Faz algum tempo que não posto. O Pedro até falou que ia colocar uma teia de aranha por cima da minha foto ali na barra lateral (mentira isso). Bom. O importante é que voltei e vamos ao que interessa. O post.

O primeiro blog que tive foi um blog de contos. Desses blogs de contos que tem aí pela internet aos montes. Na época eu nem tinha essa visão blogueira cheia de pageranks, SEO, tags e WEB 2.0. Era só um blog comum de contos e tal. Eu gostava muito de escrever e tinha até alguns contos muito bons. Aí eu tive a idéia de publicar aqui no Crepúsculo alguns desses contos, de vez em quando. Aí eu lembrei que este blog não é um blog de contos e crônicas. Resolvi fazer o seguinte. Vou postar um conto aqui, e deixar o link deste blog antigo para quem quiser ler o resto dos contos.

- A Atriz -

Ela era assim. Marina tinha mania de atriz. E isso era só um detalhe em sua vida. Não fosse as mentiras que ela criava. E os papéis que inventava para a vida real. Afinal, o trabalho do ator é mentir convincentemente. E isso ela fazia muito bem. Se tornou uma mania. Uma obsessão. Conhecia outras meninas no playground ao lado de casa e inventava nomes diferentes para si mesma. Inventava outras famílias. Mudava até mesmo a idade. Se apresentava e se portava como uma pessoa da idade que dizia ter.

Uma vez fingiu para a família ter perdido a memória. A história durou 4 meses e só não se prolongou por mais tempo porque se cansou do papel. Começou a criar disfarces. E fazia com tanta perfeição que nunca a descobriam. Ai de quem a descobrisse. Isso para ela, não podia acontecer. Conseguia convencer até mesmo o diabo de que ele sim, ele era o bonzinho da história. Ser descoberta não. Nunca.

A mania chegou ao seu ápice quando ingressou na faculdade. Artes Cênicas. Resolveu criar um papel de moça perdidamente apaixonada. Na terceira semana, entrou na sala e se declarou para o colega.

-Arthur! Eu te amo loucamente! Nunca me senti assim durante toda a minha vida. Você é tudo pra mim! Foi amor a primeira vista! Entrego a ti meu corpo e a minha alma! Derrame em mim ou seu líquido sagrado do amor.

E o beijou como nunca tinha beijado ninguém antes. Foi um estouro. Tinha criado o disfarce da sua vida. O de namorada, e futuramente, esposa dedicada somente ao marido. Tinha que manter o disfarçe afinal, ser descoberta não. Nunca.

Transaram no primeiro mês de namoro. Tinha que levar o papel até o final. Mostrou ser a pessoa mais apaixonada e dedicada de todo o mundo. A mais servil. A mais amante. A mais esposa de todas. Se entregou de corpo e alma ao papel. Largou a faculdade. Iria se dedicar somente ao parceiro. Tinha de desempenhar bem o papel. Não poderia falhar. Ser descoberta? De jeito nenhum.

Logo que Arthur se formou, os dois se casaram. Viviam uma vida plena. Tiveram filhos. Ele era extremamente feliz com ela. Nunca conhecera mulher mais dedicada em todo o mundo. O que posso dizer? Viviam bem. Ficaram velhos. Os filhos cresceram. Se casaram. Foi a melhor sogra do mundo.

Como todo papel, o de Marina chegou ao fim. Ela morreu por uma doença qualquer. Casada ainda. Nunca amou o Arthur, nem um pouquinho que seja, mas manteve o papel até o fim. No seus sonhos, tinha sido a melhor atriz do mundo. Desempenhou o papel até o fim. E quando morreu, tinha a certeza. Não seria descoberta nunca. Ser descoberta? Só por cima do próprio cadáver.

No velório só se ouvia choro. O marido estava inconsolável. Os filhos ainda mais. Todos falavam sobre como tinha sido boa esposa, boa mãe, boa mulher. Que vida! Que ser humano ela era! No enterro todos choraram. Fazia sol. Na sua lápide, a família escreveu o epitáfio.

