
Conheço mais casos de frustrações do que finais felizes. Nunca vivi um happy end e acredito que isso nunca irá acontecer. Pessimismo da minha parte? Realidade! Caras fofos demais sufocam e te fazem querer correr, caras nem aí maltratam e te fazem desacreditar no amor.
Promessas não cumpridas, beijos que perdem o sabor…
Carinhos, romance e promessas viraram tática de conquista para levar alguém pra cama. Depois fingir que não disse nada disso é muito simples. Magoar faz parte do dia-a-dia, da mesma maneira como todos deveriam estar acostumados com a solidão.
Infidelidade, falta de compromisso e infantilidade. É…infantilidade. Só pode ser essa a razão de gostar de sempre “ganhar”, sair por cima, conquistar, pisar em cima. É o ego inchado ao falar que alguém está correndo atrás, por dizer que tem uma legião de fãs afoitos. Ridiculo.
Posso parecer injusta com os românticos e até mesmo ouvir que eu nunca amei ou fui amada, mas deixo claro que o “eterno enquanto dure” passou e acabou. Eu já vivi o que achei ser um amor para a vida toda, e descobri que depois de tanto tempo o meu sentimento por ele é bom, mas não é paixão, não é amor…é apenas algo que me manteria ao lado dessa pessoa, porém não me mataria caso terminasse.
Eu acredito em sintonia, em afinidades. Acredito que relacionamentos que dão certo são aqueles que vivemos como verdadeiros amigos, e acredito que muitos fogem disso por medo de “confundir as coisas”. Não é uma confusão, é o necessário para manter o carinho e o respeito.
Se você apenas ama, você tem medo de contar certas coisas por medo de ciúme, por mais que não signifique nada. Quer maior relação de confiança do que poder se abrir e dar risada junto? Você tem medo de perder e não de acrescentar, tem medo de sofrer, medo de mudar. Você até muda e se torna aquilo que você não quer apenas para agradar a outra pessoa.
Eu não acredito no romance que te prende, que mata e que morre. Eu acredito na relação saudável e em um, quem sabe, um final feliz.

Passou do nível de conhecido ou amigo para o nível nenhum, justamente por ter acontecido algo íntimo demais, mas que não significou absolutamente nada.
No dia seguinte você nem sabe se deve ou não chamar no msn ou mandar uma sms, coisa que era natural antes, por acreditar que a pessoa pode entender como cobrança. E os dois lados ficam com medo de se falar e passamos do nível nenhum para o nível abaixo de zero.
A casualidade cria esse clima tenso e talvez vocês até deixem de se falar por não saber como se comportar. O que pode, por um lado, ser bom para evitar momentos de silêncio na conversa. Mas também podem manter o contato e não falar nada com nada, fingindo que aquilo nunca aconteceu.
Claro que pode acontecer novamente, mais uma vez e de novo. E entramos em uma relação sem cobrança, mas sem conversa sobre o assunto. Convidar para o cinema ou isso seria um encontro? Falar de outras pessoas ou é chato? O que fazer naquele dia entediante onde queremos apenas ficar assistindo televisão com alguém? É cobrança? É demais?
Cansei desse clima de “descontração” e da falta de relacionamento profundo. Cansei de amizade com benefício e correr o risco de perder a pessoa para o “não saber como me comportar”. Cansei dessa falta de sentimento, da procura incessante de satisfação dos prazeres e falta de certeza do amanhã.

-Identidade, por favor.
- Toma.
-CPF.
-Toma.
-Trouxe o título?
-Trouxe sim. Taquí ele.
-Comprovante de votação.
-Aqui…
-Foto 3×4.
-Só um momento – puxa a carteira e busca pela foto rapidamente – aqui, achei…
E calmamente a típica funcionária pública – gordinha, roupa brega, meia calça para varizes, óculos de secretária – pega a cola para colar a foto no formulário.
