Desventuras Amorosas de Um cara Legal – Ep. 3

Escrito por Pedro Turambar


Uma pequena explicação antes de continuar com as desventuras amorosas de Pedro (episódio 1 e episódio 2). Eu tinha começado a postar essa história com a intenção de terminá-la logo, mas como aqui as coisas nunca saem como planejado, não deu. Em parte por eu ter encontrado muitas dificuldades para continuar, já que esse episódio é o clímax infernal de toda história. Em parte por causa dos leitores que não agüentariam uns 4 ou 5 posts dessa história seguidos… nem eu agüentaria.

De qualquer forma, quase abandonei a idéia de escrever tudo, mas estou aqui para o que eu acredito seja o penúltimo episódio, isso se deve aos leitores que me mandaram e-mails e mensagens no blog pedindo para eu terminar a história.

Então, para vocês meus caros, o episódio 3 das desventuras amorosas de um cara legal.

palhaço

Eu havia dito que aquela noite foi uma das – se não a melhor – melhores noites da vida de nosso querido (des)aventureiro. O outro dia nasceu como um dia mágico. Ele acordou como sempre sonhou em acordar um dia: coração batendo forte após o encontro com a donzela amada e se preparando para um show de rock em um dia que prometia muita alegria!

Era dia de Pop Rock Brasil em Belo Horizonte. Para um cara de 16 anos, aquilo era praticamente um Rock in Rio – bem mais pobre – da sua época. Então foi ele, junto com seu irmão, Mateus. Infelizmente a donzela não poderia acompanhá-lo, mesmo assim ele foi, com um sorriso no rosto pelas histórias que viriam e pela noite que havia passado.

No início foi tudo bem, tudo correu como esperado. Nosso herói, que só tinha pensamentos para sua garota nem pensou em se jogar nos braços de outra, o que em shows do tipo era muito fácil. Já seu irmão queria a esbórnia. Esse irmão de Pedro em particular não se dá muito bem com álcool, o que seria uma lástima para o final da noite que prometia com o show mais esperado. Pedro encontrou amigos, fez novos, quase brigou, se divertiu como nunca. Ou seja, um legítimo show de rock, como era o Pop Rock antigamente.

Mas, o universo estava conspirando… o problema é que conspirava contra nosso amigo. As coisas começaram a desandar, o irmão sumiu por horas, voltou bêbado, sem a carteira e querendo ir embora. Pedro disse que não arredaria o pé enquanto não visse o Angra. Houve briga, e feia. No dia que prometia as maiores alegrias para nosso amigo, cair na porrada literalmente com o próprio irmão não estava nos planos. Ali Pedro desconfiou que alguma coisa estava errada. Mal sabia ele o quão errada estavam as coisas.

Foram embora antes do show acabar. Pedro foi convencido a ir, pois estavam a quilômetros de casa, e ele não conhecia nada da cidade. Já o irmão morava lá há um bom tempo, não poderia ir sem ele. De qualquer forma, Pedro temia mais as besteiras que o irmão idiota poderia cometer no caminho. O ódio foi intenso quando o irmão que perdera a carteira, também descobrira que bebera quase todo o dinheiro que tinham, sobravam-lhe 11 reais para o táxi que cobraria o dobro para largá-los em casa. Foram uma boa parte do caminho a pé, o irmão falando sobre qualquer coisa e Pedro, para não descer-lhe o cacete, apenas pensava na sua garota.

Pedro dormiu com um misto de sentimentos, raiva do irmão que lhe privara de The Number of The Beast tocada pelo Angra, e a felicidade inerente àquele fim de semana. Domingo era Dia dos Pais, seus pais estavam indo para BH para almoçarem em família, junto com seus Tios. Pensando no pouco tempo que teria para se despedir de Bárbara (Pedro iria embora no mesmo domingo para Monlevade) ele resolveu que mandaria uma mensagem logo cedo combinando alguma coisa. Dormiu feliz e tranqüilo no fim das contas, teria logo um novo encontro com a garota dos seus sonhos.
Pedro acordou e mandou a mensagem. Não obteve resposta. “Tudo bem, dia dos pais, mais tarde ela responde” pensou ele. Encontrou os pais, deu um abraço forte no homem que mais admira no mundo, o seu pai. Foi um ótimo dia. Almoçaram com os primos e tios, mas enquanto o dia ia acabando – o Atlético ia perdendo – Pedro começou a se preocupar com a não resposta de Bárbara. Voltaram então para casa dos irmãos e enquanto Pedro arrumava suas coisas para voltar a sua vida normal, mandou outra mensagem, dizendo que iria embora e queria se despedir dela.

Eis que ele recebe uma mensagem dizendo mais ou menos assim: “Estou na casa de uma amiga, não vou poder te encontrar”. Foi o primeiro soco no estômago do dia. Na mesma hora ele soube que algo estava muitíssimo errado. Primeiro: difícil ela estar na casa de uma amiga em pleno domingo dia dos pais. Segundo: a frieza da mensagem.

