Como prometido em!
Antes do horário previsto… só porque é o primeiro.
***
Quando Jonas olhou para a pilha de pastas em sua mesa, soube que ainda teria mais umas duas horas de trabalho antes de poder finalmente ir para casa e dormir por um curto período antes de voltar para o escritório. Não que ir para “casa” era algo que realmente valia como um prêmio para ele. Morava em um quarto de hotel de quinta no centro da cidade, quarto que ele carinhosamente chamava de O Cu do Mundo. Não era nada reconfortante pensar que depois de mais de 18 horas seguidas de trabalho – pelo terceiro dia consecutivo – ele teria que voltar a aquele antro para tentar dormir em meio ao cheiro de mofo e mijo impregnado nas paredes do hotel.
Mas Jonas sabia, que tudo isso, a vida de merda que ele levava e o sofrimento de 3 anos, ele finalmente tinha a chance de conseguir a promoção que sempre sonhou e que sempre mereceu. Desde que entrou na empresa, com 23 anos, ele sempre fora um funcionário exemplar, errava pouco e fazia o trabalho dele e consertava o trabalho de outros. Como acontece com todas as raras pessoas que são como Jonas, ele jamais recebia o reconhecimento que deveria. Até que esse último projeto apareceu e conseguiu assumir toda a responsabilidade por ele. Na verdade, ficou com ele pois ninguém mais tinha a coragem de assumir o projeto, que era um risco para a empresa, mas que se funcionasse, renderia um contrato tão grande que o diretor geral disse a ele que ele se tornaria Diretor de Projetos no mesmo dia.
Tudo valia a pena, tudo. Era o sonho de todo mundo que ele conhecera, ter a chance de se por a prova, ter a chance de crescer por méritos próprios e começar a ganhar um salário maior que a maioria dos colegas juntos. Era a chance da sua vida.
Já passava da meia-noite e não havia ninguém na empresa, a única luz era a do monitor e do pequeno abajur da Baia 38, o lugar que Jonas carinhosamente chamava de Casa. Ele parou por um minuto, se esticou na sua cadeira e decidiu que poderia fazer um pouco mais de café e fumar um cigarro no banheiro do almoxarifado. Ninguém usava o banheiro do almoxarifado desde que Carlos Lacerda praticamente o destruiu, passando a ser chamado pelos queridos colegas de Carlos La Merda depois do ocorrido.
Quando Jonas estava no meio do caminho da cozinha, uma coisa muito estranha ocorreu. No início, ele não entendeu o que estava acontecendo, até que todas as telas dos mais de 120 computadores de repente acenderam ao mesmo tempo. O andar, que estava praticamente sem luz alguma, ficou completamente iluminado com uma luz azul. Alguns fones ligados nos computadores fizeram ressoas o som das centenas de Windows sendo iniciados. Jonas olhava sem acreditar e com uma sensação muito forte de que algo estaria muito errado que fazia com que ele sequer respirasse um pouco mais fundo.
Depois do que pareceu a ele duas horas, ele conseguiu se mover – lentamente – em direção a cozinha. Conseguiu de alguma forma colocar a máquina do café para fazer a mistura fraca que eles diziam ser café. Jonas não podia de forma alguma pensar que aquilo devia ser o cansaço e que todos os computadores da empresa simplesmente não ligaram enquanto ele ia para a cozinha. A luz intensa dos monitores brilhavam de tal forma que ele nem precisou acender a luz da cozinha. Na verdade, ele tinha certeza que ficaria extremamente apavorado se tentasse o interruptor e a luz não acendesse que decidiu que não precisava de mais uma dose de tensão.
No caminho de volta, com a garrafinha cheia e uma xícara de café quente e ralo nas mãos, Jonas ainda andava devagar, com medo não sabia ao certo de que, mas tinha a impressão que se andasse rápido ele provavelmente correria para outro estado. Ele não conseguiu depois se lembrar direito, mas mais ou menos no mesmo ponto em que estava quando os computadores ligaram, todos sem exceção desligaram ao mesmo tempo.
