Financeiramente a vida de Antônio andava mais feia que mudança de pobre. O homem tinha que ter mais ginga que pato solto em galinheiro pra fazer a feira do mês. Mas tudo mudou naquele dia. Resolvera pegar um desvio para o trabalho. Achou que faria bem em passar pela ruela atrás da igreja. Ledo engano. Sem dar mais que dez passos, Antônio se depara com uma cena estranha. Um envelope rasgado no chão e várias cédulas espalhadas ao lado. Uma nota de cinquenta. Cinco notas de dez. Antônio fez um cálculo mental e logo concluiu que achara cem reais na rua. Cem reais. Puta que o pariu, pensou. Era o seu dia de sorte. Antônio apanhou o dinheiro, não sem antes olhar para o lado e verificar se havia alguém o espionando. Afinal de contas, cem reais era um dinheiro considerável. Não era todo dia que se achava uma quantia em dinheiro assim, ao léu, no vento, sem lenço nem documento.

Nesse dia Antônio não foi trabalhar. Afinal de contas, havia achado cem reais, várias notas. Podia ser incriminado. Podia ser uma conspiração do sistema, para provar a honestidade das pessoas. De qualquer forma, achado não era roubado e ele ficaria com o dinheiro. E ponto. Se trancou em casa. Ficou várias semanas sem sair. Espiava pelas frestas da janela. Qualquer um podia ser um suspeito. Um agente em potencial. Alguém do sistema, atrás dele. Não atendia mais a telefonemas. Correspondências nem pensar. Emails, em hipótese alguma.

***

Começou a arquitetar planos, soltando gargalhadas estilo muahaha durante a noite, como gastaria o seu dinheiro. Fazia planos. Talvez comprasse um barbeador elétrico. A barba de semanas sem fazer já o incomodava. Acabou enterrando o dinheiro no quintal. Desfez-se do envelope (leia-se: queimou no fogão). Antônio não tinha mais vida. Vivia em função do dinheiro achado.

A namorada desistiu de tentar entrar na casa. Achou que Antônio tinha morrido e arrumou um negão daqueles que dançam e tremem na Emitivi. Sua mãe foi à sua porta. Afinal, há 2 meses não comparecia aos almoços familiares de domingo, religiosamente frequentados por ele. Queria saber dele. É claro que não respondeu. Sabia que era alguém se passando pela senhora que o tinha botado no mundo. O seu patrão, depois de alguns dias tentando contatá-lo, sem obter resultado, o deu como morto.

Antônio gastou toda a sua poupança comprando mantimentos para sua base. Pela internet é claro, nada de sair de casa. A sua casa. Seu quartel. Depois de seis meses. Concluiu que a poeira já havia baixado. Desenterrou o dinheiro (que estava debaixo do pé de manga), e resolveu usufruir dos seus benefícios.

***

Lista de compras do Antônio, cedida gentilmente pelo sistema de probação de honestidade pública, um setor altamente secreto do governo:

-Uma caixa de cigarros “Oliú” – 25 reais.

-Um sorvete de côco na Sorveteria Pantagelis – 2 reais.

-Impressões de currículo, para a procura de um novo emprego – 10 reais.

-Um caldo de cana na Rua da Bahia- 1 real.

-Um DVD pirata de James Bond 007, Cassino Royale – 5 reais.

-E um vinho Francês – 45 reais -, que bebeu sozinho em casa, fumando os cigarros comprados, degustando o fato de ser tão sortudo. Ficava no sofá, rindo sozinho. E às vezes falava para si mesmo, 100 reais. Puxa vida…

Os dois reais que restaram? Antônio doou à igreja onde tinha achado o dinheiro, como agradecimento. Afinal, Antônio era um sujeito do bem.

***

Dona Maria, empregada doméstica, senhora respeitável, já de idade, até hoje se queixa para o marido: “Maldito dia em que perdi aqueles cem reais! Passei aperto durante um mês inteiro!”. E ele murmura: “Pelo menos o seu dinheiro fez alguém feliz”.

***

Eram os dois, velhos, numa festa de aniversário de uma funcionária da firma. Aroldo toma um gole de chope e de repente, para, e diz:

-Olhaquilalí Humberto. Olha só que coisinha rapaiz…

-É Aroldo. Realmente é uma moça muito garbosa. Muito diferente daquele elefante sem rabo ali no canto.

