O Pedro comentou no post anterior sobre um caso de discriminação racial no Carrefour
E isso me fez lembrar 3 coisas, uma sem explicação, uma que provavelmente alguns de vocês já devem ter passado ou visto e uma que eu fiz para testar.

Eu sou loirinha, braquela, estatura mediana, pareço uma patricinha desleixada – digo isso porque combino calça social com tênis, jeans com chinelo, camiseta com maxi bolsa de courino rosa choque…enfim – não sou o tipo que você pediria para comprovar que pode pagar aquela compra, ou algo do tipo…

Babies-Angry

Caso 1:

Eu e os bancos, ou melhor, eu e as portas giratórias de bancos.

Eu não sei o que acontece comigo que eu SEMPRE sou parada nas portas giratórias. Sempre. Larguei mão de entrar em banco há muito tempo; sempre que posso resolver pela internet ou caixas eletrônicos eu vou, se é no caixa eu jogo a bomba na mão da minha vó.

Quando eu realmente preciso ir eu já me preparo. Roupa de algodão, sapato de plástico, cabelo solto, sem óculos, sem chave…e já vou derramando tudo o que tenho nos bolsos naquela caixinha bonitinha.
Depois de me certificar que não tenho clipes nos bolsos, eu entro e PEH…eu sou parada.
O segurança olha pra mim, eu falo que não imagino o que mais pode ser, ele me pede pra voltar, destrava, eu tento de novo e PÉ…parada de novo.
É batata! Eu só nunca fui parada no banco que tinha dentro de uma empresa que eu trabalhava porque não tinha porta giratória, afinal, só funcionários tinham acesso.

Um tempo atrás eu precisei ir ao banco para resolver um problema com a minha senha. Eu precisava entrar, eu não tinha opção. Matei meu almoço e ia encontrar minha vó lá dentro. Claro que ela soube quando eu cheguei. A porta não parava de apitar e eu não parava de colocar as coisas da minha bolsa na caixinha. A caixinha lotou, eu tive que sair, o segurança puxou as coisas, esvaziou a caixinha, eu lotei a caixinha mais uma vez, a porta travou de novo e eu perguntei se era realmente necessário eu ficar nua. O segurança acabou me liberando.

Anos atrás eu ia muito a um banco com a minha vó para ajudá-la. E claro que eu ficava parada na porta. A gente ia toda semana, o segurança já sabia até meu nome, mas sempre me parava, até eu falar em alto e bom som: “Isso não são seios, são duas metralhadoras. Quer tomar um tiro agora ou na saída?”
Ele caiu na gargalhada e nunca mais me parou. Mas só ele, infelizmente.

Eu odeio portas giratórias com sensores de metal..eu só me fodo nessas brincadeiras…
E isso me faz lembrar de outro caso

Caso 2:

Sensores, roupas, um lugar apertado e um segurança mal encarado

Apesar da minha pose eu admito. O Diabo Veste Marisa/Renner/C&A/tanto faz…eu compro roupa nas grandes lojas de departamento e não tô nem aí. E o que interessa é a história.

A Marisa tem uma mania TOSCA de lotar a loja de bancadas, espelhos, paredes sem razão no meio da loja, colunas e não sobra espaço para o que interessa, as roupas e a passagem das pessoas. Então fica tudo muito próximo daqueles sensores pra saber se a pessoa tá roubando algo da loja ou não.

Um belo dia fui procurar umas calças pra trabalhar, me deparei com umas camisetas e tava lá passando bem colada na porta, porque não tinha espaço, oras. A blusa esbarrou no sensor, ele tocou, o segurança tava do lado,ele viu, eu vi, todo mundo viu, uma senhora que tava perto viu, eu continuei andando, pedi desculpa, reclamei que tava apertado, a senhora concordou, o segurança abaixou a cabeça e tudo lindo.