“Aqui jaz Marina. Nasceu atriz, mas abandonou seu sonho para ser a melhor mãe, esposa e mulher do mundo”.

Lá no além Marina resmungava. “Desgraçados! Mãe é o cacete! Eu sou atriz! E o Arthur é um filho da puta. Filho da puta!”. E Deus a acalmava. “Calma Marina. Nós sabemos que você foi uma boa atriz. Juro por mim mesmo que sempre te achei uma excelente atriz”. E ela resmungava cada vez mais.

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Bem. Esse é um dos melhores contos que eu já escrevi (na minha opinião completamente parcial). Se você não gostou, nem se dê o trabalho de ler o resto.

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1 – A você mulher bonita e respeitosa. Se estiver disponível, já tentou desencalhar o Wanderson?

2 – Você tem twitter e trabalha com propaganda? Siga o @pedroporto. O cara é foda. E digo por experiência própria. Já assisti a uma palestra dele.

3 – Você já viu o portfolio do Fernando Valente? Olha só esse manual de identidade visual que ele fez. Que primor de trabalho!

Desde que eu me entendo por gente eu e a maioria da mesma época já estávamos matriculados em alguma escolinha, fazendo seus desenhos de arte abstrata, solzinho e gaivotas. Nessa época você cantava, brincava, dançava, pintava e aprendia a ler e escrever. Que maravilha não? Eu simplesmente adorava ir para a escola e ‘brincar’ de estudar e aprender. O problema é que depois disso, eles fodem com a gente.

Vamos tomar meu querido irmão artista plástico como exemplo. Ele é cinco anos mais velho que eu e desde que me lembro, ele sempre foi artista. Sempre desenhava perfeitamente, pintava quadros belíssimos e tudo mais. Com não sei quantos anos tocava guitarra, pintava e desenhava como um profissional. Estava escrito que seria isso que ele faria para o resto da vida. Então porque diabos o mandá-lo saber quanto é Log de 10 na base 2? Ele teve sorte. Mas me digam, o que ele já poderia ter feito, se sua criatividade tivesse sido estimulada desde a infãncia ao invés de enfiarem outras coisas na cabeça dele? Ou melhor, se a sua criatividade, caro leitor, tivesse sido estimulada de acordo com o seu talento? Onde você estaria hoje?

Todo mundo tem um talento, todos temos. Acredito piamente nisso, mas também acredito que nossos queridos educadores insistem em matar essa criatividade enquanto estamos na escola. Qual é o conceito básico da criação? Lembrando é claro que não somos Deuses, então jamais criaremos alguma coisa do nada. Tudo que é criado – absolutamente tudo – é a junção de duas coisas que já existem transformadas em uma terceira coisa. E nada é criado se você não errar. Você jamais cria alguma coisa sem muito trabalho e muito erro. E o que as escolas fazem conosco é simplesmente te ensinar que você jamais pode errar. Eles ensinam que o erro é uma coisa intolerável. Ou seja, matam a criatividade.

Eu estou falando tudo isso depois de dois vídeos que eu vi no blog Trabalho Sujo, os vídeos são da palestra de Ken Robinson. Veja, que já voltamos a discutir nosso pequeno problema.


Incrível não é? Antes de continuar tenho que dizer, os ingleses são realmente um povo fantástico, o cara é um “acadêmico”, está fazendo uma palestra sobre educação e consegue ser mais engraçado que muito santd up comedy por aí. Bem, voltando ao nosso probleminha… eu me lembro que quando eu estava na quarta série, a professora de redação/português/literatura, pediu para a turma criar uma história cada um e entregar na próxima aula. Foi absolutamente ali que eu soube o que queria fazer pelo resto da vida: escrever. E a professora soube a mesma coisa quando veio me parabenizar pela história, que infelizmente não tenho guardada. Desde então, meu programa prefiro fora o Word. Passa horas e horas escrevendo no meu velho Compaq 486.

