- Opa, entraê cara.
- Iae, beleza? Tá tudo pronto?
- Na boa. Quase tudo só falta terminar a torta… sentaí.
- Caralho, que sofá foda!
- Né? Comprei semana passada…
- Pow, e esses CDs aqui?
- Ah é… olhaí.
- The Who, Beatles, Guns…
- Tem a discografia completa do Elton John também…
- Foda… opa, a torta tá pronta?
- Aham, as garotas devem chegar daqui uns 15 minutos…
- He… CARALHO. Não acredito que cê tem esse CD!!!!!
- Ahh… é…
- Porra véi, como cê conseguiu isso?!?!
- … na loja…?
- Mas só tem 1000 cópias NO MUNDO e elas acabaram em questão de segundos…!!!
- É…
- Eu TENHO que por isso pra tocá!!
- Hm…
- Pow, a capa tá quebrada! Como cê OUSA deixar isso cair?!
- Não dexei.. é que me roubaram…

- E como cê conseguiu isso de volta?
- …
- Desembucha maluco!!!!
- Eu fui até o Inferno pegar esse CD.

Quinta-Feira: lançamento do álbum mais aguardado da história da música (e de todas as outras histórias também). Dezeseis horas na fila, só um exemplar na loja: a única do país que o tinha, e pela “bagatela” de “todos os meus salários dos próximos 30 anos + minha mesada pra faculdade”. Foda-se, eu tenho que comprar. Felizmente o dono da loja é um filho da puta e só vai abrir a porta lateral… ter que surrar toda essa gente da fila seria foda…

Três pras dez… Estou à menos de 3 minutos da minha felicidade eterna… e aquela mina alí na fila…? Até que é boa… daqui à cinco minutos eu mostro meu… É AGORA, ELE TÁ ABRINDO A FECHADURA!!!!!

Vuei.

É meu. A cara de decepção das outras setenta e seis dúzias de milhares de pessoas me fez soltar uma risada dígna de bandido de desenho animado… nem acredito que consegui ser o primeiro na fila. No caixa a preocupação com o empréstimo que ia comer meu cu sequer me passava pela cabeça: mandei até embrulhar o CD pra presente, só pra poder rasgar todo o papel, feito criança mesmo. Dalí do caixa vi a garota da fila (já tinham aberto as portas da loja agora, mesmo com 99% da galera já estando longe)… mas era um momento demais especial para perder com joguinhos: tinha a maior obra já produzida, e se não escutasse no talo nos próximos minutos, ficaria loco. Já tava saindo (passei do lado dela de propósito), mandei aquele olhar de canto: dois milhonésimos de segundo, mas ela pegou.

Não sei se ela demorou de propósito, mas só me alcançou alguns quarteirões mais pra frente… pra despistar acho, afinal, saí praticamente jurado de morte da loja. Ela tocou no meu ombro, meio que senti um calafrio (totalmente ocasional, é claro, eu levo jeito com as mulheres), mas nem liguei. Me virei e alí tava ela: morena, botas, peitos incríveis, ropa leve, naquele estilo “underground-cool”, aquelas meias listradas e meu sentido de aranha dizia que a bunda não deixaria à desejar.

Ela nem se apresentou, foi logo falando do CD, de quanto queria ter comprado e que faria qualquer coisa pra conseguir ouvir. QUALQUER COISA: a frase do sonho de todos os homens do universo e lá estava eu, com o CD mais foda do universo e com uma gostosa implorando pra ouví-lo, porra, tinha a desculpa perfeita pra levar ela pra minha casa.

Durante o caminho a gente mal se falou, tirando alguns comentários sobre a produção do CD e a narração de como eu tinha conseguido comprá-lo. Mesmo com ela falando poco eu notei que ela tava… molhada, pra ouvir as 16 músicas inéditas que eu carrega na sacola como se fosse um galão cheio de nitroglicerina, olhando pros lados pra ver se ninguém tentava praticar um 157.

Depois de 10 minutos chegamos em casa. Foi só quando eu botei a chave na fechadura que lembrei da zona que tava o lugar, abri a porta com medo e só não agradeci de joelhos pela visita da faxineira pra não perder a pose na frente da garota. Falei pra ela sentar no sofá novo (e que felizmente teve todas as migalhas de Ruffles tiradas) enquanto ia no quarto pegar o controle do som. Voltei já fazendo a maior encenação pra tirar o CD do papel de presente e botar pra tocar, tirando alguns sorrisos tímidos dela (pra minha total felicidade e com um toque de perplexidade).

Assim que apertei o “play” só não gozei pra não fazer feio com ela. Foi só os primeiros acordes da “Faixa 01″ tocarem que eu e ela já távamos pulando e cantando junto sem sequer saber a letra. Porra, música foda pra caralho, num tinha nem 30 segundos de música e eu já sabia que vender minha alma pro banco tinha valido à pena. Assim que a primeira música terminou nós dois nos abraçamos no mais puro e simples êxtase, jurando que era a melhor coisa que a gente já tinha ouvido… até começar a “Faixa 02″. A Faixa 2 definitivamente é uma das melhores do CD, e logo no refrão eu e ela já nos considerávamos conhecidos de longa data. Meu sofá já tava virado, vários livros no chão e eu tinha certeza que se eu saísse de casa, todos os vizinhos se ajoelhariam perante mim.

