Calma, calma… não é texto repetido.

É apenas o chamado direito de resposta, ou também conhecido como “web 2.0″. Apesar de não gostar nenhum pouco desse termo obsoleto, quando ele acontece na prática é simplesmente fantástico. (Sabe o coisinha que fica piscando esperando você escrever? Pois é, ele tinha sumido aqui. Incrível como é impossível escrever sem essa parada, sei lá, parece que falta alguma coisa. Papel e lapiseira, chorem. Vocês foram esquecidos) Quer saber como aconteceu? Explico.

No post Juventude TransViada, eu recebi um comentário da Hellen que dizia assim:

E a alma de Kurt jamais descansará em paz depois dessa versão(?) do clássico da geração grunge.

Mas o que será que falta? Hoje ninguém tem limite, uma barreira pra quebrar só de pirraça… A internet tá aí pra vc acessar todo e qualquer tipo de conteúdo e o que essa garotada quer fazer? Ficar o dia inteiro no orkut, miguxando, ‘tuitando’ frases de efeito (“meu bolinho de arroz queimou. #quemcurte). Bora, meninada! Vamos revolucionar! Nhé, to canxadinhu.

É imposto isso? Nada. Tenho 26 anos e uma filha de 9, que ama Pearl Jam e Audioslave, está descobrindo Led Zeppelin e queria que o aniversário de 5 anos fosse do Djavan(!). Toca Lady Gaga perto dela pra vc ver se ela vai gostar. É questão de mostrar diversidade, fazer a criança se interessar, contar a história de uma música, da banda…

Eu acredito que a comodidade dos pais também ajuda. O pai dá logo um mega computador com 20 terabytes de memória, uma conexão supersonica e deixa o moleque lá baixando Bonde da Stronda, NX Zero e Fresno enquanto vc vai tomar seu uísque. Depois não venha reclamar quando ele chegar em casa de lápis preto no olho, franjinha e falando miguxes

Eu concordei totalmente com a Hellen, e disse que o que tinha faltado no texto – a culpa dos pais, no caso – ela tinha completado muito bem.

Eis que surge uma das leitoras mais fiéis desse blog – a Bianca – e diz:

Hellen, isso é meio relativo.
Eu, por exemplo, nunca fui influenciada pelo gosto dos meus pais, na verdade eu sempre tive a liberdade de escolher o que eu gostaria de escutar. A mídia influência sim, mas todo mundo tem cabeça o suficiente pra perceber que uma música que fala “xxt, essa é minha senha” não é uma música que possa ser considerada boa (mas eles gostam né, fazer o que?).

Mais uma vez concordei. O que melhor então que a opinião de uma garota que está nessa geração?

Pedi a Bianca que escrevesse um texto sobre o assunto que eu postaria ele aqui. Ela fez, e fez bem. =D

***

Geração Arco-Íris por Bianca Antunes

Imagino que a maioria dos leitores do blog têm entre 25-35 anos, ou seja, pegaram uma época em que a música podia ser considerada realmente boa (lógico que lixos sonoros existem em todas as décadas). Bom, eu não. Nasci em 94, e a minha adolescência está sendo agora.

[Comentário do Pedro] – Impressão minha ou a Bianca nos chamou de velhos? Aahahahhahaha, poooooooxa, nem eu mesmo tenho 25 anos. Faço 23 na quinta, by the way.

E, ao contrário da adolescência de vocês, onde jovens revoltados com todos usavam camisas pretas com alguma banda estampada, a minha é, bem, diferente…

Legenda da foto: Vergonha

No lugar dos gritos, os jovens de hoje preferem passar chapinha, e no lugar de blusas de bandas, vemos um confusão de cores. Seria essa a geração arco íris? (com o duplo sentido da palavra)

Eu, particularmente não gosto de nada disso.

Mas não pensem “temos uma esperança”, porque não temos, sério, sem querer ser pessimista, mas essa é a verdade.
O mundo hoje em dia é fútil, muito fútil. A beleza é imposta como principal característica (talento é para os fracos).

Você pode facilmente perceber a nova moda em um show onde o público alvo são jovens, pois, aonde quer que você olhe, verá um monte de adolescentes iguais. Franjas cobrindo metade dos olhos, calças coloridas, alguns piercings e tênis que você provavelmente veria a distância de tão marca-texto que eles são.

