Aviso: este artigo fala sobre o contrato entre a Telefonica e Marcelo Tas do CQC. Se você não sabe sobre o assunto, você pode ler esta notícia publicada na Folha de S. Paulo. A opinião neste texto reflete apenas o ponto de vista deste quem vos escreve, não tendo ligação alguma com OCrepusculo ou qualquer outro autor deste blog.

Nas mídias tradicionais o grande problema sempre foi aliar o Jornalismo e a Publicidade. Mesmo os dois fazendo parte da comunicação, unir criação (Publicidade) com o conteúdo (Jornalismo) sempre foi uma situação de saia justa para todos no ramo. Hoje no meio virtual vivemos um problema bastante parecido.

Não sou contra a propaganda, independente do lugar onde ela é divulgada. Enquanto jornalista sei da necessidade que os veículos de informação tem de divulgar produtos para obter renda e continuar existindo, já que há muito tempo os jornais e revistas já não conseguem viver das vendas e assinaturas, enquanto a TV e o rádio não cobram para que o público acesse seus conteúdos. Muitos diriam então: “A publicidade é um mal necessário”. Não concordo, no meu ver a publicidade existe e é inerente do ser humano, não podemos nos livrar dela.

Vale lembrar que é fácil sabermos a diferença entre uma notícia e uma propaganda. Qualquer pessoa hoje pode perceber a diferença quando lê um jornal ou uma revista, pois a publicidade possui um destaque diferenciado do design do jornal (mesmo publicidade em formato de texto vem formatada e diagramada de outro modo, evitando a comparação). Misturar um e outro é coisa para jornais amadores ou de bairro, não para os grandes veículos. Neste caso, fundir os dois é um risco à credibilidade do veículo.

Na televisão é a mesma coisa. A única diferença, algo que não concordo, é a veiculação das publicidades dentro de novelas e seriados, onde o conteúdo se mistura a propaganda criando uma relação escusa e fora dos padrões éticos, os quais devem – ou deveriam – ser seguidos pelos comunicadores. Até a Sônia Abrão avisa antes de fazer a propaganda daqueles produtos estranhos no programa dela. Mesmo assim, neste ponto concordo com o Cardoso: para a propaganda ser boa no conteúdo ela deve passar despercebida na informação, como acontece nos episódios dos seriados norte-americanos. Este tipo de propaganda nos EUA se inevitável pelo grande uso de produtos eletrônicos nos programas (e claro, vale muito mais divulgar um produto se alguém estiver interessado a pagar do que colocar uma tarjinha preta na marca), porém a exposição dos produtos é tão superficial que muitas vezes passa despercebida (visualmente, mas este tipo de propaganda mexe muito no subconsciente dos espectadores).

O problema não é a propaganda nos blogs, portais ou até mesmo no Twitter, mas sim a forma como fazemos esta propaganda ou como ela repercute em nosso público (e não nos blogueiros aguados que podem reclamar do fato). O problema não é a divulgação, mas sim a forma de divulgar e construir a publicidade dentro de preceitos éticos que não destruam a confiança dos leitores e a nossa própria dignidade enquanto “veículos de mídia independente”.

Já foi comprovado que os banners, conforme foi dito a mim pelo Inagaki em uma oportunidade, não são o caminho para a publicidade na internet (neste caso são apenas uma transferência da publicidade impressa para o virtual). A única coisa que não pode ser tirada, e neste momento discordo do Cardoso, é a escolha do público em ler ou não a publicidade, isso deve estar explicito no início do texto ou até colocado no título. A publicidade deve ser diferenciado do resto ou anexado de maneira singela dentro do conteúdo. Diferente do que ele declarou, muitas pessoas mudam de canal na TV por causa da propaganda, porém isso não diminui de maneira alguma o valor que os anunciantes devem pagar por ela.

Sobre o caso Tas/Telefonica, faço as seguintes perguntas ao invés de dizer que isso é feio ou bobo:

  • Uma #hashtag é o bastante para diferenciar uma propaganda de um tweet normal?
  • Muitos seguidores já sabem disso… mas e os seguidores que não sabem dessa situação ou virão depois?
  • Como eles irão diferenciar a propaganda do conteúdo?
  • Onde fica a credibilidade e a ética neste ponto?

Qualquer publicitário, e meus colegas de blog acho que poderão confirmar isso, sabem que não adianta só fazer propaganda, mas ser ao máximo possível correto com seu público (afinal, falhar com o público pode acabar com uma marca). Em uma época onde até propaganda de Doritos tem que ser politicamente correta e propaganda de cigarro e de cerveja com mulher de biquíni na praia não pode porque é feio, para onde caminha a publicidade na internet e nos blogs? Como podemos quebrar a relação escusa entre criação e conteúdo e impedir que ela se torne prática na internet?

A falha desta discussão, no meu ver, é tentar relacionar a publicidade da Telefonica no Twitter do Marcelo Tas apenas a velha disputa entre sim e não. Ao invés disso, a perguntas que deveriam ser feitas são:

  • Como fazer a publicidade no Twitter e blogs dar certo para os autores, divulgadores e o público?
  • De que maneira nosso conteúdo pode coexistir e não ser estragado ou diminuído pelos anúncios publicitários?

Acho que neste caso houve uma desvirtualização do que é necessário para nós. O Tas só estará errado ou certo pelo modo como ele fizer suas propagandas, e não por simplesmente fazê-las.

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1- Como foi dito, só segue o @marcelotas quem quiser. Particularmente nunca segui ele e não é por propagandas que vou deixar de seguir alguém, mas sim pela falta de conteúdo. Quem quiser seguir a gente adicione aí: Eu (@dcamara), Pedro (@pedroturambar), Naya (@fouquet) e o Neto (@netomacedo). Somos gente do bem que não machuca araras azuis e tamanduás bandeira.

