervosa por que?”
Ele: “Uai! Vai conhecer minha família. Posso falar que você é minha namorada né!?”
Ela: “Risos. Nem pensar. Fala que sou sua amiga.”
Ele: “A não! Eles vão achar que sou trouxa, ou bicha…”
Ela: “Risos. Nada, fala que de às vezes a gente transa. Mas não vai me beijar na frente dos outros!”
O cara não falou mais nada. Não entendi qual o problema dela, namorar com cara feio não pode, mas transar com amigo feio pode. Tipo caridade? FDP.
Deslocamento de retina:
Uma mulher lia um livro no banco logo a minha frente , eu também estava lendo, no banco imediatamente atrás. Um homem, com puta cara de maluco, se senta ao lado da mulher. Antes mesmo de se acomodar ele fala: “Cuidado em! Ler no ônibus desloca a retina, você vai ficar cega com certeza”. A mulher da apenas uma olhadinha pro lado. Ele insiste: “Sério, meu irmão ficou cego assim”. A mulher perdeu a paciência e mandou a frase: “Sorte sua que analfabeto não corre este risco. Né!?”. Depois de alguns segundos sem norte o homem fala baixinho: “A gente vai ajudar e toma patada”, e olha pra traz. Eu disse imediatamente: “Nem vem!”
Adorei essa. O cara além de intrometido fala besteira. O que acho mais foda é o tal de “meu irmão”. O irmão, o amigo, o tio… Na hora do aperto sempre aparece alguém pra reforçar o argumento.
Probrema ou ploblema:
Essa história quem me contou foi a Izabella Cioffi (sumida):
Uma mulher conversava com outra: “Nossa to cheia de probrema em casa!”
A outra: “Probrema não, neste caso é ploblema. Probrema é quando é uma coisa de dentro do cê, quando é fora é ploblema.”
Juro, não consegui pensar em outra coisa depois que a Iza me contou. Cara, como? Como alguém pensa nisso? Alguém vê alguma linha de raciocínio?
Entrou na frente sem dar seta:
Um maluco entra na frente do ônibus de uma vez, ai mistura todo mundo, tem gente que quase morre (de gritar), o veiculo range todo e quando finalmente o ônibus para. Alguém solta a frase: “Cê não tá levando porco aqui não viaaaaado!”.
O motorista para um pouco mais a frente ao lado do maluco e diz: “Aqui, como você me fecha assim?” O cara responde: “Não te fechei, só entrei na sua frente de uma vez sem dar seta”.
Aaaa tá! Puta injustiça. Agora entendi por que político nunca vai preso: Ele não rouba, apenas pega sem a permissão devida.
Terça-feira, 30 de junho de 2009 ou sexta-feira 13 de um mês e um ano qualquer.
O Pedro é o cara zica do blog, mas hoje foi o MEU dia! Sentem confortavelmente, peguem a pipoca e deliciem-se com a minha saga:
Eu tenho uma rotina. Acordo às 7h00, tomo banho, como meu cereal de fibras (para liberar o fluxo, se é que vocês me entendem), tomo meu cappucino (em pó com leite fervido no microondas) e meus remédios matinais (essa vida agitada, né?). 7h45 minha vó começa a gritar que eu vou me atrasar, eu grito que ainda tem tempo.
Aí começa o caos. É Naya gritando “onde ta meu celular?”. É vó gritando “você colocou água no radiador?”. É vô gritando “eita mania de andar descalça”. E eu pulando pela casa desesperada, escovando o dente ao mesmo tempo que penteio o cabelo e penso na blusa que vou usar.
Até aí tudo normal.
Então eu entro no carro, coloco meus óculos escuros (não é frescura é fotofobia), aperto o controle do portão, ligo o carro, ligo o som, xingo o pessoal que passa de bicicleta na porta de casa, viro a esquerda, entro na rodovia, atravesso o viaduto, dou tchau pra minha cidade, pego a estrada e chego no serviço em 30 minutos. Isso, claro, se hoje não fosse o MEU dia!
