Paul Bruce Dickinson, mais conhecido como Bruce Dickinson, nasceu no dia 7 de Agosto de 1958 em Worksop, Nottinghamshire, na Inglaterra. Ontem ele completou 51 anos, destes 22 anos a frente de uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos.

A trajetória de Bruce se confunde com a própria história do metal. “Number of the Beast”, o primeiro álbum do Iron Maiden com ele nos vocais, abriu a cena do heavy metal para os fãs e ajudou a popularizar o estilo durante a década de 80. Músicas poderosas como “2 Minutes to Midnight”, “Aces High” e “The Trooper” não seriam as mesmas sem a voz poderosa deste inglês.

Se caras como Ozzy Osbourne e Tony Iommi do Black Sabbath pavimentaram o caminho para o estilo, Bruce e o Iron retiraram o metal do esconderijo e colocaram no campanário para o mundo ver eternamente!

Em carreira solo criou outros trabalhos memoráveis como o poderoso “The Chemical Wedding”, para este humilde fã que vos fala um dos melhores álbuns de metal de todos os tempos.

Por tudo isso, e muito mais, parabéns Bruce Dickinson por mais um ano de vida e que venham muitos outros com ótimas composições e as músicas de sempre! Up the Irons!

***

1- O blog mais completo sobre o Iron Maiden, o Flight 666, também colocou uma homenagem ao mestre, veja aqui.

2- Nesta página do YouTube você encontra vários clipes oficiais do Iron Maiden em ótima qualidade com versões HD!

3- No dia 8 de Agosto o Discovery Channel publicou um episódio de “Heavy Metal no Ar”, onde Bruce fala por outra de suas paixões: a aviação. Confira aqui.

Faz algum tempo que não posto. O Pedro até falou que ia colocar uma teia de aranha por cima da minha foto ali na barra lateral (mentira isso). Bom. O importante é que voltei e vamos ao que interessa. O post.

O primeiro blog que tive foi um blog de contos. Desses blogs de contos que tem aí pela internet aos montes. Na época eu nem tinha essa visão blogueira cheia de pageranks, SEO, tags e WEB 2.0. Era só um blog comum de contos e tal. Eu gostava muito de escrever e tinha até alguns contos muito bons. Aí eu tive a idéia de publicar aqui no Crepúsculo alguns desses contos, de vez em quando. Aí eu lembrei que este blog não é um blog de contos e crônicas. Resolvi fazer o seguinte. Vou postar um conto aqui, e deixar o link deste blog antigo para quem quiser ler o resto dos contos.

- A Atriz -

Ela era assim. Marina tinha mania de atriz. E isso era só um detalhe em sua vida. Não fosse as mentiras que ela criava. E os papéis que inventava para a vida real. Afinal, o trabalho do ator é mentir convincentemente. E isso ela fazia muito bem. Se tornou uma mania. Uma obsessão. Conhecia outras meninas no playground ao lado de casa e inventava nomes diferentes para si mesma. Inventava outras famílias. Mudava até mesmo a idade. Se apresentava e se portava como uma pessoa da idade que dizia ter.

Uma vez fingiu para a família ter perdido a memória. A história durou 4 meses e só não se prolongou por mais tempo porque se cansou do papel. Começou a criar disfarces. E fazia com tanta perfeição que nunca a descobriam. Ai de quem a descobrisse. Isso para ela, não podia acontecer. Conseguia convencer até mesmo o diabo de que ele sim, ele era o bonzinho da história. Ser descoberta não. Nunca.

A mania chegou ao seu ápice quando ingressou na faculdade. Artes Cênicas. Resolveu criar um papel de moça perdidamente apaixonada. Na terceira semana, entrou na sala e se declarou para o colega.

-Arthur! Eu te amo loucamente! Nunca me senti assim durante toda a minha vida. Você é tudo pra mim! Foi amor a primeira vista! Entrego a ti meu corpo e a minha alma! Derrame em mim ou seu líquido sagrado do amor.

E o beijou como nunca tinha beijado ninguém antes. Foi um estouro. Tinha criado o disfarce da sua vida. O de namorada, e futuramente, esposa dedicada somente ao marido. Tinha que manter o disfarçe afinal, ser descoberta não. Nunca.

