
Para quem perdeu, seguem os capítulos 1, 2 e 3.
***
- Tava com saudade de você.
- …
-…
- É… eu.. eu também.
Como disse bem o Leoni, Pedro era só um garoto. Daquele que não resiste aos mistérios de uma mulher. E Pedro na verdade nunca resistiu aos mistérios daquela garota que sempre povoou seus sonhos mais íntimos. Aquela conversa por telefone acendeu todo aquele sentimento que começava a adormecer. Talvez se Pedro soubesse no resultado daquele telefonema, ele nunca o teria atendido, ou no mínimo desligaria logo que soube quem era. Pra dizer a verdade, nem aquele Pedro e nem esse aqui teriam feito o contrário.
Pouco a pouco a amizade foi refeita e novamente eles eram como unha e carne. Madrugadas, fins de semana, não ficavam muito tempo sem se falar. Não preciso nem contar que logo os sonhos de nosso garoto foram povoados por novos sonhos, novas vontades e é claro, novas esperanças. Porém dessa vez seria diferente.
Buscando conselhos dos mais sábios ignorantes da vida amorosa, Pedro viu que realmente o melhor era ficar na dele, esperar o tempo certo e que o tempo ditaria as regras. Ou seja, ele ligou o foda-se. Apesar de tudo ainda sentia por Bárbara, ele não deixaria que isso comandasse suas ações. Essa foi a primeira grande mudança de personalidade desse garoto. Foi ali, talvez, que Pedro tenha aprendido a ser tão fechado com seus sentimentos. É o princípio de todo animal que é exposto à dor. Aprendemos a não nos deixar tão expostos a ela. Falhamos, é claro, na maioria das vezes e cometemos os mesmos erros. O único alento é que como já passamos por isso algumas vezes, nos recuperamos mais rápido.
Pedro só não sabia que esconder seus sentimentos o faria perder outra garota que ele fora tão apaixonado ou mais, anos mais tarde. Mas essa garota não entra nessa história.
Aquela metade final do ano de 2003 fora fantástica em quase todos os sentidos. Como eu disse, Pedro era só um garoto. Cursava o segundo ano do colegial e não tinha preocupação com nada demais. Vivia a vida como a maioria dos jovens da sua idade de cidades do interior, é certo que já tinha suas responsabilidades, com a loja dos pais, as festas que na época eram o júbilo de seu dia-a-dia. Enquanto o irmão produzia as festas, Pedro e seus amigos eram como generais que encabeçavam e lotavam os mais famosos eventos da cidade. Era conhecido, tinha uma ótima turma e estava apaixonado de novo. Foi uma época feliz.
Mas (sempre tem um mas), com a chegada do fim do ano, várias coisas aconteceram ao mesmo tempo e a derradeira parte desta história chegaria a um “final” com cheiro de derrota para nosso guerreiro. Pedro foi mal em 4 matérias e tomara a malfadada recuperação final no Colégio CESP. Física, Química, Literatura e Geometria. Por causa disso, ele teria mais uma semana no colégio por causa das provas. O pai de Pedro não ficara nada feliz com o acontecido, nem tanto pelas notas, mas sim pelo absurdo valor de 200 reais a serem pagos pelas provas.
Nosso desventurado amigo só não sabia o quanto iria lhe custar essas recuperações.
Eis que um dia, uma semana e meia antes das provas, Pedro com o celular do irmão, recebe uma ligação de Bárbara. Nessa época ele atendia o aparelhinho que desejava tanto possuir. Mais uma das já famosas ligações da garota. O papo que foi estendido à rua, culminou na seguinte frase:
- Pedro, olha… eu sei de tudo que aconteceu, eu fiz uma idiotice com você, e queria tentar de novo. Quer ficar comigo?
Choque. Ele poderia esperar por tudo, menos aquilo. Afinal, os sábios ignorantes do amor estavam certos.
- Bárbara… é tudo que eu mais quero – foi a resposta de nosso destinado amigo.
