Um dia nos tornamos adultos – quem sabe responsáveis – e nossa preocupação deixa de ser o que pedir de natal para os nossos pais, os mesmos que sempre nos alertaram para não implorar tanto para crescer. Ah se soubessemos que felicidade de mandar no nosso próprio nariz vinha junto com tantas perguntas, tantos problemas, tanta dor de cabeça, tantas incertezas…

Incertezas essas que são a causa de perguntas, problemas e dor de cabeça. Se com cinco anos a dúvida cruel entre brincar ou ver televisão já nos maltratava, imagina quando mexe com sentimentos difíceis de explicar.
É complicado definir o amor, o carinho, o desejo, a carência…é difícil quando você não tem, pior ainda quando tem.

Como explicar o que sentimos se não sabemos ao menos do que se trata? Você acha que é paixão e no fundo é tesão. Você acha que não se apegou, mas não pára de pensar na pessoa. Você acha que está bem sozinho, mas deseja todas as noites ter alguém para dar um beijo de boa noite.
Quando nós somos crianças parece tão simples amar, gostar. Um beijo é inocente, um eu te amo não traz compromisso; e quando você cresce tem medo que um simples flerte se torne um romance.

Buscamos e fugimos de compromissos o tempo todo. Nunca está bom. Se estamos com alguém, nos sentimos sufocamos, ou até mesmo sufocamos. Se estamos sozinhos, prometemos mudar e deixar de nos envolver para não mais sofrer. Qual o meio termo? Não é possível apenas viver sem culpa, deixar a paixão acontecer, o tesão aparecer, o desejo envolver e a carência desaparecer?

Temos medo de começar um romance, e até mesmo pensamos na possibilidade de nos tornar perfeitos malandros na arte de amar. Que me amem todos e eu não amarei nenhum.
Maltratamos quem se importa com a gente, para depois implorar pela atenção de quem só deseja nossa carne. O difícil é mais interessante, o desafio de fazer uma pessoa gostar da gente é mais prazeroso.
Depois nos arrependemos e ficamos sem nada.

beijo

Ah se arrependimento matasse. Hoje estamos soltos na noite, demonstrando total segurança para os paqueras em potencial, e total insegurança para os mais chegados. Os amigos sabem que você sofre de uma doença com a mais difícil e prazerosa cura – o amor.
Queremos nos mostrar livres e independentes; romance só nos livros, amores mexicanos e se um vai logo aparecem oito. No fundo sabemos que não é verdade e nos apegamos ao primeiro que nos abre os braços.

A primeira ligação se torna um pedido informal de casamento e ao mesmo tempo que você vibra por ter essa oportunidade, você chora de medo de se envolver, correr o risco e talvez sofrer uma desilusão.

Adoramos sofrer por antecedência – “não posso me apaixonar” “ele(a) não presta” “só quer me comer/dar” “não é a pessoa certa”

Daí surgem as típicas frases de status de redes sociais e conversas instantâneas – “eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também” “eu quero mais é beijar na boca e ser feliz daqui pra frente” “não quer tem quem queira” “eu prometo te dar carinho, mas gosto de ser sozinho” – elas aparecem aos montes para provar que podemos viver sozinhos, que estamos bem assim e não queremos compromisso. É o século do liberal. Vamos sair com todos e não ficar com ninguém.

E onde fica o “é impossível ser feliz sozinho”?. Sabemos que atrás daquele discurso de independência existe uma pessoa carente que só quer amar e ser amada, mas que morre de vergonha de demonstrar isso justamente porque os outros irão julgar. Mas julgar o que se todos estão no mesmo barco?

Mas seria o fim do romance ou apenas medo?

Temos medo de sofrer, medo que não dê certo, medo que não aprovem. O problema é justamente que enquanto vivemos esse medo, não estamos amando e curtindo os prazeres de um relacionamento. E enquanto não nos entregamos de corpo e alma a estes sentimentos, somos o tipo que julga, recrimina e despreza os apaixonados. Enquanto não tentamos, não nos permitimos o direito de arriscar e talvez errar, não seremos completos e nem saberemos explicar o que é a paixão.

Errar na escolha é muito fácil, mas ter medo de arriscar também não pode.


  1. Blog da irmã gêmea que a minha escondeu essa vida toda – Babi Arruda é uma jornalista bárbara e tem uns surtos nesse blog
  2. Outro dia conversei com a Jazz sobre um e-mail que recebi e ela me mandou uma resposta que acalma muito. Leiam mais sobre um e-mail que anda circulando sobre H1N1
  3. O vídeo é velho (2007), acho que na época eu estava em alguma ilha deserta. Enfim, é muito bom – Leila Lopes – No Limite da Morte

Toda família tem as suas histórias. Inclusive aquelas bem misteriosas que ninguém explica direito e cada um tem sua versão. Algumas histórias só vão nos sendo apresentadas quando ficamos mais velhos, maduros. Acho que vocês sabem do que eu estou falando. Sua família também deve ter histórias assim.

Eu sempre achei o caso de uma tia minha (na verdade, minha tia-avó) uma puta história. Daquelas dignas de serem mandadas pra telona. E essa história tem a ver com o Tarcísio Meira. Você vai entender no final.

Aconteceu na década de 50, na cidade de Montes Claros, no norte de Minas, quando ela tinha então seus 19 anos. Uma moça. Ela conheceu um rapaz, Carlos era o nome dele. Ela era bem bonita (bem formosa, bem apessoada e garbosa) e tinha muitos pretendentes (naquela época era assim). E quando ela o conheceu ele morava numa pensão daquelas bem safadas, não tinha 1 centavo no bolso e (juro), não tinha uma roupa sequer, só a do corpo. Documento então, nem se fala. A família dela não gostou muito, mas os dois se encontravam mesmo assim.

