É nos momentos mais solitários que tecemos a maioria das nossas teorias sobre tudo. Principalmente se for domingo a noite. Criamos teorias sobre a vida, o universo, tudo e mais um pouco, e ainda defendemos essas teorias para as portas janelas e a meia garrafa de vodka que nos faz companhia. Dizem às pesquisas mais ou menos confiáveis que a chamada Teoria do Amor está mais de 80 pontos percentuais a frente de qualquer outra teoria. Já as pesquisas confiáveis dizem que ninguém faz teoria domingo a noite, só os solitários.

Todo tipo de pessoa cria uma teoria sobre o amor, isso é claro, sem ter a mínima ideia do que é amor. Eu mesmo me peguei pensando outro dia, o que é amor? Ok, vamos partir do princípio: Ver a definição no dicionário (é, eu sei que isso é idiota).

No Priberam on line vem assim:

amor (ô)
(latim amor, -oris) s. m.

1. Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou !atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa (ex.: amor filial, amor materno). = AFETO ? ÓDIO, REPULSA

2. Sentimento intenso de atracção!atração entre duas pessoas. = PAIXÃO

3. Ligação!afetiva com outrem, incluindo geralmente também uma ligação de cariz sexual (ex.: ela tem um novo amor; anda de amores com o colega). (Também usado no plural.) = CASO, NAMORO, RELACIONAMENTO, ROMANCE

4. Ser que é amado.

5. Disposição dos!afetos para querer ou fazer o bem a algo ou alguém (ex.: amor à humanidade, amor aos animais). ? DESPREZO, INDIFERENÇA

6. Entusiasmo ou grande interesse por algo (ex.: amor à natureza). = PAIXÃO ? AVERSÃO, DESINTERESSE, FOBIA, HORROR, ÓDIO, REPULSA

7. Coisa que é!objeto desse entusiasmo ou interesse (ex.: os livros electrónicos!eletrónicos são o meu amor mais recente). = PAIXÃO

8. Qualidade do que é suave ou delicado (ex.: faz isso com mais amor). = BRANDURA, DELICADEZA, SUAVIDADE

9. Pessoa considerada simpática, agradável ou a quem se quer agradar (ex.: ela é um amor; vem cá, amor). = QUERIDO

10. Coisa cuja aparência é considerada positiva ou agradável (ex.: o quarto dos miúdos está um amor).

11. Ligação intensa de caráter filosófico, religioso ou transcendente (ex.: amor de Deus). ? DESRESPEITO

12. Grande dedicação ou cuidado (ex.: amor ao trabalho). = ZELO ? DESCUIDO, NEGLIGÊNCIA

amor cortês: sentimento, frequente na literatura medieval, que se caracteriza por uma relação de vassalagem entre o cavaleiro e a sua amada.

amor livre: ligação!afetiva que recusa as convenções sociais e as instituições legais, nomeadamente o casamento.

fazer amor: ter relações sexuais. = COPULAR, FORNICAR

morrer de amor(es): gostar muito.

não morrer de amor(es): não gostar.

por amor à arte: de forma desinteressada.

ter amor a: dar importância a (ex.: se tens amor ao dinheiro, pensa melhor).

Sabe qual foi a conclusão que eu tirei lendo essas definições? Que os Portugueses não entendem nada de amor. Nem eles, e nem ninguém.

Foi aí que cheguei a conclusão que o amor é muito superestimado. Veja só quanta coisa é feita por causa desse sentimento: filmes, música pop, livros, livros de auto-ajuda, terapia, remédios contra o amor, remédios a favor do amor, papéis ridículos que as pessoas se prestam a fazer por outra pessoa, flores, bombons, presentes e mais uma quantidade imensurável de coisas. Existe até um dia só pra isso. O amor gera muito dinheiro, tristeza, e suicídios. E como bem disse o @netomacedo, essa coisa de amor perfeito é muito 1983, coisa de poetas tuberculosos.

Chega a ser engraçado pensar em como somos movidos por isso. Quem ama e é amado, no sentido sexual-romântico da coisa, sabe que aquilo vai acabar e projeta toda sua vida em manter a todo custo o relacionamento porque ela não agüenta mais aquela tia-avó dizendo que ela vai viver sozinha num apartamento com infiltração. Que não ama projeta sua vida em encontrar um amor a cada esquina, ponto de ônibus, fila do banco e porque não, na internet. E quando sopra as 42 velinhas do seu aniversário repletos de tias, primos solteiros como ele e colegas da firma ele percebe que deveria ter feito outra coisa da vida… sei lá, tipo… viver.

Se você chegou aqui e está pensando “Puta dor de cotovelo em Pedro!”, você está certo. Mas está errado também. Essa é só uma parte da teoria. Espere até ouvir o resto, aí sim tire suas conclusões.

Pessoas vão dizer que eu estou sendo chato e que só preciso comer alguém para rever meus conceitos, outras pessoas ficarão com pena e algumas até concordaram com o que eu estou dizendo. Eu já digo que eu sou chato e estou realmente precisando do velho entra-e-sai, entra-e-sai, e que se não concorda comigo… bem, um dia você irá. Você que concorda… bem, que pena. O mundo é bem melhor quando se pensa menos. Ingnorance is bliss.

De qualquer modo, ao ver o amor dessa maneira e vejo também que há aqueles momentos em que tudo isso vale a pena. Aquela viagem de ônibus que você faz, meio acordado meio dormindo, ouvindo uma música que retrata a noite passada maravilhosa que você teve com aquela mulher. O cigarro que você fuma olhando ela dormindo com aquela inocência pecadora ao seu lado. A rapidinha nas escadas. Aquela crise de riso. E a certeza que você sempre teve que você era a pessoa mais feliz do mundo.

Pensando em tudo isso, cheguei a conclusão que o amor é como a vida. Há aqueles dias – a maioria deles – em que não acontece nada que você irá lembrar, há os dias que você quer esquecer – mas não consegue -, e há aqueles dias que você gostaria que o tempo parasse.

E isso, é o que eu mais amo no amor.

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1 – Morri de rir ao ler a palavra “fornicar” no dicionário.

2 – Esse é o tipo de texto que eu amo (sem trocadilhos) escrever.

3 – E você, qual sua teoria sobre o amor?