O que seria responsável por isso? A mídia? Os pais? A pressão da sociedade? [Globo Repórter mode: off]
Acho que um pouco de tudo. Claro que a mídia influência, isso não temos como negar.
A TV e as revistas estão sempre em busca de novas ~tendências~, onde se é dado o  novo “modelo ideal” a ser seguido.

Já da parte dos pais, não acho que conte tanto assim. Meus pais sempre ligaram para os meus estudos e me instruíram bem, mas música nunca foi uma questão a ser discutida. Mas provavelmente, se eu escutasse funk, meus pais não iriam gostar nada disso e iriam falar comigo, ao contrário de certos casos (a maioria deles).

Mas a sociedade tem um grande peso.

Se você não usa uma pulseira fio de telefone (pulseiras do sexo é tão last week ), você é antiquado, e se usar o cabelo bagunçado no melhor estilo grunge, no mínimo vai ser considerado um drogado.

Adolescentes aderem à moda para terem com quem andar na hora do intervalo, ou pelo menos a maioria deles.

Bom, eu disse para vocês não terem esperanças, mas é melhor terem sim, afinal, ainda temos o Paulo Pokémon. (Se ele não for desclassificado do site da Capricho. De novo.)

***

1 – Fala sério. Essa tal de web 2.0 é demais né não?

2 – Parabéns pelo texto Bianca. Quando quiser escrever, pode mandar o texto que ele será postado. =D

3 – E você aí sentado lendo o ótimo texto da Bianca tem uma opinião sobre o assunto e quer falar sobre isso? Manda um e-mail para ocrepusculo@ocrepusculo.com e me avise pelo twitter.

O nome do post é sim com trocadalho do carilho, e não tem nada a ver com James Dean[bb] e… bem, na verdade tem a ver sim com ele, já que Dean era homossexual. Esse post é para falar da geração assexuada que veio depois da minha. Acho que posso dizer com orgulho que provavelmente a minha geração foi a última com alguns lampejos de macheza. E antes que você venha me chamar de homofóbico, “macheza” não quer dizer chapéu, botas, bigode e um Hollywood na boca. Macheza quer dizer personalidade.

Isso, meus caros, acabou. Quer um exemplo? Na minha época, esse cara aí em baixo era um ídolo. Era um exemplo a ser seguido, TODOS queriam ser igual a ele. Kurt Cobain[bb] era o retrato de uma geração, a geração junk. O último suspiro do rock.

Hoje, esse “garoto” aqui é o retrato da nova geração.

Não que minha geração tenha mudado o mundo ou coisa do tipo, como eu disse, foi o último suspiro de um movimento que está morto e enterrado, já estávamos perdendo as esperanças e deixando de acreditar na humanidade. O que eu quero dizer é que minha geração, precocemente, já havia se dado conta de que era tudo uma grande piada. Assim como sabia Edward Blake – a.k.a O Comediante -, sabíamos como o mundo era, mas não tínhamos mais forças para mudar alguma coisa, e ter consciência disso não significa uma boa coisa.

Mas a maioria de nós tem personalidade. Ou tinha. Hoje, são raríssimas exceções. Hoje nas salas de colégio temos câmeras digitais ao invés da clássica bolinha de papel. Hoje temos o cabelo chapinha (para homens) ao invés do desgrenhado grunge da minha época. Hoje temos óculos Wayfarer ao invés dos raybans míticos de nossos pais. Hoje temos camisas verdes marca-texto ao invés do preto, calça jeans surrada e allstar velho.

Se quiser entender de verdade, leia esse post genial do Luke sobre os Colírios da Capricho.

Hoje temos crianças de 21 anos ao invés de adultos com 16.

Espero ansiosamente pelo próximo reboot. Que isso saia rápido de moda. Eu não quero ser um pai Ditador e dar um tabefe no meu filho quando vir ele com franja.

Mas há esperanças, a guerra está instaurada. Conheça Paulo Pokemón aqui e aqui.

***UPDATE 2***

Não… desistam… não há mais esperança alguma…
Vejam… ou melhor, não vejam isso…

Corrão para as montanhas.

Não me culpem, foi o @gustavomafia que passou o vídeo.

