futebol americano

Você aí, garoto brasileiro, moleque, travesso, detentor da famosa “ginga brasileira”, cheio de malemolência deve pensar o mesmo que eu pensava sobre Futebol Americano. Que porra é essa? COMO ISSO PODE CHAMAR FUTEBOL MANO? Fica um monte de brutamontes segurando uma “bola” – QUE É OVAL PORRA! – e correndo desvairado tomando encontrão. Pois é, você meu caro e minha cara – é, mulheres também – que pensam isso sobre o futebol americano estão certíssimos, mas tenho um adendo: o nosso futebol, ou o querido soccer, não é também um bando de homens correndo atrás de uma bola tentando colocar ela dentro de três aros?

Olhando cruamente, qualquer esporte pode ser indagado dessa forma. O Tênis por exemplo – que pra mim é aquilo que eu coloco nos pés todos os dias – dois idiotas batendo numa bolinha fluorescente com uma raquete tentando fazer com que o outro não rebata a rebatida dele. Meio louco não? Natação: um bando de nego de sunguinha ou maiô – que já é mó viadagem – batendo com a mão na água pra ver quem chega primeiro ou quem dá voltas mais rápido. Isso sem contar os esportes medonhos que geralmente algum europeu sem nada pra fazer inventa, tipo aqueles caras que ficam esfregando o gelo pra um bloco redondo de mármore bater no outro pra ver quem fica dentro do círculo vermelho.

Se você for ver, qualquer esporte é meio maluco e sem sentido. Tem uns que são mais, como eu disse. Então o que diabos é bacana no esporte? Porque isso dá tanto dinheiro? E porque diabos esse blogueiro maldito tá dando tanta volta pra falar da porra do futebol americano?

Bacana no esporte, emoção, competição, superação, valores, vitórias e histórias. Dá dinheiro porquê emoção vende. E eu dou esse tanto de volta porque eu sou prolixo e estou com saudades de escrever =D.

Tô falando isso tudo porque você acha um esporte estranho e sem graça alguma – ficando até puto por não entender bulhufas como um tanto de gente pode gostar daquilo – simplesmente porque não descobriu aonde é que fica a emoção do jogo. Eu achava tudo isso do futebol americano, achava um ultraje aquilo se chamar futebol – ok, ainda estou me acostumando com isso - até ver o tal do SuperBowl no ano passado.

Para quem não sabe, o SuperBowl é o maior evento esportivo dos Estados Unidos e um dos mais importantes do mundo, só não bate a Copa do Mundo e as Olimpíadas. SuperBowl é a final do futebol americano, jogam o jogo especial o campeão da American Football League e o campeão da National Football Conference – que são as duas conferências. Algo como na NBA eles dividem por Costa Leste e Costa Oeste. Não me perguntem, eu não descobri ainda como eles dividem isso no futebol americano, de qualquer forma, as duas conferências juntas são a famosa NFL ou National Football League. Então, os campeões das conferências jogam a final nacional, o SuperBowl.

Eu sempre fiquei encucado com o SuperBowl simplesmente por serem os 30 segundos – enteda por isso o comercial do intervalo – mais caros da televisão no mundo. Um comercial no intervalo do jogo chega – ou chegou – a custar 3 milhões de dólares. Vendo o SuperBowl XLIII (43) eu comecei a entender. Vendo os playoffs (mata-mata) esse ano eu finalmente entendi.

SuperBowlXLIV

*Só pra avisar, eu ia fazer dois posts, um sobre futebol americano e um sobre o SuperBowl XLIV, como não fiz isso, resolvi juntar tudo em um só.

Então, eu vi o tal do SuperBowl, o final pelo menos. Sem entender nada, NADA, do jogo… eu fiquei com os olhos cheios de lágrima e gritei enlouquecido. Nem sabia quem tava jogando, nem sabia o que tava acontecendo só sei que foi DUCARALHO DEMAIS! Meus queridos amigos @caioabbath, @A_t_u_r e @rogeriocostaa ficavam me enchendo o saco falando que o futebol americano era isso e aquilo e eu nem queria ouvir. Me arrependi amargamente.

