Eu sabia que não iria resistir… sabia que ia acabar falando de Big Brother de novo aqui. Nada contra, mas essa edição – tirando, é claro, os momentos de glória de Marcelo Dourado – é uma das mais fracas dos últimos anos. De qualquer forma, não estou aqui para falar de BBB propriamente dito, mas sim da discussão que vem rolando sobre preconceito e tudo mais. Já que esse é um tema recorrente aqui no blog, além disso dá uma audiência do caramba (juntando dá uns 200 comentários) resolvi voltar ao tema mais uma vez.

Já falei sobre preconceito de forma geral aqui, já falei sobre um caso de preconceito no Carrefour, e já até falei sobre aquele comercial do Doritos. O @diegocamara já falou de preconceito religioso aqui, e a @fouquet já falou de amigos gays aqui também.

A discussão nesse post será baseada em um questionamento que algumas pessoas vem se fazendo e que a permanência de Dourado na casa do BBB mostra que as coisas podem estar mudando, ou não. Vou fazer umas perguntas pra você, e vou tentar respondê-las depois, acompanhe comigo:

- Por que os homossexuais podem ter orgulho de serem gays e heterossexuais não podem ter orgulho de serem heterossexuais?

Na boa, eu não entendo isso. Só de escrever, ou pensar isso, um bando de gente vai pensar que o que eu estou falando um absurdo. Veja bem, estou vendo as coisas de forma clara e lúcida. Eu não sou nenhum neonazista que insurge contra qualquer minoria, eu posso imaginar o preconceito que essas pessoas sofreram a vida toda e tudo mais… não é isso que eu quero dizer. Estou falando de pessoas que apesar de não fazerem nada disso, só de falar que tem orgulho em ser “maioria” já é taxado de homofóbico. Porra man, desculpa aí, mas se você é de alguma minoria, eu não tenho que me desculpar por isso. Não jogo pedras em você, não trato você diferente, mas tenho as minhas crenças e minhas idéias. Não tenho que ter dózinha de você.

Hoje em dia, qualquer coisa que você fala, é preconceito. É por isso que mataram o humor nesse país. Tá todo mundo cheio dos não-me-toques, cheio de coisinha, cheio de frescura – sem trocadilho.

- Por que um negro pode ter orgulho de ser negro e um branco não?

Idem à resposta de cima. Só que com acréscimos… as pessoas ainda tem um medo enorme de Hitler e seu legado. Tudo bem um jogador fazer um gol e levantar a camisa para aparecer um 100% preto, v1da l0k4 e whatever. 100% jesus também pode. Agora, deixa um cara levantar um 100% branco ou 100% ateu pra você ver no que vai dar.

Antes que você comece a falar besteiras nos comentários, eu estudei história no “culégio”. Sei o que você vai falar, mas estou apenas tentando mostrar o meu ponto de vista, de que as “minorias” tão coitadas se velaram e acreditam tanto nessa paranóia toda que é um absurdo imenso isso passar pela minha cabeça.

Não estou diminuindo as coisas, não estou minimizando o sofrimento de ninguém. Estou apenas levantando uma discussão. Nós aprendemos a ter medo de falar o que pensamos [ditadura feelings?], aprendemos que é errado pensar numa coisa dessas, mas no fundo, sustento o que eu disse no meu primeiro texto sobre preconceito: todo mundo é preconceituoso, em graus diferentes, mas todos somos.

- Por que as pessoas confundem personalidade com homofobia?

Hipocrisia, medo, paranóia e lavagem cerebral.

Voltemos à Dourado, Dicésar e o BBB 10. Marcelo Dourado foi chamado de homofóbico o programa inteiro, agora pelo pouco que eu vi, li e ouvi eu cheguei a conclusão que não tem nada disso. Marcelo Dourado tem personalidade, o que é raro… muito raro nesse país.

É quase proibido ter personalidade nesse país. Pessoas ficam horrorizadas com isso, porque não entendem o que é ter opinião formada. Pessoas não entendem o que é defender suas opiniões. Pessoas estão acostumadas a repetir feito maritacas o que lhes é dito pela mídia todos os dias. Pessoas estão acostumadas a serem medíocres e por isso não entendem como uma pessoa pode ser diferente disso.

Estranho não? O papo não é exatamente sobre isso? Diferença?

É o que eu disse lá em cima, não é porque Dicésar é homossexual, “Dlag Glamurosa” que Dourado tem que tratá-lo de forma diferente. E é exatamente aí que eu queria chegar.

Porra, quando eu sou TUDO menos homofóbico, xenófobo, esprófobo, spencer e whatever, é que eu sou taxado como um. MAS QUE PORRA É ESSA? Veja bem, por Dourado tratar Dicésar como um “igual” ele foi taxado de homofóbico. Explico o igual entre aspas.

Não é porque eu estou no mesmo lugar que um gay, que eu não posso dizer que nunca na vida usaria… sei lá, hidratante, que isso é coisa de mocinha. É exatamente por dizer isso sem problema algum na frente de um gay que eu estou tratando ele da mesma forma que trataria qualquer pessoa. Olhe como as coisas estão completamente ao contrário, eu entendo como preconceito e discriminação, quando você deixa de fazer coisas que faria normalmente por estar perto de um gay, um negro, um qualquer-outra-”minoria”.

Mas como aqui no Brasil, tudo é deturpado, nós aprendemos que temos que fazer EXATAMENTE o contrário. Ou seja, o certo aqui é ser preconceituoso mas não deixar jamais as pessoas saberem disso. Por isso é que quando somos pessoas com personalidade, esclarecidas, com inteligência e discernimento suficiente para não agirmos desse modo hipócrita, somos taxados de preconceituosos.

Todos são preconceituosos, gays, negros, gordos, magrelos, japoneses, índios, brancos, roxos com quadrados amarelos. Só que nem todos são hipócritas. A maioria é, mas nem todos.

Valeu Dourado, por ensinar uma lição e por não desistir. Por ter me feito acreditar novamente que é possível mudar a cabeça de algumas pessoas.

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1 – Já tem link demais no post

2 – Eu já falei demais