
Quando comprei minha cama. Fim do post. Um abraço.
Como você talvez saiba, eu me mudei faz um ano e meio do Santo Antônio e me livrei dos vizinhos loucos, do mítico Seu Nabi, e das loucuras daquele apartamento. Apesar de tudo, ainda tenho algumas saudades daquele apartamento, mas isso é muito mais por eu ser um nostálgico por natureza do que por realmente sentir falta de lá.
Eu sabia – na época – que teria problemas. Até os 20 anos, mais ou menos, eu morei no mesmo lugar, minha querida casa em Monlevade. A mudança em si para BH não foi tão alarmante porque eu já considerava o apartamento do Sto. Antônio como uma segunda casa. Então essa foi a primeira vez. Iria pra um lugar completamente diferente. Tudo bem, já que eu estaria levando os meus travesseiros, se eu tiver com eles – durmo com no mínimo quatro – pra mim tudo bem.
Só que existia um problema. O meu novo quarto era tão foda (foda significando armários – um monte deles – e eu sempre quis armários) que não seria tão fácil conquistá-lo. Eu sempre usei aquelas camas normais de solteiro, com estrado, cabeceira e tudo mais. E se eu te falar, que no quarto jamais entra uma cama dessas? Os tais armários foram feitos para uma cama Box de casal entrar e encaixar no meio da parada. Ou seja, me fudi – fortemente – mais uma vez.
Você tem noção de quanto custa uma cama? Você tem noção de quanto custa uma cama Box? Você tem noção de quanto custa uma cama Box de casal? Pois é. Eu tenho. Voltando um pouco. Assim que descobri que tinham me fudido, vi que teria que comprar uma cama. E o meu quarto era tão bonito, tão cheio de armários, tão cheio de portas, gavetas. Tem até duas portinhas que deslizam! Porra, fala sério, é um vitória na vida de um homem ter um quarto com um armário de portinhas deslizantes.
Mas derrota maior é não poder usufruir de tudo isso.
E eu me recusava a usá-lo. Como poderia eu cometer tal sacrilégio? Não. Minha honra não me deixaria. Até que… bem… até que eu não agüentar mais dormir no escritório apertado. Imagina, uma cama, uma escrivaninha, computador e o cacete, num espaço mínimo! Sendo que eu tinha aquele campo de golfe para dormir. Um dia, cansado de tanta humilhação, de dar “Bom Dia e Licença” para a escrivaninha, me armei tal qual um guerreiro medieval, desmontei a malfadada cama que para mim já era um vilão barato de história em quadrinhos.
Como não havia pensado nisso antes? Peguei meu colchão (e o estrado) e coloquei na minha Meca. Suando em bicas, fiquei admirando meu trabalho. Primeiro coloquei o Estrado-Cama milimetricamente no meio. Depois arredei e encostei num dos cabideiros, depois encostei no outro. Estava louco pra deitar, mas precisava me preparar antes.
Tomei um banho, rindo por dentro – é claro. Agora sim começava uma nova vida, um novo quarto. Saí do banho, coloquei uma roupa, arrumei os travesseiros, coloquei o PSP, o celular, o cigarro e um cinzeiro milimetricamente lado a lado – espaçamento 5 – e me preparei para deitar…
(Pausa na História)
Leitor, na boa. O que eu vou dizer agora pode fazer você morrer de inveja de mim. É sério. Acho melhor você tomar cuidado. Não se brinca com essas coisas. Fiquei sabendo do caso de uma menina em Taboão da Serra que se suicidou ao saber que uma garota da sua sala tinha, além de sardas, essa mesma coisa que eu vou contar para você que eu também tenho.
Se quiser eu não conto.
Quer?
Tem certeza?
Sua conta e risco.
Eu sonhava com isso desde que me entendo por gente. A vida toda eu sonhei em um dia, talvez quando construísse minha própria casa, em ter algo assim. Lembro que todas as vezes que ia na casa da minha avó, eu voltava para casa REVOLTADO com meus pais ao mesmo tempo MARAVILHADO com a genialidade do dispositivo que eu secretamente queria pra mim.
No início, eu tinha medo do escuro. Mais tarde se tivesse um pontinho de luz se quer eu não conseguia dormir. E quando me transformei em um leitor, a falta disso me fez por várias vezes ter a vontade de quebrar paredes e fazer um eu mesmo. Ainda não sabe?
Vai mesmo querer saber?
Mesmo sabendo que eu agora tenho um e você não?
Tudo bem.
Desde que eu vi, eu quis ter um. Meu amigo, estou falando de UM INTERRUPTOR DE LUZ AO LADO DA CAMA!