Transaram no primeiro mês de namoro. Tinha que levar o papel até o final. Mostrou ser a pessoa mais apaixonada e dedicada de todo o mundo. A mais servil. A mais amante. A mais esposa de todas. Se entregou de corpo e alma ao papel. Largou a faculdade. Iria se dedicar somente ao parceiro. Tinha de desempenhar bem o papel. Não poderia falhar. Ser descoberta? De jeito nenhum.

Logo que Arthur se formou, os dois se casaram. Viviam uma vida plena. Tiveram filhos. Ele era extremamente feliz com ela. Nunca conhecera mulher mais dedicada em todo o mundo. O que posso dizer? Viviam bem. Ficaram velhos. Os filhos cresceram. Se casaram. Foi a melhor sogra do mundo.

Como todo papel, o de Marina chegou ao fim. Ela morreu por uma doença qualquer. Casada ainda. Nunca amou o Arthur, nem um pouquinho que seja, mas manteve o papel até o fim. No seus sonhos, tinha sido a melhor atriz do mundo. Desempenhou o papel até o fim. E quando morreu, tinha a certeza. Não seria descoberta nunca. Ser descoberta? Só por cima do próprio cadáver.

No velório só se ouvia choro. O marido estava inconsolável. Os filhos ainda mais. Todos falavam sobre como tinha sido boa esposa, boa mãe, boa mulher. Que vida! Que ser humano ela era! No enterro todos choraram. Fazia sol. Na sua lápide, a família escreveu o epitáfio.

“Aqui jaz Marina. Nasceu atriz, mas abandonou seu sonho para ser a melhor mãe, esposa e mulher do mundo”.

Lá no além Marina resmungava. “Desgraçados! Mãe é o cacete! Eu sou atriz! E o Arthur é um filho da puta. Filho da puta!”. E Deus a acalmava. “Calma Marina. Nós sabemos que você foi uma boa atriz. Juro por mim mesmo que sempre te achei uma excelente atriz”. E ela resmungava cada vez mais.

***

Bem. Esse é um dos melhores contos que eu já escrevi (na minha opinião completamente parcial). Se você não gostou, nem se dê o trabalho de ler o resto.

***

1 – A você mulher bonita e respeitosa. Se estiver disponível, já tentou desencalhar o Wanderson?

2 – Você tem twitter e trabalha com propaganda? Siga o @pedroporto. O cara é foda. E digo por experiência própria. Já assisti a uma palestra dele.

3 – Você já viu o portfolio do Fernando Valente? Olha só esse manual de identidade visual que ele fez. Que primor de trabalho!

Várias pessoas já me perguntaram sobre como se escreve uma crônica. Bem, não é uma das coisas mais difíceis de se construir, visto que uma crônica é só um relato de um pequeno acontecimento do cotidiano. O problema é que ninguém quer parar e observar esse pequeno acontecimento do cotidiano, que acontece todos os dias na frente de todos. Veja bem. É fácil. Se você não tem alma vagabunda, alma de flâneur, do tipo que gosta ficar observando tudo ao seu redor, você pode inventar a crônica a partir de suas experiências. Mas a observação constante do cotidiano é, de fato, o que faz a crônica.

Mulheres são ótimas personagens de crônicas. Convenções e hábitos sociais juntos com as mulheres fazem crônicas melhores ainda. A quebra e a desconstrução destas convenções e hábitos onde personagens do gênero feminino participem do enredo fazem crônicas muito mais que melhores. Por exemplo, não seria genial um pai viajar para encontrar com o filho na cidade onde este mesmo cursa faculdade, e ao chegar, descobrir que o filho estuda muito, não sai a noite, não se envolve com mulheres, e gasta todo o dinheiro recebido com livros ao invés de bebidas e cigarros? Isso para o pai é revoltante! Como esse canalha do filho dele pode gastar todo o seu dinheiro com estudo? Onde estão as mulheres? Onde estão as garrafas de whisky? E o pior, comprar livros às custas dele? Isso é um horror!

Pois é. Isso é uma crônica do Luís Fernando Veríssimo. Genial, não? Quase, para ser genial só faltaram as mulheres. Fazer crônicas é fácil. Basta algum conhecimento da língua portuguesa e alguma prática em redação. Vou provar isso começando a escrever uma crônica aqui mesmo e agora.