-Bunita Humberto? Para cum isso Humberto… Aquilalí é um pitelzinho rapaiz. Olha aquelas perna Humberto. Olha a pintinha em cima da boca Humberto. E depois o povo reclama quando se comete estupro. Elas que provoca! Ah! Isso sim! Quem provoca são elas!

-Sei Aroldo… Pega aí pra mim – disse apontando para algum lugar.

-O quê? A muié?

-Não! O chope porra!

-Ah. Taqui – e volta olhar para o salão – Humberto, olha só aquela bunda! Omahnomanohn! Aquela ali deve que paga IPTU só pelo tamanho da bunda.

-Olha a sua idade Aroldo, você tem é cinquenta anos, rapaz. Um cara casado, com filhos, se prestar a esse tipo de comentário.

-Tenho cinquenta e ela continua sendo gostosa do mermo jeito. Olhaqueli umbigo Humberto! Ah não! Umbigo não. Aí já é dislealdade! Eu vou lá nela.

-O senhor não vai a lugar nenhum e pode tratar de ficar aí. Toma um gole do seu chope e se segure. O que é isso rapaz? Parece até tarado, porra!

-Olha lá ela! Ela tá vino Humberto! Ela tá vino! Você me segura que eu pulo! Me segura, pois não me responsabilizo pelos meus atos!

Mas Humberto, aleijado que era, não segurou, pegou as muletas e se levantou da mesa. Nem Aroldo pulou. A moça passou. Ele deu um gole no copo e acendeu um cigarro.

***

Não. O final da crônica com os velhos não faz sentido nenhum, mas porra, você quer que tudo na sua vida faça sentido? Vá se foder.

Faz algum tempo que não posto. O Pedro até falou que ia colocar uma teia de aranha por cima da minha foto ali na barra lateral (mentira isso). Bom. O importante é que voltei e vamos ao que interessa. O post.

O primeiro blog que tive foi um blog de contos. Desses blogs de contos que tem aí pela internet aos montes. Na época eu nem tinha essa visão blogueira cheia de pageranks, SEO, tags e WEB 2.0. Era só um blog comum de contos e tal. Eu gostava muito de escrever e tinha até alguns contos muito bons. Aí eu tive a idéia de publicar aqui no Crepúsculo alguns desses contos, de vez em quando. Aí eu lembrei que este blog não é um blog de contos e crônicas. Resolvi fazer o seguinte. Vou postar um conto aqui, e deixar o link deste blog antigo para quem quiser ler o resto dos contos.

- A Atriz -

Ela era assim. Marina tinha mania de atriz. E isso era só um detalhe em sua vida. Não fosse as mentiras que ela criava. E os papéis que inventava para a vida real. Afinal, o trabalho do ator é mentir convincentemente. E isso ela fazia muito bem. Se tornou uma mania. Uma obsessão. Conhecia outras meninas no playground ao lado de casa e inventava nomes diferentes para si mesma. Inventava outras famílias. Mudava até mesmo a idade. Se apresentava e se portava como uma pessoa da idade que dizia ter.

Uma vez fingiu para a família ter perdido a memória. A história durou 4 meses e só não se prolongou por mais tempo porque se cansou do papel. Começou a criar disfarces. E fazia com tanta perfeição que nunca a descobriam. Ai de quem a descobrisse. Isso para ela, não podia acontecer. Conseguia convencer até mesmo o diabo de que ele sim, ele era o bonzinho da história. Ser descoberta não. Nunca.

A mania chegou ao seu ápice quando ingressou na faculdade. Artes Cênicas. Resolveu criar um papel de moça perdidamente apaixonada. Na terceira semana, entrou na sala e se declarou para o colega.

-Arthur! Eu te amo loucamente! Nunca me senti assim durante toda a minha vida. Você é tudo pra mim! Foi amor a primeira vista! Entrego a ti meu corpo e a minha alma! Derrame em mim ou seu líquido sagrado do amor.

E o beijou como nunca tinha beijado ninguém antes. Foi um estouro. Tinha criado o disfarce da sua vida. O de namorada, e futuramente, esposa dedicada somente ao marido. Tinha que manter o disfarçe afinal, ser descoberta não. Nunca.