Conversando sozinha a respeito da cola:
-É isso que me revolta… Esse governo só compra coisa vagabunda…
Concorda: “é…”
-É impressionante! Tudo que eles compram, tem que ser do mais barato. Olha só o cheiro dessa porcaria – e enfia a cola no meu nariz – tá vendo? Tem um cheiro horríiiiiiivel!
-É verdade…
-Cheira aí pra você ver.
-Não obrigado – com cara de espanto.
-Cheira aí a cola pra você ver rapaz!
-Não. Obrigado. Eu acredito na senhora…
-Não precisa ficar tímido… Cheira a cola aí pra você ver. Sente só o futum.
E meio a contragosto, tímidamente pego a cola e encosto no meu orifício nasal.
-É. Realmente. A senhora tem razão. O cheiro é horrível! Parece… parece merda mesmo.
-Por favor, olhe o palavreado, hein! O senhor não me venha com esse tipo de palavrão aqui na minha repartição hein? Onde já se viu? Só porque a cola cheira a merda não quer dizer que você tem que ficar falando, não é? O senhor fique sabendo que é esta cola aqui que está colando essa sua foto e quem paga ela sou eu, você, somos nós. Sai do nosso bolso, hein? Atrevido…
E a partir desse dia, toda vez que eu visito uma repartição pública, menos falo. Só concordo.

“Nossa, como você consegue viver nesse mundo?”
Aposto que muitos já ouviram isso e se sentiram como se para acessar a internet fosse necessária uma viagem para marte.
Pessoas que apenas usam orkut, um pouco de msn e email acham um mundo perdido e com pessoas estranhas. Eu já ouvi muito isso, já ouvi críticas por causa da minha “vida on”. Só que falam e recriminam de tal maneira que parece que me alimento de conexões.
Então hoje eu vou te contar uma verdade.
Eu não durmo, não tenho amigos, não tenho vida social. Eu sou virgem, até hoje os únicos lábios que toquei foram de um menino que deu bobeira do meu lado em uma viagem – ele dormiu, tomei coragem e encostei a ponta do meu dedo no lábio inferior dele…foi mágico!
Eu guardo mágoas. Toda vez que tentei viver no mundo sem internet descobri que as pessoas podem ser más. Elas falam! É…elas conversam com você. Isso é estranho. E depois eu fiquei em casa pensando naquilo e deu medo, sabe? É um trauma.
E sentar em um bar pra beber? Que isso? Que coisa estranha. Relacionamentos onde você pode tocar nas pessoas? Isso é coisa de gente doente.
Que mundo é esse que você ainda vive? Eu estou tão bem protegida com o meu teclado. E eu tenho sentimentos, vocês parecem que não tem, parecem que nem gostam de viver. Estão por aí se arriscando em baladas. É muita coragem, ou muita falta de amor..meu smartphone não me deixa em perigo!
Essa vida off line e social é estranha. Como você lista seus amigos? Existem etiquetas para identificá-los na rua? E como mencionar alguém sem @?
Ah, não dá…eu prefiro ficar aqui…é mais saudável!
Por que vocês acham que eu apareço tão pouco aqui? O mundo off me contaminou
Você já se olhou no espelho hoje? Não estou falando do espelho em que você se olha com a maior cara amassada do mundo enquanto escova os dentes de manhã. É de outro espelho que eu estou falando. Quem é você? Quais são suas verdades, seus princípios, seus orgulhos, seus medos, suas raivas, suas ternuras, suas piadas? As pessoas conhecem você? Não o você que se posiciona na frente do espelho de manhã para escovar os dentes, passar o rímel (para as calcinhas) ou só escovar os dentes mesmo (para os cuecas).