Ainda conversaram por um tempo, trocaram carinhos verbais e uma promessa. Aquele dia era um dia de pura felicidade. Ou não. Pedro teria uma só oportunidade de ver sua amada, no próximo fim de semana. Ela iria viajar para a cidade em que os pais moravam, a Cidade do Biscoito, Aimorés. O problema, caro leitor, você pode desvendar sozinho, mas eu vou ajudar. Pedro não tinha nem dinheiro muito menos prestígio com o pai para viajar a Belo Horizonte. Além disso, soma-se o fato em que pai e mãe prometeram confinar o filho no fim de semana para que esse estudasse para as provas.
Como você pode imaginar, logicamente ele falhou em todas as tentativas de ir a Belo Horizonte, resolver de uma vez por todas aquele delicioso problema. Ele então ligou para ela e deu a notícia de que não poderiam se encontrar, mas que no fim das férias, ele pegaria um ônibus e iria de qualquer jeito a BH.
O fim do ano foi como tinha que ser, Pedro passou em todas as provas – não sem antes prometer terminar o terceiro ano sem tomar uma recuperação sequer -, trabalhou como um louco na loja da mãe, trabalhou na melhor festa que já tinham feito e mantinha contato sempre que podia com sua querida Bárbara.
Pedro confiou a poucos amigos o que ocorrera, e o que estava acontecendo entre os dois. Acontece em que em uma festa de despedida dos amigos que completaram o terceiro ano em 2003, ele bêbado acabou falando demais e várias pessoas escutaram a sua história com sua garota. Pelo que ficou sabendo tempos depois, aquele talvez tenha sido um grande erro.
Perto do réveillon, vendo seus e-mails no UOL, Pedro vê uma mensagem de Bárbara. Feliz abriu logo para ver o conteúdo e ali perdeu seu chão. Para resumir, Bárbara colocou um fim em tudo, com palavras um tanto severas. Sem entender absolutamente nada, nosso azarado amigo, tentou de todas as formas conversar com ela, mas falhou. Cheio de ódio, rancor, mágoa e porque não, amor. Pedro escreveu outro e-mail em resposta e colocou de vez fim àquela tão dolorosa amizade. Terminou com um “eu te amo”, eu acho que foi errado, ele também. Mas ambos, hoje e na época, estávamos pouco nos fodendo. Nada poderia piorar.
É claro que poderia.
No e-mail, Pedro levara toda a culpa por ter jogado fora tudo que poderia ter resultado daquele relacionamento. Ele concordara e não se perdoava por isso. Até que uma noite, Pedro e Bárbara conversaram mais uma vez no mIRC. Em inglês, conversaram até altas horas, e Bárbara por fim disse mais uma vez que tudo fora um grande erro, e que ela não conseguiria suportar o que tinha feito. Ela disse que Pedro devia parar de se sentir culpado. Ela declarou que fora egoísta e que sem motivo aparente, colocara a culpa toda nele. Ela, sentindo ainda uma culpa maior pediu desculpas, Pedro disse:
- Espera aí, você primeiro recusa tudo o que eu sentia por você, depois pede para ficar comigo, ficamos, um dia depois você me chuta como um qualquer sem se importar. Depois disso, diz que sente saudades e pede para ficar comigo de novo. Me faz sentir tudo o que sentia ainda mais intensamente, depois me dispensa de novo, colocando a culpa toda em mim e ainda quer que eu te perdoe?
Sim, era isso. Acredito que ambos realmente choraram naquele dia. Foi o que disseram. Pedro, apesar de tudo, apesar da mágoa que sentia, perdoou. De tudo que tinha feito até então, esse momento, o último, foi o que Pedro teve a certeza de que aquela não era uma paixonite adolescente, muito menos um sentimento menor. Era amor. Pedro enfim provara de todas as agruras desse sentimento que tanto instiga os seres humanos.
O gosto, bem, você sabe tanto quanto eu, tanto quanto o Pedro daquela época, que o sabor é doce e amargo. Impossível de esquecer. Principalmente quando o experimenta pela primeira vez.