Transaram no primeiro mês de namoro. Tinha que levar o papel até o final. Mostrou ser a pessoa mais apaixonada e dedicada de todo o mundo. A mais servil. A mais amante. A mais esposa de todas. Se entregou de corpo e alma ao papel. Largou a faculdade. Iria se dedicar somente ao parceiro. Tinha de desempenhar bem o papel. Não poderia falhar. Ser descoberta? De jeito nenhum.

Logo que Arthur se formou, os dois se casaram. Viviam uma vida plena. Tiveram filhos. Ele era extremamente feliz com ela. Nunca conhecera mulher mais dedicada em todo o mundo. O que posso dizer? Viviam bem. Ficaram velhos. Os filhos cresceram. Se casaram. Foi a melhor sogra do mundo.

Como todo papel, o de Marina chegou ao fim. Ela morreu por uma doença qualquer. Casada ainda. Nunca amou o Arthur, nem um pouquinho que seja, mas manteve o papel até o fim. No seus sonhos, tinha sido a melhor atriz do mundo. Desempenhou o papel até o fim. E quando morreu, tinha a certeza. Não seria descoberta nunca. Ser descoberta? Só por cima do próprio cadáver.

No velório só se ouvia choro. O marido estava inconsolável. Os filhos ainda mais. Todos falavam sobre como tinha sido boa esposa, boa mãe, boa mulher. Que vida! Que ser humano ela era! No enterro todos choraram. Fazia sol. Na sua lápide, a família escreveu o epitáfio.

“Aqui jaz Marina. Nasceu atriz, mas abandonou seu sonho para ser a melhor mãe, esposa e mulher do mundo”.

Lá no além Marina resmungava. “Desgraçados! Mãe é o cacete! Eu sou atriz! E o Arthur é um filho da puta. Filho da puta!”. E Deus a acalmava. “Calma Marina. Nós sabemos que você foi uma boa atriz. Juro por mim mesmo que sempre te achei uma excelente atriz”. E ela resmungava cada vez mais.

***

Bem. Esse é um dos melhores contos que eu já escrevi (na minha opinião completamente parcial). Se você não gostou, nem se dê o trabalho de ler o resto.

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1 – A você mulher bonita e respeitosa. Se estiver disponível, já tentou desencalhar o Wanderson?

2 – Você tem twitter e trabalha com propaganda? Siga o @pedroporto. O cara é foda. E digo por experiência própria. Já assisti a uma palestra dele.

3 – Você já viu o portfolio do Fernando Valente? Olha só esse manual de identidade visual que ele fez. Que primor de trabalho!

Este post é derivado de umas pesquisas que eu estou fazendo para melhorar o desempenho do blog, a dica que me motivou a postar sobre isso veio do ótimo blog Professional Blogger

***

Bom, vamos lá, por uma pesquisa no google com a seguinte frase: “Como entender os homens” três pessoas acabaram caindo aqui no Crepúsculo. Então por que não fazer um post sobre isso?

Vamos lá, querida leitora, preste bem atenção, as dicas são simples…como nós homens:

- Compre cerveja

- Venha pelada.

FIM.

Calma, calma. É óbvio que eu estou brincando. Na verdade nem tanto, porque não duvido que se você fizer isso aí grande parte dos homens irá te querer. Mas irá te querer apenas para isso. É o que eu chamo de Buraco Ambulante. Homens gostam disso, apesar de você neste momento começar ter certeza que odeia como os homens são sujos, canalhas, cafas e tudo mais, nós realmente gostamos disso.

Mas gostamos em partes. E apesar de vocês acharem que não, gostamos de conversar, gostamos de um abraço de vez em quando e SIM, também nos sentimos carentes e há momentos em que precisamos apenas desabafar. Mas antes de continuar, gostaria de dividir a ‘classe’ em 3:

- Homens Completamente Idiotas-Estúpidos-Trogloditas-Cafajestes

- Homens Banana de Pijama

- Meio-Termo

O primeiro representante é o típico Garoto Baladinha, aquele que todas as suas amigas já pegaram, você provavelmente já pegou, apaixonou, mas ele pegou duas amigas (além de você) na mesma noite e você ainda quer o cara. Ele sempre te faz infeliz. Explicação de você ainda o querer: Geralmente esse é o cara que tem pegada. Ou seja, apesar de ser um completo merda, você vai querer denovo por motivos óbvios. E também porque – desculpem a franqueza – toda mulher gosta de um cafa.