Esse você é você a olho nu. Esse você, você deixa ser revelado. Esse você, todo mundo pode conhecer. Porque é simples: de certo modo, você faz escolhas que não são passíveis de ser, digamos, escondidas. A calça que usa, se é de marca ou não, o tênis, o corte de cabelo, se usa batom, gloss, rímel e blush, somente um desses itens ou nenhum deles (para as minas-pá) se bota gel no cabelo ou não, se usa topete, moicano, dread, se é careca (para os manos-pô). Tudo isso diz alguma coisa sobre você, sobre seu estilo, sobre como você quer ser visto ou vista pelas pessoas com quem convive.
E é tudo muito natural. Ninguém se sente ofendido por você gostar de usar blusa roxa ou por pintar as unhas de amarelo. Você escolheu. Você ponderou. Você! Entre tantas outras opções, você escolheu a mais adequada para VOCÊ. As pessoas podem comentar algumas das suas “esquisitices” (entre aspas porque eu sou do lema do seja esquisito!), mas ninguém vai ficar magoado com você por essas escolhas superficiais mas importantes do dia a dia. Porque a escolha é sua e ela merece ser respeitada, e você tem o direito de ser quem você é. De se posicionar.
Mas eu quero falar sobre um outro tipo de posicionamento. Um posicionamento que vai além das roupas, do estilo, da aparência. Um posicionamento mais sutil, que, contraditório, causa tanta agressividade nas pessoas. O posicionamento das ideias, do subjetivo, de caráter, princípios e verdades individuais. Aquele que o espelho comum não pode nem nunca poderá refletir.
Hoje em dia, nós temos a possibilidade de espalhar nossos posicionamentos para além do nosso círculo físico de amizade. O Twitter está aí para provar. Os blogs estão aí para provar. E agora os vlogs. As mídias sociais são alimentadas por posicionamentos. De marcas e principalmente de pessoas. O conteúdo que rola nas mídias sociais é o espelho que reflete aquilo que o espelho do seu banheiro não pode refletir. Obviamente este conteúdo não revela tudo, mas pode revelar boa parte da nossa autoimagem e da imagem que queremos que tenham de nós.
Tem gente que escolhe não se posicionar. Não se posicionar garante passeio livre por todos os tipos de público, é fácil, não cansa, não causa atrito. Quem não se posiciona ideologicamente, não quer se olhar no espelho, porque tem medo de ser julgado.
Manter-se neutro, se é que existe neutralidade, não demanda trabalho, energia mental e emocional. O que é diferente de ter um pensamento dialético (ponderar prós e contras, botar tudo num liquidificador e se posicionar de maneira não-binária). Mas não se posicionar também não causa troca e tampouco permite aprendizados. Além do mais, pode ser perigoso. Falta de posicionamento me dá a impressão de descompromisso e apatia. Falta de paixão e envolvimento com alguma coisa. Quem não se posiciona, geralmente adora criticar quem se posiciona. Ironicamente, acaba tomando um posicionamento. E quer saber? Ponto pra quem causou esse posicionamento repentino. Ponto pra quem causou alguma coisa em quem tava lá, lendo sua timelinezinha, um blog ou assistindo a um vlog em estado letárgico. Acordar pessoas é sempre legal, mesmo quando você as acorda pra dar um sono no meio da sua cara.Se posicionar é difícil. É dar a cara a tapa. E que tapa! Quem se posiciona corre o risco de ser criticado, mal interpretado. As pessoas costumam confundir assertividade com arrogância.