Jonas permaneceu imóvel. De certo modo, assim que os computadores ligaram, ele teve a sensação que todos desligariam assim que estivesse a caminho de sua mesa. Isso não pegou Jonas de surpresa, por mais bizarro que pudesse parecer. Não se preocupou com o trabalho inacabado. Havia salvo os arquivos antes de se levantar. O que realmente pegou ele de surpresa e o deixou tremendo tanto que ele duvidou que conseguiria segurar a garrafa e a xícara por muito tempo, foram os passos pesados que ele escutou em pelo menos 3 pontos do escritório.
Um dos passos foi logo atrás dele, e pela respiração pesada que ele ouviu em algum ponto acima do seu ombro esquerdo ele duvidou que o que quer que fosse que estava atrás dele, fosse humano. E o pior, tinha certeza que não era pequeno. E exalava podridão, sangue e morte.
O suor descia profusamente da testa e metade do café que havia na xícara estava nas suas roupas e no chão. A “criatura” que estava atrás dele apesar de poder fazer isso, não o estava atacando, apenas sentindo o seu cheiro. E Jonas sabia qual cheiro ele exalava fortemente naquele momento: puro e claro medo. Ele não sabia como, mas nem das janelas ele via qualquer luz, seja das estrelas ou dos postes. Ele se sentia dentro de uma caverna, ou em uma tumba, pensamento que ele rapidamente tirou da cabeça.
Sem perceber deixou a xícara se espatifar no chão. A luz de repente começou a voltar e em segundos o escritório estava da mesma forma como quando ele se levantara para fazer café. Jonas ainda segurava a garrafa térmica, mas a xícara estava em pedaços e havia café para todo lado. Suas roupas, já amareladas pelo intenso uso e pelo suor de cada dia, estavam grudadas no corpo. Ele tremia da cabeça aos pés.
Quando Jonas percebeu, ele estava de novo sentado na sua mesa, não conseguia pensar, simplesmente nenhum pensamento passava por sua cabeça. Tinha uma vaga lembrança do que estava fazendo ali na empresa até àquela hora, e não tinha nenhuma ideia sobre o que tinha acontecido momentos antes.
Jonas ficou ali parado por horas sem se mover, pelo menos pareceu a ele uma eternidade. Até começar a se mexer novamente. Foi ficando mais calmo, e voltou pegar os papéis e foi com o mouse até a pasta do projeto em que estava trabalhando no computador, tudo o que acontecera já parecia um sonho distante em sua mente. Até o momento em que ao abrir a pasta de arquivos, Jonas viu que a pasta estava vazia. Tudo que estava trabalhando havia semanas e intensamente nos últimos dias, se perdera.
Jonas perdeu o ar, procurou loucamente pelos arquivos. Nada, nenhum registro. Usou os programas que ele tinha para recuperação de arquivos deletados e nada. O computador estava dizendo a ele que aqueles arquivos nunca estiveram ali.
Jonas tremia, não de medo, mas de ódio.
Começou a gritar furiosamente. Seu mundo e sua mente se despedaçavam.
Virou sua mesa, e com o teclado destruiu completamente o seu computador. Levantou-se e foi em direção a porta para ir embora, ele sabia que se ficasse ali mais um minuto iria dar um jeito de explodir todo o andar.
Assim que colocou a mão na maçaneta, tudo ficou escuro novamente. O medo voltou como um soco no estômago e Jonas mal conseguiu se manter em pé. Tudo que ele pensava era, Me matem de uma vez! Por favor, me matem acabem logo com isso.
Ele conseguiu abrir a porta, saiu rápido para o corredor e foi direto para as escadas. Nem por um momento passou pela cabeça dele entrar no elevador. Jonas entrou e começou a descer as escadas. A empresa ficava no 8º andar e rapidamente ele chegaria à portaria do prédio. Prometeu a si mesmo nunca mais pisar naquele lugar.
