Olá caro leitor tor tor. Faz tempo que não escrevo aqui qui qui. Minha sala no escritório do Crepúsculo tá até com eco eco eco.

Brincadeiras à parte, volto a escrever hoje e trago um post que o Pedro vai adorar. Com certeza ele ficará muito feliz e contente porque este post, provavelmente, vai trazer para o blog todo e qualquer paraquedista do google que queira atuar no filme Crepúsculo. Prepare-se para aprovar os comentários Pedrão. Coloque o Ad Sense num lugar bem à vista. Caching!

Olhe a cara de drama deste bicho. Dá pra perceber que ele é um puta ator.

Na verdade, não é um post de dicas reais de como ser um bom ator. O fato é que vou contar a vocês como eu, o herege, fui parar em Canção Nova no carnaval, passando a me chamar Stanley Ipkiss, natural de Washington e intercambista recém-chegado ao Brasil.

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Tinha uns 16 ou 17 anos de idade e dava muito trabalho em casa. E isso era tanto que chegada a época do carnaval não consegui a tão sonhada viagem para o Carnaval de Diamantina. A resposta da minha mãe foi “só viaja este carnaval se for pra Canção Nova“. Nessa parte aprendi que o bom ator deve sempre se adaptar às situações, então pensei, se não vai o capeta, vai deus mesmo. E assim entrei naquele ônibus e fui parar naquele antro de santos e puros.

Fiquei lá uma semana e esse fato em si não importa. O que me tornou um grande ator foi o último dia, antes de vir embora. Ficava lá no acampamento tomando vinho e fumando enquanto o Carnaval rolava. Lembro da cantora gritando “viva o carnaval de Canção Nova, sem bebidas e sem depravação”! Adorava ouvir ela falando aquilo (risada maléfica). Por volta de duas da manhã o carnaval acabou (por mais incrível que isso possa parecer, duas da manhã) e eu resolvi que não aceitaria aquilo. Puxei mais dois amigos e fomos para o centro da cidade, pegar o carnaval pecaminoso da rua (por sinal, muito melhor).

Em 10 minutos presenciamos cinco brigas e percebemos que o carnaval pecaminoso é bom, mas só quando é de rico. Porque carnaval de rua pra pobre só tem cachaça e ladrão. Enfim, perguntamos ao policial “ô seu guarda! Onde é que tem um carnaval mais… selecionado aqui”? Seguimos a direção e chegamos ao local. Aqueles clubes sociais que toda cidade pequena tem. Descobrimos que a entrada era 50 reais e ao ver que nosso carnaval tinha acabado sentamos em um carrinho de cachorro-quente.

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Como fui um puta ator

A partir daqui a história é realmente sobre como descobri meus dons atorísticos. Virei para meus amigos e disse “olha, o carnaval acabou no clube. Tá vendo aquelas meninas saindo? Vamos lá nelas e a partir de agora meu nome é Stanley (foi o primeiro que veio à cabeça por causa do Máskara) e eu sou um intercambista”. Eram umas 5 meninas. Meus amigos chamaram elas. Eu já cheguei, balançando os dedinhos indicadores pra cima como todo bom gringo e disse, em alto e bom som “carrnivall!!!”. Daí foi um pulo para elas se interessarem. Eu me sentia um extra-terrestre, só por ter nascido em outro país, e elas ficavam o tempo inteiro me fazendo perguntas em péssimo inglês. Isso foi no começo. Mais tarde chegou uma moça, cujo nome não lembro (acho que era Fabiana ou Aurelina), e disse para a amiga que tinha feito 8 anos de inglês e falava muito bem.

Fiquei paralizado. Certamente que a moça ia perceber que eu falava um inglês com sotaque totalmente mineiro puxado para o Baiano: algo como “Ai donti nôu iór neime bichinho”. Ela chegou e perguntou meu nome e de onde eu era. Respondi como o mais autêntico gangsta boy de Washington (ahn?). Convenci. Ela perguntou mais alguma coisa que não me lembro e depois se virou pra amiga “fulana, não tô sabendo nada do que esse cara tá falando não. Acho que vou beijar ele logo”. Eu não pude me conter de alegria. Quase esqueci de continuar fingindo que não entendia português. Aquela loira gostosa de nike shox vermelho, bermuda jeans apertada e trança no cabelo tinha acabado de dizer para a amiga, na minha frente, que iria me beijar, e a única coisa  que pude fazer foi esperar. Ela pulou em meus braços bradando “kiss me! Kiss meee!”. Beijei. Sou intercambista mas não sou bobo.