Vide Felipe Neto. Quem é que entende que ele incorpora um personagem arrogante, irônico e agressivo para dar as próprias opinões?Ele chama na chincha, joga a merda no ventilador. Resultado? Assim ó, de gente criticando o que o Felipe Neto faz, sem primeiro fazer o mínimo esforço para entender a proposta dele. As críticas são importantes quando fundamentadas. Mas me incomodam muito quando elas só rolam porque, na cabeça da maioria, gente que se sente livre pra falar o que pensa, ofende. Não tanto pelas opiniões emitidas quanto pelo sentimento de liberdade e coragem com que a pessoa emitiu. Parece que não temos o direito de pensar de tal ou tal forma tanto quanto temos o direito de vestir tal ou tal roupa. Mas se pensarmos bem, enfrentar as críticas é o de menos. Porque quando uma pessoa se posiciona, ela ganha aliados também. Não para um combate lógico e racional, não para defender com unhas e dentes o posicionamento que os uniu. Mas para a vida. Quem se posiciona encontra pessoas valiosas, que não teria encontrado caso preferisse a neutralidade. Eu não acredito na neutralidade, não existe discurso neutro. Acredito na dialética, na ponderação de prós e contras. A neutralidade soa para mim como falsidade ou omissão. Já o posicionamento honesto nunca será impune. E a honestidade não é bonitinha, meiguinha, carinhosinha, fofinha. Ela só é cute quando assim ela deve ser, e ponto. A honestidade, meu amigo, às vezes é irônica. Às vezes é arrogante. Às vezes é chata. A honestidade às vezes é engraçada. A honestidade às vezes é depressiva. A honestidade é um monte de coisa, brodá. Só tem uma coisa que a honestidade não é: omissa.
Portanto, antes de criticar ou se sentir ofendido com o posicionamento alheio, tenho só uma perguntinha pra fazer pra você. E aí, você já se olhou no espelho hoje?
*

- Como você sabe que Deus não existe? Que tipo de prova você possui?
- Como você sabe que não existe Coelho da Páscoa? Como você sabe que não existe Papai Noel? Você achou provas que provam a inexistência de Thor e Osiris?
- Tá brincando?! Estes são só mitos produzidos pelos homens. Eu estou falando sobre Deus!
- Na verdade, oobrigação de provar algo recai sobre que afirma a existência deste algo. Eu não tenho que provar uma negativa universal. O ônus da prova recai sempre naquela pessoa que alega a existência de alguma coisa.
- Não vou cair nessa. Você tem que provar que meu Deus não existe.
- Seu Deus? Singular? Como você sabe que não há vários Deuses? Você provou a não-existência de Deusas?
- Não seja ridículo! Eu estou falando da existência de Deus, o criador do universo.
- Ah! Agora estamos chegando ao ponto! Você está falando sobre mim!
- Desde quando você é Deus?
- Há um pouco mais que uma quantidade infinita de tempo. E Claro, eu criei você três minutos atrás.
- O que?! Whatafuck?! Isso é loucura! Eu tenho 57 anos de idade!
- É claro que você tem: eu criei essas memórias em você, e também alterei a memória de todas as pessoas, para fazer parecer que você estava andando por aí antes de três minutos atrás.
- Eu suponho que você tenha criado minha certidão de nascimento também! Que evidência você tem para sustentar tamanho absurdo?
- Ah! Então você está começando a entender que o ônus da prova é de quem alega a existência de algo. Você não acha que deveria tentar “desprovar” a alegação de que eu sou Deus?
- Bom, talvez, se você é Deus, porque não realiza um milagre?
- Boa pergunta. Infelizmente, eu não faço milagres mais. Eu poderia se quisesse, mas eu decido que de agora em diante, as pessoas tem de acreditar em mim através da fé. Sendo um Deus, eu acabei de ler a sua mente e eu vejo que você está pensando que pode ser capaz de me torturar e me forçar a confessar que não sou Deus. Bom, execute esta idéia! Eu posso muito bem decidir fingir estar com dor e “confessar” todo tipo de bobagens. Mas acredite em mim, eu puniria você pela eternidade depois que você morrer!
- Isto não é argumentação válida. Não haverá nada que eu possa fazer para sua alegação de divindade. Você sempre poderá se desviar dela alegando que só vai me mostrar a verdade depois que eu morrer!
- Exato! Você está aprendendo o quão difícil é provar uma negativa universal. Mas você está aprendendo uma lição ainda mais importante.
- E qual é?