Enquanto descia a razão começava a voltar e Jonas percebia que estava mais perdido que nunca. O certo seria voltar no outro dia e dizer o que tinha acontecido, tinham que acreditar nele. O que é que eu estou pensando? Nem eu mesmo acredito, eu nem mesmo sei o que aconteceu. Jonas então olhou para a placa na porta abaixo da escada: 3º Andar. Só mais um pouco, pensou ele.
Após descer mais três lances de escada Jonas nem olhou para a placa. Tentou abrir a porta, mas ela estava trancada, olhou para cima, mas seus olhos não acreditaram no que viram: 7º Andar.
Jonas foi se afastando da porta, olhou para baixo, no parapeito e depois para cima. Não viu nem fundo, nem fim. Desesperado, desceu pulando os lances de escada pelo menos 10 andares, olhou para a porta: 5º Andar. O peito subia e descia enquanto ele tentava respirar.
Subiu.
Chegou ao 8º Andar e girou a maçaneta. A porta estava trancada.
Gritou, desesperadamente e começou a chorar de desespero. O que estava acontecendo? Por que aquilo estava acontecendo com ele? Por que? O que significava aquilo? Pelo que exatamente estava sendo punido?
A essas perguntas, Jonas nunca conseguiu respostas.
A única coisa que ele conseguiu, foi parar com as perguntas. Ele conseguira, depois de muito esforço, rachar sua cabeça ao meio de tanto batê-la contra a porta do 8º Andar.
***
1 – Como esse é o primeiro conto peço um pouco de paciência. Prometo que vou melhorar com o tempo. Espero que gostem.
2 – Já tenho algumas histórias na cabeça para pelo menos 4 posts do Contos da Cripta, o que é bom, já que isso quer dizer 8 semanas sem me preocupar com o conteúdo dessa coluna. Se eu me empolgar, posso transformar isso em semanal, mas acho difícil.
3 – Olha, não sei vocês, mas eu piraria foda se isso acontecesse comigo.

Tim Burton acabou com a minha infância mágica e tenho dito!
Eu já vejo milhares de pessoas arremessando pedras contra mim, mas não tô nem aí. Eu preciso falar da minha não veneração por Tim Burton.
Toda vez que um filme novo dele é lançado começa a bajulação. “Ele é o cara”. Mas eu não concordo – em partes!
Ele pode ser o cara da animação, o cara do efeito especial, o cara do tema sombrio, o cara da direção; mas ele destruiu minha infância e vou lhes dizer por quê.
Eu já tinha um certo “medo” dele por causa de alguns filmes, mas até conseguia encarar. Eu gosto de terror, eu gosto de temas sombrios. Mas sempre terminava o filme com aquela sensação esquisita de “a porta vai abrir e o Johnny Deep malvado vai entrar e me enlouquecer…”. No entanto depois passava, e se esse era o objetivo do Tim Burton, ele é o cara porque sempre conseguiu.
Só que aí a gente no momento “como Tim Burton destruiu minha infância”.
Eu sempre fui uma criança fofa! Não no sentido literal, eu era a criança que toda mamãe sempre quis. Loirinha, pequena, delicada, calma, paciente. Não chorava pra sair do parquinho, não dava escândalo no meio do shopping e ficava quietinha vendo desenho na televisão – fique claro que eu vivia sim, eu só era educadinha…
Enfim, eu vivia um conto de fadas lindo e colorido. Aí chega esse porra do Tim Burton e faz uma versão cruel dos meus desenhos e filmes lindinhos! Primeiro meu momento choque foi com “A fantástica fábrica de chocolate”.
O Willy Wonka não é um moço mau, ele é triste. Minhas lembranças do filme quando via quando era criança era de um Wonka coitado e não um sádico. Sem contar os Oompa-Loompas que parecem ajudar Wonka a ser malvado. Talvez por ser criança eu visse de outra forma, talvez. Mas a versão Tim Burton me assustou.