Coloquei água no radiador, entrei no carro, coloquei meus óculos escuros, apertei o controle do portão, liguei o carro, liguei o som, xinguei o pessoal que passa de bicicleta na porta da minha casa, virei a esquerda, entrei na rodovia, comecei a atravessar o viaduto e BUM…um barulho estranho vindo da frente do meu carro. Fudeu!
A direção ficou pesada, achei que o pneu tinha ido pro lixo. “Bom, tem um posto logo ali, vou seguir e paro lá”. Dei seta pra direita, o carro ficou mais pesado, tentei baixar a marcha e meu carro parou…parou…PAROU!
Pânico, desespero…
O desenho tosco abaixo mostra a minha situação!
Essa é a situação. eu sou péssima pra fazer essas coisinhas, mas eu finjo que tento e vocês fingem que entendem. A linha azul é meu caminho

o problema é que vem carro de vários lados. Sigam as setas e a indicação de quantas faixas vem de cada lado

o meu carro fez um barulho no viaduto e morreu no ponto especificado abaixo entre DUAS faixas, meio de ladinho

mais de perto é mais legal…

minha cara

Agora imaginem uma loira louca gritando no meio da rua pra alguém ajudar a empurrar o carro!
Eis que meu salvador aparece. Um moço de bicicleta parou e me ajudou. Nisso outros dois moços vieram ajudar, porque o carro tava mais pesado que elefante fazendo birra pra não andar.
Parei no posto, o moço não sabia o que fazer. Agradeci os carinhas da bicicleta, encostaram meu carro num canto do posto. Tava AQUELE vento, AQUELE barulho e eu com o cabelo molhado tomando um banho de areia e morrendo surda com tanto carro passando.
Passei um rádio pra minha mãe, contei a história, ela disse que ia resolver. Liguei pra casa, minha vó já entrou em pânico e eu disse que ia cuidar disso. Liguei pro serviço, avisei que não tinha hora pra chegar.
Minha mãe retornou falando que o mecânico tava atendendo outro carro no meio da rua e que depois ia lá me ver.
Nisso eu já tava toda gostosa, com areia até na calcinha, esperando o salvador da pátria me socorrer. E os frentistas me olhando a cada 5 minutos.
Uma observação…sabe posto que só pára caminhoneiro? Então, é um desses. Agora imagina no nível…eu de calça social e um óculos maior que cara, rezando pro mecânico aparecer logo.
Minha vó liga falando que vai me encontrar no posto, pra ficar com o carro até o mecânico chegar e eu ficar livre pra trabalhar. Só que ela anda devagaaaaaaaaaar.
Meia hora de espera, nada de vó e o tio chega. Um tio mesmo. Ele olhou, olhou, pediu pra eu dar partida, não ligou e ele deu o diagnóstico
- É moça, a correia arrebentou.
- Ah que legal. E?
- O carro não vai sair do lugar, eu tô só com o carro, não posso rebocar. Vou ligar pra tua mãe pra ver se ela consegue um guincho.
- Ela tá em forma, liga pro meu padrasto.
- Hum, beleza.
PI (barulho de rádio, ta?)
- Mariani? É o Jusmar, tô com a do corsinha aqui, perdeu a correia, preciso de um guincho
PI
- Vou falar com os caras da CET pra pegarem pra mim
PI
- Vou perguntar se posso encostar o carro aqui no posto mesmo
PI
- Depois me avisa.
Bom, aí o Jusmar (é, o Jusmar) falou com o frentista que pediu pra ele falar com o outro frentista que falou pra deixar o carro onde tava e deixar a chave lá pra quando fossem buscar.
MASNEMFUDENDOQUEEUDEIXOACHAVEDOMEUCARRONOPOSTODECAMINHONEIRO!
