Hoje fui a faculdade para ver uma “boa” palestra. Tudo muito secreto, ninguém sabia quem era o convidado que viria falar algumas palavras para nós, tudo bastante misterioso, o bastante para eu pensar que o palestrante era tão famoso ruim, mas tão ruim, que se contassem quem era ou o que iria falar, todos iriam era para o bar tomar umas cervejas ao invés de ouvir o que ele tinha para contar.

Pois é… meus pesadelos se tornaram realidade.

O tema da palestra era Sustentabilidade. Sim sim, essa historinha para boi dormir de agir sustentavelmente e ter uma empresa totalmente sustentável, desde seus fornecedores até a conscientização dos clientes. Algo perfeito, porém utópico. É muito mais fácil parecer sustentável e bonzinho com a natureza do que ser, e como vivemos em um mundo de aparências, você não precisa muito para fingir ser sustentável. A Campus Party finge que planta umas árvores, a empresa de papel falsifica certificados de madeira da Amazônia e tudo continua uma maravilha. O público pensa que ela é boa para o meio ambiente, eles usam isso como propaganda e tudo continua bem…

O palestrante gastou metade do seu tempo mostrando como “criar” uma empresa sustentável, depois gastou a outra metade mostrando como o seu cliente, o Carrefour, é uma empresa que se preocupa com o “bem estar de seus clientes” e do mundo inteiro com a implementação de vários projetos de economia de energia na refrigeração, iluminação e nos fornos da padaria, além de todo um plano de Educação Ambiental.

Além de toda essa balela, pois todos sabemos que o Carrefour não é nem um pouco sustentável (desconheço qualquer rede de supermercado que seja em toda sua linha de produção sustentável, é impossível), veio a hora das perguntas. Mas claro, obviamente não deixaram ninguém mais inteligente que uma ameba fazer uma pergunta. Das cinco perguntas, três já haviam sido misteriosamente escritas e estavam na mão da professora responsável (???), provavelmente feitas em sala de aula de algum curso, depois pré-selecionadas de modo bem esperto pela responsável. No final, o cara vendeu sua cara de especialista, o Carrefour a sua de bonzinho e ainda saiu até pergunta sobre Hora do Planeta, a maior balela que eu já vi em toda minha vida.

Não liguem para a Hora do Planeta, ela é mais uma historinha para enganar vocês, pois quem é responsável e realmente sabe economizar no banho, com o ar condicionado ou a água para lavar o carro, sabe bem que está fazendo sua parte. Esta mobilização serve para aquele cara que, depois de desligar suas luzes por 1 hora, irá comemorar com um belo banho de 40 minutos e ainda bater no peito e dizer: “Eu fiz minha parte e ajudei o planeta, desliguei meia dúzia de lâmpadas por uma hora, sou um herói!”

Nesse caso, estou com o George Carlin: “O planeta está bem, as pessoas que estão ferradas!”

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1- Quem quiser ler mais sobre sustentabilidade, vejam a última do Rafa Barbosa.

2- Sem revisão nem nada, e sem links também…