Hoje, dia 06 de maio de 2010 faço 23 anos de idade. O que isso significa? Nada. Como eu digo neste mesmo texto que escrevi com a já saudosa idade de 21 anos, eu ainda estou saindo do início da vida para entrar no meio dela. A campanha está no início e ainda não dá pra saber muita coisa.

O que mudou em 2 anos? Bom, pela maneira que eu escrevi o texto inicial (aliás, muito melhor que muita coisa que eu escrevo hoje em dia, o que também não significa grande coisa) a minha cabeça, a minha maturidade e o meu caráter, não mudaram nenhum pouco. A diferença daquele Pedro, para o Pedro de hoje, é simplesmente experiência. Em todos os sentidos.

Trabalho na mesma empresa a quase um ano, convivo com pessoas mais velhas, mais experientes e a vida ficou muito melhor, ao mesmo tempo que muito mais difícil. As responsabilidades cresceram e muito, as besteiras que faço aumentaram também na mesma proporção. De qualquer forma, repito o post porque ainda acho que o que falei lá é muito válido. A cada ano que passa, o que eu escrevi se torna mais real. Viver é fantástico, aproveitar a vida é muito bom.

Só fica mais difícil, cada vez mais difícil, prestar atenção nos pequenos detalhes. Mas é errando que aprendemos.

Estou mais velho, mais bobo, mais lerdo e muito mais chato. Mas entendo melhor certas coisas que queria entender com 17 anos.

Que venha a temida idade em que nós homens não gostamos de ter.

Boa Leitura.

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22 anos, quem diria em? Ok, todo mundo diria… é pouca idade e tudo mais, como diria o poeta (sempre quis dizer isso) “Ninguém morre jovem”. Não, não sei qual poeta, mas alguém disse isso. Mas quando você tem 15 anos (foi ontem) 22 é uma idade inatingível. 22 anos é aquela idade em que os irmãos viram caretas, aquela idade em que você se arruma bonitinho para ir ao trabalho. É aquela idade em que as pessoas não são novas o bastante para fazer um moicano nem velhas demais para tomar um porrezinho com a galera da faculdade.

Desde que virei rapazinho e mudei pra BH e ver do que a vida é feita, meus aniversários não têm sido lá muito legais, por exemplo ano passado que eu trabalhava em 2 empregos, estudava a noite e ainda comi pizza com cebola – eu odeio cebola. Antes de qualquer coisa, fazer aniversário em dia de semana é igual fazer sexo e não gozar, comer pizza e vomitar, comer comida japonesa com garfo, cantar pagode com blusa do iron maiden, colocar só a cabecinha, emo beijando mulher, botafogo ganhando título, cruzeirense macho, ateu dizendo ‘Meu Deus’, a propaganda da Dell… Ou seja, TEM ALGUMA COISA ERRADA AÍ! Devia ser lei, aniversário só no fim de semana.

Bom, de qualquer modo, vou reproduzir um texto que escrevi em 04 de Maio do ano passado, um texto que serviu na época e acho que irá servir por muito tempo.

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Como estou próximo de completar 21 anos (terça-feira, dia 6 de maio) e como nesta quinta, vi dois momentos distintos da vida humana, o início e o fim, além de estar vivendo o meio de tudo, resolvi escrever esse artigo sobre a vida.

Primeiro gostaria de dividir a vida em 3 momentos: do nascimento aos 21, dos 21 aos 60 e dos 60 até a morte. Infelizmente nem todo mundo consegue passar por todas as etapas. Infelizmente também, alguns conseguem. Eu estou no momento de transição, entre o início e o meio. Mas antes de falar nisso, vou dizer como classifico cada momento. O primeiro momento é aquele que define tudo o que você vai ser e o que vai fazer no segundo momento. O segundo é aquele que você começa a por em prática tudo o que aprendeu e tudo o que viveu, é aqui que começa a vida de verdade. No primeiro você tem apenas alguns vislumbres da vida. O terceiro e último é aquele em que você se recorda dos dois primeiros com carinho. É o momento em que você ensina mais que aprende, fala mais do que escuta e filosofa mais que produz.

Pense como se fosse uma campanha publicitária. Primeiro o teaser, que deixa aquele gostinho na boca para ver como é o resto da campanha. Segundo o lançamento e a manutenção da campanha e por último, os resultados.