O segundo representante é o completo oposto do primeiro. O inevitável Banana de Pijama. Você já ficou com algum tenho certeza, admito até que já fui representante desta classe, mas graças a deus experiência, evolui. Esse é aquele que você beija uma vez e ele logo solta um “Eu te amo”. É daquele que quando pega uma mulher se sente um deus e logo quer casar, ter filho. Geralmente foi zuado a vida inteira, nerd, peganinga. É raríssimo encontrar algum representante que, digamos, saiba o que faz. Explicação de você ainda o querer: Ele NUNCA, irá te trair. Provavelmente você ainda será perdoada se o trair. Além deles geralmente oferecerem proteção, serem carinhosos e compreensíveis.

Por fim, o Homem “Perfeito” (entre aspas porque simplesmente não existe este ser). O Meio-Termo, ele simplesmente tem em um único representante, as melhores características das duas classes anteriores. Ele tem a pegada, a malemolência, sabe das ‘coisas’ como o primeiro e oferece a mesma proteção, carinho, atenção que o segundo. Claro que me orgulho em dizer que me encaixo nesta classe – er..se quiserem é só pedir meu msn pelos comentários ahahaha – Este é o mais próximo do tal homem que toda mulher quer, o genro que toda sogra queria ter. Esse gosta de sair, mas também gosta de ficar em casa. Gosta de um sexo animal mas também curte dormir de conchinha. Difícilmente trai, e sim…quando ama, ama de verdade. Explicação de você ainda o querer: Uai, precisa falar?

Tenho certeza de que muitas vão concordar comigo, em partes, e dizer que a terceira classe simplesmente não existe. Existe sim garota. São raríssimos, mas existem. Se quer mais uma dica lá vai: Os representantes dessa classe geralmente andam em bando, pelo simples motivo de detestarem as outras duas classes. A primeira por só ter idiotas e a segunda por só ter palermas.

Digamos que você encontrou um representante da terceira classe – parabéns! – agora é com você, mas cuidado, eles (nós) somos exigentes. Afinal de contas, somos raros.

Só faço uma ressalva, qualquer representante de qualquer classe, pode ter uma recaída e figurar em alguma outra classe em algum momento da vida. Incluindo é claro os “perfeitos” que vez ou outra caem na esbórnia.

Então querida leitora, agora você pode ou não pode dizer que entende os homens?

***

1 – Eu faria um sobre mulheres, mas nem que eu fosse viver mil anos, conseguiria entender alguma mulher.

2 – Acesse o Muita Pimenta. Blog muito bom!

3 – Fiz um Meadiciona! Clique aqui


DESABAFO DE UM BOM MARIDO

Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.
Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: ‘Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar’.
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.

Eu me casei com a ‘Sra. Certa’. Só não sabia que o primeiro nome dela era ‘Sempre’.
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: ‘O que tem na TV?’ E eu disse ‘Poeira’.
No começo Deus criou o mundo e descansou.
Então, Ele criou o homem e descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.

Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim.
Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.
Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dentes e lhe entreguei.

‘- Quando você terminar de cortar a grama,’ eu disse, ‘você pode também varrer a calçada.’

Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida’.

‘O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está sempre certa e a outra é o marido…’

Luís Fernando Veríssimo

***

1 – Não é segredo para ninguém que eu sou fã de carteirinha desse cara, putz..não preciso dizer mais nada.
2 – Postando da faculdade, o idiota aqui esqueceu que não tinha primeiro horário.

Pedro Américo

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(Foto meramente ilustrativa)