Eis que veio a “Faixa 3″. Foi só o vocalista gritar “NOW EVERYBODY’S GONNA HAVE SEX” que nós dois nos agarramos. Nem existia mais sala, sofá, vizinho, só a música e nós dois. E devo dizer que eu acertei, a bunda também era boa pra caralho, os peitos cabiam certinho nas minhas mãos e putaquepariu, aquela boca… foram os melhores 7 minutos da minha vida: o tempo até começar a “Faixa 4″. Os próximos 30 minutos cê pode até imaginar… quando a gente acabou (na Faixa 15) eu tinha certeza que eu morria se ficasse sem ela e a música. Pra falar da última música só tem uma palavra: PERFEITA. Cara, fazer sexo sem ouvir essa música devia dar pena de morte. Olhei pro lado e lá tava ela: olhando pra mim com um sorriso de canto de boca… só lembro dela me dando mais um beijo e de pegar no sono.

Acordei umas 3 horas depois. Olhei pro lado e ela não tava lá, não tinha nehuma música tocando. Pensei logo de cara que ela tinha me abandonado, mas ouvi o barulho de descarga. Olhei pro aparelho de som e vi o “STOP” piscando pra mim. A sensação de calma foi quase tão boa quan… não, tudo tinha sido muito melhor. Resolvi me juntar à ela prum “banho”… o banheiro tava vazio. Chequei todos os cômodos da casa: nada. Corri pro som, já apertando “Eject”, na bandeja só um bilhete: “Desculpa”.

Desolado… completamente arrasado: perdi a minha coisa mais preciosa e a mulher da minha vida numa tacada só… foi aí que bateu o desespero, corri pela casa toda gritando à plenos pulmões e, admito, chorando feito uma garotinha…  aquelas poucas horas que passamos juntos já pareciam uma vida distante… eu tinha decido deixar o mundo pra trás… só até eu ver a enorme entrada de um túnel bem na minha sala.

***
1 – Parte 1 de 3, a parte dois vem só daqui a 15 dias (tá, 14).

2 – Eu sei que vocês gostaram.

3 – O número 3 é importante…

Essa é a história do Homem mais Homem do Mundo. Existe uma brecha na Lei do Homem de Verdade (já comentada nesse texto aqui), que pula todas as etapas e concede ao Mancebo Desprovido de Hombridade o título não só de Homem de Verdade, mas o título de Homem mais Homem do Mundo.

A brecha fica escondida, muitos homens nem sabem que são mais Homens do Mundo, isso faz com que eles não recebam o título, uma vez que não conhecem o tal. De qualquer forma, a comissão julgadora internacional acha melhor dessa forma, poderia ocorrer uma fissura irreparável no tecido da realidade se muitos homens fizessem o que nosso personagem fez.

Quero deixar claro, aqui, que essa é uma história de ficção, qualquer semelhança com a realidade ou com pessoas de verdade, é mera coincidência.

***

Gustavo estava deitado em sua cama pensando pela milésima vez naquela semana, como sua vida era uma merda. Os pais não o entendiam, os irmãos – o mais velho e o mais novo – também não entendiam nada, seus amigos igualmente. Foi quando pela primeira vez, ele pensou que quem estaria não entendendo nada fosse ele.

Apesar de ter apenas 17 anos, Gustavo se imaginava pronto para a vida. Era um rapaz médio, de classe média, com notas médias e sem nenhuma conquista que valesse alguma menção. Não era popular, mas não era nenhum desconhecido ou um Dalton da vida – sorriu pensando que se a vida dele era uma merda, ele não queria nem imaginar como seria a vida de Dalton, ou Shrek, como era carinhosamente chamado por todo mundo.

Gustavo era médio em tudo, até nas garotas. E olha que nem pegava tantas assim, já que também era de médio para ruim na beleza. Era magro, muito magro. De um jeito feio. Era esquisito também, já que preferia Redação e Português ao invés de Física e Matemática como a maioria dos amigos. Gustavo sentia as vezes que a vida estava passando e ele estava no ponto a vendo passar sem dar o sinal para subir também. Às vezes sentia que todas as pessoas no mundo estavam se divertindo enquanto ele estava lá no quarto relendo Watchmen.

Enquanto sentava no computador, ele pensava em como estaria daí a cinco anos. Provavelmente terminando a faculdade, tentando o primeiro emprego, ganhando pouco, morando sozinho em outra cidade, num quarto e sala que ele mal conseguirá pagar e provavelmente conhecerá uma garota – média, como ele – irá namorar, casar, ter dois filhos e viver pra sempre pensando e imaginando como seria ter uma vida diferente. Todos esses pensamentos maduros, duros e por várias vezes um retrato difícil de uma realidade talvez quase certa foram varridos da mente de Gustavo quando viu a janelinha com o nome “Carol” piscando em laranja no MSN. Adolescentes têm o incrível poder de ter a compreensão clara do mundo em que vivem e de deixarem essa compreensão evaporar por qualquer coisa. Se isso não acontecesse, o mundo poderia ser um lugar completamente diferente, não sei de que forma, mas os adolescentes seriam as pessoas mais chatas do mundo.

Ele gostava de conversar com Carol. Ela era uma menina da cidade dele, de um bairro um pouco longe, uma garota legal, que entendia e até gostava de Gustavo – coisa rara, como ele mesmo gostava de repetir para seu consciente. Eles estavam “dando uma ideia” há um bom tempo, nunca conseguiram se encontrar. Em partes por Gustavo não ter muita certeza de como Carol era, já que os ângulos das fotos favoreciam apenas o rosto dela, ele não tinha muito material para trabalhar. Mas ele sentiu, pelo “oiii” com três is que algo iria ocorrer naquela conversa…

- oiii

- eii..

- td bom?

- jóia e vc?

- td bem tb.

- =)

- …

- o que?

- vc ta meio distante, o q q pega?

- acho que é isso, não pego nada…

- como assim?

- nada não

- gu, me fala.. anda.. o que ta acontecendo? vc sabe q eu te adoro, q vc pode me contar td…

- eu tb te adoro

- ownn

- eu tava pensando aqui, chegando a conclusão que minha vida é uma merda, que eu não vou ser nada demais na vida, que não tenho nenhuma conquista que valha alguma menção.