Queria falar um pouco sobre o maior medo da história da humanidade. O medo da morte. Morro de medo dela, muito mais para as pessoas que amo do que para mim mesmo. Não estou sendo nobre, nem nada, é que lidei poucas vezes com a morte de pessoas próximas, mas as raras vezes em que experimentei, achei doloroso por demais. Voltando à morte, uma das maiores sabedorias que adquiri lendo foi entender como J.R.R Tolkien tratava a morte. Em O Silmarillion, Tolkien explica de uma maneira muito simples a fragilidade humana frente à dor e à morte. Os humanos no épico do escritor, invejavam os elfos por sua imortalidade. Esses no entanto estavam cansados do fardo de viver para sempre e passaram a invejar os humanos pelo tempo que lhes era dado.

E era aí que eu queria chegar. No tempo que nos é dado. Outra “pequena” lição aprendida com este maravilhoso escritor. Em O Senhor dos Anéis, Frodo pergunta a Gandalf por que ele, por que ele tinha que decidir de alguma forma o destino do mundo, por que aquilo teria acontecido logo com ele, um mero hobbit do condado. Eis que a resposta é um dos maiores segredos da vida. Onde Gandalf diz que a vida é assim, que temos que fazer o que tem de ser feito com o tempo que nos é dado. Sem perder tempo com pensamentos como “por que eu?” ou “Se isso tivesse acontecido de outro jeito…”. O que podemos tirar disso, é que às vezes damos valor a pequenas coisas que se tornam fardos gigantes e nos atrapalham imensamente viver a vida como ela deveria ser vivida. Eis aí o motivo de depressões, crises de estresses e livros de auto-ajuda.

Temos que assumir, o mais cedo possível, o que nascemos para ser e para fazer. Acontecem coisas que podem nos desviar do nosso caminho. Nunca é tarde para acordar. Nunca é tarde para pedir um perdão, arriscar e aprender. Arriscar, para mim, é o grande barato da vida. Arriscar em tudo. Desde as coisas mais bobas como “chutar de trivela ao invés de chutar de chapa” até coisas de suma importância como largar o emprego estável em um escritório de advocacia para cair na estrada com a banda de garagem e tentar a vida como músico. Sinto pena de quem tem que sobreviver e não viver. Mas sinto nojo de quem pode viver, mas apenas sobrevive.

A vida deveria ser mais divertida para alguns e mais séria para outros. Uns levam a vida na brincadeira o tempo todo, outros deveriam brincar mais, sorrir mais. Seria de uma chatice imensurável se a vida fosse: nascer, brincar, estudar, estudar, estudar, casar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, aposentar e morrer. Tenho certeza que esse não foi o modelo de vida que Deus imaginou para a humanidade. Por que tanta beleza e genialidade (Dele) se não podemos para nem dois minutinhos que seja para apreciar. Parar um pouquinho, ver o pôr-do-sol, olhar para um sorriso inocente no rosto de uma criança, ver um olhar saudoso de um senhor ao contemplar a casa onde morou por 20 anos (era possível enxergar as lembranças nos seus olhos cheios d’água). Ver a pureza do rosto de um recém nascido, que coisa linda imaginar as experiências pelas quais aquele pequeno ser ainda vai passar.

Diga-me você leitor, que graça teria a vida sem as pequenas coisas do dia-a-dia? Que graça teria a vida sem a diversão, o frio no estômago, as surpresas e as ironias? Nenhuma, leitor. Nenhuma.

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1 – Só para não passar em branco, dia 04 de Maio foi o Star Wars Day. Tudo por causa da eterna “May the Force be with you” que se transformou em “May the 4th be with you”.

2 – Obrigado a todos os parabéns que os @’s mandaram agora no twitter.

3 – Sem links. Esse post é meu, só meu… meu precioso.

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4 – Espero que repita esse ritual por vários anos ainda.

O nome do post é sim com trocadalho do carilho, e não tem nada a ver com James Dean[bb] e… bem, na verdade tem a ver sim com ele, já que Dean era homossexual. Esse post é para falar da geração assexuada que veio depois da minha. Acho que posso dizer com orgulho que provavelmente a minha geração foi a última com alguns lampejos de macheza. E antes que você venha me chamar de homofóbico, “macheza” não quer dizer chapéu, botas, bigode e um Hollywood na boca. Macheza quer dizer personalidade.

