
Olá Leitores. Au contraire do que estão achando, não morri (pelo menos eu acho). Aos novos colaboradores, olá. Nem fomos apresentados ainda. Prazer, Neto Macedo. Me afastei um pouco do blog (mas não abandonei minha cadeira aqui) porque estava abrindo uma agência. Quer dizer, ainda estou abrindo. É uma agência de publicidade e propaganda que fica em Montes Claros, no Norte de Minas (vem ni mim, pagerank). Se chama Elefantte e a história do nome é bem legal. Escolhemos o nome em homenagem ao Pedro. Pegamos o primeiro nome bizarro estranho que apareceu. Ficou Elefantte com dois tês porque com um só não estava disponível para registro de domínio.
Agora sou Sócio-diretor redator de arte de criamento (mistura de criação e atendimento) da agência junto com o Samuel Reis. Um título pomposo pra quem passa o dia inteiro dentro de uma sala quente escrevendo e correndo atrás de Deuses do Olimpo clientes.
Enfim, agora eu devo postar menos por aqui. A quantidade diminui, mas a qualidade duvidosa continua a mesma. Lá vai mais uma crônica para os leitores e um abraço para os novos colaboradores.
***
Era pobre. Definitivamente. E sobre isso não há sombra de dúvidas. Não tinha dinheiro e ainda tinha que imprimir um currículo para pedir emprego. Era do tipo que trocava o almoço pela janta. Não sabia se ia de ônibus pois, se pegasse a condução, não almoçava, e se almoçasse, ia a pé de barriga meio cheia, pois a refeição era frugal e não lhe satisfazia.
Almoçou e foi a pé. Tinha de achar uma copiadora qualquer na área central da cidade para imprimir o seu curriculum vitae, documento que, supostamente, conteria informações sobre toda sua vida profissional, que não era muito extensa, e sobre suas habilidades e aptidões. Enfim, uma farsa. Iria trabalhar como assalariado, como a maioria da cidade, para o resto da vida.
Por incrível que pareça, tinha um nome, característica que é aparentemente o sinal máximo de individualidade do ser humano. Um nome que dizia que ele, era ele, apesar de se infundir no meio da massa de pessoas caminhando às ruas da cidade, como qualquer rosto, qualquer voz, qualquer olhar. Anônimo. Homônimo. O nome era Antônio.
O calor era insuportável, e o suor já lhe escorria na testa. O barulho de carros, de gente, do centro urbano já se misturava em sua cabeça num zumbido indefinível que lhe causava asco. Suas origens eram rurais, assim como seus costumes, e não se acostumava àquela loucura. Precisava trabalhar e ganhar dinheiro para comer, para morar, para viver e assistir às matinês de sábado. De graça nessa vida, só a morte, dizia o pai. E à lista de serviços gratuitos da vida Antônio acrescentava mais um item. A indiferença.
Entrou no estabelecimento. O calor parecia ter aumentado, talvez devido ao tamanho minúsculo do lugar, e a quantidade de computadores enfileirados em mesas. Era um daqueles novos estabelecimentos dos tempos modernos: uma lan house. Não estava cheio. Havia uma moça num canto, compenetrada na tela da máquina, e um rapaz sentado na mesa da recepção, provavelmente olhando para a tela do seu computador só por automatismo, pois já não tinha mais onde olhar. O rapaz parou e o olhou nos olhos:
- O que o senhor deseja?
Perguntou o preço da impressão. O seu olhar era humilde e fitava o chão. Tinha 63 centavos e rezava para que o preço não passasse desse valor. O rapaz olhou o arquivo. Tinha três páginas.
- Olha moço, isso aqui fica a um e cinquenta.
Um e cinquenta. O preço do ingresso na concorrência de um emprego. Só que Antônio não conhecia uma coisa. Coisa que só foi compreender quando saiu da loja com o currículo em mãos. Seres humanos se compreendem. Um olhar diz muita coisa. E foi por causa dessa característica intrínsecamente humana que Antônio viu nos olhos do rapaz uma compaixão plena, um olhar de quem sabia o que se sofre para conseguir trabalhar. E o rapaz viu nos olhos de antônio a dor e o sentimento de impotência perante a vida, perante a incapacidade de alcançar dignidade. Num gesto de cumplicidade, o rapaz se aproximou de Antônio:
- Quanto você tem? – perguntou, adivinhando que Antônio não possuía a quantia.