Efeitos ótimos, não nego, mas poxa, acabou com a minha infância.
Agora é a vez de Alice. Na minha cabeça é uma ficção bonitinha, tem seu lado “pesado”, mas não é algo que deixa uma criança com medo. Agora vem a versão sombria de Tim Burton. Que que é a cara do chapeleiro maluco? Até a parte que eu sei ele é maluco e não estranho. Só as cenas que eu vejo já não me deixam interessada no filme e sim com medo de nunca ver a Alice como uma menina bonitinha. #medo
Esse post é um desabafo na verdade, sabem? Eu tô cansada de ver todo mundo babando o ovo do Tim Burton e ninguém se opor. É ridículo! Não critico ele como profissional, mas pelo o que ele fez com meus clássicos, pela arte do sombrio. É legal um friozinho na barriga? É, mas “vamos não estar acabando” com a fofura?
- Podem falar o quiser, até mesmo que o texto é curto – um milagre. Mas é só um “eu preciso falar e acabou”. Agora eu sou uma pessoa bem mais feliz!
- Realmente não vou ficar me justificando, e até por isso o texto é curto, mas vamos levar em consideração que falar de sentimentos (no caso, “medo”) não tem explicação.
- Beijos pro povo do blog que eu tava morrendo de saudade…a correria é eterna, mas a lembrança está viva!

Eu costumo ser uma pessoa bem sincera. Tenho vários medos, mas um que não tenho é de admitir que os tenho. Isso aliás é uma das coisas que eu costumo gostar mais nas pessoas no final das contas. Não a capacidade de admitir suas falhas ou seus medos, mas eles mesmos. São essas pequenas peculiaridades que fazem da pessoa o que ela é, são essas pequenas coisas que fazem com que você ame ou odeie alguém. Eu amo e odeio o ser humano então ele me chama atenção. É o que minha maluca professora de Fotografia chamava de punctum.
De qualquer forma, morro de medo de avião. Só de pensar na possibilidade eu já fico ansioso, coração acelera, penso em várias merdas que podem acontecer. Eu sempre imaginei como seria minha primeira viagem de avião, obviamente, porque como tenho uma vontade grande de conhecer outros países – principalmente Inglaterra – eu teria que de uma forma ou de outra entrar num maldito avião. Só não imaginei que fosse acontecer tão cedo.
Há aproximadamente duas semanas – ou mais – meu irmão chegou pra mim e disse:
- Você vai pra fórmula 1.
- HAN!?
- É. Você vai pra fórmula 1.
- Como assim?
- Uai, indo.
- O_O (minha cara)
- De ônibus né?
- ¬_¬ (cara do meu irmão)
Bom, depois de muita discussão, medo e tal, comprei a passagem e lá vou eu… Daqui umas dez horas estarei entrando em uma caixa de metal que voa. Não é um pensamento muito animador, mas esse fim de semana em são paulo promete ser o melhor da minha vida.
De qualquer modo, ligarei para algumas pessoas dizendo que as amo para o caso de acontecer alguma coisa, o que na verdade é errado, já que devemos dizer que amamos as pessoas que amamos em um dia qualquer. Bom, você que lê isso aqui também é importante.
Obrigado por tudo! (caso aconteça algo) =D
***
Mudei! e por incrível que pareça não aconteceu nada de engraçado, estranho ou que valha a pena contar aqui. Mas conto que estou morando muito bem, a vista é linda, e as janelas do meu quarto e da varanda dão para a piscina do condomínio ao lado. Ou seja, como sou meio vouyer acho que vou postar algumas coisas sobre os vizinhos e claro, sobre as gostosas de biquíni.