- o gu… n pensa assim n… vc eh lindo.. vc eh tão inteligente, tenho certeza que vai se dar bem..

- vc só tá falando isso pq é minha amiga…

- sou só sua amiga?

- como assim?

- ai gustavo… nada n…

- vc queria ser mais que minha amiga?

Toda vez que Gustavo “chegava” em alguém assim pelo MSN, não agüentava ficar olhando. Fingia que nada estava acontecendo e ficava olhando outras janelas, mas por dentro ele não se agüentava de ansiedade. Viu a janelinha piscando e tentou fingir mais um pouco que não era nada. Até não agüentar mais.

- vc sabe que eu queria ser muito mais que só sua amiga…

Não sabia o que falar. Foram raras vezes que Gustavo tinha recebido uma resposta assim.

- sério?

- sério seu bobo…

- olha, acho que fica estranho continuarmos essa conversa aqui, quando podemos nos encontrar?

- qd vc quiser…

- hoje?

- pode ser

- onde?

- ummm… na porta do teatro, aqui perto de casa, as oito… não posso me demorar muito mais…

- tudo bem, eu vou.

- ain… (L)

- (L)

- bom, vou tomar um banhinho então

- eu também

- como vc vai estar?

- de blusa rosa..

- ok. Beijos então.

- bjuuuus

Gustavo foi pegar a toalha no varal radiante. Iria tomar banho para se encontrar com uma garota que havia conseguido por seus próprios méritos, apenas seu charme e sua beleza. Foi uma punheta memorável – tanto que ele lembra até hoje. Incrível como a masturbação misturada a felicidade e a enorme excitação de um encontro se torna em um momento único. Sabores da adolescência que Gustavo lembrou que se esvaia aos poucos de dentro dele. Já estava quase na hora – Deus me livre – dele virar um adulto.

Disse para a mãe que ia sair com os amigos e foi em direção ao Teatro. O Teatro antigamente ficava lotado todos os dias, tanto dentro quanto fora. Jovens, velhos, crianças, famílias inteiras iam para lá se divertir durante a noite. Era chamado de Teatro, mas era um bingo que duas vezes por ano apresentava uma peça. Hoje em dia o bingo comporta dois ou três gatos pingados que vão lá a noite jogar os torneios de dama, xadrez e gamão.

Chegando lá, Gustavo foi andando devagar. Queria ver de longe sua ficante antes de qualquer coisa. Olhando de longe ele viu os porteiros, uma mulher gigante vestindo rosa, um ou outro transeunte entrando e saindo do bingo, um carro arrancando. Ele olhou de novo para o celular onde via a mensagem de Carol, dizendo que estava na porta do bingo. Estranhou. Olhou de novo: Porteiros, mulher gigante, traunseuntes… até que a cor da blusa da mulher chamou a atenção de Gustavo.

Ficou estático. Paralisado.

Não era possível. Ele sabia que Carol era uma gordinha, ele gostava e muito de gordinhas. Pegara uma magrela – como ele – uma vez. Pelas fotos ele imaginava mais ou menos como ela era. Gustavo nem tinha tantos preconceitos assim, havia pegado umas que é melhor nem comentar, se não esse conto vira um conto de horror barato. Ela era enorme. Foi nessa hora que várias coisas mudaram dentro de Gustavo.

Em frações de segundo seguiu-se o seguinte pensamento: “Eu ainda posso ir embora. Ela não me viu, está de costas. Eu posso simplesmente me virar e fingir que nunca estive aqui. Digo pra ela que caí descendo o morro e que havia machucado e o encontro poderia ficar pra depois… tipo depois que ela perder uns 300 quilos.” Assim que terminou esse pensamento, Gustavo teve nojo dele mesmo. Ele estava sendo tudo aquilo que não gostava nas pessoas. Estava prestes a pisar em um pobre coração que talvez, assim como ele, tivesse uma vida amorosa complicada, provavelmente muito pior. As vistas da sociedade, melhor e mais fácil ser um magrelo que uma gorda.

Gustavo percebeu ali, naquele momento que ele jamais conseguiria suportar sua consciência se não se portasse como um homem de verdade. Não um garoto, mas um homem. Ele não poderia se tornar um tipo de pessoa que odiava, mesmo que ninguém nunca soubesse daquele dia, ele sempre seria superior à maioria dos mortais.

Deu um passo a frente, e foi.

Chegou por trás de Carol e disse com o sorriso mais galanteador que poderia colocar:

- Oi

O sorriso que recebeu de volta e o abraço mais “fofo” do mundo, fizeram todos os questionamentos saírem da sua cabeça.

Duas horas depois, durante todo o longo caminho até sua casa, Gustavo pensava em como nunca tinha tido tanto orgulho de si mesmo. Foi o melhor homem do mundo durante aquelas duas horas. Mesmo que agora alguns pontos de preconceito e incredulidade aparecessem na sua mente – coisas como “sem dúvida alguma eu tenho meu lugar no céu” e “MEEEEEUUUU DEEEEUUSS” – ele se sentia diferente. Sentia-se mais maduro, mais homem. Pronto para toda a vida que tinha pela frente.

Mal sabia ele, que de fato havia conquistado um lugar no céu, e que agora era considerado pelo Clube, o Homem mais Homem do Mundo, e que mais do que isso, foi o mais jovem a conseguir tal honraria.

***

1 – Espero, de verdade que tenham entendido o texto.

2 – Pessoal, algumas pessoas fazem um pouco de confusão sobre quem escreveu qual texto. Como temos algumas pessoas escrevendo, as vezes fica complicado. Lembrem sempre de conferir em baixo do título o nome do autor do post.