Aaaa sexta-feira! O dia da malemolência, do ócio e da esbórnia. Quando não saio para algum buteco, ultimamente o Barnabé, não faço absolutamente nada na sexta-feira. Leia-se, ficar na internet, ler blogs, e jogar conversa fora no msn, mais propriamente dito, na BlogZona. Hoje está sendo uma destas sextas-feiras-nada-fazendo-estou. Até que…escuto Karchkraftghurfsberg! E a luz pisca, pá-pum, o pc reinicia, com a tela cheia de riscos. No momento a luz se encontrava fraquinha, amarela sabe? Pois então. Para meu desespero, o computador ousa não ligar mais, tela azul. “Puta merda!” penso eu, vou até a sala e pela escuridão constato que a tv também desligou, tentei religá-la. Nada. Lembrei que meu irmão estava no sofá pelo sonoro ronco. Eis que percebo que a luz da entrada do prédio está acesa a toda potência. Solto um mais sonoro ainda “UAI?!”. Caraminholas na cabeça. Um maldito alarme começa a soar na residência (vazia) de frente. Meu irmão, semi-acordado pergunta, “Que aconteceu?”, “Deu um pico de luz…mas num tô intendendo..aqui fora tem luz pô” respondo. Volto para o quarto e tento ligar o computador mais uma vez, uai, se la fora tinha luz e se não tinha acabado por completo eu tinha esperanças. Até por que o modem estava funcionando perfeitamente. Não ligou. Meu irmão já acordado diz “Liga pra CEMIG”. Liguei e agora entra o entreparenteses. Que merda é ligar para essas coisas, principalmente se “essas coisas” forem do governo. Fiquei mais ou menos meia hora ouvindo as propagandas da CEMIG. A história do peixe é até legal. Como sou pseudo-publicitário, fiquei pensando no coitado do Redator (que eu quero ser), que tem que fazer roteiro para espera telefônica. Putz, deve ser o job mais filha-da-puta que existe. Fim do entreparenteses. Depois de ouvir as mesmas coisas por meia-hora, uma moça atende: (vou tentar reproduzir a conversa aqui):

- Não-sei-quem, boa noite com quem eu falo?
-
(Deu vontade de responder, com o Osama Bin Laden) Boa noite, meu nome é Pedro, teve um pico de luz aqui, a luz nem acaba de vez e nem funciona nada, vocês já estão providenciando alguma coisa?
- Onde você mora?
- Santo Antônio
- Santo Antônio é a cidade?
-
(hein?!..achei que esse negócio já redirecionasse para cidade que você liga e tal..ô coisa arcaica) Não, o bairro, de Belo Horizonte.
- A sim, qual a rua?
- *Tal = *
nome fictício da minha rua
- Qual o número?
- *Taltal = *
idem
- As outras casas da rua estão sem luz também?
- Não, quer dizer, não sei…parece que sim, tem algumas que tem outras não.
- Você sabe em nome de quem está a conta de luz?
-
(Sim, Osama Bin Laden) Está em nome de *Tal tal do Tal tal
- Só um minuto, Sr. Pedro
Odeio quando me chamam de Senhor Pedro, senhor é o c*&%$
Vários ‘um minuto’ depois…
- Sr. Pedro, já existe um pedido aqui para resolver o problema, e o mais rápido possível a CEMIG, vai estar resolvendo o problema (demorou e muito para o primeiro gerúndio). Em no máximo 72 horas, o problema vai estar resolvido.
- 72 HORAS?!?!?!?
- Esse é o prazo máximo, o mais rápido a CEMIG vai estar resolven…
(denovo)
- Tá, então tá bom, um abraço viu?
- Tenha uma boa noite Sr. Pedro
- Tá

Já imendei um PQP bem alto. Putz, se demorasse 72 horas…eu morreria, juro…o final de semana inteiro. Mais caraminholas na cabeça. Meu irmão já na cama, perguntou “O que ela falou?”, “Aaa fudeu tudo, disse quem até em 80 anos eles resolvem..” respondi. E em dois minutos ele estava dormindo, tinha chegado de viagem. Aí veio a luz! Meu irmão possui uma das maravilhas modernas de hoje em dia, lançados ultimamente! Um notebook, e é novo, pensei que a bateria durasse mais…sei lá, não entendo de notebook. Em dois minutos ele estava ligando e conectado ao modem. Mas como eu nunca posso contar com a sorte, a bateria estava em 25%, pensei que dava pruma meia-hora, conectei e logo estava na blogzona, além de começar a escrever este post. Estava tudo indo bem, até que a bateria chegou em 16% em CINCO minutos. Porra, não ia dar pra terminar o post, muito menos pra fazer qualquer coisa. Aí do nada o safado do note me desliga…assim, de uma hora pra outra. “Uai? E meus 16% seu puto?” indaguei para o aparelho.