Desde novo você já sabe de qual gama de matérias você gosta mais. Eu sempre fui da turma do Português e História enquanto vários outros eram da turma da Matemática e de Ciências. Ninguém era da turma de Artes, que nos ensinavam qual cores eram quentes e frias. Eu estudava certas coisas que eu simplesmente ficava abismado, e pensava..”Putamerda!”. Quantas vezes eu deixei de fazer o que gostava, ler, escrever, jogar bola, dormir, porque tinha que resolver os exercícios da página 48, e tinha que mostrar a conta toda, se não não valia.

Uma outra pergunta, seus pais já tiveram com você uma conversa desse tipo?

- Filho, vem aqui que eu e sei pai queremos conversar com você.

O garoto larga o violão e vai cabisbaixo para a sala de visitas onde encontra o pai sentado no sofá olhando para ele. Ele senta e sua mãe senta ao lado de seu pai, ambos estão olhando para ele. O pai diz:

- Filho… eu e sua mãe estávamos conversando e… nós queremos que você seja músico e tenha uma banda.

Duvide o dó. Meu pai queria que eu e meus irmão fossemos engenheiros, advogados e fizéssemos concurso público. Minha mãe sonhava com um filho médico. Saiu um Turismólogo, um Artista Plástico e um Publicitário. Sua escola com certeza pensava da mesma maneira. Mate um garoto de estudar, decorar fórmulas porque o mundo não precisa mais de escritores, músicos e artistas. Deixe isso para os Hippies e para os sem causa.

Como o grande Ken disse, querem formar acadêmicos, professores e cientistas. Tudo bem para quem quer isso. Ou melhor, tudo bem para quem acha que quer isso. Cada um tem um talento, mas você só se dá bem se esse talento envolver muita grana na profissão. Professores acham que sabem de tudo, eles mesmos se esqueceram de que foram crianças um dia, que colaram, que já fizeram merdas. O que acaba ocorrendo é que cada vez mais precisamos estudar, estudar, estudar, formar, aumentar nosso nível acadêmico, porque agora todo mundo tem diploma, então o seu tem que ser mais foda.

Na boa, passar metade da vida estudando coisas sem sentido e a outra metade enfiado em um escritório não é o meu ideal de vida. Juntar dinheiro para nunca poder gastá-lo? Imagine um homem que passou a vida inteira trabalhando, juntando dinheiro, deixando de fazer trocentas coisas porque tinha que guardar dinheiro. Aí a vida acaba, e ele já não consegue fazer 10% das coisas que pretendia fazer com a grana.

Não não, isso para mim está errado. Pensem um pouco nisso, eu e você provavelmente fomos criados no mesmo sistema. Meus filhos não precisam aprender desse jeito. Eu vou apoiar e estimular o talento que tiverem, seja qual for.

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1 – Pergunta que não quer calar. “Se um homem disser o que pensa numa floresta, e se nenhuma mulher estiver lá para ouvir, ele ainda está errado?”

2 – Cada comentário que o povo recebe…

3 – Um link bem interessante do Caixa Pretta, o efeito sanfona dos famosos

4 – Mais um ótimo post do Palavra Ácida

5 – E eu vou linkar o Jhony porque ele é foda.

Várias pessoas já me perguntaram sobre como se escreve uma crônica. Bem, não é uma das coisas mais difíceis de se construir, visto que uma crônica é só um relato de um pequeno acontecimento do cotidiano. O problema é que ninguém quer parar e observar esse pequeno acontecimento do cotidiano, que acontece todos os dias na frente de todos. Veja bem. É fácil. Se você não tem alma vagabunda, alma de flâneur, do tipo que gosta ficar observando tudo ao seu redor, você pode inventar a crônica a partir de suas experiências. Mas a observação constante do cotidiano é, de fato, o que faz a crônica.