Me chamaram, eu e meus dois amigos, para ir para casa. Falaram que íamos comer canja de galinha que, para mim, àquela altura do campeonato, já significava outra coisa, disfarçada por alguma gíria de paulista. No caminho para a canja os amigos dela insistiam em me ensinar os cumprimentos utilizados no Brasil. Viemos andando na rua ao som de “felhi da putta”, não porra, é “FILHO DA PUTA”. Eu: “Fillhu dê putte”. “Tá bom, assim serve”. Chegamos na casa da tal menina e o pai dela nos recebeu. Eu, prontamente o cumprimentei, com o termo em português ensinado pelos “amigos”. “Hello!! Filhu dê putte!!!”, ao que a loira (Fabiana ou Aurelina) prontamente explicou que eu era de outro país e tinha “aprendido” algumas coisas erradas com os amigos delas. Senti dificuldades só na hora de pedir para ir ao banheiro (caramba, ninguém sabe o que é bathroom ou take a pee?)

Conversa pra lá, puxa-saquismo mais pagação-de-pau-pra-gringo pra cá, fiquei até 8:00 da manhã na casa da loira (era Fabiana mesmo). A canja de galinha era realmente só uma canja de galinha e não outras coisas que envolvem a galinha sem a canja mais alguns lençóis. Me despedi do pessoal, soltei mais um “carrnivall!” com os dedos indicadores apontados para cima e balançando, e fui embora com meus dois amigos. Naquela noite fui o intercambista mais intercambista que esse país já conheceu. Fui um gigolô do esterótipo. Um herói de duas nações.

Aprendam. Para ser um bom ator basta alguns copos de pinga no estômago, uma idéia na cabeça e uma cidade onde ninguém te conhece. E lembre-se, nunca desista. Vá até o final e nunca desminta. Uma hora vão ter que acreditar em você. Pode ser o personagem que quiser, inclusive aquele tipo meio galã cafajeste.

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1 – Já te apresentei a Ovelha do Capeta?

2 -Aproveitando o post onde subverti Canção Nova e indico um dos vídeos mais engraçados que já vi: o acidente na igreja.

3 -Já ouviu a banda Maria Scombona? Devia.

4 – A página de “quem sou eu” deste cara é genial!

Toda família tem as suas histórias. Inclusive aquelas bem misteriosas que ninguém explica direito e cada um tem sua versão. Algumas histórias só vão nos sendo apresentadas quando ficamos mais velhos, maduros. Acho que vocês sabem do que eu estou falando. Sua família também deve ter histórias assim.

Eu sempre achei o caso de uma tia minha (na verdade, minha tia-avó) uma puta história. Daquelas dignas de serem mandadas pra telona. E essa história tem a ver com o Tarcísio Meira. Você vai entender no final.

Aconteceu na década de 50, na cidade de Montes Claros, no norte de Minas, quando ela tinha então seus 19 anos. Uma moça. Ela conheceu um rapaz, Carlos era o nome dele. Ela era bem bonita (bem formosa, bem apessoada e garbosa) e tinha muitos pretendentes (naquela época era assim). E quando ela o conheceu ele morava numa pensão daquelas bem safadas, não tinha 1 centavo no bolso e (juro), não tinha uma roupa sequer, só a do corpo. Documento então, nem se fala. A família dela não gostou muito, mas os dois se encontravam mesmo assim.

Só pra dar uma explicada no perfil do tal do Carlos: ele era um rapaz bonito e simpático. Dono de um enorme carisma, além de possuir uma lábia digna dos melhores políticos e/ou trambiqueiros. O cara era capaz de convencer alguém que urubu era bem-te-vi.