PI
- Mariani, vou levar a chave comigo, quando vierem buscar, pede pra pegar lá na oficina
PI
- Tá ok, vou avisar.
- Moça, pega o que você precisa, tranca o carro. Quer que te deixe em casa?
- Não, deixa, eu vou a pé, vou ver se encontro meus avós no caminho.
Até porque…coitada da velhinha, tava indo se rastejando pra me encontrar e eu ia simplesmente embora?
Liguei e ela tava no ônibus, dando uma volta sensacional. Mandei descer e voltar pra casa que eu encontrava ela por lá
- Ta bom, filha. Mas você ta com o controle e a chave de casa, né?
- Esqueci no carro *tapa na testa*
- Me espera no portão então
Camelei, quase morri atropelada, mas cheguei em casa. E minha vó não estava lá ainda. Fiquei esperando mais uns 10 minutos e ela enfim chegou. Nisso meu horário de entrada no serviço já tinha passado há muito. Bom, tudo bem!
Contei a história toda pra minha vó, ela quase surtou, falou um monte “como você deixa isso acontecer? E agora como eu vou pagar? Você não forçou nada?” e mais um monte de coisa que eu não ouvi.
Fui conferir se tava tudo na minha bolsa, descobri que meu almoço vazou. Peguei outra vasilha, coloquei tudo lá dentro e fui pro ponto de ônibus. Tentei ligar meu mp3 e nada. Não queria ligar. Forcei e ele começou a tocar, fiquei tranquila!
Uns 10 minutos e eu vejo um ponto azul e vermelho vindo na minha direção. Finalmente a lata de sardinha chegou e eu podia sair dali.
R$ 3,25 a menos, o ônibus estava vazio, mas não o suficiente pra eu sentar. Tá bom, eu suporto. Ele subiu no mesmo viaduto que meu carro parou e então eu vejo um trânsito do inferno. Tavam fazendo blitz em cima do viaduto ¬¬
Passamos, eu vi meu carrinho lindo brilhando no posto. Entramos em São Vicente, eu jurei que metade ia descer para eu sentar e nada. Continuo em pé, tudo bem (graças a Deus hoje eu tô de sapato baixo)
Na praia em São Vicente o ônibus parou de novo. Mais trânsito. Os bonitinhos da CET acharam que o dia estava lindo e belo para TESTAR os radares da praia e pra isso fecharam 3 das 4 pistas. Mas pra que tanta pista só pra testar uma porra de radar? Ah, pára!
Andando a 5 km/h finalmente saímos do inferno e entramos no caos total! Das 4 pistas, 4 estavam fechadas e fomos obrigados e entrar no estacionamento da praia pra poder voltar pra pista. Agora alguém me explica o que que passa na cabeça do Einsten que pensou nisso? O cara acordou falando “vou fuder todo mundo hoje”.
Passamos…finalmente.
Algumas pessoas desceram na divisa São Vicente – Santos e eu pude sentar (lá no fundo). As coisas melhoraram? Que nada meu bem, senta que lá vem história!
Meu mp3 parou de funcionar de vez, eu esqueci o fone do meu celular. Guardei tudo na bolsa e começo a escutar o papo de dois moços atrás de mim.
- Porque só tem corno filha da puta. Eu to quieto na minha e cara vem implicar
- É foda. Outro dia um veio falar umas besteiras pra mim na porta da minha casa, mas eu fiz o cara chorar.
- É uma falta de respeito. Tudo filha da puta.
Enfim, eu não sei do que tavam falando, mas falaram sobre isso durante o caminho todo.
