O primeiro contato que tive com o tal Harry Potter foi em uma reportagem no JN, na época era apenas um mancebo de 13 anos. Quando vi a reportagem estava na casa da minha vó Zita, eis que meus primos ao ver a reportagem exclamaram e teceram comentários sobre o tal livro. Como eram os primos de BH e tudo mais achei coisa de gente bacana que vai em livraria. Como bom mineiro que sou, fiquei desconfiado e achei aquilo tudo uma baboseira. Vocês queriam o que? Tinha 13 anos e só escutava Black Sabbath e Iron Maiden  e lia livros do Stephen King. Não achei Harry Potter nada Heavy Metal e cismei que era coisa de mulherzinha.

Alguns meses depois em um dia avulso de Dezembro meu irmão Mateus “O Influenciador” – responsável por cerca de 90% da minha formação musical, cultural, literária e nerdista – me aparece com um livro de ninguém mais ninguém menos que Harry Potter. Naquela época, se meu irmão estava lendo, escutando ou vendo é porque era bom e merecia minha atenção – hoje em dia temos discussões homéricas sobre essas coisas, ele criou um monstro – pois bem, fiquei sabendo por ele que o livro que ele comprou era o 4° volume. Eis minha indagação:

- Uai, como assim o quarto?

- Uê, tinha quatro livros lá, comprei esse porque era o maior.

- Tá maluco Mateus, cê vai começar a história do final?

- Que que tem? George Lucas começou Star Wars pelo episódio quatro.

- O.O – “minha cara de incredulidade” (sim, meu irmão é meio maluco)

Então, fiquei observando meu irmão ler compulsivamente o livro e comentar como era foda, como era legal como era ducaralho. Fiquei com inveja. No outro dia fui até a única livraria da cidade, quando a mulher me viu entrando, já foi mechendo na bancada e perguntando “Harry Potter né?”. Fiquei pasmo, mas disse que era. Ela enfileirou os quatro livros e disse:

- Seu irmão veio aqui ontem e comprou esse aqui, falei com ele para comprar o primeiro mas ele quis esse, estranho né?

- Pois eu vou querer o terceiro!

- Mas de jeito nenhum! Seu irmão tudo bem, mas você pode começar a história do começo, você vai ficar sabendo de tudo antes de ler. Leva o primeiro.

- Ah…então tá.

Levei, apesar de achar a dona da livraria meio petulante de determinar o que eu ia comprar. Comecei a ler e minha cabeça literalmente explodiu. Em apenas uma semana já havia lido os dois primeiros, mais uma semana li o terceiro e engoli o famigerado volume quatro. Passei o mês de Dezembro lendo os livros, tardes e mais tardes lendo me divertindo e ouvindo música.

Desde cedo gostava de ler, a isso agradeço minha mãe por sempre ter ótimos livros em casa. E como eu era um atoa de mão cheia, pegava – sempre desconfiado – e não descansava enquanto não terminava. Eis aí o motivo de eu não gostar de praticamente nenhum autor clássico nacional. Quem acompanha o blog sabe que agora fui pegar para ler Fernando Sabino. Nunca li Dom Casmurro nem outros. Sabe porque? Porque se te obrigam a ler você não vai gostar. O livro deve te conquistar, deve te buscar, deve te fazer esquecer do mundo, mas você tem que querer. Obrigar uma pessoa a ler é fadá-la quase sempre de jamais querer chegar perto dum livro. Tudo que li até hoje – tirando alguns livros de vestibular (esses merecem um post à parte) – foi por pura vontade própria. Me arrpendi raríssimas vezes. E sou cada vez mais viciado compulsivo por livros e pela ‘arte’ de ler.

Você agora se pergunta porque o título do post ser “O que eu aprendi com Harry Potter” e eu não falar nada. Isso porque o melhor aprendizado que tive com HP foi justamente aprender a ‘ler’. Não abecedário, aprender o que eu chamo de A Arte de Ler. Lembrei disso tudo neste fim de semana em que estive em Monlevade. Mês de Dezembro + Tardes atoa + Monlevade = Nostalgia. Me lembrei das tardes em que eu passava lendo em todos os quartos, salas, banheiros e até na cozinha. Esse aprendizado vou levar para o resto da vida, toda a preparação, as horas de pura alegria e sentimentos diversos proporcionados por histórias cada vez mais incríveis. Foi assim com Harry Potter e foi assim com Senhor dos Anéis.

Aprendi a ler com os dois, mas o menino bruxo veio antes. E este prazer tenho todas as vezes em que antes de dormir abro meu livro de cabeceira e leio até alta madrugada. Isso se tornou um vício que desencadeou outro: ler várias vezes o mesmo livro, porque eu simplesmente não consigo dormir sem ler pelo menos um parágrafo. O único problema desse vício é dormir babando em cima do livro aberto ou desmarcar a página em que parei. Mas isso é o de menos.

Aqui fica a dica, que eu já disse várias e várias vezes. JAMAIS obrigue alguém a ler, TODAS AS PESSOAS gostam de ler, o problema é que a maioria não descobriu a Arte de Ler. Indique um bom livro, que seja fácil de ler e que envolva e prenda a pessoa. Que faça com que ela descubra esse prazer milenar de ‘ouvir’ uma bela história. Eu tento isso sempre, e quando consigo que uma pessoa aprenda a gostar de ler fico extremamente feliz, porque daí em diante é com ela.

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1 – Além da minha ida a Monlevade, o livro Contos de Beedle o Bardo chegou hoje. Não pude deixar de falar do personagem de J.K Rowling.

2 – Antes que eu me esqueça, desculpe pelos 4 dias sem postar. Isso não vai acontecer denovo.

3 – FÉRIAS VEM AÍ!!!!!!