***
1 – Assine o feed do Que Diabos?

2 – Eu falei da minha geração, mas infelizmente temos uns ovelhas negras. Rafael Barbosa insiste em ser da geração Colírio da Capricho.

3 – Sim, post pequeno. Acostumem-se.

4 – ***UPDATE*** - O leitor “Eu”, indicou esse post do Controle Remoto em que o Felipe Neto fala basicamente o mesmo que eu.

Where the grass is green and the girls are pretty

É com um prazer quase sexual que inicio esse que com certeza será uma seção de sucesso, Coisas Que Marcaram Minha Adolescência não vem para substituir a já conhecida Coisas Que Marcaram Minha Infância, vem para complementar e para que quando eu estiver morrendo a seção se torne Coisas Que Marcaram a Minha Vida. De qualquer forma, esse não era o post inicial da seção, mas tive que mudar os planos depois de ontem.

Ontem meu caro leitor, ou minha cara leitora, eu assisti ao melhor show da minha vida. E olha que eu já fui em um bocado de shows. Ontem eu vi dois Deuses da minha adolescência em ação. Sim, realizei um sonho antigo e me senti por 3 horas um moleque de 16 anos que queria explodir o mundo.

Ontem eu vi Sebastian Bach cantando 18 and Life.

Ontem eu vi Axl Rose tocando piano e cantando November Rain.

Ontem eu fui um adolescente. Ontem eu vivi algo que estará para sempre gravado na minha memória.

Ontem, FOI FODA!

Qual a característica essencial e obrigatória em todo adolescente? Não sei você, mas eu tenho quase certeza de que é o fanatismo. Fanatismo louco mesmo, cego, xiita e absurdamente louco. Um adolescente não gosta ou desgosta de alguma coisa, um adolescente é FANÁTICOLOUCOMALUCOPUTAQUEOPARIU com alguma coisa ou ele odeia da forma mais agressiva. 8 ou 80 é a maior marca de um adolescente.

Eu – e todos que passaram por essa fase – tinha um problema sério em relação a música, erámos fanáticos demais. O que era bom era foda e o que era ruim merecia um rage instantâneo, com a boca espumando. Isso é claro com quem gostava do bom e velho Rock N` Roll, nunca ouvi sobre ninguém fanático com… sei lá.. Exaltasamba na época de adolescente. Eu era assim, e amava Hard Rock. O vocalista geralmente era aquele cara que você sempre sonhou ser – bonito, comedor e rockstar – e o guitarrista fazia aqueles riffs que você ficava alucinado, além de quê uma Gibson Les Paul deixa qualquer um bonito.

Ontem eu presenciei, como já disse, dois Deuses do Hard Rock. O primeiro deles, Sebastian Bach.

*ok, eu também acho o Sebastian Bach uma menina. Mas é uma menina foda.

Um amigo até me contou uma história engraçada sobre ele, disse que quando tinha uns 11 anos de idade, entrou no quarto da prima, viu um poster do Skid Row e disse: “Nó, que minina gata!”

Parando com a zuação, vamos ao show.

Eu e meu velho companheiro de shows, bebedeiras e fossa @caioabbath fomos de carro até o Mineirinho para começar toda a via sacra que é ir a um show de rock: Cerveja, sanduíche de pernil, cerveja, um ou outro conhecido, amigos, cerveja, falar mal do som no Mineirinho, cerveja, fila, cerveja e entrada. Felizes da vida, entramos na arquibancada e fomos até o meio, pegar o palco de frente.

Foi o destino que fez com que entrássemos 5 minutos antes de começar o show do Sebastian, ficamos por ali mesmo. Sim, o som estava uma merda, mas de qualquer forma, ele estava tocando as músicas da carreira solo que sinto muito Sr. Bach eu não estava nem um pouco interessado, queria ser adolescente.

O show foi mais ou menos assim: não-sei, não-quero-saber, tão-tá-bom, tá-legal, já-pode-tocar-uma-clássica-em, 18 and Life, whatever, In a Darked Room (pra mim a música ícone do Hard Rock, que refrão meu deus, que refrão!), sei-lá, beleza, Monkey and Business, Essa-Eu-Não-Lembro-O-Nome-mas-Era-do-Skid, qualquer uma, I Remember You. Eu costumo dizer que para um show ser perfeito você é obrigado a sair dele e dizer que faltou pelo menos uma música. Faltou Wasted Time.