Isso, meus caros, acabou. Quer um exemplo? Na minha época, esse cara aí em baixo era um ídolo. Era um exemplo a ser seguido, TODOS queriam ser igual a ele. Kurt Cobain[bb] era o retrato de uma geração, a geração junk. O último suspiro do rock.

Hoje, esse “garoto” aqui é o retrato da nova geração.

Não que minha geração tenha mudado o mundo ou coisa do tipo, como eu disse, foi o último suspiro de um movimento que está morto e enterrado, já estávamos perdendo as esperanças e deixando de acreditar na humanidade. O que eu quero dizer é que minha geração, precocemente, já havia se dado conta de que era tudo uma grande piada. Assim como sabia Edward Blake – a.k.a O Comediante -, sabíamos como o mundo era, mas não tínhamos mais forças para mudar alguma coisa, e ter consciência disso não significa uma boa coisa.

Mas a maioria de nós tem personalidade. Ou tinha. Hoje, são raríssimas exceções. Hoje nas salas de colégio temos câmeras digitais ao invés da clássica bolinha de papel. Hoje temos o cabelo chapinha (para homens) ao invés do desgrenhado grunge da minha época. Hoje temos óculos Wayfarer ao invés dos raybans míticos de nossos pais. Hoje temos camisas verdes marca-texto ao invés do preto, calça jeans surrada e allstar velho.

Se quiser entender de verdade, leia esse post genial do Luke sobre os Colírios da Capricho.

Hoje temos crianças de 21 anos ao invés de adultos com 16.

Espero ansiosamente pelo próximo reboot. Que isso saia rápido de moda. Eu não quero ser um pai Ditador e dar um tabefe no meu filho quando vir ele com franja.

Mas há esperanças, a guerra está instaurada. Conheça Paulo Pokemón aqui e aqui.

***UPDATE 2***

Não… desistam… não há mais esperança alguma…
Vejam… ou melhor, não vejam isso…

Corrão para as montanhas.

Não me culpem, foi o @gustavomafia que passou o vídeo.

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1 – Assine o feed do Que Diabos?

2 – Eu falei da minha geração, mas infelizmente temos uns ovelhas negras. Rafael Barbosa insiste em ser da geração Colírio da Capricho.

3 – Sim, post pequeno. Acostumem-se.

4 – ***UPDATE*** - O leitor “Eu”, indicou esse post do Controle Remoto em que o Felipe Neto fala basicamente o mesmo que eu.

Uma pequena explicação antes de continuar com as desventuras amorosas de Pedro (episódio 1 e episódio 2). Eu tinha começado a postar essa história com a intenção de terminá-la logo, mas como aqui as coisas nunca saem como planejado, não deu. Em parte por eu ter encontrado muitas dificuldades para continuar, já que esse episódio é o clímax infernal de toda história. Em parte por causa dos leitores que não agüentariam uns 4 ou 5 posts dessa história seguidos… nem eu agüentaria.

De qualquer forma, quase abandonei a idéia de escrever tudo, mas estou aqui para o que eu acredito seja o penúltimo episódio, isso se deve aos leitores que me mandaram e-mails e mensagens no blog pedindo para eu terminar a história.

Então, para vocês meus caros, o episódio 3 das desventuras amorosas de um cara legal.

palhaço

Eu havia dito que aquela noite foi uma das – se não a melhor – melhores noites da vida de nosso querido (des)aventureiro. O outro dia nasceu como um dia mágico. Ele acordou como sempre sonhou em acordar um dia: coração batendo forte após o encontro com a donzela amada e se preparando para um show de rock em um dia que prometia muita alegria!

Era dia de Pop Rock Brasil em Belo Horizonte. Para um cara de 16 anos, aquilo era praticamente um Rock in Rio – bem mais pobre – da sua época. Então foi ele, junto com seu irmão, Mateus. Infelizmente a donzela não poderia acompanhá-lo, mesmo assim ele foi, com um sorriso no rosto pelas histórias que viriam e pela noite que havia passado.

No início foi tudo bem, tudo correu como esperado. Nosso herói, que só tinha pensamentos para sua garota nem pensou em se jogar nos braços de outra, o que em shows do tipo era muito fácil. Já seu irmão queria a esbórnia. Esse irmão de Pedro em particular não se dá muito bem com álcool, o que seria uma lástima para o final da noite que prometia com o show mais esperado. Pedro encontrou amigos, fez novos, quase brigou, se divertiu como nunca. Ou seja, um legítimo show de rock, como era o Pop Rock antigamente.

