Tive uma conversa um tanto quanto produtiva em uma segunda às 9h. É, pensar nesse horário não é mais simples das tarefas, mas eu cheguei a uma conclusão que eu sempre concordei, mas nunca havia pensado nisso antes.
Estranho isso, não é mesmo? Mas sabe quando você fala uma coisa que no fundo você sempre soube que era verdade, mas nunca havia parado pra pensar nisso, o por que disso e mesmo dito isso?
Então, ficou meio confuso, mas eu vou contar o que aconteceu.

Um amigo veio falar de um comentário que ele fez sobre a Parada Gay, perguntando o que aconteceria se houvesse uma Parada Hetero.
Eu tenho vários amigos gays e claro que os defendi. Também achei absurdo.

Na verdade eu acredito que todos podem e devem celebrar aquilo que são – raça, credo, cor – claro que sem ofender, sem criticar outros grupos. Vamos comemorar a liberdade sem atacar outros.

Enfim, não é esse o ponto da história que interessa.

Ele veio tentar argumentar que os gays respondiam a pergunta dele da mesma maneira que os negros (afro-descendente é muito grande e eu acho que depende do jeito que você fala…). Se você fala em “100% branco” é um desrespeito com os negros, mas “100% negro” é um orgulho. Eu, particularmente, não concordo; como disse anteriormente todos tem o direito de ostentar aquilo que são.

Mas aí chega o momento polêmica do dia:
O que é “pior”?

Um negro defende que não tem chances no mercado, um gay tem se não revelar sua opção sexual, ou se trabalhar com moda!
É isso mesmo. Se você tem um colega gay na empresa que você trabalha você passa a menosprezar a pessoa, a ter cuidado com o que fala e como age (porque vai que ele dá em cima de você)
Ah, lembrando que quando eu falo ‘gay’, você pode e deve substituir por lésbica, o resultado é o mesmo.

Você é homem e hetero, o cara da mesa do lado é homem e gay. Quantas vezes você já falou “não me importo, desde que ele não dê em cima mim?”
Você é mulher e hetero, a guria da mesa do lado é mulher e lésbica. Quantas vezes você já falou “não me importo, desde que ela não dê em cima de mim?”
Você é homem ou mulher, o cara ou a guria do lado é negro. Quantas vezes você falou “não me importo, desde que não dê em cima de mim?”

As duas primeiras eu aposto que você já falou, a última só se você for MUITO racista!

Dois gays em uma mesma empresa. Um que todos sabem e outro que ninguém nem desconfia. Quem você chama pro happy hour? Quem te passa mais confiança? Quem tem mais moral? Quem é o sério?

E aí você fala: Vai fazer corte e costura! Gays só podem trabalhar com roupa, cabelo e maquiagem? Homens heteros que trabalham com isso são zoados de gay.

Uma lésbica em uma empresa é o motivo de medo dos homens e pânico das mulheres. Os homens acham que ela é mais macho que eles, as mulheres acham que vão ser atacadas no banheiro.
E depois ainda falam “ela que tenha a opção que quiser”
Quanta hipocrisia!

Agora me responde. Isso acontece com um negro? As pessoas tem receio em ficar sozinhas com negros? E com isso os homossexuais se escondem, e fazem isso por medo de não crescer na carreira, de serem julgados, isolados, por uma idéia besta que ele(a) é um(a) tarado(a) sem vergonha que vai atacar a qualquer momento no banheiro.

“Ah, Naya, mas antigamente eles se apresentavam como amigos e agora como namorados, eles estão se libertando”. Claro, pra você eles falam isso mesmo, porque você sabe da condição, e se você não soubesse?

Gays freqüentam baladas próprias para eles. Não é nem tanto por uma questão de “vamos conhecer pessoas iguais” e sim “não vamos chocar a sociedade”
Você pode agarrar sua namorada no meio do shopping que vai no máximo ruborizar a vovozinha do lado. Se um gay fizer o mesmo ele é um sem vergonha, se um negro fizer o mesmo (desde que ele seja hetero) ele pode, porque na questão sexual ele é igual a você!

E sabem por que eu coloquei o ‘pior’ entre aspas lá no começo? Porque não é ruim ser homossexual, não é ruim ser negro. Mas a maneira como a sociedade trata que é o chato.