Mas Pedro, teve um tanto de música que você nem conhece, o som tava ruim e mesmo assim o show foi perfeito? WTF?

Olha, as músicas whatever dele, eu usei para conversar, beber, tirar foto, beber, e principalmente curtir o momento. Além é claro de reparar que mesmo com quase 42 anos, continua praticamente com a mesma aparência dos bons tempos. E o cara, além de ser um puta vocalista, é simpático pra caramba, uma presença de palco ABSURDA, e sabe fazer um show de abertura como ninguém. Sempre empolgando a galera falando do Guns que viria logo em seguida.

Foi fantástico.

Olha, eu achei tão bom, mas tão bom o show, que realmente acreditei que sairia de lá falando que o show de abertura foi melhor que o show principal. Aqui eu devo falar, que o palco, apesar de ter três decks e tal, acabava no paninho característicos de shows merdas em BH. Achei que o Guns seria assim também… uns paninhos ali e nada mais.

E assim como fez com um bando de críticos e com um BANDO de gente que deu de blasé, dizendo que não ia porque era fim de carreira, que o Mineirinho é merda demais (é bem merda mesmo), que o Axl não consegue mais cantar e blá blá blá. Axl Rose chutou bundas no Mineirinho. Axl Rose chutou muitas bundas cara.

NINGUÉM! MAS NINGUÉM esperava aquilo.

Ninguém esperava um palco completo com tudo, mas TUDO, que o bom e velho Hard Rock tem direito; viadagens mil, escadinhas, telonas, fogo subindo, fogo descendo, e claro, explosões… MUITAS explosões. Maluco, imagina um lugar todo fechado e um monte de bomba estourando lá, pois era assim que a gente se sentia quando explodia a parada. Falando em telões, amigo… sério, NUNCA NA MINHA VIDA eu tinha visto show com telões como aqueles. Imagem em HD, imagem ABSURDA, tomadas de gravação de DVD, parada profissional.

Foi um show de gente grande. Foi um show de uma “banda” de proporções inacreditáveis. Acho que pela primeira vez, eu realmente posso dizer que vi um show que tranquilamente eu veria sentado na minha sala com um Blu-Ray, no quesito de imagens, produção e tal. Talvez a galera teria que acertar algumas coisas no som. Mas de qualquer modo, foi uma sucessão incrível de explosão de cabeça. E fiquei assim, por saber que nem todas as bandas trazem a produção toda para alguns países, e menos bandas ainda fazem isso em Belo Horizonte.

O show do Guns N`Roses ontem foi ÉPICO.

Obviamente, Titio Axl não ia deixar barato e nos fez pagar um preço caríssimo por tudo isso e nem foi o preço salgado do ingresso. Foram as músicas do CD novo, Chinese Democracy, (CD que eu fiz um review favorável, guardadas as devidas proporções)o preço alto a se pagar e de quebra Titio Axl nos fez engolir seus 89 guitarristas fazendo cada um seu solo. Em alguns momentos eu realmente achei que ele ia perder o público. Mas ele é o Axl Rose né amigo.

E depois de entrar com a música Chinese Democracy ele já me fez ficar surdo por causa dos gritos enlouquecidos de todo mundo somente dizendo as palavras mágicas da introdução de Welcome to The Jungle. Aquele grito de que eu estava na selva, e de que eu iria morrer, ecoou na minha cabeça por anos e anos, e eu estava ali ouvindo aquele cara gritar do mesmo jeito na minha frente. Eu só não chorei porque estava ocupado demais berrando a letra da música e fazendo aquela dancinha by Axl.

Pelo menos, os solos intermináveis dos guitarristas – eu entendi o recado Tio Axl, você tem 3 ótimos guitarristas, que fazem e acontecem, tocam absurdamente bem, mas juntos estão longe de representar e de ser o que o Slash é – e as músicas do CD novo – em que Titio Axl se esforçava como um maluco e fazia de tudo para nos fazer acreditar ou até mesmo para ele próprio acreditar que eram demais – serviram para eu descansar.