Vale contar também, como é estranho acordar em um lugar, acordar no seu lar de todo o dia e no mesmo dia dormir em outro lugar que por definição agora é sua casa. Demorei por volta de uns 4 meses para acostumar com o apartamento agora antigo. Morei 20 anos na mesma casa – com terreiro e tudo mais -, e do nada mudar para um apartamento em outra cidade foi meio assustador. Agora é diferente, já estou acostumado com a cidade, com o estilo de vida e tudo mais. Então a adaptação será mais rápida.
Á, antes que eu me esqueça, tem uma sinuca no meu prédio. #morramdeinveja
***
Só para terminar o post, tenho que contar isso:
Algumas roupas minhas estavam em Monlevade, o que é desesperador por causa da viagem – eu realmente precisava das roupas que estavam lá – minha mãe então montou uma força-tarefa para mandar as roupas para BH.
Não é que ela foi para a rodoviária de monlevade com as duas malinhas, encontrou com uma completa estranha que coincidentemente também iria para o grande prêmio do Brasil, combinou com ela para trazer as malas para BH. Eu como sempre, cheguei atrasado, mas consegui pegar as malas com a moça – Cristiane – que obviamene estava meio puta comigo pelo atraso. No mínimo pensou “puta menino folgado! trago a porra da mala e ainda atrasa”.
De qualquer forma, Cristiane, muito obrigado e desculpa mesmo.
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1 – Como terei acesso a internet em são paulo, postarei sobre cada dia.
2 – Essa promessa eu vou cumprir
3 – Prometo

(foto deste post aqui – quase o mesmo tema)
Prepare-se, você está prestes a entrar num mundo fantástico de bravura, medo, aflição e da eterna luta da Luz contra as Sombras. Tá, nem tanto. Esta é uma pequena história de um cara que tem medo de altura, uma preguiça imensa de trocar lâmpadas e de um maldito controle remoto sumido.
Como eu disse aqui, moro sozinho desde janeiro de 2007. Desde então tenho passado por privações incomuns à vida que eu levava antes. Coisas como lavar roupa, lavar vasilha, colocar o lixo para fora, varrer – VARRER – uma casa, fazer (tentar fazer) comida e é claro… trocar lâmpadas. Por escolha do destino – ou do meu irmão que escolheu este singelo apartamento para viver – eu moro em um prédio que pelas minhas contas foi construído em 1614. Portanto tudo no prédio é antigo, incluindo sua fiação.
Nada mais comum do que chegar em casa, acender a luz de qualquer cômodo e… TUPLOFT! A lâmpada queimar. Já devo ter comprado mais lâmpadas que uma pessoa já comprou a vida toda, não, não estou brincando. Juntando meu medo de altura – SIM, a altura de um tamborete para mim é altura – com a minha preguiça latente, eu jamais troco as lâmpadas aqui em casa. Tarefa para o meu irritado irmão que toda vez que ele tem que fazer isso, faz questão de declamar suas palavras nefastas contra mim.
Eis que um dia desses, eu cansado de ouvir a ladainha de sempre, resolvi trocar uma das malditas lâmpadas, acho que foi a do banheiro, que queima de 2 em 2 semanas. Neste dia, para minha felicidade extrema, descobri que não alcanço nenhuma das lâmpadas! Em júbilo completo, disse pomposamente para meu irmão que eu não alcançava as lâmpadas e que não poderia nunca trocá-las. Evitei ter que subir em tamboretes tremendo feito vara verde e ainda por cima me livrei dos sermões.
Até que… meu irmão viajou a trabalho. Ele sempre viaja, mas desta vez foi por muito tempo. O Puto está em Salvador, trabalhando… é trabalhando, mas você sabe: Salvador + Carnaval = trabalho + putaria + diversão + loucura + tudo mais. Eu sou meio azarado, logo Murphy me ama. Dois dias depois de ele viajar, já contabilizava 3 malditas lâmpadas queimadas e uma que voltou à vida – Graças a Deus. A lâmpada que voltou a vida milagrosamente é uma das mais importantes, a do banheiro. Em contrapartida perdi outra muito importante, a da sala de televisão.