3 – =D

Financeiramente a vida de Antônio andava mais feia que mudança de pobre. O homem tinha que ter mais ginga que pato solto em galinheiro pra fazer a feira do mês. Mas tudo mudou naquele dia. Resolvera pegar um desvio para o trabalho. Achou que faria bem em passar pela ruela atrás da igreja. Ledo engano. Sem dar mais que dez passos, Antônio se depara com uma cena estranha. Um envelope rasgado no chão e várias cédulas espalhadas ao lado. Uma nota de cinquenta. Cinco notas de dez. Antônio fez um cálculo mental e logo concluiu que achara cem reais na rua. Cem reais. Puta que o pariu, pensou. Era o seu dia de sorte. Antônio apanhou o dinheiro, não sem antes olhar para o lado e verificar se havia alguém o espionando. Afinal de contas, cem reais era um dinheiro considerável. Não era todo dia que se achava uma quantia em dinheiro assim, ao léu, no vento, sem lenço nem documento.

Nesse dia Antônio não foi trabalhar. Afinal de contas, havia achado cem reais, várias notas. Podia ser incriminado. Podia ser uma conspiração do sistema, para provar a honestidade das pessoas. De qualquer forma, achado não era roubado e ele ficaria com o dinheiro. E ponto. Se trancou em casa. Ficou várias semanas sem sair. Espiava pelas frestas da janela. Qualquer um podia ser um suspeito. Um agente em potencial. Alguém do sistema, atrás dele. Não atendia mais a telefonemas. Correspondências nem pensar. Emails, em hipótese alguma.

***

Começou a arquitetar planos, soltando gargalhadas estilo muahaha durante a noite, como gastaria o seu dinheiro. Fazia planos. Talvez comprasse um barbeador elétrico. A barba de semanas sem fazer já o incomodava. Acabou enterrando o dinheiro no quintal. Desfez-se do envelope (leia-se: queimou no fogão). Antônio não tinha mais vida. Vivia em função do dinheiro achado.

A namorada desistiu de tentar entrar na casa. Achou que Antônio tinha morrido e arrumou um negão daqueles que dançam e tremem na Emitivi. Sua mãe foi à sua porta. Afinal, há 2 meses não comparecia aos almoços familiares de domingo, religiosamente frequentados por ele. Queria saber dele. É claro que não respondeu. Sabia que era alguém se passando pela senhora que o tinha botado no mundo. O seu patrão, depois de alguns dias tentando contatá-lo, sem obter resultado, o deu como morto.

Antônio gastou toda a sua poupança comprando mantimentos para sua base. Pela internet é claro, nada de sair de casa. A sua casa. Seu quartel. Depois de seis meses. Concluiu que a poeira já havia baixado. Desenterrou o dinheiro (que estava debaixo do pé de manga), e resolveu usufruir dos seus benefícios.

***

Lista de compras do Antônio, cedida gentilmente pelo sistema de probação de honestidade pública, um setor altamente secreto do governo:

-Uma caixa de cigarros “Oliú” – 25 reais.

-Um sorvete de côco na Sorveteria Pantagelis – 2 reais.

-Impressões de currículo, para a procura de um novo emprego – 10 reais.

-Um caldo de cana na Rua da Bahia- 1 real.

-Um DVD pirata de James Bond 007, Cassino Royale – 5 reais.

-E um vinho Francês – 45 reais -, que bebeu sozinho em casa, fumando os cigarros comprados, degustando o fato de ser tão sortudo. Ficava no sofá, rindo sozinho. E às vezes falava para si mesmo, 100 reais. Puxa vida…

Os dois reais que restaram? Antônio doou à igreja onde tinha achado o dinheiro, como agradecimento. Afinal, Antônio era um sujeito do bem.

***

Dona Maria, empregada doméstica, senhora respeitável, já de idade, até hoje se queixa para o marido: “Maldito dia em que perdi aqueles cem reais! Passei aperto durante um mês inteiro!”. E ele murmura: “Pelo menos o seu dinheiro fez alguém feliz”.

***

Eram os dois, velhos, numa festa de aniversário de uma funcionária da firma. Aroldo toma um gole de chope e de repente, para, e diz:

-Olhaquilalí Humberto. Olha só que coisinha rapaiz…

-É Aroldo. Realmente é uma moça muito garbosa. Muito diferente daquele elefante sem rabo ali no canto.

-Bunita Humberto? Para cum isso Humberto… Aquilalí é um pitelzinho rapaiz. Olha aquelas perna Humberto. Olha a pintinha em cima da boca Humberto. E depois o povo reclama quando se comete estupro. Elas que provoca! Ah! Isso sim! Quem provoca são elas!

-Sei Aroldo… Pega aí pra mim – disse apontando para algum lugar.

-O quê? A muié?

-Não! O chope porra!

-Ah. Taqui – e volta olhar para o salão – Humberto, olha só aquela bunda! Omahnomanohn! Aquela ali deve que paga IPTU só pelo tamanho da bunda.

-Olha a sua idade Aroldo, você tem é cinquenta anos, rapaz. Um cara casado, com filhos, se prestar a esse tipo de comentário.

-Tenho cinquenta e ela continua sendo gostosa do mermo jeito. Olhaqueli umbigo Humberto! Ah não! Umbigo não. Aí já é dislealdade! Eu vou lá nela.

-O senhor não vai a lugar nenhum e pode tratar de ficar aí. Toma um gole do seu chope e se segure. O que é isso rapaz? Parece até tarado, porra!

-Olha lá ela! Ela tá vino Humberto! Ela tá vino! Você me segura que eu pulo! Me segura, pois não me responsabilizo pelos meus atos!