Eis que eu vou pra outro canto da loja e vejo o tal do segurança atrás de mim. Fui para o outro lado e ele atrás de mim. Fui para as CALCINHAS e ele atrás de mim.
Ai eu surtei. E quando eu surto, eu surto!
Perguntei se tinha algum problema, ele disse que não. Perguntei porque estava me seguindo e ele disse que era impressão. Eu disse que se era impressão minha era porque ele realmente estava me seguindo e me constrangendo e perguntei se ele não podia rodar o restante da loja porque algum ladrão em potencial poderia estar pensando em roubar uma blusa de R$ 9,90 enquanto eu tava vendo uma calcinha do mesmo valor.

Ele saiu andando e voltou 5 minutos depois.
Ai eu gritei! “Quer me revistar? A porra da loja é apertada, aquela merda de sensor fica no caraleo do caminho, eu não tive culpa e agora você vai mesmo me seguir? Olha minha bolsa, olha…”
A gerente chegou, eu contei a história pra ela, ela disse que ele só estava fazendo o trabalho dele. Eu perguntei se fosse com ela como ela se sentiria. Ela não respondeu até agora, se ela responder para você, por favor me mande um e-mail.

Ele disse que não ia pedir desculpas, eu disse que a compra que eu ia fazer era mais alta que o salário dele, ele ficou puto, eu fiquei puta, uma vendedora veio falar comigo, pedir desculpas por todos, larguei as coisas na mão dela e nunca mais voltei lá.

Caso 3:

Como zoar com a cara de vendedor

Admito que eu fiz de propósito para ver o que ia acontecer.

Eu já trabalhei em shopping, já fui vendedora, já fui orientada a não dar tanta atenção para quem está mal vestido, quem está sem bolsa, quem está de chinelo etc…
E sempre achei uma tremenda besteira. A gente nunca sabe o que se esconde atrás daquela pessoa.

Uma manhã fui com a minha vó (olha ela de novo) ver uns aparelhos de celular. Passamos em uma loja no shopping de uma renomada operadora que eu já era cliente.

A patricinha aqui estava de cabelo preso em um rabo, sem maquiagem, de chinelo, camiseta e uma bermuda. Maloqueira,bem maloqueira.

Entramos na loja e tanto o vendedor que nos atendeu, quanto o promotor da nokia ficaram nos encarando e rindo. E eu fazendo cara de quem não havia percebido. Eu não queria escandalo, eu realmente queria o aparelho, o plano e queria me divertir.

O vendedor mostrou alguns aparelhos baratos, eu olhei e falei que não havia me interessado, eu queria um determinado lançamento da nokia. O promotor riu mais ainda fazendo aquela cara de “mas ela não pode nem comprar um sapato, coitada”

Continuei olhando, vi outros aparelhos de outras marcas.

O promotor saiu da loja e esse foi o momento que eu ataquei!

Enquanto o promotor foi chamar pessoas de outras lojas para rir, eu estava grudada no pescoço do vendedor e deixando ele roxo de vergonha. De repente ele chamou o promotor da nokia e foi a hora dele ficar roxo e galera que estava na porta ir ao delírio de tanto rir, mas dessa vez do vendedor e do promotor.

Sai de lá com DOIS aparelhos. Um deles da nokia que o promotor fez o favor de configurar pra mim com a maior gentileza do mundo.
Ainda contratei um plano pós pago pra mim e um pré pra minha vó (até porque ela não fala muito, então não tem razão pagar plano)
Só meu aparelho foi mais de R$ 700,00 e minha diversão foi mil.

Sai de lá gargalhando. Quem vê roupa não vê cartão!

Ou seja…Os dois primeiros casos eu JURO que até hoje eu não consegui explicar. Eu tenho de ladra, só pode
O último eu só comprovei uma teoria.

Sabem…é difícil você sair sabendo que vai ser julgado a qualquer momento. Pela sua raça, credo, pelo o que você veste, pelo o que você fala…
Errados os que te julgam e já tomam atitudades agressivas e constrangedoras. Mais errados os que orientam para que seus empregados trabalhem dessa maneira.