Mas, o universo estava conspirando… o problema é que conspirava contra nosso amigo. As coisas começaram a desandar, o irmão sumiu por horas, voltou bêbado, sem a carteira e querendo ir embora. Pedro disse que não arredaria o pé enquanto não visse o Angra. Houve briga, e feia. No dia que prometia as maiores alegrias para nosso amigo, cair na porrada literalmente com o próprio irmão não estava nos planos. Ali Pedro desconfiou que alguma coisa estava errada. Mal sabia ele o quão errada estavam as coisas.

Foram embora antes do show acabar. Pedro foi convencido a ir, pois estavam a quilômetros de casa, e ele não conhecia nada da cidade. Já o irmão morava lá há um bom tempo, não poderia ir sem ele. De qualquer forma, Pedro temia mais as besteiras que o irmão idiota poderia cometer no caminho. O ódio foi intenso quando o irmão que perdera a carteira, também descobrira que bebera quase todo o dinheiro que tinham, sobravam-lhe 11 reais para o táxi que cobraria o dobro para largá-los em casa. Foram uma boa parte do caminho a pé, o irmão falando sobre qualquer coisa e Pedro, para não descer-lhe o cacete, apenas pensava na sua garota.

Pedro dormiu com um misto de sentimentos, raiva do irmão que lhe privara de The Number of The Beast tocada pelo Angra, e a felicidade inerente àquele fim de semana. Domingo era Dia dos Pais, seus pais estavam indo para BH para almoçarem em família, junto com seus Tios. Pensando no pouco tempo que teria para se despedir de Bárbara (Pedro iria embora no mesmo domingo para Monlevade) ele resolveu que mandaria uma mensagem logo cedo combinando alguma coisa. Dormiu feliz e tranqüilo no fim das contas, teria logo um novo encontro com a garota dos seus sonhos.
Pedro acordou e mandou a mensagem. Não obteve resposta. “Tudo bem, dia dos pais, mais tarde ela responde” pensou ele. Encontrou os pais, deu um abraço forte no homem que mais admira no mundo, o seu pai. Foi um ótimo dia. Almoçaram com os primos e tios, mas enquanto o dia ia acabando – o Atlético ia perdendo – Pedro começou a se preocupar com a não resposta de Bárbara. Voltaram então para casa dos irmãos e enquanto Pedro arrumava suas coisas para voltar a sua vida normal, mandou outra mensagem, dizendo que iria embora e queria se despedir dela.

Eis que ele recebe uma mensagem dizendo mais ou menos assim: “Estou na casa de uma amiga, não vou poder te encontrar”. Foi o primeiro soco no estômago do dia. Na mesma hora ele soube que algo estava muitíssimo errado. Primeiro: difícil ela estar na casa de uma amiga em pleno domingo dia dos pais. Segundo: a frieza da mensagem.

Foram embora. No caminho Pedro amargurado e angustiado disse que estava “daquele jeito” por causa das peripécias do irmão na noite passada. Mas o humor dele nada tinha a ver com isso. Chegando em Monlevade, a primeira coisa a se fazer foi jogar as malas para um lado e correr para o computador e para o mIRC. Ao conectar, logo achou o que procurava. O nick dela. Abriu a janela, mas por algum motivo não conseguiu escrever nada. O momento de hesitação foi o tempo para que ela dissesse, “Pedro, a gente não tá namorando.”

O que diabos significava aquilo, ele não fez idéia, apenas disse:

- Uai, claro que não. Pq?

- Pq eu sou mto nova para namorar.

- Mas ninguém falou em namoro. Não to entendendo.

- Olha, eu pensei muito ontem e hoje e acho que devíamos continuar só amigos.

Segundo soco no estômago, esse mais forte. Nesse momento, ele só sentiu raiva, por não entender o que havia acontecido para tão repentina mudança, o que haveria acontecido para do cara fantástico que havia levado ela em casa para o idiota “amigo”. Os outros sentimentos viriam depois.

Ele apenas se limitou a dizer.

- Tudo bem então.

Dali em diante não conversaram por muito tempo. Não havia a menor possibilidade de ter amizade ali. Por ambas partes. Uma por seus motivos até hoje não revelados, outra por não entender como alguém poderia ser tão má, por brincar com ele dessa maneira. Ele se sentiu muito mal, se sentiu um mero qualquer, um cachorrinho que quando o dono está de bom humor chama para brincar e quando não está nem aí bate a porta na cara.