Mas Humberto, aleijado que era, não segurou, pegou as muletas e se levantou da mesa. Nem Aroldo pulou. A moça passou. Ele deu um gole no copo e acendeu um cigarro.

***

Não. O final da crônica com os velhos não faz sentido nenhum, mas porra, você quer que tudo na sua vida faça sentido? Vá se foder.

Ser de outra cidade não é fácil. Você não conhece os lugares, não conhece as pessoas e não sabe o que fazer. E por mais que você explique isso, parece que as pessoas não entendem.

Você parece fazer um certo sucesso, parece ter vários contatos, parece ser lembrada, mas você é apenas mais um rosto na multidão, apenas mais uma pessoa na lista de amigos do Facebook ou do Twitter.

Mudar de cidade não é fácil. Não é simples largar a família e deixar os amigos de lado. De repente você descobre que nem assunto tem mais para conversar, justamente por não ter aquela intimidade com as pessoas e muito menos com a cidade, você não entende as piadas, não sabe onde não pode ir, não sabe o que significa determinada expressão. Você perde completamente a segurança.

Se na outra cidade você fazia amigos com facilidade, na nova cidade você percebe que faz apenas colegas, justamente por perder a cara de pau que fazia parte do seu dia a dia. Você percebe, finalmente, o que significa “amizade”.

Percebe que conhecer pessoas é simples, mas manter pessoas é tão complicado. As pessoas precisam estar abertas para te tornar parte do grupo, mas não apenas um número, mas sim um pedaço importante da galera.

Eu não quero me convidar, eu quero ser convidada. Não gosto de me sentir invadindo a privacidade, mudando o foco do assunto, obrigando pessoas a me ouvirem. Não me sinto nada confortável com isso, eu queria ser a pessoa que é chamada para beber um sábado a tarde, para passar uma noite na casa de alguém, para ficar de bobeira em qualquer lugar. Só isso.

Mas as pessoas não percebem que quem veio de outra cidade não veio com amigos na mala, acham que você tem seu próprio grupo, que você tem outras coisas pra fazer. Não sabem o que passar o final de semana em casa, isoladas do mundo, justamente por não terem sido convidadas para nada. Pessoas que não imaginam o que se sentir carente no meio de tanta gente.

Sinto muita falta dos meus amigos de verdade, dos meus tempos de faculdade e das baladas pós-aula. Sinto muita falta de chegar em casa e abraçar minha família, de conversar sobre a minha semana. Sinto até falta de dispensar meus amigos por estar cansada, sinto muito por ter feito isso. Sinto muito…

Não é fácil ser de outra cidade e é mais difícil ainda se sentir só em outra cidade.

Uns 5 ou 6 anos atrás eu escrevi um texto para uma amiga fofa minha, a Rebeca por causa de um carinha. Eu já sou mais velha que ela, ele era mais velho que eu. Imaginem a situação.

Ela levou um “fora”, mas um fora delicado. Ainda assim ficou chateada. Ontem ela me reenviou o texto dizendo que não esqueceu das minhas palavras. Eu admito que eu havia esquecido e achei incrível como consegui confortá-la em poucos parágrafos e mais, consegui tornar um texto memorável.

Segue…

Não é fácil ser mulher, não é fácil ser uma mulher de 15 anos. É super complicado amar.

Agora junta tudo. Mulher de 15 anos amando, olha a merda!!

Mas não tem do q fugir, não tem porque querer nunca mais se apaixonar. É inevitável.

A vida é feita de tentativas, o amor também. A gente se apaixona sem perceber, quer esquecer a pessoa, acha q errou; porém ninguem manda no coração!

Não manda no nosso, nem do coração dos outros!!

Quando a gente gosta de alguém tem que tentar, tem q demonstrar pra descobrir, se é reciproco. E se ele corresponder, ótimo! Se não, não é motivo pra abaixar a cabeça e achar que o mundo acabou.

Na verdade é hora de provar que você pode passar por isso e daqui um tempo lembrar com carinho e dar boas risadas!

Não ouvir aquilo que queremos machuca, dói bem fundo no coração mas é só parte de um process, um processo chamado AMADURECIMENTO!!

Ele foi sincero com você. Hoje você sabe que aquilo que você mais queria não vai acontecer, mas ele tá aí, ele não aproveitou esse momento como muitos outros o teriam feito!

Psiu…..

Se for pra chorar, que seja de alegria.
Se for pra gritar, que seja em um show.
Se for pra ficar, fica do meu lado!

Como prometido em!

Antes do horário previsto… só porque é o primeiro.

***

Quando Jonas olhou para a pilha de pastas em sua mesa, soube que ainda teria mais umas duas horas de trabalho antes de poder finalmente ir para casa e dormir por um curto período antes de voltar para o escritório. Não que ir para “casa” era algo que realmente valia como um prêmio para ele. Morava em um quarto de hotel de quinta no centro da cidade, quarto que ele carinhosamente chamava de O Cu do Mundo. Não era nada reconfortante pensar que depois de mais de 18 horas seguidas de trabalho – pelo terceiro dia consecutivo – ele teria que voltar a aquele antro para tentar dormir em meio ao cheiro de mofo e mijo impregnado nas paredes do hotel.

Mas Jonas sabia, que tudo isso, a vida de merda que ele levava e o sofrimento de 3 anos, ele finalmente tinha a chance de conseguir a promoção que sempre sonhou e que sempre mereceu. Desde que entrou na empresa, com 23 anos, ele sempre fora um funcionário exemplar, errava pouco e fazia o trabalho dele e consertava o trabalho de outros. Como acontece com todas as raras pessoas que são como Jonas, ele jamais recebia o reconhecimento que deveria. Até que esse último projeto apareceu e conseguiu assumir toda a responsabilidade por ele. Na verdade, ficou com ele pois ninguém mais tinha a coragem de assumir o projeto, que era um risco para a empresa, mas que se funcionasse, renderia um contrato tão grande que o diretor geral disse a ele que ele se tornaria Diretor de Projetos no mesmo dia.