Você tem noção de o quão genial é isso? Você tem noção do quanto eu achava um idiotice e uma burrice inacreditável não tem um disse em cada quarto de cada criança no mundo? Você tem noção de quantas vezes eu pedi isso para aquele velho desgraçado do pólo norte? Você tem noção que eu agora TENHO UM!?
CHUPA PAPAI NOEL!
(Talvez você nem ache tanta coisa, talvez você seja daquelas Pessoas Abajour. Eu não sou uma Pessoa Abajour, acho Abajour um nome de crítico de cinema que toma vinho em bares lendo um livro mas que secretamente A-D-O-R-A o filme Quatro Amigas e um Jeans Viajante. Eu detesto Abajour. O nome. E o produto só serve de decoração. Ler um livro vindo daquela luz é sacanagem. Com o escritor, não com você. Eu prefiro ter um filho veado do que escrever um livro pra ser lido com luz de Abajour.)
(Continuando a história)
(…) me preparei para deitar, não sem antes é claro olhar para aquele interruptor, sim leitor, um interruptor ali, ao alcance da mão, do meu lado. Soltei um “Se-fode-aí-interruptor-ao-lado-da-porta” e deitei.
No exato momento em que deitei, vi que tinha algo de errado. Aliás, tava tudo errado.
Levantei.
Por que eu me sentia tão estranho? Tava tudo ali, o interruptor, o Estrado-Cama, PSP, cigarro, cinzeiro, quatro travesseiros…
Era o Estrado-Cama. Tirei o estrado. Agora era Colchão-Cama.
Não adiantou.
Realizei ali, naquele instante, eu vi o futuro o presente e o passado. Vi galáxias, vi planetas, vi gnomos. Chegara a hora do garoto virar homem. Chegara a hora de cortar de vez quaisquer relações com a tenra infância.
Chegara a hora deu comprar minha própria cama. Isso, segundo a lei dos Homens de Verdade (lei número 37 para ser exato), se torna um Homem, apenas homem… o De Verdade é um título a ser conquistado após outras conquistas.
A Lei 37ª, Parágrafo Único, diz o seguinte:
Ao indivíduo até aqui chamado de Mancebo Desprovido de Hombridade, vulgo MADEHOM, é considerado como tal até a data em que adquirir – por meios lícitos -, ajudado por sua progenitora (opcional), o objeto-mor da fornicação e dos bons sonhos, a cama. Segue-se portanto a nomeação de Homem, apenas Homem, para o MADEHOM supra citado.
Comprei.
E como estava me tornando um Homem, um adulto, mais… muito mais que um Hominho, comprei uma cama. Box. E de casal.
Hoje eu tenho uma cama, e um interruptor ao alcance dos meus braços.
Posso morrer feliz. Um Homem, feliz.
***
1 – Como eu estava com saudades de escrever um texto maluco.
2 – Até você comprar sua própria cama, você não é nada mais que um garoto.
3 – Se alguém reclamar de quantidade de post, eu mato em.
4 – Pai, parabéns para você! Eu não estarei aí em casa para te dar um abraço, mas estarei de coração me divertindo por você! Feliz Aniversário!!
Eu estou aqui, de madrugada, cansado para caralho e sem sono. Lendo alguns feeds aqui tentando resgatar o sono perdido eu pensei na possibilidade de escrever, ultimamente – tenho que admitir – só de pensar em escrever eu já fico esgotado. Mas isso, acabo de descobrir, é porque ultimamente não ando com boas idéias sobre o que escrever aqui, até que agora surgiu uma coisa que eu queria falar há muito tempo mas não tive a oportunidade, vamos lá.
É fato que eu não sou uma das pessoas mais normais desse planeta, na verdade… ninguém é normal, mas alguns se sobressaem. Eu não estou tirando onda de doidão, mas as vezes me pego pensando numas coisas e me acho um maluco do caralho. Uma dessas coisas é um tipo de brincadeira que eu desenvolvi desde pequeno – figura no top five das minhas maluquices – que é inventar palavras incompreensíveis no meio de frases a qualquer momento.
Tempos depois de “inventar” essa besteira, foi que eu descobri que é uma forma um tanto besta de dar gargalhadas sozinho. Vou explicar melhor. Imagine o seguinte cenário: Você está no escritório onde trabalha e precisa explicar para o novo estagiário como você aplicou aquele efeito na foto que você estava tratando, só que no meio da explicação você vai jogando uns neologismos, tipo assim:
- Então, pra fazer isso aqui é só clicar com o botão direito do mouse e arrastar um wastenflavours pra esquerda.