Mulheres são ótimas personagens de crônicas. Convenções e hábitos sociais juntos com as mulheres fazem crônicas melhores ainda. A quebra e a desconstrução destas convenções e hábitos onde personagens do gênero feminino participem do enredo fazem crônicas muito mais que melhores. Por exemplo, não seria genial um pai viajar para encontrar com o filho na cidade onde este mesmo cursa faculdade, e ao chegar, descobrir que o filho estuda muito, não sai a noite, não se envolve com mulheres, e gasta todo o dinheiro recebido com livros ao invés de bebidas e cigarros? Isso para o pai é revoltante! Como esse canalha do filho dele pode gastar todo o seu dinheiro com estudo? Onde estão as mulheres? Onde estão as garrafas de whisky? E o pior, comprar livros às custas dele? Isso é um horror!

Pois é. Isso é uma crônica do Luís Fernando Veríssimo. Genial, não? Quase, para ser genial só faltaram as mulheres. Fazer crônicas é fácil. Basta algum conhecimento da língua portuguesa e alguma prática em redação. Vou provar isso começando a escrever uma crônica aqui mesmo e agora.

Primeiro, criemos dois personagens. Acho que vou me decidir por duas mulheres, elas sempre são imprevisíveis e qualquer coisa pode ser feito por elas. As duas se encontram no meio da rua, são amigas a mais de 10 anos. A intimidade entre elas é visível. Encontram-se e resolvem parar em um café para colocar a conversa em dia. Dessa situação podemos desencadear várias outras. Elas podem ir ao banheiro juntas, ou pode aparecer na porta do café um ex-namorado de uma que a trocou por outro homem, ou podemos até fazer com que um carro entre voando pela vitrine e mate instantaneamente as duas, mas isso não seria bom pois a crônica terminaria precocemente, e essa não é a nossa intenção. Vou me decidir então pela opção de uma delas resolver ir ao banheiro. Como sempre, a outra vai atrás, um hábito social tipicamente feminino. Pelo fato das mulheres sempre irem juntas ao banheiro, alguns deles já são construídos de maneira que cada box tenha dois vasos sanitários, para que as duas possam sentar e conversar enquanto fazem o que tem de fazer.

Um banheiro bonito (e só isso, porque crônica narrativa não tem muita descrição). As duas entram conversando no banheiro. Um fato normal. Uma puxa o batom da bolsa enquanto a outra vai ajeitando o soutién (sei lá como se escreve isso). Até aí, um fato normal da rotina de qualquer mulher. Então aqui, nesta parte em que o texto já está se tornando chato, inserimos a surpresa, o ápice, a virada de mesa da crônica. Paula (é o nome de uma delas) abre a porta de um dos boxes do banheiro e se depara com o seu ex-namorado (aquele que a trocou por um homem) sentado num vaso. Ela solta um grito escandaloso (“Seu sem-vergonha!”) enquanto a outra amiga grita assustada.

Se quisermos, podemos interromper a narrativa aqui e começar outra aparentemente não conectada a nossa história. Atenção. É aqui que acontece a mágica da crônica:

Naquela tarde, Laércio dirigia seu carro tranquilamente pela rua. Tinha marcado de encontrar com seu namorado, Luis, que tinha recentemente assumido sua homossexualidade e largado de sua namorada para ficar com ele. Foi neste momento que um homem empurrando um carrinho de pipocas entra na frente do seu veículo sem perceber o perigo, o que fez Laércio se desviar bruscamente numa guinada de volante, indo de encontro à parede de um café, destruindo todo o banheiro feminino do estabelecimento, matando duas mulheres perto do espelho e um homem vestido de mulher sentado na privada.

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1 – Este é o manual de como fazer uma crônica ao estilo Luís Fernando Veríssimo. Quem gosta do autor vai entender rir muito.
2 – Alguém conhece a Érika Machado? A mineirinha é, para mim, uma das melhores cantoras no país. Tempos atrás fiz até um “clipe” (bem vagabundo), pra uma música dela. Quem quiser assistir, está aqui.
3 – Já criou um desenho com dominós? Visite o Drawminos e entenda do que eu estou falando.