A Copa de Jesus

Estava com saudade de um post polêmico? Pois aqui vai um. E dos grandes, já que mistura dois fanatismos, ou dois Assuntos Que Nunca Devem Ser Discutidos em Uma Mesa de Bar: Futebol e Religião. O Terceiro Assunto Que Nunca Deve Ser Discutido em Uma Mesa de Bar – política -, graças ao Deus do Futebol (sem trocadilhos) não entra nesse texto. Sei que já falamos um bocado sobre religião aqui, e até que as reações não foram tão ruins. De qualquer modo o assunto abordado é um pouco mais específico, e envolve a Copa do Mundo.
Copa das Confederações, final, dia 28 de Junho de 2009, estávamos lá, assistindo apreensivos, 2 a 0 para os EUA que haviam eliminado a temida Espanha. Muitos falaram “bem feito”, que a seleção tinha que perder o título para não dar argumentos para o borra botas que comanda a amarelinha (não a de pular, a do futebol). Outros falavam que no tempo deles a seleção não perderia Copa das Confederações para os EUA e que o futebol deles era jogado com a mão e a bola era um ovo. Os mais novos retrucaram dizendo que no tempo deles nem Copa das Confederações tinha e eles deviam parar de reclamar e trazer logo a cerveja.
No meio dessa confusão toda, o Brasil virou e foi campeão. Enquanto isso o futebol chorava ao lado da bandeirinha do corner e o português (a língua, não o Manoel) chorava em casa. O futebol porque ele já estava chorando desde o início do jogo, ele – o futebol – nunca foi tão… tão.. tão Júlio Batista. O português porque o Dunga ia realmente continuar dando entrevistas. [PAUSA]Quem foi que disse que todo gaúcho fala o português perfeitamente?[Continua].
Depois de tudo isso, quem chorou fui eu. Não foi a Seleção Brasileira que ganhou a Copa das Confederações, foi a Vigésima Terceira Seleção Pentecostal do Reino do Nosso Senhor Jesus Cristo 100%. Todos os jogadores da seleção símbolo do futebol, a de 70, dizem que eles queriam e ganharam para o povo brasileiro, nem sabiam o que era ditadura, eles queriam era jogar bola e beber cerveja com o povo. Essa seleção ganhou o título para Jesus, e dedicou para Ele. Afinal de contas, Deus é brasileiro, Jesus é carioca, ama você e aquela baboseira toda.
Muitos jogadores tiraram suas camisas, mas não como em 70 que quase despiram o coitado do Tostão que teve que agarrar a cueca. Eles tiraram a camisa para mostrar 100% Jesus, Jesus te ama e todas aquelas baboseiras de novo. A Seleção perdeu seu brilho, seu carisma, seu talento e perdeu a alma do brasileiro, que é o humor. Lembro que fiquei torcendo para aparecer uma camisa do AC/DC escrito “O Diabo é o Pai do Rock”. Nem isso.
A imprensa européia até comentou isso, fizeram uma crítica bem irônica sobre o episódio. Gente, não é preconceito, não é isso. Que o cara ame Jesus, Maria e José. Mas vamos parar com isso, é vergonha alheia demais. O Brasil já não é bem visto, o Brasil já tem um monte de problemas, já somos aquele colega malandro que tira vantagem de todo jeito. Malandro que tira vantagem de todo jeito falando “Glória a Deus” toda vez que tirar vantagem vai ser foda. Não vão mais nos convidar para as festinhas da sala.
O início desse levante, foi no penta. Mas o Cafú resolveu acabar com tudo isso e mostrou, talvez pela última vez a Seleção Brasileira.
Em 2002 o Cafú fez uma das levantadas de taça mais lindas de toda a história do futebol, eu não vi ao vivo, estava chorando e bebendo loucamente feliz. Estava lá um púlpito que servia de pedestal para a Taça. Joseph Blatter foi entregar para o Cafú que pediu para ele esperar, perguntou para ele “Será que agüenta?”, o Blatter coitado, sorriu como se dissesse “Vai lá meu filho”. Tudo era festa. Ricardo Teixeira segurou o púlpito e falou pro capitão do penta subir.