- HÃ!? (seguido de um olhar de profundo desconhecimento)
Aproveitando o gancho, você completa…
- É o wastenflavours… tipo o plostenflovers do Ilustrator.
- … (a expressão beira o desespero e o choro)
Algumas pessoas são imunes é claro, e nem sempre você pode usar isso. Com o seu chefe por exemplo pode ser muito bom, ou muito ruim. Mas na maioria dos casos funciona. Tenho que deixar claro, que você tem que continuar até a pessoa sacar que você está só fazendo hora com a cara dela. É incrível como as pessoas não se tocam, principalmente se para elas você é uma figura respeitada. Ao invés de te achar um retardado, a pessoa vai se sentir uma estúpida foda por não estar entendendo aquilo que você diz com tanta naturalidade – diga sempre assim, como se aquilo fosse a coisa mais conhecida do mundo.
O desafio nem é fazer a pessoa cair na sua, o grande desafio é saber até que ponto você consegue segurar a risada das expressões faciais do seu alvo. Se você tiver um irmão mais novo, tente com ele.
Eu por exemplo tenho crises de riso quando faço isso com minha mãe. Isso porque ela tem a mania de ouvir coisas completamente diferentes do que você falou, tipo:
- Mãe, você trouxe o abacaxi?
- Hã? Mateus saiu daqui? (seguido de expressão –> o_O)
Falando da minha querida mãe, tenho que – antes de continuar – contar um pequeno detalhe sobre ela. Ela nunca diz meu nome quando quer falar comigo. Não ache estranho, minha mãe me chama de Pedro lá pela terceira ou quarta tentativa. Na boa, não é engraçado. Na verdade é, mas não pra mim. Outro dia, estava eu em Monlevade, deitado no sofá vendo TV quando escuto ela gritar:
- OZZZYYY, PEDRO MIJOU NO SEU QUARTO TODO TÁ!
Ozzy – se você não sabe, é o nome do meu cachorro. Isso é pouco… outro dia tinha algumas visitas lá em casa e minha mãe foi logo falando sobre o “cachorro”…
- Iiiih menina… você tem que ver, se deixar Pedro mija na casa toda.
- PORRA MÃE! EU sou Pedro, o nome do cachorro é Ozzy pô!
O pior é que o maldito cachorro olha pra mim com uma cara de pilantra, do tipo “Eu faço a bagunça e você leva a culpa, hihihihi”.
Bom, continuando com o post que são dicas para você rir sozinho e não rir de mim.
Eu uso esse pequeno desvio de atenção de mamãe para minha inocente brincadeira. Com ela eu faço isso em momentos em que ela está prestando atenção em qualquer coisa, por exemplo cozinhando alguma coisa.
- Mãããe!
- Que foi Mateus?.. é.. Fernando… Daniel.. menino.. Pedro! (é assim mesmo)
- Cê viu meu joguerplot?
- Hein? Onde cê pôs o pote?
- Não mãe! O joguerplot, deixei do lato do sponemflovi.
- Deixou pra Ozzy? (cara de WTF?!)
- (Rindo descontroladamente) Mãããe, wastenflavours… (deitando no chão pra rir)
- VANDERLEI (meu pai)! Olha esse menino fazendo hora comigo!
Eu nunca consegui segurar a risada com ela. Ela é tipo o último chefão, nível de dificuldade God Mode.
De qualquer forma, peço que experimente fazer isso. Você com certeza vai passar de idiota na maioria das vezes, no início pelo menos. Ter essa habilidade é como ter a habilidade de iniciar uma salva de palmas – nem todo mundo consegue. Tem que saber a hora certa, tem que ter o timing correto.
Mantenha-se sério e controlado o tempo todo. A pessoa vai acabar caindo.
Mudando de assunto, se você gostou desse post, você é um maluco (a) do caralho. Se você odiou, perdoe-me, eu sou maluco e prometo um post melhor da próxima vez.
***
1 – Essa semana vai rolar alguns posts de divulgação de uns eventos bacas. Principalmente para a galera de BH. Em um deles terá até sorteio de pares de ingressos para shows. Fiquem atentos.
2 – EU NÃO VOU DEVOLVER PORRA NENHUMA DE CHIP! Não entendeu? Clique aqui. [/kibelocoschool]
3 – Coitado do @rafabarbosa, enquanto o Hélio dos Anjos estiver no Goiás, ele nunca terá a chance de jogar lá.
4 – Como sei que eles vão rir desse post, vou agradecê-los aqui. Saibam que se não fosse pelo Matheus (@xrango) e pela Bruninha (@brunaboosales) este blog não estaria no ar hoje. Agradeçam a eles, ou não.

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