Posso resumir aqueles meses em duas palavras: Foi foda. É clichê, aliás, a história toda é um grande clichê adolescente, apesar de eles mesmos acharem que aquilo só acontece com eles. De qualquer forma, Pedro não havia perdido somente a garota que ele de certo amava, mas havia perdido uma amiga, uma companheira, uma parceira. Havia perdido tardes de sábado e domingo conversando e rindo sobre qualquer coisa conversando com a pessoa que ele mais adorava conversar. Mesmo assim, não havia raiva. Havia mágoa. E havia aquele sentimento estranho que Pedro, apesar de tentar – e muito – explicar, não conseguia. Um sentimento de não saber o que havia feito de errado. Pois era certo que de alguma forma ele havia feito merda durante o processo.

Como todo adolescente ele tinha a certeza de que nunca acharia uma garota como aquela, como todo adolescente ele tinha a certeza de que nunca iria superar aquilo. Mas como todo adolescente, depois de um tempo já havia desencanado e estava tocando a bola pra frente. Feliz e despreocupado.

Mas como isso aqui é uma Desventura, e como não podia deixar de ser, essa história tem um “até que…”. Então.

Até que um dia, enquanto Pedro – esquecido como é – fora tomar banho e esquecera a toalha. Já nu, foi até o varal, se enrolou na toalha e foi em direção ao banho precedente do sono tranqüilo até às 7. Assim que ele passou pelo telefone que ficava numa mesinha da sala (incrível como eles insistem em ficar ali, não é?), o danado tocou. Pedro, que odiava – ainda odeia – telefones (principalmente aqueles em que você não quer atender) resolveu atender. Dez da noite, não poderia ser para ele, e muito menos demorado. No certo alguma Tia querendo pegar sua mãe ainda acordada para bater um papinho rápido.

Não era uma tia, não era para sua mãe. Era a última pessoa que Pedro esperava. E o que ele menos esperava era a frase que o fez sentar na cadeira:

- Alôôô

- Alô Pedro, sabe quem tá falando?

Sim ele sabia. Sabia tanto que sua reação foi dizer com a voz mais impassível do mundo, não imaginando nem de longe o que viria a seguir.

- Sei.

-Tava com saudade de você.

***

Pelo ponto em que estamos, esse foi realmente o penúltimo episódio. O quarto e derradeiro não tem data para sair, mas se esse saiu, ele não vai demorar.

Sobre esse episódio, apenas gostaria de levantar alguns pontos. Talvez você que lê esse blog, ou gosta e quer ver o fim dessa história pode nesse momento ter raiva ou querer de alguma forma apontar Bárbara como isso ou aquilo. Só lembre que eu tinha 16 anos e ela 15. E essa é apenas mais uma desventura amorosa adolescente.

De nenhuma forma, meu objetivo de escrever essa história é colocar ninguém como vilão ou mocinho, muito menos querer resolver uma história postando no blog e abrindo uma coisa tão pessoal. Bárbara é uma das leitoras do blog, ela não só sabe que estou contando a história como me incentivou a terminá-la.

É como eu disse antes, é uma boa história. E contar história é a coisa que eu mais gosto de fazer na vida.

textos-cronicas-crepusculoAcho que a própria fase da adolescência é um trauma pra qualquer indivíduo que tenha que passar por ela. Quer dizer, é um trauma para todos. A não ser que você morra atropelado ou desenvolva algum tipo de câncer terminal ou uma  síndrome desconhecida na infância e morra cedo e  não precise passar pela adolescência.

A adolescência é uma merda porque no fundo, bem no fundo, a verdade é que o adolescente não fede nem cheira. Ele nem sabe o que é. Não tem porra nenhuma de opinião formada sobre nada. Vive se matando para ser aceito pelos grupos sociais que convive, pelos amigos ou na escola. Falando  em escola, nem preciso dizer que ela é um saco e  apesar de tudo, todo adolescente tem que frequentar. Você chega lá no centro de adestramento, geralmente não é bom em nada e não se destaca em porra nenhuma. Sempre tem aquela gostosona que você (e todo o resto da sala) sonha em comer, mas nunca come, porque tem o popularzão bombado-carro-importado da sala que come todas (nclusive a gostosona),  e de quebra ainda te dá umas porradas no recreio. Aí então você vai pra sua casa e morre na punheta, às vezes chegando a arrancar a pele do pinto. Ou a pele dos lábios vaginais, no caso das meninas.

