
Digamos que tenha sido em Dezembro de 93 ou Janeiro de 94 um dos dias mais felizes e importantes da minha vida. O dia em que eu e meus irmãos ganhamos o nosso Super Nintendo. Assim como eu, milhões de meninos de 6 anos se sentiam no paraíso da modernidade e da diversão. Nós estávamos entre os grandes. Nós tínhamos um SNES novinho e com uma porrada de jogo.
Foi um dos dias mais felizes não precisa nem explicar. Dê um videogame de última geração para um garoto de 6 anos para você entender o que eu estou falando. Na época o SNES era o PS3 de hoje. Um marco na nossa geração. Me lembro como se fosse hoje. Meu pai iria trazê-lo, tava vindo de viagem, os três rebentos de minha mãe acordados até altas horas – tipo umas onze e meia da noite – esperando a tão esperada caixa mágica.
Eu sei que dormimos, sentados em algum canto, um encostado no outro e acordamos na cama. Eu como sempre o mais dorminhoco, acordei com um barulho de scharakrichetch pra cá, scharakrichetch pra lá. Além de exclamações de puro prazer e alegria, coisas como “nossinhora!”, “abre esse trem logo”, “meu deus do céu”, essas coisas. Ainda de olhos fechados fui ficando com raiva da barulhera e por estarem me acordando – já nessa época eu odiava que me acordassem, abs – até que… até que tico bateu em teco, teco ficou louco e começou a dar tapas na cara de tico que deu o grito.
Me lembrei o porque daquela balbúrdia toda. Em 2 segundos eu já estava arrancando pedaços de qualquer coisa e soltando as mesmas interjeições como se estivesse lá desde o começo. E meus irmãos encararam o fato da mesma forma. Eis que colocamos o SNES em um tamborete e nos afastamos para dar uma olhada.
Lá estava ele, o Santo Graal de nosso tempo. A maravilha. Todo montado, com fita, manetes e tudo mais. Eu até hoje juro que ele brilhava, meus irmãos me disseram que foi o sono. Ninguém deve passar de “estar dormindo” para “atirando e lançando granada” em dois segundos. Mas que para mim até hoje ele brilhava, brilhava.
Eu falo pra todo mundo, se eu não tivesse ganhado um SNES eu nunca aprenderia inglês, eu nunca escreveria, eu nunca teria imaginação. Papo sério.
Eu tô contando tudo isso, só para contar que eu – desde a última sexta-feira – sou possuidor de um novíssimo (e bloqueadíssimo) Play Station Portable, vulgo PSP. E por dois dias – sábado e domingo – eu fui novamente aquele garoto de 6 anos que acordava às 6 e meia da manhã para abrir seu Super Nintendo. O coração bate forte, dores no estômago, ansiedade elevada a décima potência para poder zerar o primeiro joguinho.
“Um mundo de emoções por causa de um videogame? Get a life.” Você pode dizer. Eu digo, sim! Um mundo de emoções para isso. Foi jogando joguinhos que eu aprendi muita coisa, como eu já disse ali. É jogando joguinhos que eu me desligo desse mundo maluco, é jogando joguinhos que eu volto a ser criança e esqueço como o mundo aqui fora é cruel. Meu refúgio não é uma carreira de cocaína, nem um baseado. Meu refúgio não é ira ao shopping. Meu refúgio não é sumir do mapa. Meu refúgio vai de voar com o Super Mário a tocar Free Bird no hard e fazer 5 estrelas, passando pelo Protoman e matando – finalmente! – o Dr. Willy.
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1 – Dica! Dê um videogame para seu filho/irmão/whatever enquanto há tempo. É uma dica séria.
2 – Por causa do PSP não se assuste ao entrar no blog e ver alguns reviews de jogos.
3 – Visitem o blog do maior fanático por joguinhos que eu já vi – Kid, do Hoje é Um Bom Dia.