Tirando isso, teve tudo o que temos direito. Menos é claro, a famosa música que falta, que nesse caso para mim foram duas; Estranged e Patience. Eu sei que eu liguei pra Deus e o mundo, acabei com meus créditos ligando pra Naya e gravando 3 minutos de November Rain que eu admito, fiquei com olhos marejados. Teve apitinho em Paradise City, música que fechou o espetáculo, com chuva de papel picado, fogo, explosão pra caralho, mais fogo e gritos. Teve Batendo na Porta do Céu, com Tio Axl conversando com a galera dizendo que estava de ressaca e que life is good.

Olha, foi lindo. Apesar das críticas que fiz, foi o melhor show que vi na vida.

E lembrando dos shows que eu fui, eu sou tão forte com o tal do Murphy, que os dois melhores shows que fui na vida, foram exatamente no maldito Mineirinho: Silverchair e Guns N`Roses.

***

1 – Hoje foi um dia tenso. Muito tenso.

2 – Dois posts em 4 dias. Tô demais em?

3 – Tem que ter um número 3.

Para quem perdeu, seguem os capítulos 1, 2 e 3.

***

- Tava com saudade de você.

- …

-…

- É… eu.. eu também.

Como disse bem o Leoni, Pedro era só um garoto. Daquele que não resiste aos mistérios de uma mulher. E Pedro na verdade nunca resistiu aos mistérios daquela garota que sempre povoou seus sonhos mais íntimos. Aquela conversa por telefone acendeu todo aquele sentimento que começava a adormecer. Talvez se Pedro soubesse no resultado daquele telefonema, ele nunca o teria atendido, ou no mínimo desligaria logo que soube quem era. Pra dizer a verdade, nem aquele Pedro e nem esse aqui teriam feito o contrário.

Pouco a pouco a amizade foi refeita e novamente eles eram como unha e carne. Madrugadas, fins de semana, não ficavam muito tempo sem se falar. Não preciso nem contar que logo os sonhos de nosso garoto foram povoados por novos sonhos, novas vontades e é claro, novas esperanças. Porém dessa vez seria diferente.

Buscando conselhos dos mais sábios ignorantes da vida amorosa, Pedro viu que realmente o melhor era ficar na dele, esperar o tempo certo e que o tempo ditaria as regras. Ou seja, ele ligou o foda-se. Apesar de tudo ainda sentia por Bárbara, ele não deixaria que isso comandasse suas ações. Essa foi a primeira grande mudança de personalidade desse garoto. Foi ali, talvez, que Pedro tenha aprendido a ser tão fechado com seus sentimentos. É o princípio de todo animal que é exposto à dor. Aprendemos a não nos deixar tão expostos a ela. Falhamos, é claro, na maioria das vezes e cometemos os mesmos erros. O único alento é que como já passamos por isso algumas vezes, nos recuperamos mais rápido.

Pedro só não sabia que esconder seus sentimentos o faria perder outra garota que ele fora tão apaixonado ou mais, anos mais tarde. Mas essa garota não entra nessa história.

Aquela metade final do ano de 2003 fora fantástica em quase todos os sentidos. Como eu disse, Pedro era só um garoto. Cursava o segundo ano do colegial e não tinha preocupação com nada demais. Vivia a vida como a maioria dos jovens da sua idade de cidades do interior, é certo que já tinha suas responsabilidades, com a loja dos pais, as festas que na época eram o júbilo de seu dia-a-dia. Enquanto o irmão produzia as festas, Pedro e seus amigos eram como generais que encabeçavam e lotavam os mais famosos eventos da cidade. Era conhecido, tinha uma ótima turma e estava apaixonado de novo. Foi uma época feliz.

Mas (sempre tem um mas), com a chegada do fim do ano, várias coisas aconteceram ao mesmo tempo e a derradeira parte desta história chegaria a um “final” com cheiro de derrota para nosso guerreiro. Pedro foi mal em 4 matérias e tomara a malfadada recuperação final no Colégio CESP. Física, Química, Literatura e Geometria. Por causa disso, ele teria mais uma semana no colégio por causa das provas. O pai de Pedro não ficara nada feliz com o acontecido, nem tanto pelas notas, mas sim pelo absurdo valor de 200 reais a serem pagos pelas provas.