  1. Prometi linkar a fofa da @jehmendes no post passado. Amora, tá aqui. Galera, blog lindo lindo dessa guria mais linda ainda, vale a visita – Os Salvadores daqui
  2. A @brabul tem um blog foda. O Poucas Palavras é delicioso de ser lido. Tô adorando. Passem por lá depois.
  3. Momento diversão. O @rafaliziero indicou as tirinhas do Um Sábado Qualquer. Eu tô rindo até agora com essa essa
  4. Quer ser linkado? Me segue no twitter que eu sempre aviso quando vou postar…assim pego seu link e você aparece aqui ;)@fouquet

preconceito

Hoje eu cheguei em casa já sabendo que teria que ir ao supermercado comprar algumas coisas para a casa, principalmente produtos de limpeza. O que convenhamos é um saco comprar. Cheguei em casa e meu pai estava vendo – como sempre – Discovery Civilization [tenho que dizer, meu pai assiste esse canal quando acorda, quando almoça, quando chega do trabalho, quando come alguma coisa, antes de dormir e as vezes até para dormir]. Já cheguei falando para irmos mas meu pai tava vendo o negócio lá e queria esperar terminar. A contragosto sentei lá e o negócio tava tão interessante (era a história do Nostradamus) que ele que teve que insistir pra gente ir embora.

Fomos finalmente para o Carrefour da Av. Prudente de Morais, não sem antes eu esquecer a lista e ter que voltar em casa, mas isso é detalhe. Entramos, compramos o que tinhamos que comprar. Comigo, é claro, não deixando meu pai comprar um monte de coisa que ele queria [estranho né]. Bom, na hora em que nos dirigíamos ao caixa, começamos a ouvir uns gritos, uma balbúrdia, um trem acontecendo.

Fomos nos aproximando (logicamente eu fui para um caixa perto da confusão) e o que eu ouvi de uma senhora ruiva – fora de si – berrando foi “Isso é preconceito! Isso é discriminação racial!”. Pensei “Opa, o negócio é sério”, fiquei mais interessado e reparei que ao lado da senhora, timidamente colocando as compras no carrinho para levar embora, uma negra com uma cara que era um misto de sem graça + humilhação. Ok, deduzi que a senhora estava defendendo a negra que pelo visto havia sido descriminada.

Enquanto a senhora ruiva brigava, esperneava, todos na imediações olhavam intrigados, interessados e até indignados com a situação da moça que pelo que eu pude deduzir era empregada da senhora. Tirando uns metaleiros retardados que ficaram rindo e tirando sarro da senhora. Meu pai que mesmo tendo filhos que gostam da música e até vão a esses shows terríveis, detesta metaleiro… assim como eu. Ele logo soltou um “Tá rindo porque não é com você né?” e arrancou o sorriso dos cabeludos na mesma hora. Meu herói.

Fui colocando as compras na esteira e a mulher continuava com os gritos e berros, foi nessa hora que eu entendi o que havia acontecido. Explicarei da mesma forma que expliquei para um simpático casal que estava atrás de mim:

A moça negra, estava acompanhando a patroa nas compras, obviamente a patroa mandou ela ir para a fila e pagar enquanto ela comia alguma coisa na lanchonete ou pegava mais produtos. De qualquer forma, quando a empregada foi pagar a conta, a mocinha do caixa pediu para ela provar que era titular do cartão [explico mais a frente como soube disso]. A patroa chegou e quis saber o que estava acontecendo e.. assim começou a confusão toda.