- 63 centavos.
- Faz o seguinte. Eu te faço aqui a impressão, você me dá o dinheiro que você tem, e a gente deixa por isso mesmo.
Antônio entregou as moedas ao rapaz, recebeu o papel que supostamente continha sua vida impressa e agradeceu. Saiu pela porta, não sem antes levar discretamente a bolsa de uma das clientes. Nessa vida, nada é de graça. E a riqueza não passa incólume à pobreza.
***
1 – Saí da fase da violência e do sexo e fui para a fase das mazelas sociais. Esperem eu voltar a ler o Rubem Fonseca que eu arrumo um machado manchado de sangue e prostitutas pra enfiar nessa história.
2 – Eu tenho um formspring. Só não vale perguntar de propaganda. AQUI.
3 – Só pra ter certeza. Google, você pegou a URL da minha Agência de Propaganda e Produtora? Obrigado. ^^
Todos concordam com a importância de um bom estágio para alavancar seu curriculum, portifólio ou experiência na área atuante.
O que realmente incomoda é a pergunta: Por que as empresas cismam em confundir sua área de atuação?
Não é difícil para quem faz administração, ser chamado para um belíssimo estágio de “vendedor de porta a porta”… tudo a ver com sua área, não é mesmo? Até porque você fica durante 4 anos aprendendo como ser um administrador de vendas de presunto, mussarela, queijo minas da marca “Çadia”, e administrar, toda a semana, o humor do dono da padaria da esquina, além da administração voraz de seu estrondoso salário de R$ 200,00 pelo 6 primeiros meses…ou até quando você agüentar essa situação!
Pra quem faz Marketing, ser convidado por uma conceituadíssima empresa de “|telemarketing” olha só… Uma vaga que já tem o nome do seu curso, perfeito não? Pois você aprendeu a abordar clientes como ninguém, logo será capaz de gerar a necessidade de compra de um indispensável filtro de água, com 5 temperaturas diferentes, e que gera até 500 litros de água potável por dia…genial!!!
Já Pra quem faz publicidade não é muito diferente, você fica meses elaborando seu invejável portifólio, para ser aprovado em agências, e quando já está dentro de uma delas, descobrem-se incríveis semelhanças como: layout e boleto bancário, onde o briefing é passado pelo dono da agência, de uma forma clara e explicativa para você apresentar com toda certeza, segurança e altivez, à atendente do banco ou ao caixa eletrônico, sem falhas!
Direito é um pouco diferente, estagiários em direito costumam estar em perfeita sintonia com sua área, pois ficam a maior parte do tempo no fórum, show de bola né?… Muito perto dos juízes, promotores, advogados famosos, só que na “fila” dos bancos que existem lá dentro… Ou nos cartórios, utilizando todo o seu poder de persuasão, sendo implacável na autenticação, reconhecimento de firma e procuração, com uma pilha de processos que você não tem a mínima idéia do que tem dentro dele. Resumo da ópera: um Boy-burocrático.
O pior é que esses cursos que mencionei acima são cursos antigos e conhecidos, nessas horas eu juro que fico imaginando com deve ser os estágios pra quem faz nanotecnologia, robótica, meio ambiente, controle de poluição, genética, oceanografia. MEDO O_O
Não tem jeito, ainda nos dias de hoje, muitas empresas enxergam os estagiários como, secretário particular, vendedor amador, office boy, confundindo a não-responsabilidade de um estagiário, com funções que qualquer Zé Mané, sem o mínimo de instrução, faria com tanta eficiência como você.
A única dica que posso deixar é utilizar o estágio (se remunerado) como um dinheiro a ser utilizado em cursos de aperfeiçoamento da sua área, para que aconteça das duas uma: acabando o estágio você já terá bagagem e conhecimento suficiente para ser efetivado ou terá um curriculum muito melhor do que aquele que só faz cursos sem conhecimento de mercado nenhum.
- Agradecimentos ao @rickfelix que mandou esse texto pra gente…tá mandando bem, cara
- Palavra Ácida ajudando no combate: Maneiras Inconvencionais de se Pegar Gripe Suína
- O blog do @t_aranha é ótimo…vale uma espiada.


Leave A Comment