Nosso desventurado amigo só não sabia o quanto iria lhe custar essas recuperações.

Eis que um dia, uma semana e meia antes das provas, Pedro com o celular do irmão, recebe uma ligação de Bárbara. Nessa época ele atendia o aparelhinho que desejava tanto possuir. Mais uma das já famosas ligações da garota. O papo que foi estendido à rua, culminou na seguinte frase:

- Pedro, olha… eu sei de tudo que aconteceu, eu fiz uma idiotice com você, e queria tentar de novo. Quer ficar comigo?

Choque. Ele poderia esperar por tudo, menos aquilo. Afinal, os sábios ignorantes do amor estavam certos.

- Bárbara… é tudo que eu mais quero – foi a resposta de nosso destinado amigo.

Ainda conversaram por um tempo, trocaram carinhos verbais e uma promessa. Aquele dia era um dia de pura felicidade. Ou não. Pedro teria uma só oportunidade de ver sua amada, no próximo fim de semana. Ela iria viajar para a cidade em que os pais moravam, a Cidade do Biscoito, Aimorés. O problema, caro leitor, você pode desvendar sozinho, mas eu vou ajudar. Pedro não tinha nem dinheiro muito menos prestígio com o pai para viajar a Belo Horizonte. Além disso, soma-se o fato em que pai e mãe prometeram confinar o filho no fim de semana para que esse estudasse para as provas.

Como você pode imaginar, logicamente ele falhou em todas as tentativas de ir a Belo Horizonte, resolver de uma vez por todas aquele delicioso problema. Ele então ligou para ela e deu a notícia de que não poderiam se encontrar, mas que no fim das férias, ele pegaria um ônibus e iria de qualquer jeito a BH.

O fim do ano foi como tinha que ser, Pedro passou em todas as provas – não sem antes prometer terminar o terceiro ano sem tomar uma recuperação sequer -, trabalhou como um louco na loja da mãe, trabalhou na melhor festa que já tinham feito e mantinha contato sempre que podia com sua querida Bárbara.

Pedro confiou a poucos amigos o que ocorrera, e o que estava acontecendo entre os dois. Acontece em que em uma festa de despedida dos amigos que completaram o terceiro ano em 2003, ele bêbado acabou falando demais e várias pessoas escutaram a sua história com sua garota. Pelo que ficou sabendo tempos depois, aquele talvez tenha sido um grande erro.

Perto do réveillon, vendo seus e-mails no UOL, Pedro vê uma mensagem de Bárbara. Feliz abriu logo para ver o conteúdo e ali perdeu seu chão. Para resumir, Bárbara colocou um fim em tudo, com palavras um tanto severas. Sem entender absolutamente nada, nosso azarado amigo, tentou de todas as formas conversar com ela, mas falhou. Cheio de ódio, rancor, mágoa e porque não, amor. Pedro escreveu outro e-mail em resposta e colocou de vez fim àquela tão dolorosa amizade. Terminou com um “eu te amo”, eu acho que foi errado, ele também. Mas ambos, hoje e na época, estávamos pouco nos fodendo. Nada poderia piorar.

É claro que poderia.

No e-mail, Pedro levara toda a culpa por ter jogado fora tudo que poderia ter resultado daquele relacionamento. Ele concordara e não se perdoava por isso. Até que uma noite, Pedro e Bárbara conversaram mais uma vez no mIRC. Em inglês, conversaram até altas horas, e Bárbara por fim disse mais uma vez que tudo fora um grande erro, e que ela não conseguiria suportar o que tinha feito. Ela disse que Pedro devia parar de se sentir culpado. Ela declarou que fora egoísta e que sem motivo aparente, colocara a culpa toda nele. Ela, sentindo ainda uma culpa maior pediu desculpas, Pedro disse:

- Espera aí, você primeiro recusa tudo o que eu sentia por você, depois pede para ficar comigo, ficamos, um dia depois você me chuta como um qualquer sem se importar. Depois disso, diz que sente saudades e pede para ficar comigo de novo. Me faz sentir tudo o que sentia ainda mais intensamente, depois me dispensa de novo, colocando a culpa toda em mim e ainda quer que eu te perdoe?