Até aí podemos tirar duas conclusões: A moça do caixa, vendo o valor e a quantidade de compras e olhando no cartão o nome, sei lá, Elizabeth Santos Correa Bulhões (chute em, pelo amor de deus), e olhado para a moça, teve a impressão de que o cartão não era dela. O trabalho dela é perguntar e pedir a identidade. Antes que alguém me xingue eu completo a frase. DESDE QUE ELA FAÇA ISSO COM TODO MUNDO. Mas tanto você quanto eu, sabe que isso não acontece e não foi por isso que a moça pediu para a empregada provar que era titular do cartão. Tanto eu quanto você, sabemos que o pensamento que passou pela cabeça dela foi algo assim.

“Essa mulher não é dona deste cartão. Tenho certeza. Se ela for realmente empregada da mulher como ela disse, eu posso levar uns chingos. Mas se o cartão é roubado, e a dona souber que vendemos aqui e neste caixa eu perco meu emprego.”

Tanto a caixa (que é morena) quanto a loirinha que eram os alvos da ira da senhora, tenho certeza, não andam por aí espancando mulheres negras, e muito menos destratam os vizinhos negros ou os próprios colegas de trabalho. Mas neste caso em particular foram preconceituosas sim, e discriminaram a moça. Quer saber porque eu sei disso? Explico.

Porque no mesmo momento em que eu ouvia, deduzia e chegava a essa conclusão, também sabia que iria provar que estava certo. Eu iria pagar a conta com o cartão de crédito do meu irmão e tinha certeza que o caixa não iria me perguntar se eu era o titular do cartão. Dito e feito. Paguei com um cartão de uma conta da qual não sou titular, mas como sou branco, gordinho, fofinho bonitinho, jamais pensariam que eu roubei o cartão para comprar meia dúzia de produtos de limpeza.

Sacou o porque da minha certeza de que as moças foram preconceituosas? Eu sabia que o cara não iria me perguntar aquilo. Eu sabia o que havia acontecido porque quando a senhora ruiva pegou o cartão para passar, ela gritou bem alto e claro “Agora me pede para provar que eu sou titular desse cartão! Vai! Me fala! Pede uma prova! Me diz que eu não sou a titular!”. Quando questionada por outra mulher ela respondeu claramente “É lógico que vou processar!”. A mulher pediu o nome das moças, anotou e saiu soltando os cachorros.

Entendeu agora?

O melhor foi o medo que eu coloquei no caixa que me atendeu. Ele ironicamente e sarcasticamente comentava o fato, e quando o cara do casal de trás disse brincando “Eu não to pagando com meu cartão não em! e se você falar que não é meu eu subo aqui em cima e fico louco”, o caixa morreu de rir. Até que eu disse que o cartão que eu acabara de pagar não era meu. Disse isso rindo também, por isso ele achou que era brincadeira, até que eu fechei a cara e repeti “O cartão não é meu. Mesmo. Eu não me chamo Daniel.” Ele olhou para mim e viu que eu falava sério. Engoliu o riso e claramente ficou com medo. Eu apenas disse “A mulher tá certa. Certíssima em dizer que foi preconceito, porque foi.”, me despedi do casal – que olhava para mim com uma cara de júbilo – peguei as compras e fui embora.

O caixa se calou porque ele também teve a certeza de que as meninas haviam discriminado a empregada da mulher lá. O caixa se calou e ficou com medo, porque se eu quisesse poderia foder com a vida dele. Mas eu não quis. E nem quero. O cara não tem nada a ver com isso, nem eu. Mas tive que dar um cala boca nele porque ele estava tirando sarro da situação.

Isso prova, e prova muito bem a minha teoria de que todo mundo tem preconceito. Uns exageram, é claro. Mas que todo mundo tem, tem. Prova também que você jamais deve tirar sarro de uma situação dessas. Isso não é brincadeira.

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1 – Já que falei do assunto no post, vou linkar um dos melhores blogs do brasil que fala muito sobre o assunto: Liberal, Libertário e Libertino.

2 – Um link para o Zanfa que fez um post número 2000 lindo no Capinaremos.

3 – E um link pro T.G do Ela Tá de Xico porque ele é pop.