Primeiro, criemos dois personagens. Acho que vou me decidir por duas mulheres, elas sempre são imprevisíveis e qualquer coisa pode ser feito por elas. As duas se encontram no meio da rua, são amigas a mais de 10 anos. A intimidade entre elas é visível. Encontram-se e resolvem parar em um café para colocar a conversa em dia. Dessa situação podemos desencadear várias outras. Elas podem ir ao banheiro juntas, ou pode aparecer na porta do café um ex-namorado de uma que a trocou por outro homem, ou podemos até fazer com que um carro entre voando pela vitrine e mate instantaneamente as duas, mas isso não seria bom pois a crônica terminaria precocemente, e essa não é a nossa intenção. Vou me decidir então pela opção de uma delas resolver ir ao banheiro. Como sempre, a outra vai atrás, um hábito social tipicamente feminino. Pelo fato das mulheres sempre irem juntas ao banheiro, alguns deles já são construídos de maneira que cada box tenha dois vasos sanitários, para que as duas possam sentar e conversar enquanto fazem o que tem de fazer.

Um banheiro bonito (e só isso, porque crônica narrativa não tem muita descrição). As duas entram conversando no banheiro. Um fato normal. Uma puxa o batom da bolsa enquanto a outra vai ajeitando o soutién (sei lá como se escreve isso). Até aí, um fato normal da rotina de qualquer mulher. Então aqui, nesta parte em que o texto já está se tornando chato, inserimos a surpresa, o ápice, a virada de mesa da crônica. Paula (é o nome de uma delas) abre a porta de um dos boxes do banheiro e se depara com o seu ex-namorado (aquele que a trocou por um homem) sentado num vaso. Ela solta um grito escandaloso (“Seu sem-vergonha!”) enquanto a outra amiga grita assustada.

Se quisermos, podemos interromper a narrativa aqui e começar outra aparentemente não conectada a nossa história. Atenção. É aqui que acontece a mágica da crônica:

Naquela tarde, Laércio dirigia seu carro tranquilamente pela rua. Tinha marcado de encontrar com seu namorado, Luis, que tinha recentemente assumido sua homossexualidade e largado de sua namorada para ficar com ele. Foi neste momento que um homem empurrando um carrinho de pipocas entra na frente do seu veículo sem perceber o perigo, o que fez Laércio se desviar bruscamente numa guinada de volante, indo de encontro à parede de um café, destruindo todo o banheiro feminino do estabelecimento, matando duas mulheres perto do espelho e um homem vestido de mulher sentado na privada.

***

1 – Este é o manual de como fazer uma crônica ao estilo Luís Fernando Veríssimo. Quem gosta do autor vai entender rir muito.
2 – Alguém conhece a Érika Machado? A mineirinha é, para mim, uma das melhores cantoras no país. Tempos atrás fiz até um “clipe” (bem vagabundo), pra uma música dela. Quem quiser assistir, está aqui.
3 – Já criou um desenho com dominós? Visite o Drawminos e entenda do que eu estou falando.

Toda família tem as suas histórias. Inclusive aquelas bem misteriosas que ninguém explica direito e cada um tem sua versão. Algumas histórias só vão nos sendo apresentadas quando ficamos mais velhos, maduros. Acho que vocês sabem do que eu estou falando. Sua família também deve ter histórias assim.

Eu sempre achei o caso de uma tia minha (na verdade, minha tia-avó) uma puta história. Daquelas dignas de serem mandadas pra telona. E essa história tem a ver com o Tarcísio Meira. Você vai entender no final.

Aconteceu na década de 50, na cidade de Montes Claros, no norte de Minas, quando ela tinha então seus 19 anos. Uma moça. Ela conheceu um rapaz, Carlos era o nome dele. Ela era bem bonita (bem formosa, bem apessoada e garbosa) e tinha muitos pretendentes (naquela época era assim). E quando ela o conheceu ele morava numa pensão daquelas bem safadas, não tinha 1 centavo no bolso e (juro), não tinha uma roupa sequer, só a do corpo. Documento então, nem se fala. A família dela não gostou muito, mas os dois se encontravam mesmo assim.