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[Zica do Dia - Edição ExtraORDINÁRIA]
Dica: Ao comprar um PSP, NÃO ATUALIZE SEU FIRMWARE PARA 5.51!!!!
Motivo: Você não conseguirá desbloqueá-lo.
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Burro, burro, burro, burro…
[/por enquanto... por enquanto...
Marcinho se levanta às 7 da manhã como todos os outros dias. Mesmo no sábado ele tinha de trabalhar, ia para o sinal, enquanto a mãe cuidava de seus 4 irmãos mais novos. O pai ele não via há quase um ano.
Se despediu de sua mãe que disse “Vê se traz algum dinheiro dessa vez seu imprestável!!”
Marcinho engoliu sua resposta e saiu para a rua. Ele entendia sua mãe afinal de contas, coitada, casou cedo o pai batia nela e nele. Um dia o pai exagerou e quebrou o braço de marcinho. Mesmo bêbado como estava, o pai dele ficou horrorizado com o que tinha feito e abandonou a família. “Melhor assim” pensou ele. A mãe tinha que cuidar dos outros e ele tinha que trazer dinheiro da rua. Nunca tinha estudado. Quando estava no sinal via outras crianças e as invejava. Apesar de não conhecer essa palavra, ele sentia o que ela significava.
Ele queria ser uma daquelas crianças, de mochila nas costas, rindo voltando da escola. Queria ter outra vida, queria poder reclamar do professor de matemática, queria poder dizer que estava de saco cheio de estudar…só por dizer. Queria estar em um daqueles carros que paravam no sinal, indo para casa, almoçar e depois ir para o clube ou para aula de inglês.
Marcinho chegou ao sinal. Sábado era um dia ruim, provavelmente ia apanhar quando chegasse em casa com pouco dinheiro. Mas tudo bem, era essa a vida que Deus tinha reservado para ele. Mas não custava nada sonhar. E ele sempre sonhou que um dia, daqueles carrões sairia uma mulher ou um homem e mudaria a vida dele. Iam deixar ele ir para escola e tudo mais. Sonhava com um Herói que iria mudar sua vida. Apesar de também não conhecer a palavra egoísmo, sabia que só pensava aquilo para ele. E era errado – pelo menos assim o pensava – e os irmãos? A mãe? Que a vida a havia transformado numa mulher seca, má e inimiga do mundo.
“Se a sorte aparecer para mim…aparecerá para eles.” pensava o inocente Márcio. Ele ia todo dia para o sinal com esta esperança. E hoje é dia 11! Ele pensava. Um dia antes do dia das crianças. Ele nunca havia ganhado um presente. Aliás, sempre detestou esse dia. Todos felizes, na televisão faziam programas especiais e ele nunca havia tido aquela felicidade. Mas acreditava dentro dele, que era um dia mágico, um dia que tudo poderia mudar. Porque nesse dia Deus olhava para as crianças que não eram crianças de verdade.
O dia 11 terminou e ele realmente apanhou quando chegou em casa com míseros 33 reais. Ele dormiu chorando silenciosamente na cama em que dividia com seus irmãos. Marcinho chorava e dentro dele explodia a esperança para o dia seguinte. Ele sonhou denovo, sonhou que iria estudar, que iria se tornar um homem bom, ia ter uma família de verdade. Ele amava muito sua mulher. Sonhou também que se tornou um grande profissional. Era médico, pesquisador de sucesso. Sonhou que ganhava prêmios.
O dia 12 veio e passou.
Marcinho tinha 8 anos nesta época. Ninguém o salvou de nada, e ele não estudou, muito menos se tornou médico. Com 12 anos começou a fumar maconha. Aos 13 fez o seu primeiro assalto. Aos 15 andava armado e vendia drogas. Com 16 matou um dos motoristas dos carrões porque ele não quis dar o dinheiro. Marcinho morreu aos 19 em uma troca de tiros com a polícia.
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1 – Pensem só um pouquinho.
3 – Pensem bem sobre isso.

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