Quem subiu não foi o Cafú jogador, campeão. Quem subiu foi aquele moleque do Jardim Irene que batia bola no campinho, aquele que sonhou a vida toda com aquele momento. Ele subiu, rindo, pegou a taça e gritou para o mundo ouvir “REGINA EU TE AMO”. Choro até hoje.
Agora imagine a Vigésima Terceira Seleção Pentecostal do Reino do Nosso Senhor Jesus Cristo 100%, ganhando a Copa do Mundo.
Deixarei você com essa imagem na cabeça.
***
1 – Momento Panos Quentes: Espero, realmente que você seja esclarecido o suficiente para entender o que eu quis dizer no texto.
2 – Se não entendeu e vier com mimimi nos comentários… eu só lamento.
3 – Se tem uma mulher que não pode reclamar do marido, é a Regina. Recebeu a maior declaração de amor do mundo. Literalmente.



Bah… acho religião ridículo e fanatismo por futebol mais ainda. Quer dizer, se não for exagerado, de boa. Mostrar pro mundo inteiro que você só ganhou a Copa das Confederações porque ama Jesus é BEM exagerado.
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emerson Reply:
July 7th, 2010 at 4:47 am
pra vc eles estão certo jesus e tudo jesus morreu na cruz por mim e por vc tudo de bom que fazemos e pra ele jesus
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http://www.culturabrasil.pro.br/artigo5.htm
ta na lei meu camarada… é direito…
Não adianta chorar, espernear, gritar ou ficar puto. Enquanto você sente vergonha 89% do resto da população chora de emoção. Você é a minoria.
e eu acho que o conceito de “brazil” já mudou bastante.
Eu prefiro ser conceituado como um cristão do que um ladrão, o malandro e blá blá blá.
ah… eu nunca vi nenhum jogador que gosta de rock… só pagode!
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A mania que “todos” têm de falar que deus foi o responsável por sua conquista :T
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realmente é um pé no saco ver esse fanatismo nos jogos. Só isso mesmo pra me desanimar de ver a Copa.
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Por isso que eu torço pra Espanha…
LA FURIA ROJA!
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Pedro, essa parte do seu texto, eu quase chorei:
“Quem subiu não foi o Cafú jogador, campeão. Quem subiu foi aquele moleque do Jardim Irene que batia bola no campinho, aquele que sonhou a vida toda com aquele momento. Ele subiu, rindo, pegou a taça e gritou para o mundo ouvir “REGINA EU TE AMO”. Choro até hoje”.
O pessoal cristão tem uma mania de atribuir tudo a Deus. Esses dias eu estava vendo aquele programa TV Verdade da Alterosa, e o tema era “Eu fui curado pela fé”. Chamaram uma mulher lá que teve cancer (tipo uma leucemia) e foi curada, de acordo com ela, pela fé. Aí perguntaram se ela não fez tratamento. Ela: “Fiz, fui pra São Paulo no Hospital (esqueci o nome, era um fodão) e fiquei internada sob supervisão de uma equipe médicos oncológicos, tomei um tanto de remédio, fiz um tanto de tratamento, e fiz um auto-transplante de medula”. Aí eu me pergunto: onde a fé entrou nessa história? Hahahah. Detalhe, ela agradeceu Deus e Jesus (que são supostamente a mesma pessoa) um zilhão de vezes durante o programa, mas não deu nem um obrigadinho para os médicos que trataram delal.
Mas tá certo, afinal de contas, quem tratou e curou ela foi Jesus, e não 400 anos de evolução científica e 10 anos de estudos de oncologia nas costas de cada médico.
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Ri alto com esse texto, acho que sim, que devemos odiar um pouco o Cafú por passar essa imagem de Brasil bonzinho e cristão ^^
mas eu prefiro comemorar o titulo da maneira antiga, na mesma de um bar e exaltando que somos os melhores no futebol e chorem argentinos, novamente não foi dessa vez
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