Sim, era isso. Acredito que ambos realmente choraram naquele dia. Foi o que disseram. Pedro, apesar de tudo, apesar da mágoa que sentia, perdoou. De tudo que tinha feito até então, esse momento, o último, foi o que Pedro teve a certeza de que aquela não era uma paixonite adolescente, muito menos um sentimento menor. Era amor. Pedro enfim provara de todas as agruras desse sentimento que tanto instiga os seres humanos.

O gosto, bem, você sabe tanto quanto eu, tanto quanto o Pedro daquela época, que o sabor é doce e amargo. Impossível de esquecer. Principalmente quando o experimenta pela primeira vez.

O Pedro daquela época, cresceu, amadureceu, e se tornou este aqui que vos escreve. Amei de novo – acredito nisso -, sofri de novo, vivi, aprendi. Mas nunca deixei de ser aquele garoto que ama amar, que gosta do frio na barriga ao conversar com a pessoa que gosta, aquele jogo que envolve as relações entre um homem e uma mulher. Apesar de ter mudado tanto, em algum lugar aqui ainda existe um garoto que sonha e que acreditará sempre no amor.

***

UFA!

Finalmente querido leitor, cheguei ao fim da história. Essa história fala muito do que eu fui e do que eu sou hoje. A minha sina em ser azarento e tudo mais. Porque afinal, você acha que eu escolhi para mim a alcunha de Turambar? Não foi a toa, Túrin foi de fato um personagem incrível, mas eu escolhi Turambar – que significa em élfico “Senhor do Destino” – pela ironia do que se segue ao nome.

Túrin Turambar a Turun AmbartanemTúrin, Senhor do Destino e pelo Destino, Destinado. Sou sim senhor do meu destino, mas estou sempre ligado às desventuras que ele me traz. Não é uma coisa que eu consiga controlar. Aprendi muito com isso. Aprendi a esperar, aprendi a não ficar me culpando pelo meu “azar” que você que lê este blog tanto conhece.

Foi ótimo e horrível ao mesmo tempo voltar a essa história. Me vi adolescente de novo, senti várias coisas que sentia na época, o medo, a felicidade, a tranqüilidade e os sonhos. Não sei por que, mas desde o início achei bacana dividir isso com vocês. Como eu disse lá em cima, essa história está diretamente ligada a outra Desventura Amorosa que tive.

Mas não vou prometer contá-la aqui. Se alguém que lê o blog me encontrar, posso contar pessoalmente.

Resta falar que feliz ou infelizmente esse é o capítulo final dessa história, mas que talvez ainda possa ter mais um capítulo. Acredito realmente que não voltarei a tocar nesse assunto aqui. Nos últimos tempos, até por causa dessa história, vários sentimentos até então esquecidos voltaram, mas acho que tudo aconteceu só para me provar que essa história teve sim um fim, e foi naquele dezembro de 2003.

Um abraço e obrigado por agüentar toda essa lamúria adolescente.

textos-cronicas-crepusculoAcho que a própria fase da adolescência é um trauma pra qualquer indivíduo que tenha que passar por ela. Quer dizer, é um trauma para todos. A não ser que você morra atropelado ou desenvolva algum tipo de câncer terminal ou uma  síndrome desconhecida na infância e morra cedo e  não precise passar pela adolescência.

A adolescência é uma merda porque no fundo, bem no fundo, a verdade é que o adolescente não fede nem cheira. Ele nem sabe o que é. Não tem porra nenhuma de opinião formada sobre nada. Vive se matando para ser aceito pelos grupos sociais que convive, pelos amigos ou na escola. Falando  em escola, nem preciso dizer que ela é um saco e  apesar de tudo, todo adolescente tem que frequentar. Você chega lá no centro de adestramento, geralmente não é bom em nada e não se destaca em porra nenhuma. Sempre tem aquela gostosona que você (e todo o resto da sala) sonha em comer, mas nunca come, porque tem o popularzão bombado-carro-importado da sala que come todas (nclusive a gostosona),  e de quebra ainda te dá umas porradas no recreio. Aí então você vai pra sua casa e morre na punheta, às vezes chegando a arrancar a pele do pinto. Ou a pele dos lábios vaginais, no caso das meninas.