- Você está aprendendo que é burrice argumentar sobre proposições que não podem ser testadas nem mesmo na imaginação. Para cada teste que você puder imaginar fazer, eu poderia vir com uma maneira de me desviar de seu argumento – da mesma maneira que todos os pregadores me falam que seu Deus não quer se envolver em meus testes. Minha alegação de ser uma divindade não pode ser testada. Sua alegação da divindade de Jeová, ou Jesus não pode ser testada também. Se eu pedir a seu Deus para me acertar com um raio na cabeça se eu estiver errado, posso garantir que nada vai acontecer. Seu Deus não se interferirá mais da mesma maneira que eu não interferiria. Hipóteses que não podem ser testadas nem mesmo na imaginação são inúteis, sem significado. Elas não podem nem mesmo ser falsas. Não precisamos perder nosso tempo tentando “desprovar” elas. Você não irá perder seu tempo tentando provar que eu não sou um deus, e nenhuma pessoa em sã consciência irá tentar perder tempo tentando provar a não-existência do seu Deus não testável e improvável. E é claro, quando você fazer uma afirmação sobre seu Deus escolhido, e que for testável, pessoas sãs podem tirar tempo para mostrar como os resultados do teste se mostram negativos. Mas no geral, ninguém irá perder tempo tentando provar que Jeová e eu não somos Deus.
Então pare de se preocupar com Deuses e outros conceitos impossíveis de ser testados. Foque-se no mundo real. Diferentemente de deuses e mulas-sem-cabeça, o mundo real pode afetar a sua vida para o bem ou para o mal. Somente o ideal de deuses pode afetar você. Se deuses, eles mesmos, pudessem afetar nosso mundo, nós não precisaríamos debater a sua existência.
***
1 – Garoto americano dizendo à mãe que não acredita mais em Deus. Pense numa mulher que pegou ar.
2 – Sinfonia da Ciência. Lindo, quase chorei.
3 – Criação de Identidade visual em promoção.

Cansei de você. Cansei dessa brincadeira de sentimentos, de paixão e de dúvidas. Quando eu procuro um relacionamento eu quero ficar bem, ter o coração batendo forte por estar apaixonada, mas a única coisa que sinto é dor de cabeça por você não saber o quer de mim. Chega!
Eu já disse que não queria me apaixonar e você foi me envolvendo com seu jeito doce, com seus abraços, seu beijos e até com a sua pegada. É uma delícia estar com você, e péssimo não te ter!
Sempre que eu começo a dar mais de mim você aparece e diz que eu tô errada, que estou me precipitando, para irmos com calma. Fala comigo como se eu fosse uma criança boba e inocente, me enrola, diz não saber o que sente e para deixarmos acontecer naturalmente.
Só que eu já sei o eu quero e pelo jeito você também. Eu quero me entregar de corpo e alma a alguém que eu julgava ser o cara certo para relacionamentos, e você quer virar o cafajeste que só enrola as mulheres. Cansei de você e dessa sua nova fase!
Apesar que eu não sei bem se é nova ou se você já era assim e eu não sabia. Devia ter conversado com a sua ex, ela já ia me orientar e me ajudar a não cair na sua armadilha. Devia ter percebido que a sua tática é demostrar ser o cara ideal, conquistar várias “menininhas” e depois ter a opção de escolha. Agora me responde, por que EU não sou sua escolha?
Bem que me avisaram para eu não me envolver. E eu jurava que meu coração estava congelado, mas você mudou tudo e agora me fez sofrer. Caí de novo nessa palhaçada, acho que nunca vou aprender.
Mas sabe…só quero que você seja feliz, de verdade! Só que bem longe de mim, pois eu quero e mereço ser muito mais feliz do que você, e seus jogos estão atrapalhando minha vida.
Eu te amo, mas me amo muito mais.