Neste momento eu me desesperei. Completamente sem sono, com quase nada de energia. Isso é o pior pesadelo do mundo moderno. “Vou tentar ler então” pensei já pessimista em relação à quantidade luz que minha luminária iria fornecer. Não dava para ler. MELDELS!! O mp3 tinha descarregado no caminho para casa mais cedo. Mas eu não iria desistir. Peguei o celular que graças a deus eu tinha carregado mais cedo, e comecei a ler (pasmem!) com a luz dele. Agora, tentem, tentem imaginar a merda que é ler com a luz do celular.

Bom, ter que ficar apertando uma tecla a cada minuto, e ficar segurando um celular para ler, não é nada legal. Pode acreditar. Nada legal. Então acontece mais uma coisa, a luz resolve acabar de vez. Em se tratando da luz, não fez diferença alguma, pois o pouco que tinha não servia. Mas devia ser um prelúdio de algo bom, pois se tinha caído de vez, deve ser por que estavam mechendo em alguma coisa. Eis que ouço Karchkraftghurfsberg! mais uma vez. Era a luz voltando, junto com um sorriso estampado no meu rosto. Tudo se ligava perfeitamente bem, então me sentei aqui, e aqui estou escrevendo isso. Resolvi postar porque achei que daria uma boa crônica.

Um Abraço!

***

1 – Só para constar, ontem foi o aniversário desse meu irmão sonolento Daniel, leitor mais do que fiel deste humilde blog. Parabéns velho!

Pedro Américo.

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Eduardo era um rapaz normal. Brincou quando era criança, estudou a vida toda, ajudou o pai na serraria da família. Mas foi exatamente nesta época que Eduardo deixou de ser normal. Como ia muito ao banco para o pai, Eduardo ficou viciado em filas. Isso mesmo, viciado em filas! Vê se pode! O rapaz não podia ver uma fila que, ‘zupt’, corria para o último lugar. E não pense que ele gostava de filas por que ele conhecia um monte de gente, não não, nada disso. Ele até preferia não conversar com ninguém. Gostava mesmo de ficar em filas. Teve uma vez que ficou 4 dias em uma fila, quanto mais o tempo passava mais feliz ficava Eduardo, “isso sim é uma fila” pensava ele. Isso atrapalhava um pouco a vida de Eduardo. Sempre se atrasava para algum compromisso, ele sempre passava por alguma fila. Não agüentava, nem se fosse uma fila formada por 3 pessoas. Passar em frente banco então. Putz! Eduardo fazia o seu caminho pensando nos bancos. Abundância em fila! Uma vez viajou para o exterior. Não gostou. Lá eles não faziam filas como aqui. Aqui sim, temos Filas com ‘f’ maiúsculo. Jogo da seleção. Eduardo amava, não o futebol é claro, que isso ele detestava. Mas as filas, homéricas. Quando alguma grande empresa anunciava vagas de emprego, ele quase que dava pulos de alegria.
Mas como eu disse, isso começou a atrapalhar a vida dele. A família achava muito estranho os sumiços. O pai disse, ‘esse menino tá metido com droga’. A mãe era só pranto. Gritava ‘aonde foi que erramos?’. O pai chamou o filho para uma conversa.
- Nós sabemos – disse o pai.
- Sabem do quê? – retrucou Eduardo.
- Do seu vício.
Eduardo ficou surpreso, esperava tudo menos isso. Ninguém poderia descobrir. Viciado em filas! Isso iria acabar com a reputação da família.
- Como ficaram sabendo?
- Então é verdade? – perguntou o pai em total desespero – Meu Deus muleque! Mecher com droga, o que sua avó vai pensar? Seu tio Márcio então, aquele falastrão! Eu devia bater em você!
Uma saída! Então eles pensavam que eram drogas. Menos mal. Ele tinha que confirmar, melhor drogado que maluco. Maluco não. A família podia suportar um drogado, um maluco, jamais! Tinha até um primo de terceiro gral que fora internado uma vez. Ele ainda ia aos encontros da família. Era isso! Não podia deixar que soubessem…
- Desculpa pai! Não sei onde estava com a cabeça…
O pai ficou feliz. “Pelo menos o pivete confessou”.
Eduardo foi internado, disseram para a família que ele estava sob forte stresse por causa do Vestibular. Mandaram ele de férias para uma fazenda.

Pedro Américo