Tudo valia a pena, tudo. Era o sonho de todo mundo que ele conhecera, ter a chance de se por a prova, ter a chance de crescer por méritos próprios e começar a ganhar um salário maior que a maioria dos colegas juntos. Era a chance da sua vida.
Já passava da meia-noite e não havia ninguém na empresa, a única luz era a do monitor e do pequeno abajur da Baia 38, o lugar que Jonas carinhosamente chamava de Casa. Ele parou por um minuto, se esticou na sua cadeira e decidiu que poderia fazer um pouco mais de café e fumar um cigarro no banheiro do almoxarifado. Ninguém usava o banheiro do almoxarifado desde que Carlos Lacerda praticamente o destruiu, passando a ser chamado pelos queridos colegas de Carlos La Merda depois do ocorrido.

Quando Jonas estava no meio do caminho da cozinha, uma coisa muito estranha ocorreu. No início, ele não entendeu o que estava acontecendo, até que todas as telas dos mais de 120 computadores de repente acenderam ao mesmo tempo. O andar, que estava praticamente sem luz alguma, ficou completamente iluminado com uma luz azul. Alguns fones ligados nos computadores fizeram ressoas o som das centenas de Windows sendo iniciados. Jonas olhava sem acreditar e com uma sensação muito forte de que algo estaria muito errado que fazia com que ele sequer respirasse um pouco mais fundo.

Depois do que pareceu a ele duas horas, ele conseguiu se mover – lentamente – em direção a cozinha. Conseguiu de alguma forma colocar a máquina do café para fazer a mistura fraca que eles diziam ser café. Jonas não podia de forma alguma pensar que aquilo devia ser o cansaço e que todos os computadores da empresa simplesmente não ligaram enquanto ele ia para a cozinha. A luz intensa dos monitores brilhavam de tal forma que ele nem precisou acender a luz da cozinha. Na verdade, ele tinha certeza que ficaria extremamente apavorado se tentasse o interruptor e a luz não acendesse que decidiu que não precisava de mais uma dose de tensão.

No caminho de volta, com a garrafinha cheia e uma xícara de café quente e ralo nas mãos, Jonas ainda andava devagar, com medo não sabia ao certo de que, mas tinha a impressão que se andasse rápido ele provavelmente correria para outro estado. Ele não conseguiu depois se lembrar direito, mas mais ou menos no mesmo ponto em que estava quando os computadores ligaram, todos sem exceção desligaram ao mesmo tempo.

Jonas permaneceu imóvel. De certo modo, assim que os computadores ligaram, ele teve a sensação que todos desligariam assim que estivesse a caminho de sua mesa. Isso não pegou Jonas de surpresa, por mais bizarro que pudesse parecer. Não se preocupou com o trabalho inacabado. Havia salvo os arquivos antes de se levantar. O que realmente pegou ele de surpresa e o deixou tremendo tanto que ele duvidou que conseguiria segurar a garrafa e a xícara por muito tempo, foram os passos pesados que ele escutou em pelo menos 3 pontos do escritório.

Um dos passos foi logo atrás dele, e pela respiração pesada que ele ouviu em algum ponto acima do seu ombro esquerdo ele duvidou que o que quer que fosse que estava atrás dele, fosse humano. E o pior, tinha certeza que não era pequeno. E exalava podridão, sangue e morte.

O suor descia profusamente da testa e metade do café que havia na xícara estava nas suas roupas e no chão. A “criatura” que estava atrás dele apesar de poder fazer isso, não o estava atacando, apenas sentindo o seu cheiro. E Jonas sabia qual cheiro ele exalava fortemente naquele momento: puro e claro medo. Ele não sabia como, mas nem das janelas ele via qualquer luz, seja das estrelas ou dos postes. Ele se sentia dentro de uma caverna, ou em uma tumba, pensamento que ele rapidamente tirou da cabeça.

Sem perceber deixou a xícara se espatifar no chão. A luz de repente começou a voltar e em segundos o escritório estava da mesma forma como quando ele se levantara para fazer café. Jonas ainda segurava a garrafa térmica, mas a xícara estava em pedaços e havia café para todo lado. Suas roupas, já amareladas pelo intenso uso e pelo suor de cada dia, estavam grudadas no corpo. Ele tremia da cabeça aos pés.

Quando Jonas percebeu, ele estava de novo sentado na sua mesa, não conseguia pensar, simplesmente nenhum pensamento passava por sua cabeça. Tinha uma vaga lembrança do que estava fazendo ali na empresa até àquela hora, e não tinha nenhuma ideia sobre o que tinha acontecido momentos antes.
Jonas ficou ali parado por horas sem se mover, pelo menos pareceu a ele uma eternidade. Até começar a se mexer novamente. Foi ficando mais calmo, e voltou pegar os papéis e foi com o mouse até a pasta do projeto em que estava trabalhando no computador, tudo o que acontecera já parecia um sonho distante em sua mente. Até o momento em que ao abrir a pasta de arquivos, Jonas viu que a pasta estava vazia. Tudo que estava trabalhando havia semanas e intensamente nos últimos dias, se perdera.

Jonas perdeu o ar, procurou loucamente pelos arquivos. Nada, nenhum registro. Usou os programas que ele tinha para recuperação de arquivos deletados e nada. O computador estava dizendo a ele que aqueles arquivos nunca estiveram ali.

Jonas tremia, não de medo, mas de ódio.

Começou a gritar furiosamente. Seu mundo e sua mente se despedaçavam.