- Ok, um término é um pouco pesado para a semana dos namorados, mas por que não? XD
- Disse que ia escrever outra carta, tá aí… =D
Se eu pudesse te comia toda, sem dó nem piedade. Aprendi a ser assim com o Balzac. Ele sempre dizia que a frase inicial de uma conversa com uma mulher devia ser sempre a mais impactante. Tem que ser direto, linguagem de bandido, é a bolsa ou a vida. Ela olhou como que pra ter certeza que eu falava com ela mesmo. É isso mesmo, te comia toda, tirava foto, te chupava até os ossos do cotovelo e te vestia com seu salto alto, pra depois te comer de novo. Agora definitivamente ela sabia que eu falava com ela. Tirou um papel da bolsa, escreveu um telefone me entregou e foi embora. Guardei o papel. Andei um pouco e me sentei num bar-padaria-loja-de-conveniência e esperei até a garçonete resolver me atender. Atendeu. Enfiei um papel-bilhete que tinha preparado dobrado no bolso dela. Ela tirou e abriu uma aba. Abriu outra. Mais outra. Mais uma aba. Abriu o guardanapo até ele ficar todo aberto. Tinha um palito de dente no meio e a frase “precisa de um pau? Escolha o meu porque é mais grosso que esse na sua mão. O lenço a gente usa mais tarde”. Ela riu pra mim e saiu. Resolvi tirar do bolso o papel que a mulher que eu comeria toda tinha me dado e realmente tinha um telefone, mas o nome escrito era um nome de homem. José da Silva, Psicanalista. Não sou louco. Liguei. Alô Dr. José, aliás, tira o doutor porque psicólogo não é doutor porra nenhuma. Você acha que eu sou louco José? Eu vou gozar José. Eu vou gozar Maria. Eu vou gozar a vida do jeito que eu quiser, e se eu fizer cagada eu sei limpar, tu não vem cagando regra que na regra que tu caga eu vou pisar. Aí eu parei de citar Gabriel. O Pensador, não o Marquez. Parei de rimar. Afinal, rima é coisa de viado, e mulher quando ouve rima quer casar, e eu quero é foder. Saí e caminhei pela cidade até dar numa praça. Encontrei uma mulher sentada num banco e decidi que ia sentar também. Esperei um poco. Fui chegando perto do ouvido dela. Comecei a cantar bem baixinho aquela música do Fábio Júnior: “Senta aqui. Não tenha tanta pressa. Senta aqui! Porque toda essa angústia? Não fique aí tão quieta. Quebra o teu silêncio. Se abre comigo…”. Ela se abriu comigo quer dizer ela abriu a bolsa e puxou uma faca e falou passa o dinheiro senão eu te furo. Enfiei as mãos nos bolsos e só tinha o telefone do psicanalista que imediatamente entreguei a ela. Ela leu aquilo e não sei o que se passou na cabeça da desgraçada mas ela largou a faca e começou a chorar. Fui embora porque mulher chorando não precisa de foda. Precisa de psicanalista. E eu precisava foder, precisava foder, foder, foder. Resolvi passar no bar do Balzac e conversar entrecopos e entrelinhas. Aquela ali tem cara de puta, não tem? Aquela? Aquela é uma santa. É até ministra na igreja. Mas o Balzac sempre foi irônico e, afinal, seu bar era um bordel. Sem falar que eu desconfio das santas, e pra mim ela parecia mais ministra do boquete, ministra do anal ou ministra do caralho a quatro. Caminhei até ela pra ver se ela não tinha pra me apresentar alguma assessora de imprensa de seu ministério, daquelas que te imprensam na parede mesmo. Oi princesa. Ela disse que era 300 paus e eu perguntei se ela parcelava. “No amor não existe parcela nem prazo meu bem, tem que ser a vista”. Como eu andava meio quebrado, perguntei se o Balzac não me ajeitava uma permuta, afinal, era renomado taxidermista, e podia empalhar qualquer bicho seco pra enfeitar o bar do homem. É engraçado como vocês sempre aparecem na minha vida Sr. José. Vocês psicanalistas sempre aparecem na minha vida por coicidência. O Balzac pediu que eu empalhasse um psicanalista e cá estou eu, no seu consultório, contando esta história. Não sei se ele fez o pedido de forma irônica, mas o Balzac nunca quebra uma promessa de permuta. Hoje vou foder alguém.
