Talvez o título não seja o mais apropriado para esse texto, mas é como eu me sinto quando estou com o MP3 ligado na rua, e com fones de ouvido que me desligam da realidade à minha volta.

Sempre que saio de casa para ir ao trabalho, a música me acompanha. Rock, Heavy Metal, Hard Rock, Symphony Rock, Blus, whatever, o que importa é estar ouvindo. Mas, não consigo ouvir música sem ser ridículo: se estou com um guarda-chuva, no primeiro riff da música ele vira uma guitarra; qualquer caneta vira uma baqueta, meus assobios se tornam a gaita, e por aí vai.

Estava eu no ponto ouvindo Daddy, Brother, Lover, Little Boy, do Mr. Big. Um puta riff de guitarra e meu guarda-chuva ganhou cordas, trastes e comecei a destilar uma espécie de “umbrella guitar”. Na hora do solo, uma simpática senhora chegou ao ponto e ficou me encarando, como se eu tivesse me drogado até a alma. “Essa juventude de hoje…”, deve ter pensado, se decepcionando com o destino do mundo pós-guerra.

Nunca me droguei, nem bebidas alcoólicas eu aprecio; minto, consumo rock’n'roll, que vicia quase que instantaneamente. Quando reparei que a velhinha estava a um ponto de me perguntar se eu estava bem, dei uma pausa, mudei de música. Passei para While Your Lips are Still Red, Nightwish, uma super-balada. Foi o tempo do ônibus chegar e eu embarcar, e meu guarda-chuva se tornar um piano.

Fechei os olhos e toquei como se fosse Ray Charles, pra completar a cena ridícula eu balançava a cabeça. Algumas pessoas no ônibus me olhavam como se eu estivesse passando mal, ou com o Capeta no corpo.

Sim, imaginem essas cenas ridículas, e também imaginem que eu não dava a mínima. Ser feliz é não ligar para o que os outros pensam, e ter liberdade para fazer o que quiser, desde que sua liberdade não entre de encontro com a de outra pessoa.

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PS1: Estou montando um evento de Umbrella Guitar, quem está comigo?

PS2: O que falei acima é sério.