Esse ano eu infelizmente perdi a temporada regular, até porque a emoção do jogo já havia passado e eu tinha esquecido do tal american football. Até que Artur e Caio me convidaram para ver dois jogos de playoffs agora em janeiro. No fim do primeiro jogo eu já entendia as regras principais, quem era quem, e quem fazia o quê.  Comecei a saber um pouco da história e um pouco dos jogadores lendários. No fim do outro jogo, já bêbado, o futebol americano havia me conquistado. Esporte legal esse.

No outro fim de semana, eu assisti o jogo que iria mudar completamente minha cabeça: New Orleans Saints x Arizona Cardinals. Fiquei louco. O Cardinals era o time que tinha perdido o superbowl que eu havia assistido, ou seja, um mega time. O Saints, como soube pela transmissão, era um ex-saco de pancadas que vinha crescendo nas últimas temporadas. O tal Cardinals começou ganhando com um belíssimo touchdown. Vi que seria de lavada.

Ledo engano, os Saints liderados pelo quarterback – o cara bonitão que fica zoando os nerds nos filmes de adolescente americanos – Drew Brees viraram, ESMAGARAM o Cardinals do experiente e candidato ao Hall da Fama Kurt Warner. As jogadas aéreas – quando o cara (quarterback) lança a bola lá longe para o neguinho que corre igual louco pegar – são as que eu mais gosto, e Drew Brees usa e abusa desse tipo de jogada. Ou seja, fiquei alucinado.

O Futebol Americano não só tinha me conquistado como havia me viciado. Não aguentava esperar outra semana para ver mais um jogo. Vi o outro jogo do Saints, contra o Vikings do lendário Brett Favre. Saints virou mais uma vez lindamente, ganhando na prorrogação com um field goal – no chute mesmo, bola dentro do aro. olha o foot entrando aí – de 40 e tantas jardas.

saints

Além de ver os jogos eu fui pesquisando e sabendo mais um pouco dos times que estavam jogando para irem ao SuperBowl desse ano. O time de New Orleans – o Saints – sofreu muito nos últimos anos por causa do furacão Katrina, que devastou a cidade, eles perderam o estádio – que virou abrigo para os que perderam tudo – nunca haviam chegado ao SuperBowl, eram o saco de pancadas da liga. Até que esse ano eles chegaram ao SuperBowl. Até que esse ano eles ganharam o SuperBowl.

Contra a maioria dos prognósticos, contra o talvez futuro maior quarterback de todos os tempos – Payton Manning – o time de New Orleans que perdia por 10 a 0 virou mais uma vez e ganhou o jogo mais importante da vida do time. Não vou especificar aqui como aconteceu, até porque a maioria – acredito eu – não iria entender nada. E quem entende, viu o jogo, e quem viu sabe do que eu estou falando.

Torci para o Saints na final – era até então o time que eu havia mais gostado de ver – depois da final digo com certeza que eu sou um torcedor pra vida toda do New Orleans Saints. É impressionante como é hollywoodiana a final de um superbowl. Essa então foi a mais hollywoodiana de todas. Teve virada, teve técnico maluco arriscando tudo para ganhar, teve passes geniais, teve corridas de 70 jardas, teve gênio errado e gênio se firmando como gênio, teve sofrimento, teve tristeza, teve alegria e teve festa. Saints ganhou o título e deu ânimo para toda uma cidade que ainda está sendo reconstruída, Saints entrou pra história e provou para milhões de pessoas que com garra, vontade, ousadia e um toque de talento pode-se conquistar qualquer coisa.

brees

Valeu Saints, valeu amigos, valeu futebol americano. Me sinto uma criança novamente, torçendo, vibrando e me emocionanto com esse esporte fantástico.

***

1 – Eita post grande em?

2 – Então, vocês querem mais posts sobre o futebol americano? Querem entender as regras, ver algumas jogadas históricas? Falem aí nos comentários que falarei mais sobre o assunto

3 – E esse post também serve para avisar que sim, esse ano teremos uma coluna de futebol. E não reclamem. Aos cruzeirenses, relaxem… falarei de futebol imparcialmente. Ou quase.