***
1 – Crônica curta hoje. Espero que tenham gostado do final.
2 – Já viram o comercial que a gente aqui na Elefantte criou pra um evento contra o câncer? Ficou cuti-cuti. Clique aqui pra ver.
3 – Tô pensando em publicar um e-book com uma espécie de coletânea de crônicas minhas. O que vocês acham?

Se não houvesse amanhã eu não iria transar com o máximo de mulheres que eu conseguisse pegar. Se não houvesse amanhã eu não iria usar as drogas mais pesadas do “mercado”. Se não houvesse amanhã eu não iria correr pelado pela rua. Se não houvesse amanhã eu não iria dar um soco na cara daquela vagabunda do atendimento… tá, um tapa eu daria. Se não houvesse amanhã, eu não iria fazer nada daquelas coisas que todo mundo diz que faria se não houvesse amanhã.
Se não houvesse amanhã eu iria dizer para as pessoas que eu amo que de fato as amo, e ainda pediria perdão por não ter dito isso mais vezes. Desses, não iria querer ver nenhum. Falaria por telefone, por e-mail ou mensagem. Iria para o trabalho, apenas para encontrar as portas fechadas e lamentar por não ter trabalhado com pessoas que pensam da mesma forma que eu.
Se não houvesse amanhã, eu iria para um lugar bem alto, com uma bela seleção de músicas escolhidas a dedo para o momento, umas cervejas, cigarro e nada mais. Ficaria lá, em companhia do céu e da terra. Do céu eu esperaria apenas o crepúsculo mais lindo de todos os tempos, da terra eu pediria licença pelas guimbas de cigarro e latas de cerveja que deixaria lá.
Iria deixar minha mente livre, iria me concentrar no horizonte, e deixar a música me levar para onde ela quisesse ir. E no final, iria me lembrar de toda minha vida, e ver que no final das contas, não foi lá de todo ruim.
***
1 – Essa crônica foi feita especialmente para o Desafio 01 do PSV Crônicas
2 – E estou postando aqui para convidar você caro leitor, que gosta de crônicas, textos bacanas, e que também gosta de escrever, que participe do Desafio 02 do PSV Crônicas que terá ninguém mais ninguém menos que os editores/colunistas deste blog como jurados.
3 – Parabéns ao Mauro Sérgio pelo grandioso trabalho à frente do PSV e pela ótima ideia do PSV Crônicas. Esse cara põe a galera para produzir de verdade. =D

O negócio do Paraíso, ou Céu, como muitos chamam, é um negócio complicado. Monopolizado a mais de dois mil anos por um cara que se auto-denimina Deus. Leia-se: o chefão, o suprasumo da chefia, o mandante. A máfia do Paraíso começou a 2000 anos atrás, quando Deus mandou à Terra o seu sub-secretário sênior, um rapaz chamado Jesus. Um rapaz muito descolado, barbudo, com umas roupas meio estranhas. Ele tinha umas idéias novas e resolveu espalhá-las, mesmo com o clima ditatorial e a censura rolando solta. Era coisa de vanguarda. Logo ele percebeu que sozinho o trabalho se tornaria impossível e logo contratou uns capangas para ajudá-lo a espalhar as notícias. O negócio foi ficando grande e vários informantes e simpatizantes começaram seguindo o rapaz e sua trupe.
Na sua trupe, tinha um carinha meio obscuro, misterioso, chamado Judas, que estava bem insatisfeito com a divisão do lucro obtido e resolveu caguetar todo mundo. Foi lá no congresso e falou que se o pessoal deixasse ele entrar no esquema do caixa dois ele apontava todo mundo. O pessoal do congresso que precisava mostrar serviço contra o crime e a corrupção, e não queria outros chefiando na área, colocou Judas no esquema e mandou ele falar quem era o sujeito que estava chefiando a maracutaia toda. Pegaram Jesus e o prenderam.