Na sua casa a sua mãe e o seu pai não te deixam fazer nada. Você não pode ir a festa alguma porque não tem idade. Então começa a beber para se incluir mas sempre se fode vomitando e passando mal. Isso quando o seu pai e sua mãe não descobrem que andou bebendo e acabam com a sua vida. Você não tem carro e nem dinheiro. Geralmente nenhuma mulher, além daquele trabuco que mora no fim da sua rua, se interessa por você. Se você for gordo (exagerado), pior (nem o trabuco vai te querer). Tem o irmão mais velho que te desce a porrada todo dia. Você não pode escolher nada pra você porque, afinal de contas, você é adolescente, e não tem direito de escolha. Sempre tem um filho da puta de um amigo que come todas as mulheres do mundo e do universo (bom, pelo menos é isso o que ele diz) e você continua sendo um rodo-sem-borracha que não rapa nada. Se você for mulher vai ter vários outros adolescentes querendo quebrar o seu cabaço e você acha isso um saco.

Até aqui você já percebeu que a vida do adolescente gira completamente em torno de sexo. E como todo bom e velho novo adolescente você chega à fase da fantasia. Então você inventa mentiras. Fala que pega muita mulher e até cita os nomes e descreve como a bunda dela era enorme e os peitos também e como você pegou ela de quatro e levou pra um motel e no motel a cama era quadrada (é, às vezes você é pego na mentira). Quando você completa a escola você tem que escolher uma faculdade no estilo roleta russa.  Enfia seis cursos  superiores numa caixinha e tira um na sorte. Geralmente você escolhe um que você vai odiar para o resto da sua vida.  Fazer o que, é a vida.

Seu pai e sua mãe não te entendem. Na verdade você acha que ninguém te entende. Então você vira rockeiro e vai ouvir bandas que cultuam o capeta. Ou não. Passar pela adolescência já é um trauma. Alguns começam a usar drogas e a quantidade drogas que estes usam é o que vai definir o que eles vão ser para toda a sua vida adulta.

E então você completa 21 anos e descobre que a adolescência foi a melhor época da sua vida, e que sempre vai lembrar dela com saudades dos tempos onde não tinha que trabalhar, ou fazer as próprias decisões. Agora você tem escolha e tem que escolher sozinho. Afinal você já é um homem/mulher e tem que arranjar um emprego. Bons eram os tempos onde a sua única e exclusiva preocupação era se você ia conseguir comer a gostosona, se o Goku ia ganhar do Cell no episódio do próximo dia, e se a net não ia cair a noite na hora da punheta noturna diária.

Enfim. Acaba-se a adolescência, que por si só já é um trauma. Mas são os melhores traumas e os melhores tempos da sua vida, e um dia você chega a conclusão que nunca mais será tão feliz como foi.

Essa é uma visão pessoal minha. Mas acho que no geral é a mesma coisa com todo mundo. Com 22 anos, Estou recém-saído da adolescência. Meus amigos estão casando.  Outros morreram. Ou tanto faz porque casar e morrer dá na mesma. Outros estão se formando e arrumando emprego. Ninguém tem mais tempo pra nada. Nem pra ficar na porta de casa vadiando e falando sobre mulher.  Ou jogando bola com trave de sandália havaiana ou usando o portão da casa de algum como gol.  Ou fumando escondido pois agora a gente pode fumar na frente dos pais e já não há mais graça em beber até cair também. E um dia você descobre que tudo passou e você sobreviveu. O que resta agora é escrever textos inúteis num blog pra lembrar que um dia você esteve no ápice da sua felicidade e que os dias nunca mais vão ser tão leves e inocentes como outrora foram.

CONVITE: E você? Passou por alguma história legal na adolescência? Conta aí?

***

1 – Crônica em homenagem à comunidade Traumas de Adolescência, onde já fui moderador mas hoje encontra-se fechada. Cheguei até a fazer músicas para dois traumas da famosos da comunidade. O trauma do cara que perdeu a virgindade com um ursinho de pelúcia (música aqui). E o trauma da Nathy, que fez sexo anal durante dois anos achando que aquele era o buraco certo (não tenho o print desse mas a música tá aqui). Não aconselhado para menores de 18 anos.

2 – História dos video games (de 1972 a 2007). Quantos você reconhece?

3 – Essa aqui é pra você pessoa.