Foram embora. No caminho Pedro amargurado e angustiado disse que estava “daquele jeito” por causa das peripécias do irmão na noite passada. Mas o humor dele nada tinha a ver com isso. Chegando em Monlevade, a primeira coisa a se fazer foi jogar as malas para um lado e correr para o computador e para o mIRC. Ao conectar, logo achou o que procurava. O nick dela. Abriu a janela, mas por algum motivo não conseguiu escrever nada. O momento de hesitação foi o tempo para que ela dissesse, “Pedro, a gente não tá namorando.”

O que diabos significava aquilo, ele não fez idéia, apenas disse:

- Uai, claro que não. Pq?

- Pq eu sou mto nova para namorar.

- Mas ninguém falou em namoro. Não to entendendo.

- Olha, eu pensei muito ontem e hoje e acho que devíamos continuar só amigos.

Segundo soco no estômago, esse mais forte. Nesse momento, ele só sentiu raiva, por não entender o que havia acontecido para tão repentina mudança, o que haveria acontecido para do cara fantástico que havia levado ela em casa para o idiota “amigo”. Os outros sentimentos viriam depois.

Ele apenas se limitou a dizer.

- Tudo bem então.

Dali em diante não conversaram por muito tempo. Não havia a menor possibilidade de ter amizade ali. Por ambas partes. Uma por seus motivos até hoje não revelados, outra por não entender como alguém poderia ser tão má, por brincar com ele dessa maneira. Ele se sentiu muito mal, se sentiu um mero qualquer, um cachorrinho que quando o dono está de bom humor chama para brincar e quando não está nem aí bate a porta na cara.

Posso resumir aqueles meses em duas palavras: Foi foda. É clichê, aliás, a história toda é um grande clichê adolescente, apesar de eles mesmos acharem que aquilo só acontece com eles. De qualquer forma, Pedro não havia perdido somente a garota que ele de certo amava, mas havia perdido uma amiga, uma companheira, uma parceira. Havia perdido tardes de sábado e domingo conversando e rindo sobre qualquer coisa conversando com a pessoa que ele mais adorava conversar. Mesmo assim, não havia raiva. Havia mágoa. E havia aquele sentimento estranho que Pedro, apesar de tentar – e muito – explicar, não conseguia. Um sentimento de não saber o que havia feito de errado. Pois era certo que de alguma forma ele havia feito merda durante o processo.

Como todo adolescente ele tinha a certeza de que nunca acharia uma garota como aquela, como todo adolescente ele tinha a certeza de que nunca iria superar aquilo. Mas como todo adolescente, depois de um tempo já havia desencanado e estava tocando a bola pra frente. Feliz e despreocupado.

Mas como isso aqui é uma Desventura, e como não podia deixar de ser, essa história tem um “até que…”. Então.

Até que um dia, enquanto Pedro – esquecido como é – fora tomar banho e esquecera a toalha. Já nu, foi até o varal, se enrolou na toalha e foi em direção ao banho precedente do sono tranqüilo até às 7. Assim que ele passou pelo telefone que ficava numa mesinha da sala (incrível como eles insistem em ficar ali, não é?), o danado tocou. Pedro, que odiava – ainda odeia – telefones (principalmente aqueles em que você não quer atender) resolveu atender. Dez da noite, não poderia ser para ele, e muito menos demorado. No certo alguma Tia querendo pegar sua mãe ainda acordada para bater um papinho rápido.

Não era uma tia, não era para sua mãe. Era a última pessoa que Pedro esperava. E o que ele menos esperava era a frase que o fez sentar na cadeira:

- Alôôô

- Alô Pedro, sabe quem tá falando?

Sim ele sabia. Sabia tanto que sua reação foi dizer com a voz mais impassível do mundo, não imaginando nem de longe o que viria a seguir.

- Sei.

-Tava com saudade de você.

***

Pelo ponto em que estamos, esse foi realmente o penúltimo episódio. O quarto e derradeiro não tem data para sair, mas se esse saiu, ele não vai demorar.

Sobre esse episódio, apenas gostaria de levantar alguns pontos. Talvez você que lê esse blog, ou gosta e quer ver o fim dessa história pode nesse momento ter raiva ou querer de alguma forma apontar Bárbara como isso ou aquilo. Só lembre que eu tinha 16 anos e ela 15. E essa é apenas mais uma desventura amorosa adolescente.

De nenhuma forma, meu objetivo de escrever essa história é colocar ninguém como vilão ou mocinho, muito menos querer resolver uma história postando no blog e abrindo uma coisa tão pessoal. Bárbara é uma das leitoras do blog, ela não só sabe que estou contando a história como me incentivou a terminá-la.

É como eu disse antes, é uma boa história. E contar história é a coisa que eu mais gosto de fazer na vida.

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19 Comentários

  1. Kavalinhu Comentou:

    Ah, entao o senhor virou um contador de histórias! hahaha.
    Continuo querendo saber o fim dessa joça! =D

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Kavalinhu, porra velho.. eu já te contei essa história seu puto.

    você sabe como acaba.