Virou sua mesa, e com o teclado destruiu completamente o seu computador. Levantou-se e foi em direção a porta para ir embora, ele sabia que se ficasse ali mais um minuto iria dar um jeito de explodir todo o andar.

Assim que colocou a mão na maçaneta, tudo ficou escuro novamente. O medo voltou como um soco no estômago e Jonas mal conseguiu se manter em pé. Tudo que ele pensava era, Me matem de uma vez! Por favor, me matem acabem logo com isso.

Ele conseguiu abrir a porta, saiu rápido para o corredor e foi direto para as escadas. Nem por um momento passou pela cabeça dele entrar no elevador. Jonas entrou e começou a descer as escadas. A empresa ficava no 8º andar e rapidamente ele chegaria à portaria do prédio. Prometeu a si mesmo nunca mais pisar naquele lugar.

Enquanto descia a razão começava a voltar e Jonas percebia que estava mais perdido que nunca. O certo seria voltar no outro dia e dizer o que tinha acontecido, tinham que acreditar nele. O que é que eu estou pensando? Nem eu mesmo acredito, eu nem mesmo sei o que aconteceu. Jonas então olhou para a placa na porta abaixo da escada: 3º Andar. Só mais um pouco, pensou ele.

Após descer mais três lances de escada Jonas nem olhou para a placa. Tentou abrir a porta, mas ela estava trancada, olhou para cima, mas seus olhos não acreditaram no que viram: 7º Andar.

Jonas foi se afastando da porta, olhou para baixo, no parapeito e depois para cima. Não viu nem fundo, nem fim. Desesperado, desceu pulando os lances de escada pelo menos 10 andares, olhou para a porta: 5º Andar. O peito subia e descia enquanto ele tentava respirar.

Subiu.

Chegou ao 8º Andar e girou a maçaneta. A porta estava trancada.

Gritou, desesperadamente e começou a chorar de desespero. O que estava acontecendo? Por que aquilo estava acontecendo com ele? Por que? O que significava aquilo? Pelo que exatamente estava sendo punido?

A essas perguntas, Jonas nunca conseguiu respostas.

A única coisa que ele conseguiu, foi parar com as perguntas. Ele conseguira, depois de muito esforço, rachar sua cabeça ao meio de tanto batê-la contra a porta do 8º Andar.

***

1 – Como esse é o primeiro conto peço um pouco de paciência. Prometo que vou melhorar com o tempo. Espero que gostem.

2 – Já tenho algumas histórias na cabeça para pelo menos 4 posts do Contos da Cripta, o que é bom, já que isso quer dizer 8 semanas sem me preocupar com o conteúdo dessa coluna. Se eu me empolgar, posso transformar isso em semanal, mas acho difícil.

3 – Olha, não sei vocês, mas eu piraria foda se isso acontecesse comigo.

Nunca, jamais, em hipotese alguma sente ao lado de uma pessoa quando ainda existem bancos completamente vazios. Isso não se faz e vai irritar a pessoa que divide o banco com você.

É praticamente uma invasão de privacidade ficar tão próximo a um desconhecido, ainda mais com o balanço do busão. Vai que algo acontece! Já na balada você DEVE tocar os outros, sentar próximo e deixar os corpos encostarem no balanço da música. Mas no ônibus é proibido, é sujo e feio.

Os bancos do meio sempre são ocupados antes. Talvez em caso de incêndio seja mais prático para virar espetinho, já que as saídas estão longe do seu lugar. Em seguida vem os bancos da frente e por fim os do fundão. A galera do fundão é a que sempre dorme, portanto é difícil escapar das pernas jogadas no caminho.

Aliás, para sentar no fundo existe uma regra. Primeiro as pontas, depois o meio. Lembram que não se deve sentar ao lado. Isso mantém uma distância mínima.

Se todos os bancos já estão ocupados, inclusive os da frente e do meio já foram divididos entre desconhecidos, então você vai para o fundo e se senta ao lado da mulher que está na ponta, sempre!

É uma medida de segurança. Sentar entre dois homens é complicado demais, você corre sérios riscos e pode sair do ônibus sem uma mão. A mulher transmite segurança e você ainda pode sair com o telefone dela, ou não.

Lembrem-se disso na próxima vez que entrarem no ônibus, ou comprem um carro. É mais prático para não precisar dividir seu espaço com ninguém.

Como você pode dizer que não me quer mais se não me deixa respirar. Tira meu fôlego, toma todo meu ar e tempo, não me deixa livre para conhecer outras pessoas, pois toda vez que começo a me afastar da tentação de te querer, você aparece como quem não quer nada e me enlouquece.

Você sabe que eu sempre fui louca por você, não venha com jogos de sedução porque não é necessário, já me tem em suas mãos. Aliás, belas e fortes mãos que me seguram pela cintura ao seu encontro e me fazem ter certeza do que irá acontecer.

Tira o meu sossego e minha roupa, mostra que eu ainda sou sua, inteiramente sua. A gente sabe o que vai acontecer, então pra que evitar que nossos corpos se encontrem quentes, implorando pelo toque dos dedos, coxas e línguas. Você sabe o que vem a seguir.

Sabe que eu te quero dentro de mim como se não houvesse amanhã, que quero sua boca percorrendo meu corpo e me fazendo arrepiar. Sabe que eu quero redescobrir cada ponto sensível do seu corpo, que te quero ofegante e dizendo que te faço sofrer.

Me faça acreditar que somos únicos e completos, que nosso encaixe é perfeito e cada movimento aumenta ainda mais nosso prazer. Mostre que você é quem conhece a maneira certa de me fazer chegar ao extase junto com o seu gozo.

Você sabe que a gente se completa, não venha me dizer que não me quer mais porque eu sei, mais do que ninguém, que a noite você rola na cama sentindo falta do meu abraço e dos meus beijos.