2-Marcelo Tas explicou a iniciativa com a Telefonica em seu blog

3- O Rafa Barbosa colocou sua ideia no seu blog, uma das mais inteligentes que foge do #mimimi do certo e errado, e eu apoio.

4- O Nick Ellis colocou um texto sobre este tema no Yahoo! Posts apoiando a iniciativa de Marcelo Tas.

5- Rafael Ziggy, do SimViral, também deixou sua opinião sobre o assunto, e a discussão nos comentários vale tanto quanto o ótimo texto.

6- O Brainstorm #9 também não poderia ficar de fora disto, o artigo deles sobre o assunto está aqui.

7- Fabrício Zuardi comentou a iniciativa de modo negativo no I do My Own Stunts, veja aqui.

8- Fernando Gouveia, o Gravatai Merengue, também comentou sobre o assunto no seu blog com um texto bastante inteligente como sempre, leia.

9- O Alex Luna, do blog Tarrask (que eu particularmente não conhecia, mas recomendo a partir de agora), escreveu um texto muito bom e bastante completo, colocando o tema na mesa, atualizando devidamente e colocando também seu ponto de vista. Vale a pena.

10- Eric Messa também publicou um texto sobre isto no seu blog, o E-Code.

UPDATE:

11- Hospedado no novo portal de blogs Dialética, o blog Maldita Cultura Pop de Adilson Fuzo tem um texto  sobre o caso, mostrando sua posição contra Marcelo Tas.

12- Bruno Vox colocou em seu blog, o BalburdiaSA, sua opinião sobre o caso, você pode vê-la aqui

Depois que comecei a passar mais tempo na blogosfera e, depois de passar mais tempo ainda e começar a estudar a blogosfera e como ela funciona, eu comecei a separar os blogs por categoria. As primeiras categorias que identifiquei (tá bom, elas saltaram na minha frente e acho que até vi alguém comentando em algum lugar) foram essas duas:

- Blogs de distribuição de conteúdo (BDC);

- Blogs de produção de conteúdo (BPC).

Aí eu montei um blog de distribuição de conteúdo. O Bestagem, mistura de besteira com bobagem.  Coloquei o link aqui mas já aviso de antemão que não vai funcionar porque apaguei aquela desgraça o blog há algum tempo.

Não vou entrar no mérito de qual desses dois tipos de blog são é o melhor e qual é o pior. Até porque eu acho que cada um tem sua função.

Os BPC’s tem a função de trazer novos pensamentos, novas idéias, novas interpretações sobre assuntos velhos, entreter, fazer humor (de verdade) e conversar com os leitores, assinantes e o caralhoaquatro etc.

Os BDC’s são agregadores de todo esse conteúdo gerado por outras pessoas. Eles distribuem essa informação gerada pelos BPC para os seus leitores. O que é bastante bom, pois esses blogs ajudam a divulgar o conteúdo de blogs como O Crepúsculo.

O grande problema é quando esses blogs de distribuição começam copiar (sim, copiar) posts na íntegra, para deixar no final uma pequena frase: “Via tal blog”.

São pessoas que gozam com o pau dos outros. Uma porcaria. E tem um monte de blog grande que faz isso. A função dos blogs de distribuição de conteúdo NÃO É COPIAR CONTEÚDO INETERESSANTE. É filtrar para os seus leitores, todo o conteúdo que tem na internet, sobre um determinado assunto e repassar para os seus leitores, que não querem acompanhar milhões de blogs e nem tem tempo.

Um jeito legal de ditribuir conteúdo (indicar posts) é o que o Bobagento faz. Ele coloca uma parte da postagem original em seu blog e depois coloca embaixo um “continue lendo” como se fosse um jump. Só que na verdade esse “jump” é um link para o blog com a postagem original (só pra lembrar aqui, o bobagento é um blog misto, de distribuição e produção de conteúdo).

Outra puta sacanagem que alguns blogs de distribuição fazem, é mandar links de seus blogs para os “links da semana” de outros blogs (muitos tem) quando esses links mandados são de posts de outros blogs. Aí a pessoa clica no link, entra em outro blog de distribuição e o blog que criou a coisa toda fica sem nada, nem uma visitinha.

Não, não estou fazendo mimimi por causa de visitas. É só que quando você cria uma coisa, você quer ser lido, e se outro filho-da-puta está ganhando os créditos por você, não é nem um pouco legal.

O que eu quero deixar claro aqui é a função de cada tipo de blog. Não é que um tipo é pior ou melhor que o outro. Blogs de distribuição funcionam de maneira excelente como filtro para todo o lixo que existe na internet. E isso tem ajudado muito O Crepúsculo, que é um blog quase que totalmente virado para produção de conteúdo.

Esses blogs só não podem levar crédito nas coisas que não criaram

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1- O Ato ou efeito tem um post muito mais completo que o meu sobre o assunto. Recomento com louvor.

2 -Site da Women on web que auxilia as mulheres que vão fazer o aborto e moram num país onde a prática é ilegal. O site fornece informações e soluciona dúvidas (dá pra entrar em contato com eles) sobre o aborto em casa. É claro que fazer o aborto sem acompanhamento médico é perigoso, mas já que vai fazer, saiba os riscos e o que se deve fazer para garantir o máximo de segurança. Eles vendem os remédios necessários pela internet (o famoso Citotec) e mandam pelo correio. Só para deixar claro aqui. Eu sou a favor do aborto mas não estou apoiando ninguém a fazê-lo. Apóio quem quer lutar para mudar a lei do país e legalizar a prática.

3- Esta parte com observações no final de todo post no Crepúsculo também é uma maneira legal de distribuição de conteúdo sem kibar copiar.