Só pra dar uma explicada no perfil do tal do Carlos: ele era um rapaz bonito e simpático. Dono de um enorme carisma, além de possuir uma lábia digna dos melhores políticos e/ou trambiqueiros. O cara era capaz de convencer alguém que urubu era bem-te-vi.

Isso ainda se comprova mais porque dois meses após conhecer minha tia, o cara já tinha a maior loja de iluminação e elétricos da cidade(!), um carro (ter um carro na década de 50 em Montes Claros era ser muito rico), e viajava sempre para Belo Horizonte de avião (porra! Isso na década de 50 em Montes Claros!). Um dia a minha avó (que era bem nova), ao pegar carona com ele, viu que o bispo da cidade estava no carro, de carona também. Ele chamava o tal do Carlos de doutor. Era doutor pra cá, doutor pra lá, isso tudo na maior puxação de saco. Só pra vocês sentirem a moral que o cara conseguiu em pouco tempo.

Enfim. Em mais ou menos 6 meses e ele já era o magnata da cidade, rico “pá caralho”, bonito e arrumado, e o melhor partido da cidade. E ainda “cortejava” (naquela época era assim) minha tia.

Com 8 meses de estadia na cidade ele a pediu em casamento e, pra espanto geral, fez a maior festa de casamento que a cidade viu. Até reformou a igreja só pra fazer o casório. Trocou a iluminação. Fez buffet. Enfim, fez uma festa do caralho. A única coisa que não teve na festa foi fotógrafo. Ele nunca foi de tirar fotos e as fotos que tiraram deles, em todas ele aparecia meio de lado, meio escondido. Na porta da igreja, um homem veio tomar seu carro, cobrando uma dívida. Ele desconversou muito bem e falou: “tá vendo como eu tenho sorte? No dia do meu casamento consegui vender meu carro“.

Casaram-se no cartório (no civil) sem que ele apresentasse um documento sequer (!). Só tinha um documento de Portugal (ele se dizia português) com uma foto meio borrada. E por incrível que pareça, ele convenceu o juiz a alegar que os documentos dele tinham sido roubados e casar os dois sem nem mesmo uma certidão de nascimento dele que fosse.

Passaram a lua de mel em São Paulo. Foi uma surpresa quando ele comentou com o diretor do cinema (que na época era o lugar mais bem frequentado de Sampa) que ele tinha estado na inauguração do cinema. Ainda contou com detalhes como foi a festa de inauguração e qual as personalidades da cidade estavam lá.

O casamento durou um mês. Um dia Carlos saiu de casa e nunca mais voltou. Minha tia teve notícias, uns dois dias depois. Ele tinha seguido de avião para Belo Horizonte. Abandonou a casa, a mulher, a empresa, e junto com ele levou tudo o que provava sua existência: algumas poucas fotos e o documento de Portugal. Foi embora com a roupa do corpo.

Alguns meses depois , ao visitar BH, minha tia encontrou com ele na rua, conversando com um homem. Ela gritou o nome dele. Ele saiu de perto do homem e a arrastou para um restaurante. Os dois almoçaram, ele contou que tinha dívidas de jogo (truco, bilhar, apostas, etc.), disse que não podia ficar com ela, e sumiu. Nunca mais foi visto.

Meu avô, que era maçon, mandou recado para as maçonarias do país, para o caso de alguém encontrar o cara. Teve uma notícia só. Ele tinha sido visto em Pelotas (curiosamente a cidade que a mulher de Tarcísio Meira nasceu e foi criada).

A vida seguiu para minha tia e ela se casou de novo, com o irmão do meu avô. Minha avó foi visitá-la um dia (isso mais ou menos um ano depois do abandono), e a encontrou chorando com uma revista no colo. Na capa da revista tinha uma foto do Tarcísio Meira (o próprio). Ela perguntou a minha avó:

- É ou não é a mesma pessoa, Marizete?

Concordou que era a mesma pessoa. O assunto morreu aí. Até hoje, quando minha avó vê o Tarcísio na TV fala que ele além de ser parecido fisicamente com o tal do Carlos, tem o mesmo jeito de conversar.

A história é real e o pessoal da família não quis me contar direito. Juntei as partes da história que cada um foi contando, mas deve ter muito mais coisa por trás. Se conseguir a foto com minha tia (o que provavelmente nunca vai acontecer), eu posto ela aqui.

***

1 – O Tarcísio declarou recentemente ter morado em Montes Claros, neste vídeo.

2 – O link de cima foi brincadeira, mas a história não.

3 – Porqque serrrá que ass minhas palllavras cruzadas nunnca dão certoo?


DESABAFO DE UM BOM MARIDO

Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.
Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: ‘Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar’.
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.

Eu me casei com a ‘Sra. Certa’. Só não sabia que o primeiro nome dela era ‘Sempre’.
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: ‘O que tem na TV?’ E eu disse ‘Poeira’.
No começo Deus criou o mundo e descansou.
Então, Ele criou o homem e descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.

Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim.
Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.
Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dentes e lhe entreguei.

‘- Quando você terminar de cortar a grama,’ eu disse, ‘você pode também varrer a calçada.’

Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida’.

‘O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está sempre certa e a outra é o marido…’

Luís Fernando Veríssimo

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1 – Não é segredo para ninguém que eu sou fã de carteirinha desse cara, putz..não preciso dizer mais nada.
2 – Postando da faculdade, o idiota aqui esqueceu que não tinha primeiro horário.

Pedro Américo

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