Só pra dar uma explicada no perfil do tal do Carlos: ele era um rapaz bonito e simpático. Dono de um enorme carisma, além de possuir uma lábia digna dos melhores políticos e/ou trambiqueiros. O cara era capaz de convencer alguém que urubu era bem-te-vi.

Isso ainda se comprova mais porque dois meses após conhecer minha tia, o cara já tinha a maior loja de iluminação e elétricos da cidade(!), um carro (ter um carro na década de 50 em Montes Claros era ser muito rico), e viajava sempre para Belo Horizonte de avião (porra! Isso na década de 50 em Montes Claros!). Um dia a minha avó (que era bem nova), ao pegar carona com ele, viu que o bispo da cidade estava no carro, de carona também. Ele chamava o tal do Carlos de doutor. Era doutor pra cá, doutor pra lá, isso tudo na maior puxação de saco. Só pra vocês sentirem a moral que o cara conseguiu em pouco tempo.

Enfim. Em mais ou menos 6 meses e ele já era o magnata da cidade, rico “pá caralho”, bonito e arrumado, e o melhor partido da cidade. E ainda “cortejava” (naquela época era assim) minha tia.

Com 8 meses de estadia na cidade ele a pediu em casamento e, pra espanto geral, fez a maior festa de casamento que a cidade viu. Até reformou a igreja só pra fazer o casório. Trocou a iluminação. Fez buffet. Enfim, fez uma festa do caralho. A única coisa que não teve na festa foi fotógrafo. Ele nunca foi de tirar fotos e as fotos que tiraram deles, em todas ele aparecia meio de lado, meio escondido. Na porta da igreja, um homem veio tomar seu carro, cobrando uma dívida. Ele desconversou muito bem e falou: “tá vendo como eu tenho sorte? No dia do meu casamento consegui vender meu carro“.

Casaram-se no cartório (no civil) sem que ele apresentasse um documento sequer (!). Só tinha um documento de Portugal (ele se dizia português) com uma foto meio borrada. E por incrível que pareça, ele convenceu o juiz a alegar que os documentos dele tinham sido roubados e casar os dois sem nem mesmo uma certidão de nascimento dele que fosse.

Passaram a lua de mel em São Paulo. Foi uma surpresa quando ele comentou com o diretor do cinema (que na época era o lugar mais bem frequentado de Sampa) que ele tinha estado na inauguração do cinema. Ainda contou com detalhes como foi a festa de inauguração e qual as personalidades da cidade estavam lá.

O casamento durou um mês. Um dia Carlos saiu de casa e nunca mais voltou. Minha tia teve notícias, uns dois dias depois. Ele tinha seguido de avião para Belo Horizonte. Abandonou a casa, a mulher, a empresa, e junto com ele levou tudo o que provava sua existência: algumas poucas fotos e o documento de Portugal. Foi embora com a roupa do corpo.

Alguns meses depois , ao visitar BH, minha tia encontrou com ele na rua, conversando com um homem. Ela gritou o nome dele. Ele saiu de perto do homem e a arrastou para um restaurante. Os dois almoçaram, ele contou que tinha dívidas de jogo (truco, bilhar, apostas, etc.), disse que não podia ficar com ela, e sumiu. Nunca mais foi visto.

Meu avô, que era maçon, mandou recado para as maçonarias do país, para o caso de alguém encontrar o cara. Teve uma notícia só. Ele tinha sido visto em Pelotas (curiosamente a cidade que a mulher de Tarcísio Meira nasceu e foi criada).

A vida seguiu para minha tia e ela se casou de novo, com o irmão do meu avô. Minha avó foi visitá-la um dia (isso mais ou menos um ano depois do abandono), e a encontrou chorando com uma revista no colo. Na capa da revista tinha uma foto do Tarcísio Meira (o próprio). Ela perguntou a minha avó:

- É ou não é a mesma pessoa, Marizete?

Concordou que era a mesma pessoa. O assunto morreu aí. Até hoje, quando minha avó vê o Tarcísio na TV fala que ele além de ser parecido fisicamente com o tal do Carlos, tem o mesmo jeito de conversar.