O Pedro daquela época, cresceu, amadureceu, e se tornou este aqui que vos escreve. Amei de novo – acredito nisso -, sofri de novo, vivi, aprendi. Mas nunca deixei de ser aquele garoto que ama amar, que gosta do frio na barriga ao conversar com a pessoa que gosta, aquele jogo que envolve as relações entre um homem e uma mulher. Apesar de ter mudado tanto, em algum lugar aqui ainda existe um garoto que sonha e que acreditará sempre no amor.
***
UFA!
Finalmente querido leitor, cheguei ao fim da história. Essa história fala muito do que eu fui e do que eu sou hoje. A minha sina em ser azarento e tudo mais. Porque afinal, você acha que eu escolhi para mim a alcunha de Turambar? Não foi a toa, Túrin foi de fato um personagem incrível, mas eu escolhi Turambar – que significa em élfico “Senhor do Destino” – pela ironia do que se segue ao nome.
Túrin Turambar a Turun Ambartanem – Túrin, Senhor do Destino e pelo Destino, Destinado. Sou sim senhor do meu destino, mas estou sempre ligado às desventuras que ele me traz. Não é uma coisa que eu consiga controlar. Aprendi muito com isso. Aprendi a esperar, aprendi a não ficar me culpando pelo meu “azar” que você que lê este blog tanto conhece.
Foi ótimo e horrível ao mesmo tempo voltar a essa história. Me vi adolescente de novo, senti várias coisas que sentia na época, o medo, a felicidade, a tranqüilidade e os sonhos. Não sei por que, mas desde o início achei bacana dividir isso com vocês. Como eu disse lá em cima, essa história está diretamente ligada a outra Desventura Amorosa que tive.
Mas não vou prometer contá-la aqui. Se alguém que lê o blog me encontrar, posso contar pessoalmente.
Resta falar que feliz ou infelizmente esse é o capítulo final dessa história, mas que talvez ainda possa ter mais um capítulo. Acredito realmente que não voltarei a tocar nesse assunto aqui. Nos últimos tempos, até por causa dessa história, vários sentimentos até então esquecidos voltaram, mas acho que tudo aconteceu só para me provar que essa história teve sim um fim, e foi naquele dezembro de 2003.
Um abraço e obrigado por agüentar toda essa lamúria adolescente.



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http://migre.me/dNmi Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Último Capítulo
http://migre.me/dNmi Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Último Capítulo
Parabens pela coragem e paciencia de escrever uma coisa assim pra todo mundo ver Pedro =]
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Pedro Turambar Reply:
December 12th, 2009 at 12:17 am
@Cassio Godinho, Obrigado cara. É por você e pelos outros leitores que eu resolvi terminar de verdade isso.
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Pow Pedro, finalmente você terminou a história. E é uma pena que ela terminou um pouco ruim. Mas tudo na vida segue, tudo continua. E, um dia, eu gostaria muito de ouvir tua outra história, porém, moro, acredito eu, muito longe de ti, então não poderei ouvir pessoalmente, então fica o pedido pra um futuro post. Adoro teus textos, cara.
Abraço
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Pedro Turambar Reply:
December 12th, 2009 at 12:21 am
@Luis Jhonne, um pouco? ahahahahahahah
Nem eu, nem o Pedro da época achamos pouco. ahahahhaha, mas falando sério… acabou como tinha que acabar, e tudo isso aconteceu mesmo, quase que exatamente da mesma maneira. Engraçado como lembramos de tantos detalhes quando a história realmente marcou.
Sobre contar a outra história aqui no blog, acho muito difícil. Ela ainda é um pouco recente e me deixaria um tanto.. sei lá. Acho que ainda não é a hora, um dia, quem sabe.
De qualquer modo cara, agradeço muitíssimo por ter acompanhado a história e por gostar das maluquices que eu escrevo.
Abraço.
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Luis Jhonne Reply:
December 14th, 2009 at 9:17 am
@Pedro Turambar, Eu gosto muito dos teus textos.
Hum… então deixa a história pra outra hora, talvez um tempinho depois.
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Pedro, bem que você poderia colocar as suas outras desventuras para eu poder me identificar do mesmo modo que me qconteceu com esta que acabou.