Eu não aceito mentiras para não me magoar. Eu sei que você não quer se prender e muito menos ter que justificar onde vai, mas custa contar a verdade? Se você já parou para dizer que não nos veremos por alguma razão, então por que não conta logo o motivo real?

Não me interessa se é por balada, bares ou festas, não importa se eu poderei morrer de ciúmes em pensar nas mulheres dando em cima de você, mas a partir do momento que eu percebo que aquela reunião com seu amigo é na verdade uma desculpa para cair na noite me faz desconfiar de você e das suas intenções quando sai com seus amigos para extravasar.

O que importa pra mim é que você já demonstrou se preocupar comigo e que mesmo querendo ser livre ainda toma cuidado para me manter ao seu lado. Só que a cada mentira que você fala, eu me afasto mais. Será que você não percebe isso?

Eu não quero te prender, também quero ter os meus momentos, mas pra isso eu preciso que você entenda que uma verdade, que pode até me chatear, dói menos que uma uma mentira pra me enrolar.

Um tempo atrás o Pedro fez um texto sobre o que é morar sozinho. Hoje é a minha vez de compartilhar o que eu aprendi morando sozinha.

Tem todo aquele papo da liberdade e blá blá blá, mas nem tudo são flores. Aliás, pausa para uma triste notícia…quando eu mudei ganhei um vaso de violetas, hoje eu só tenho o vaso. As violetas não resistiram ao longo período sem água e de brancas passaram para um marrom triste.

Enfim…

Algumas coisas você só descobre quando a merda já está feita e o tico e teco passam a imaginar COMO não acontecer novamente. Claro que você poderia simplesmente tomar umas notas com a mãe/pai/avós para conhecer truques e dicas bárbaras para evitar problemas e dinheiro rasgado, mas como novo independente você evita ao máximo ligar implorando ajuda.

Vamos deixar uma coisa bem clara! Não é porque a geladeira gela que ela conserva eternamente. Se você passa o dia em casa você terá tempo e fome suficiente para não deixar restos nos cantos da geladeira, mas caso você seja como a maioria que dorme sozinho (sim, você passa mais tempo trabalhando do que em casa, você só dorme…) então vai entender que muitas coisas que entram na geladeira saem para o lixo depois de um tempo.

Agora caneta e papel para a dica do SÉCULO: congelador!!
Podem acrescentar potinhos pequenos e aos montes. Titia Naya já explica…

Congelador, por uma razão óbvia, conserva por mais tempo os alimentos – isso não quer dizer esqueça para sempre a sua janta. Mas aí entra a parte do potinho.
Se cada vez que você for comer algo que está no congelador tiver que descongelar tudo e congelar de novo…uma hora, meu amigo, vai estragar. É, brincar de congelar e descongelar não é legal. Potinhos do tamanho da sua fome resolvem o problema.
Se você receber visitas é só descongelar mais potinhos!

E você pode congelar o clássico feijão, arroz, legumes já cozidos (esses são bárbaros. Cozinhe vários e mostre seu poder de economia – sai mais barato que comprar aquele saquinho miséria de legumes congelados). Basicamente tudo o que cozinhar você pode congelar! Assim você cozinha uma vez e tem pra um tempão.

Outra coisa legal é congelar queijo. Sim, queijo. Passe o queijo o ralo grosso, ou corte em pedaços menores e congele. Claro que se você pesquisar encontrará que não é aconselhável, maaaaaas funciona. Você deixa um potinho na geladeira e conforme for acabando vai juntando mais queijo congelado…ele descongela dentro da geladeira e devagar, assim não fica seco.

Portanto, meu querido amigo, se você pretende morar sozinho eu só digo uma coisa. Invista em uma geladeira decente e com um congelador grande, pois ele será bastante utilizado!

Saindo da geladeira, mas continuando na cozinha. Amigos, a louça não aprendeu ainda como se lavar. E não adianta brigar, ela continuará parada e suja. Claro que você pode ser mais inteligente e não deixar a louça acumulando, mas caso isso aconteça, eu sei que é nojento, mas passar uma água naquele prato com molho de tomate ou caldo do feijão ajuda na hora de lavar. Se você deixar secando vai virar uma crosta absurdamente irritante de tirar.

Já para as panelas a regra é clara. Sempre, sempre, sempre deixe de molho. Ainda mais se a panela ainda estiver quente…isso facilita uma vida inteira na hora de lavar. Sério! A cena é grotesca, mas ajuda. E uma coisa muito importante. Panela de teflon RISCA e perde aquele molejo e suavidade se você cozinhar com aço ou esfregar a parte verdinha da esponja no fundo dela. Muita hora nessa calma.

Se a comida grudou, limpe bonitinho o que der, coloque água e volte a panela para o fogo até ferver. Isso ajuda a soltar.

Nossa, Naya, você não sabia disso? Só que isso parece tão simples na casa da mãe, né? Você faz brigadeiro, ele queima, você larga na pia e a panela aparece LIMPA! Incrível.

Mamães mimam mesmo quando não querem, porque a casa também é delas e elas não suportam aquela zona na casa. Mas você sozinho, meu amigo…não existe a fada da limpeza ainda e muito menos a comida dura eternamente na sua geladeira só porque você é bonito!


  1. Anotem os alimentos não apropriados para congelamento.
    • Maionese
    • Saladas cruas
    • Gelatinas
    • Claras em neve ou cozidas
    • Batatas cozidas
    • Manjares
    • Ovos cozidos
    • Pudins cremosos
    • Creme de Leite
    • Curau
  2. Apesar da piada, esse post tem função de utlidade pública! Um dia você pode precisar.
  3. Existem empregadas, mas coitada dela, hein? Lava um copinho, bonito!