Entramos em Santos e o trânsito parou de novo. Outra blitz. Claro que das 431 pistas, 430 estavam fechadas e levamos um tempo ENORME pra passar. Nisso uma senhora entrou no ônibus e sentou do meu lado. Uma portuguesa que falava mais baixo que formiga sussurando no seu ouvido, e ela esperava que eu respondesse. Eu, educada, respondia não sabia o que. Mas não é que ela gostou do papo e continou? E sentou bem colada em mim? E a colônia dela já impregnando em mim? É..é hoje. Eu sou educada, eu converso, mas cara…não hoje…não hoje…
Ela resolveu que era hora de sentar na frente. Suspirei aliviada e logo chegou meu ponto.
Desci na frente do hospital, virei a rua e um moço praticamente me agarra pra falar que gostou de mim. Mandei ele pra putaquepariu e sai andando. Vai cantar outra, hoje eu não tava inspirada.
Cheguei para trabalhar, sentei no meu querido computador já imaginando os 475 emails, mas e a internet? A NET não tava funcionando e meu chefe surtando.
PI
- Filha, você tá com o cartão do seguro? Os caras da CET tão sem guincho, vou ter que pedir pra alguém da seguradora rebocar teu carro.
PI
- Não, mãe, tá com a vó.
PI
- Ela não acha nem a chave reserva e nem o cartão.
PI
- Eu vou resolver isso, perai
Liguei pra minha vó.
- Você não tem ao menos o telefone de lá? Não é possível que não peguem sem a chave. CET tira carro de local proibido com ele todo travado. Ou alguém passa no mecânico.
- Aí, liga pra lá então e resolve, sua mãe não consegue. O número é tal.
PI
- Filha, achou o cartão?
PI
- Não, mãe. Eles não podem pegar a chave no mecânico antes?
PI
- Eu já liguei, falaram que não, tem que ter chave e responsável
PI
- Mas eu mando o vô lá, ele assina, e pegam sem chave mesmo. Qual a dificuldade?
PI
- Olha, é o seguinte. Ou essa chave aparece ou teu carro vai ficar lá, eles não vão tirar sem chave, além do mais você deixou a porra do carro engatado e eu tenho que resolver tudo e o Jusmar tá esperando
PI
- Tá, tá, tá…esquece, deixa ele lá.
PI
- No meu almoço eu vou lá e dou um jeito, caraleo.
Toca o telefone
- Achei a chave, liguei na seguradora, mas só que querem levar o mecânico lá antes
- Mas pra que, vó? Já não falou que é a correia? É só pra levar no mecânico, só isso
- Eles querem.
- Então ta
- Tá nervosa?
- Minha mãe ta descontando a raiva do mundo em mim, quer que eu esteja como?
PI
- Mãe, tão indo com o mecânico pra resolver
PI
- Desculpa meu nervosismo, mas é sua vó ligando, é seu padrasto ligando, é o Jusmar ligando, é você ligando.
PI
- E eu to sorrindo, né? Mas tudo bem.
Isso muito resumido em uma manhã. Tô até com medo da tarde uhauhauhauhauhauhauhauhaauhauhauauhauhauha
Claro que desgraça pouca é bobagem.
Logo que eu cheguei no serviço o menino da filial me liga pra avisar que o computador quebrou.
O alarme do carro da guria que trabalha comigo não tá funcionando.
A contato apareceu com uma reunião urgente que ia tinha que ir pra apresentar um layout e claro que eu não tinha a logomarca porque tava no email da menina e não tinha como vir para o meu (estavamos sem internet, lembram?). Acabei escaneando um cartão e redesenhei.
Fala aí, só o Pedro é zicado? =P
- Já mandou seu e-mail para a nova seção do blog? Fala que eu te escuto já vai começar a atender quinta-feira agora…corrão!
- Sabem a logo que eu redesenhei e fiz a arte correndo? Acabei de ganhar um beijo da contato. Ela vendeu! Finalmente a tarde está mudando ahuhauhauhauhahua
- Notícias de última hora: meu carro só fica pronto provavelmente segunda-feira, ou seja, acho que vai rolar stress no busão todo dia e vocês vão ganhar vários textos todos os dias




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