    [Responder]

    Comentado em 27/10/2009 as 9:39 am

  2. Cássio Godinho Comentou:

    Pedro Gump o contador de anedotas.
    =p

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Cássio Godinho, auhhuahuauhahu quem me dera.

    [Responder]

    Comentado em 27/10/2009 as 1:21 pm

  3. Tweets that mention Desventuras Amorosas de Um cara Legal – Ep. 3 | O Crepúsculo -- Topsy.com Comentou:

    [...] This post was mentioned on Twitter by Diego Cabral Camara and Pedro Américo, Pedro Américo. Pedro Américo said: http://migre.me/a0As enfim, Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Parte 3 [...]

    Comentado em 27/10/2009 as 2:21 pm

  4. Dias Comentou:

    vamos ficar no aguarde aki entao meu irmao

    mas eu te diria… vc disse q leitores n tem paciencia pra parte 4, 5 … e tals
    mas essa historia tah interessante e com ctz o pessoal abriria uma exceção pra ela
    isso é… se vc tiver paciencia de escrever td
    =]

    []’s

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Dias, pois é cara… tenho recebido ótimos comentários e muita gente pedindo (insistentemente) para eu terminar essa história.

    bom, é cansativo de todas as maneiras escrever isso. e essa parte me esgotou cara…
    talvez no fim de semana eu acabe com isso..

    =D

    [Responder]

    Comentado em 27/10/2009 as 4:42 pm

  5. Ruan Comentou:

    Comigo aconteceu coisa semelhante, mas a menina me chutou sem nem a gente ficar :/

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Ruan, cara… não posso falar, mas se tivesse acontecido dessa forma comigo, acredito que teria sido melhor.

    Evitaria muita coisa que veio depois…

    [Responder]

    Comentado em 27/10/2009 as 4:48 pm

  6. Bernardo Comentou:

    Totalmente clichê, ainda que um dos mais legais que eu já li. =P
    Muito bom, espero que o último não demore tanto, mas eu já visito esta bagaça a um tempo pra saber que vai demorar um pouco, mas se for tão bom quanto esse ep. pode sair até ano que vem que eu vou ler do mesmo jeito :D

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Bernardo, pô cara.. brigado. mesmo!

    Muita gente enxeu o saco quando postei o primeiro capítulo, mas depois o pessoal começou a entender a parada. Fico feliz demais por ter uma galera gostando! ;)

    HAhahahahahahahah, ouvir isso é bom e ruim. Quer dizer que tenho bons leitores fiéis, mas também comprova que eles sabem o quanto eu não cumpro as promessas que faço aqui.

    Na verdade (defesa própria) eu cumpro, só demoro muito mais para cumprir.

    =D

    (mais defesa própria)
    Postei 2 vezes em dois dias… viu? ahahahah

    [Responder]

    Bernardo Reply:

    @Pedro Turambar, verdade, dois posts em dois dias, isso é quase um recorde aqui pro blog, mas sei também que como é um blog de textos maneirinhos e quase sempre grandes, eu nao venho aqui para ver besteiras (isso eu já vejo em muitos outros lugares) venho aqui pra ler mesmo :D

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Bernardo, ahhahahaha cara.. na estréia do novo layout eu to pensando em pegar alguns dos melhores comentários daqui do blog, falando sobre o blog e o seu será a chamada.

    “eu não venho aqui para ver besteiras, venho aqui para ler mesmo”.

    =)

    Muito Obrigado cara.

    [Responder]

    Bernardo Reply:

    @Pedro Turambar, Aeeeeeeeeeee, eu contribui para alguma coisa pelo menos um pouco útil õ/

    [Responder]

    Comentado em 27/10/2009 as 6:23 pm

  7. Luis Jhonne Comentou:

    Pedro, eu acompanho tua história desde o começo e quero muito saber o final.

    ah The Number of The Beast tocada pelo Angra é uma coisa boa de se ouvir.

    [Responder]

    Pedro Turambar Reply:

    @Luis Jhonne, cara, que bom!

    É uma ótima sensação saber que tem tantas pessoas que gostam da história. Fico feliz demais. Só não vou te prometer o final porque vc sabe.. deve demorar um pouquinho.. como eu disse pro @Dias, é muito cansativo escrevê-la… de várias formas, hoje passei o dia exausto.

    Mas é bom que seja assim. =D

    [Responder]

    Luis Jhonne Reply:

    @Pedro Turambar, eu sei. trabalho, faculdade… a vida é cansativa.
    Mas eu espero hehe.
    Eu pensei que tu já tinha desistido de terminar, mas chegou a continuação.

    [Responder]

    Comentado em 27/10/2009 as 7:44 pm

  8. uberVU - social comments Comentou:

    Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by pedroturambar: http://migre.me/a0As enfim, Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Parte 3…

    Comentado em 27/10/2009 as 8:09 pm

  9. André Comentou:

    caramba cara, mto massa essa “Saga”^^ espero que escreve logo o ultimo capitulo=D
    vlw

    [Responder]

    Comentado em 9/11/2009 as 7:07 pm

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