A casa caiu. Só se via apóstolo correndo pra tudo que é lado. A polícia federal chegou já botando pra quebrar. Um dos capangas, o Pedro, ao cair no interrogatório, disse que não sabia de nada e negou tudo:
-Não sei nem vi nada. Se alguém disser que eu vi, vai ter que provar. E se provar, vai ter que se ver com o chefão lá em cima. Não, não e não.
O tal do Jesus foi a julgamento e negou tudo. O chefão não veio ajudar ele e sendo assim Jesus acabou caindo no cacete com a polícia. Espancado e morto. O tal do Pedro Pedreira (vulgo) que negou tudo assumiu os negócios e levantou a máfia novamente. Jesus foi considerado herói que lutou contra o totalitarismo e a censura. Todos o aclamavam e diziam o seu nome. A polícia quis que ele servisse de exemplo contra a rebeldia, o que acabou acontecendo de maneira inversa. O homem virou símbolo de liberdade e salvação raça humana.
Alguns séculos depois o pessoal que tinha matado ele resolveu, devido a sua popularidade, seguir os seus passos, e matou todo mundo que antes era da turma do congresso. A história do homem que pregava a liberdade acabou sendo usada para matar os que não acreditavam nele. Quem não seguia Jesus caía no cacete e ainda não tinha direito aos benefícios governametais do Paraíso. Inventaram uma tal de CPI da Brigada Inquisitorial e pegaram muito malandro aí que queria fazer umas mágicas, depois da publicação da lei “Malleus Malleficarum”.
Depois disso um homem de vulgo Martinho Luta-luta resolveu parar com a matança. Criou o protestantismo e resolveu que iria, ao invés de matar, catequizar e converter todos através da insistência, além de cobrar um dinheirinho dos clientes para mandar para o Paraíso (fiscal). Até hoje você os encontra por aí, de terno, com a bíblia de baixo do braço gritando na rua. O lema deles é “água mole em pedra dura tanto bate até que a pedra se converte ao protestantismo”. Depois que a empresa de faixada do Martinho Luta-luta fez sucesso, vários outros mafiosos resolveram criar outras empresas também, e hoje a palavra do tal do Jesus se difundiu pelo mundo todo.
O livro escrito pelos primeiros apóstolos, que tinham pontos eletrônicos diretamente com O Chefão e escreveram exatamente o que ele disse, é o livro mais vendido no mundo. A empresa se segmentou em vários ramos e nichos de marketing, desde o mais radical, até o mais espiritualista. Sabe como é, esse negócio de globalização é complicado. O coitado do Jesus que foi morto por causa dos negócios foi o que menos lucrou e é o que mais levou fumo na história toda.
A máfia continua na ativa até hoje. A cada morte do sucessor de Pedro, o primeiro presidente da empresa, um novo sucessor é colocado para substituí-lo e fazer a representação comercial do Chefão aqui na Terra. O pessoal protestante cada vez cresce mais e já estão até montando cursos de “Comunicação Exacerbada” e “Exorcismo Teatral” por causa da grande demanda de profissionais na empresa. Os centros de Umbanda e Macumba também crescem exponencialmente por causa da demanda dos evangélicos, afinal, é preciso alguém para encapetar, para que a pessoa possa ser desencapetada. Chuck Norris herdou todos os poderes de Jesus e hoje é o homem mais poderoso do mundo, conseguindo executar até o poderoso round house kick, que trasforma corpos em sangue cor de vinho.
***
1 – Tô sem nada pra linkar.
2 – Sério.
3 – Ah é, tem o “como fazer sucesso nas agências”, mas tô com preguiça de pegar o link no youtube, então vá lá e busque o termo porque o vídeo é de rachar o bico e vale a pena. =)




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