Tu escreve muito bem, cara.
Abraço
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Pedro Turambar Reply:
December 12th, 2009 at 12:23 am
@Higor, Ehehehehe esse blog é recheado das minhas Desventuras. Mas apenas essa é amorosa. Veja a seção D(z)ica do Dia. Vai morrer de rir.
Obrigado velho.
abraço.
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Ain *-*
[/Meus olhos se encheram de lágrimas]
=/
finalmente você terminou a história. E é uma pena que ela terminou um pouco ruim. Mas tudo na vida segue, tudo continua. E, um dia, eu gostaria muito de ouvir tua outra história, porém, moro, infelizmente, muito longe de ti, então não poderei ouvir pessoalmente, então fica o pedido pra um futuro post. Adoro teus textos. 2
[/Obrigada por ter compartilhado essa história.
(E o teu livro quando sai Pedro?)
Beijos.
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Pedro Turambar Reply:
December 12th, 2009 at 12:30 am
@PriiH, saudades de você ^.^
pois é, finalmente. Um finalmente demorado, digamos né… ahahahah..
não te vejo mais no msn. vê se aparece. =**
Prometo que quando terminar a faculdade eu volto a escrever, ou começo uma nova história e escrevo o tal livro. Pelo menos é o que eu estou planejando.
beeeijos.
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PriiH Reply:
December 12th, 2009 at 6:19 pm
@Pedro Turambar,
Também to com saudades de ti *-*
aspokaosksapoksapoksa
Mas que bom que saiu! =D
Pois é…
Tem um tempão que não entro msm. E quando eu entro na net é mais pra olhar alguns blogs e raramente orkut. =/
Mas tentarei entrar!
E tomara que dê certo!
Saudades.
Beijos.
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hahaha, muito bom pedrao… e acho que nao víamos a hora do próximo capítulo!
Achei bem doido, principalmente o ultimo parágrafo.. me identifiquei!
Saudadocê cara, vamo combina de toma uma!
Grande abraco!
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Pedro Turambar Reply:
December 12th, 2009 at 12:25 am
@Kavalinhu, ahahhahaha, finalmente! você não vai mais me encher o saco por causa dessa história.
Que bom que gostou. Também com saudades cara, vamos combinar sim… vou pra monlevade dia 23. =D
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muito lindaa sua históriaa Pedroo!
eu tenho 16 anos tbm e sei como é duura essa história dos sentimentos [=/
adoooroo o bloog!
Parabéns por sua ‘coragem’ d mostrar seus sentimentos, mtos naao a teriam… e parabéns tbm por essa sua capacidade d contar histórias, faz a gente se envolver e agarra agente até o finaal!
se vc escrever um livro EU leio!!
obrigada por compartilhar sua história c a gente!
Bjooo =*
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Pedro Turambar Reply:
December 12th, 2009 at 12:28 am
@Nathália A, pois é querida, exatamente os 16. ahahahaha eu tinha essa idade quando tudo aconteceu.
Realmente, tem muita gente que tem medo de dizer tanto sobre si em blogs como o meu que não é totalmente pessoal. Até mesmo alguns amigos chegaram a dizer algumas coisas contra, mas mesmo assim, eu precisava escrever essa história, mas ela acabou ficando interessante demais para ficar guardada com meus outros textos escondidos.
Aahahahhaha, pode ter certeza, que se um dia eu escrever um, te dou uma cópia com autógrafo e tudo mais.
Eu que agradeço por terem a paciência de ler.
beijão.
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Noh Sr. Turambar, que foda cara, tava esperando esse final, ficou massa todas as 4 partes do texto, parabéns!
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apesar de jah conhecer essa historia
eu diria q foi muito interessante le-la por uma outra pessoa
um novo pedro
=]
fico feliz em saber q superou td
[]’s meu irmao
saudades de vc
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Xu =*
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dái dá pra tirar uma grande lição: NUNCA se apaixone.
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Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Último Capítulo (via @pedroturambar) http://tinyurl.com/yb7ktcq