Isso ainda se comprova mais porque dois meses após conhecer minha tia, o cara já tinha a maior loja de iluminação e elétricos da cidade(!), um carro (ter um carro na década de 50 em Montes Claros era ser muito rico), e viajava sempre para Belo Horizonte de avião (porra! Isso na década de 50 em Montes Claros!). Um dia a minha avó (que era bem nova), ao pegar carona com ele, viu que o bispo da cidade estava no carro, de carona também. Ele chamava o tal do Carlos de doutor. Era doutor pra cá, doutor pra lá, isso tudo na maior puxação de saco. Só pra vocês sentirem a moral que o cara conseguiu em pouco tempo.

Enfim. Em mais ou menos 6 meses e ele já era o magnata da cidade, rico “pá caralho”, bonito e arrumado, e o melhor partido da cidade. E ainda “cortejava” (naquela época era assim) minha tia.

Com 8 meses de estadia na cidade ele a pediu em casamento e, pra espanto geral, fez a maior festa de casamento que a cidade viu. Até reformou a igreja só pra fazer o casório. Trocou a iluminação. Fez buffet. Enfim, fez uma festa do caralho. A única coisa que não teve na festa foi fotógrafo. Ele nunca foi de tirar fotos e as fotos que tiraram deles, em todas ele aparecia meio de lado, meio escondido. Na porta da igreja, um homem veio tomar seu carro, cobrando uma dívida. Ele desconversou muito bem e falou: “tá vendo como eu tenho sorte? No dia do meu casamento consegui vender meu carro“.

Casaram-se no cartório (no civil) sem que ele apresentasse um documento sequer (!). Só tinha um documento de Portugal (ele se dizia português) com uma foto meio borrada. E por incrível que pareça, ele convenceu o juiz a alegar que os documentos dele tinham sido roubados e casar os dois sem nem mesmo uma certidão de nascimento dele que fosse.

Passaram a lua de mel em São Paulo. Foi uma surpresa quando ele comentou com o diretor do cinema (que na época era o lugar mais bem frequentado de Sampa) que ele tinha estado na inauguração do cinema. Ainda contou com detalhes como foi a festa de inauguração e qual as personalidades da cidade estavam lá.

O casamento durou um mês. Um dia Carlos saiu de casa e nunca mais voltou. Minha tia teve notícias, uns dois dias depois. Ele tinha seguido de avião para Belo Horizonte. Abandonou a casa, a mulher, a empresa, e junto com ele levou tudo o que provava sua existência: algumas poucas fotos e o documento de Portugal. Foi embora com a roupa do corpo.

Alguns meses depois , ao visitar BH, minha tia encontrou com ele na rua, conversando com um homem. Ela gritou o nome dele. Ele saiu de perto do homem e a arrastou para um restaurante. Os dois almoçaram, ele contou que tinha dívidas de jogo (truco, bilhar, apostas, etc.), disse que não podia ficar com ela, e sumiu. Nunca mais foi visto.

Meu avô, que era maçon, mandou recado para as maçonarias do país, para o caso de alguém encontrar o cara. Teve uma notícia só. Ele tinha sido visto em Pelotas (curiosamente a cidade que a mulher de Tarcísio Meira nasceu e foi criada).

A vida seguiu para minha tia e ela se casou de novo, com o irmão do meu avô. Minha avó foi visitá-la um dia (isso mais ou menos um ano depois do abandono), e a encontrou chorando com uma revista no colo. Na capa da revista tinha uma foto do Tarcísio Meira (o próprio). Ela perguntou a minha avó:

- É ou não é a mesma pessoa, Marizete?

Concordou que era a mesma pessoa. O assunto morreu aí. Até hoje, quando minha avó vê o Tarcísio na TV fala que ele além de ser parecido fisicamente com o tal do Carlos, tem o mesmo jeito de conversar.

A história é real e o pessoal da família não quis me contar direito. Juntei as partes da história que cada um foi contando, mas deve ter muito mais coisa por trás. Se conseguir a foto com minha tia (o que provavelmente nunca vai acontecer), eu posto ela aqui.

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1 – O Tarcísio declarou recentemente ter morado em Montes Claros, neste vídeo.

2 – O link de cima foi brincadeira, mas a história não.

3 – Porqque serrrá que ass minhas palllavras cruzadas nunnca dão certoo?