Na sua casa a sua mãe e o seu pai não te deixam fazer nada. Você não pode ir a festa alguma porque não tem idade. Então começa a beber para se incluir mas sempre se fode vomitando e passando mal. Isso quando o seu pai e sua mãe não descobrem que andou bebendo e acabam com a sua vida. Você não tem carro e nem dinheiro. Geralmente nenhuma mulher, além daquele trabuco que mora no fim da sua rua, se interessa por você. Se você for gordo (exagerado), pior (nem o trabuco vai te querer). Tem o irmão mais velho que te desce a porrada todo dia. Você não pode escolher nada pra você porque, afinal de contas, você é adolescente, e não tem direito de escolha. Sempre tem um filho da puta de um amigo que come todas as mulheres do mundo e do universo (bom, pelo menos é isso o que ele diz) e você continua sendo um rodo-sem-borracha que não rapa nada. Se você for mulher vai ter vários outros adolescentes querendo quebrar o seu cabaço e você acha isso um saco.

Até aqui você já percebeu que a vida do adolescente gira completamente em torno de sexo. E como todo bom e velho novo adolescente você chega à fase da fantasia. Então você inventa mentiras. Fala que pega muita mulher e até cita os nomes e descreve como a bunda dela era enorme e os peitos também e como você pegou ela de quatro e levou pra um motel e no motel a cama era quadrada (é, às vezes você é pego na mentira). Quando você completa a escola você tem que escolher uma faculdade no estilo roleta russa.  Enfia seis cursos  superiores numa caixinha e tira um na sorte. Geralmente você escolhe um que você vai odiar para o resto da sua vida.  Fazer o que, é a vida.

Seu pai e sua mãe não te entendem. Na verdade você acha que ninguém te entende. Então você vira rockeiro e vai ouvir bandas que cultuam o capeta. Ou não. Passar pela adolescência já é um trauma. Alguns começam a usar drogas e a quantidade drogas que estes usam é o que vai definir o que eles vão ser para toda a sua vida adulta.

E então você completa 21 anos e descobre que a adolescência foi a melhor época da sua vida, e que sempre vai lembrar dela com saudades dos tempos onde não tinha que trabalhar, ou fazer as próprias decisões. Agora você tem escolha e tem que escolher sozinho. Afinal você já é um homem/mulher e tem que arranjar um emprego. Bons eram os tempos onde a sua única e exclusiva preocupação era se você ia conseguir comer a gostosona, se o Goku ia ganhar do Cell no episódio do próximo dia, e se a net não ia cair a noite na hora da punheta noturna diária.

Enfim. Acaba-se a adolescência, que por si só já é um trauma. Mas são os melhores traumas e os melhores tempos da sua vida, e um dia você chega a conclusão que nunca mais será tão feliz como foi.

Essa é uma visão pessoal minha. Mas acho que no geral é a mesma coisa com todo mundo. Com 22 anos, Estou recém-saído da adolescência. Meus amigos estão casando.  Outros morreram. Ou tanto faz porque casar e morrer dá na mesma. Outros estão se formando e arrumando emprego. Ninguém tem mais tempo pra nada. Nem pra ficar na porta de casa vadiando e falando sobre mulher.  Ou jogando bola com trave de sandália havaiana ou usando o portão da casa de algum como gol.  Ou fumando escondido pois agora a gente pode fumar na frente dos pais e já não há mais graça em beber até cair também. E um dia você descobre que tudo passou e você sobreviveu. O que resta agora é escrever textos inúteis num blog pra lembrar que um dia você esteve no ápice da sua felicidade e que os dias nunca mais vão ser tão leves e inocentes como outrora foram.

CONVITE: E você? Passou por alguma história legal na adolescência? Conta aí?

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1 – Crônica em homenagem à comunidade Traumas de Adolescência, onde já fui moderador mas hoje encontra-se fechada. Cheguei até a fazer músicas para dois traumas da famosos da comunidade. O trauma do cara que perdeu a virgindade com um ursinho de pelúcia (música aqui). E o trauma da Nathy, que fez sexo anal durante dois anos achando que aquele era o buraco certo (não tenho o print desse mas a música tá aqui). Não aconselhado para menores de 18 anos.

2 – História dos video games (de 1972 a 2007). Quantos você reconhece?

3 – Essa aqui é pra você pessoa.