Passaram-se mais dois dias até que eu perdi o controle da televisão. Procura, procura, procura, procura e nada. Sem luz na metade da casa, sozinho, carente, triste, cansado pra caralho e ainda por cima sem a merda do controle remoto.
Desde quarta vim observando a luz da sala, na esperança dela voltar à vida. Nada. Foi aí que percebi que a lâmpada ficava presa num negócio de lustre, pensei na hora “Acho que eu alcanço essa merda aí em!”. Cheguei da agência hoje decidido a fazer a troca. Como eu disse sou preguiçoso, e já fiquei meio sem vontade de ir até a padaria comprar uma lâmpada. Até que por ‘sorte’ encontrei uma lâmpada que funcionava no quarto do meu irmão, um pequeno abajur.
Fui tomar banho antes, e no meio do banho comecei a pensar “É só eu subir na mesa de centro, pisando no canto de madeira e trocar… é tranqüilo”, mas aí surge uma segunda voz:
“É sobe lá sim, a mesa pode quebrar junto com o vidro e você rasgar a perna”
“Deixa de ser paranóico… bem, pode acontecer, mas é só gritar para Dona Zéu chamar o SAMUR”
“Vai acontecer nada não seu maluco!”
“Aaaa, sei lá viu… não to afim de rasgar a perna estando sozinho”
“Seu idiota, desde quando alguém está afim de rasgar uma perna? De qualquer maneira, você ainda pode tomar um choque, cair e bater a cabeça”
“Putaquepariu!”
Saí do banho com a certeza que não ia trocar nunca aquela merda de lâmpada. Só que também estava cansado de comer no escuro – o que convenhamos é uma merda também, sempre imagino que posso comer um inseto, sei lá, sem ver – e queria achar o maldito controle remoto.
Como sou um homem e não um rato. Peguei a lâmpada e fui decidido, liguei a TV para dar uma luz, abri a janela caso precisasse gritar por ajuda e subir na mesa de centro. Na boa, quase me caguei de medo. Veja bem, a mesa deve ter um 40 centímetros de altura, mas eu não conseguia parar de ver as juntas se abrindo e pregos rasgando minha perna. Tremendo igual naturista no pólo norte, olhei pra cima e vi que além de tudo teria que me envergar para trás para conseguir trocar o negócio. Desisti aí.
Desisti da mesa, fui até o banheiro e peguei o tamborete onde ficam as ‘leituras’ de banheiro e fui para a sala. Subi rapidamente, troquei a merda da lâmpada, desci, bati no interruptor e voilà a luz acendeu. Incrível como a gente perde o medo quando está extremamente puto com alguma coisa.
Mas a história não acaba aqui. Ainda faltava o controle desprovido de graça – vulgo desgraçado. Resolvi lançar um desafio no two eater. Voltei para a sala, procurei embaixo das almofadas como disseram @rafaelpbc e @festerblog, olhei na geladeira embaixo da margarina como palpitou o @jottape, pedindo a São Brito – coisa do @rodrigobarba – procurei atrás do sofá e por conseguinte embaixo dele como havia dito o @justplay. Não dei os três gritos para São Brito, mas achei o danado. Embaixo do sofá.
Feliz da vida fui até a padaria comprar um mega sanduíche-íche, mas morrendo de medo de ouvir um TUPLOFT, quando voltasse.
***
1 – Ao ganhador do desafio eu prometi links a semana toda aqui no blog, apesar do que o RR diga, ninguém acertou em cheio. Mas argumentou que atrás do sofá é o mesmo que embaixo do sofá, então visitem o Justplay – que ganha link aqui de qualquer jeito.
2 – Além disso agradeço aos participantes, Rodrigo, Rafael PBC, Diego e Jotta.
3 – Mais mimimi sobre post pago, o post do RafaBarbosa diz tudo.



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