A história é real e o pessoal da família não quis me contar direito. Juntei as partes da história que cada um foi contando, mas deve ter muito mais coisa por trás. Se conseguir a foto com minha tia (o que provavelmente nunca vai acontecer), eu posto ela aqui.

***

1 – O Tarcísio declarou recentemente ter morado em Montes Claros, neste vídeo.

2 – O link de cima foi brincadeira, mas a história não.

3 – Porqque serrrá que ass minhas palllavras cruzadas nunnca dão certoo?

Sonho de Criança
Dia 11 de outubro – Sábado

Marcinho se levanta às 7 da manhã como todos os outros dias. Mesmo no sábado ele tinha de trabalhar, ia para o sinal, enquanto a mãe cuidava de seus 4 irmãos mais novos. O pai ele não via há quase um ano.

Se despediu de sua mãe que disse “Vê se traz algum dinheiro dessa vez seu imprestável!!”

Marcinho engoliu sua resposta e saiu para a rua. Ele entendia sua mãe afinal de contas, coitada, casou cedo o pai batia nela e nele. Um dia o pai exagerou e quebrou o braço de marcinho. Mesmo bêbado como estava, o pai dele ficou horrorizado com o que tinha feito e abandonou a família. “Melhor assim” pensou ele. A mãe tinha que cuidar dos outros e ele tinha que trazer dinheiro da rua. Nunca tinha estudado. Quando estava no sinal via outras crianças e as invejava. Apesar de não conhecer essa palavra, ele sentia o que ela significava.

Ele queria ser uma daquelas crianças, de mochila nas costas, rindo voltando da escola. Queria ter outra vida, queria poder reclamar do professor de matemática, queria poder dizer que estava de saco cheio de estudar…só por dizer. Queria estar em um daqueles carros que paravam no sinal, indo para casa, almoçar e depois ir para o clube ou para aula de inglês.

Marcinho chegou ao sinal. Sábado era um dia ruim, provavelmente ia apanhar quando chegasse em casa com pouco dinheiro. Mas tudo bem, era essa a vida que Deus tinha reservado para ele. Mas não custava nada sonhar. E ele sempre sonhou que um dia, daqueles carrões sairia uma mulher ou um homem e mudaria a vida dele. Iam deixar ele ir para escola e tudo mais. Sonhava com um Herói que iria mudar sua vida. Apesar de também não conhecer a palavra egoísmo, sabia que só pensava aquilo para ele. E era errado – pelo menos assim o pensava – e os irmãos? A mãe? Que a vida a havia transformado numa mulher seca, má e inimiga do mundo.

“Se a sorte aparecer para mim…aparecerá para eles.” pensava o inocente Márcio. Ele ia todo dia para o sinal com esta esperança. E hoje é dia 11! Ele pensava. Um dia antes do dia das crianças. Ele nunca havia ganhado um presente. Aliás, sempre detestou esse dia. Todos felizes, na televisão faziam programas especiais e ele nunca havia tido aquela felicidade. Mas acreditava dentro dele, que era um dia mágico, um dia que tudo poderia mudar. Porque nesse dia Deus olhava para as crianças que não eram crianças de verdade.

O dia 11 terminou e ele realmente apanhou quando chegou em casa com míseros 33 reais. Ele dormiu chorando silenciosamente na cama em que dividia com seus irmãos. Marcinho chorava e dentro dele explodia a esperança para o dia seguinte. Ele sonhou denovo, sonhou que iria estudar, que iria se tornar um homem bom, ia ter uma família de verdade. Ele amava muito sua mulher. Sonhou também que se tornou um grande profissional. Era médico, pesquisador de sucesso. Sonhou que ganhava prêmios.

O dia 12 veio e passou.

Marcinho tinha 8 anos nesta época. Ninguém o salvou de nada, e ele não estudou, muito menos se tornou médico. Com 12 anos começou a fumar maconha. Aos 13 fez o seu primeiro assalto. Aos 15 andava armado e vendia drogas. Com 16 matou um dos motoristas dos carrões porque ele não quis dar o dinheiro. Marcinho morreu aos 19 em uma troca de tiros com a polícia.

***

1 – Pensem só um pouquinho.

3 – Pensem bem sobre isso.