Não querendo desmerecer a “causa negra”, mas e os gays?

Na última parada gay um homem foi morto. Um homem gay E negro. E ele foi espancada por qual razão? Pela cor ou pela opção sexual?

E você prefere um filho negro ou um filho gay?


  1. Quem disse que só Pedro é zicado? Eu ri demais com esse texto. O pior é que é verdade
  2. Um texto legal sobre redes sociais
  3. Quer ser linkado aqui no próximo texto? Mande para @fouquet ou deixe junto com o seu comentário que eu penso no seu caso ;)

Bom, eu não queria abrir essa nova seção, falando de polêmica… mas não teve jeito – aliás, já to pensando em mudar de O Crepúsculo para Polêmica S/A.

Você já deve ter visto em vários blogs e lido a opinião de muitos sobre o assunto. Que foi tratado de forma sensacional pelo Cardoso, que ainda deu um belo tapa na cara no post seguinte. Bem, é a mesma ladainha que eu já falei no post em que falei de preconceito, esses malditos xiitas que ficam olhando tudo que o povo faz e fala e atribuindo mil sentidos. Sem contar que estão querendo tirar o melhor da propaganda, que é o humor, já que você não pode brincar com mais nada… pois é tudo maldade, tudo preconceito. Ô coisa chata esse tipo de gente.

Bem, veja os dois polêmicos comerciais antes de continuarmos.

Fala sério, você viu algo demais? Eu sinceramente não, os comerciais são legais – mas não são nada além disso – e não vi nenhum preconceito, homofobia ou mensagem subliminar condenando todos gays a morte. Me responde uma coisa, só porque um cara é gay ninguém pode brincar com ele? Ou falar com ele? Estou falando de zuar mesmo, tirar sarro, como você faz com seus amigos, com seus irmãos. Mas que porra de hipocrisia é essa? Olha, eu trabalhei em uma agência 7 meses ao lado de um cara que namorava há dois anos com outro barbudo. Isso não me impedia de nem de conversar com ele normalmente nem de falar “Isso é coisa de viado”.

Um pouco de bom senso vai bem né, por favor. Vai me dizer que se seu amigo, gay ou não, começar a dançar YMCA no carro – de olhos fechadinhos – você não vai achar a coisa mais absurda do mundo? E vai me dizer que você não vai tirar sarro dele pro resto da vida? (Vale o mesmo pro cara cantando Like a Virgin).

Já no post do Brainstorm #9, o Carlos Merigo colocou lá um comunicado da PepsiCo. falando em nome da empresa e da agência que criou a campanha, a AlmapBBDO. No comunicado a parte que eu achei crucial foi essa: “Nunca aceitaríamos o risco de veicular qualquer mensagem discriminatória, muito menos ofensiva a qualquer público, e desrespeitar os homossexuais seria inaceitável tanto para a Pepsico quanto para sua agência de propaganda. Especificamente no caso do YMCA, a dancinha é tratada, de forma irreverente, como algo fora de moda e não faz nenhuma menção ao homossexualismo. É uma coreografia antiga, engraçada e ultrapassada.”.

Arram, sei.

Falando com um pouco de conhecimento de causa já que trabalho com isso, os caras que criaram a campanha, com toda a certeza do mundo, pensaram na coisa toda com o significado que todos estão reclamando. É lógico, óbvio, que eles pensaram desse modo, e tem que ser assim. Ou você por algum acaso sai contando para todo mundo que ouve NxZero? Se você, homem heterossexual, do nada começa a se empolgar e cantar A Thowsand Miles no carro cheio de amigos, eles não vão te olhar torto? Se você, mulher heterossexual, do nada solta no banheiro feminino que acha The L World a série mais foda do mundo, suas amigas não vão te olhar torto?

Sabe o que eu acho que a Almap devia fazer para acabar com isso? Colocar um Renault Clio cheio de gays e um deles solta “Nofffa, ou… sério o melhor filme do mundÔ é Rambo IV, achei mara!”. Aí eles fecham com o slogan “Quer dividir alguma coisa com os amigos? Divide um Doritos”. Acabava com essa palhaçada.

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