Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Parte 1

Era alguma coisa de Março do saudoso ano de 2003 – o Brasil ainda tinha a melhor seleção do mundo, Michael Jackson ainda não havia morrido e os emos não existiam – quando o nosso cara legal entra em cena. Não em cena propriamente dita, ele vem caminhando grotescamente para a última carteira da segunda fila na aula de qualquer coisa no segundo ano do colegial. Eram 7 e pouca da manhã, você não queria que ele se lembrasse de tantos detalhes assim, ou queria?
Tenho que dizer que essa época foi o auge do ódio do nosso padawan contra a madrugada – nessa época uma boa manhã começava lá pelas 11. Após o ritual de parar a aula – ele sempre chegava atrasado – jogar a mochila num canto e desabar na carteira, o professor retomar sua (provável) chatice sem método do terrível sistema educacional brasileiro, um amigo lhe chama a atenção. Estava ele também com os olhos inchados de sono, mas lia uma carta (sim, ainda existiam cartas nessa época) com um sorriso bobo na cara.
- Ou.. Hudim, que porra é essa?
- …
- Ou..psss!
- Quê?
- Porraéssa?
- Uma carta de Lorinha Jones
- Han!?
- Lorinha… do canal… – Talvez você não saiba, mas na época de adolescente desses caras em Monlevade só conhecíamos outra pessoa pelo nick que ela usava no canal de Monlevade no eterno mIRC.
- Não conheço…
- Entra no Chefia, cê precisa prestar mais atenção Pedrão.
- E quem é essa retardada?
- Aahahahaha, Pedrão, pelamordedeus bicho, cê tem que parar com esse mal humor, cê é grosso demais, ahahahahha.
- Putaquelpariu Hudim, fala logo.
- Lorinha Jones sô. Maria de Lourdes – Ah, a “retardada” ganhou um nome – lá de Piracicaba – e um lugar! -, amigassa minha. Vai fazer 15 anos mês que vem. – após ele dizer isso deu aquele olhar que sinceramente dizia “Eu se fosse você, escreveria uma página para colocar no final da minha carta de resposta, ficava amigo dela e ganhava o convite pra festa.”
E foi exatamente o que ele fez. E fez bem, afinal escrever é uma das poucas coisas que nosso cara sabe fazer, e uma das únicas que ele faz bem. Logo aconteceu de Pedro e Lorinha Jones ficarem amigos. Bons amigos até. Agora me ocorre (desculpe a memória fraca do autor) que ele até ficou com uma garota que era amiga de Maria (melhor que o nick não é?) uma tal de Drielle, que (vocês não irão ficar surpresos) se apaixonou pelas palavras – no inicio pelo menos – de Pedro, mas depois de um tempo enjoou. Talvez pelo fato dele querer apressar um pouco as coisas. Foi quando ele aprendeu que “Eu te amo” só é bonitinho em Hollywood.
Vale contar que por causa de uma conversa no “canal” ela largou o namorado (foi mal Thiago… se bem que eu acho que eu te fiz um baita favor) para ficar com o tal Pedro. O mais incrível ainda foi nosso Maximus encontrar a mesma Drielle nos corredores da faculdade. O que fez ele (não pela primeira – e se Deus quiser –, não pela última vez) se arrepender de falar bonito por uns amassos e depois se “apaixonar” pelos lábios e curvas da primeira que aparecesse.
Ele tinha 15 anos, que culpa ele poderia ter?
Continuando. Pedro e Maria ficaram amigos, ela ficou amiga dos amigos de Pedro e Hudson (acabou namorando por um bom tempo com o Roia) e claro, convidou todo mundo para sua festa de 15 anos. Você ainda se lembra do que significa uma festa de 15 anos para uma turma de 16? Significa comida e, principalmente, bebida de graça. Aniversários de 15 anos querem dizer mais duas coisas para um jovem mancebo, garotas em vestidos minúsculos (ah, as meninas de 15 anos) e roupa social.
Nosso personagem, apesar de detestar esse tipo de roupa – talvez pelo fato de ser gordo e ser gordo e comprar roupas é uma merda – ele até que ficou… digamos, bem apresentável. Todo de preto, é claro, como convêm a um bom rockeiro e um bom gordo, a gravata do Mickey (estava na moda) deu um toque especial. Ele já até usava a sua marca registrada, o alargador – na época era só um, na orelha esquerda -, tenho que dizer que uma garota poderia facilmente ficar com ele naquela noite. Ele sinceramente esperava isso, esperava ainda que fosse a tal Drielle.
Pedro só havia esquecido uma coisa naquela noite inesquecível (ninguém deixa que o dia em que conheceu seu primeiro – e até hoje o grande – amor da sua vida e anda uns 8 quilômetros na chuva às 6 da manhã, cair no esquecimento). Ele havia esquecido o fato de que a tal amiga-irmã de Belo Horizonte estaria na festa e todos iriam finalmente conhecê-la. A garota havia surgido em uma das cartas que ele e Hudson continuavam trocando com Maria, que não parava de falar em Bárbara, a amiga-irmã-superfofa-linda-simplesmente-de-mais que ela tinha e que estaria na festa.
Hudson já estava de olho, já até conversava com ela no ICQ – lembra disso? – Pedro até chegou a trocar algumas palavras, mas havia se esquecido completamente do fato, só pensava noutra moça. Eis que entre vários copos de cerveja e vinho, uma mão no ombro e um “Pedrão, olha só quem tá aqui!” mudou a vida de nosso Bilbo Bolseiro. Aquela coisinha morena, radiante, com olhos imensos brilhando simplesmente nocauteou nosso amigo. O mundo todo simplesmente ficou cinza. Só ela tinha cor, só dela saíam sons. O resto era uma nuvem difusa preta e branca. Era como Frodo colocando o Anel. As tais borboletas no estômago eram dignas de um documentário no Discovery Channel, e o sinos facilmente poderiam entrar naquelas músicas de 20 minutos do Pink Floyd. Em 5 minutos de conversa, ambos já tinham certeza de que se conheceram lá no berçário. Ele se esqueceu de fumar, de beber, esqueceu o nome, onde estava. Esqueceu tudo. Aquilo era a coisa mais maravilhosa que ele já havia sentido. E aquele era definitivamente os seios mais estonteantes que ele já vira em um decote. Aquele momento foi atemporal – quero acreditar que tenha sido assim para os dois –, e ele ainda está acontecendo, em algum lugar perdido no tempo e espaço das pessoas mais felizes do mundo.
O que eu odeio no Mundo Real é que sem nenhum remorso ou sutileza ele volta como um balde (Caro Microsoft Word, eu NÃO quero dizer “uma balde”, grato) de água fria. A conversa teve que parar um pouco e a vida tinha que continuar, e como eu disse lá em cima, Hudson já estava de olho. Você talvez não saiba também, mas existem homens que são Paladinos honrados. Eu não poderia então, pelo código de honra, estar a frente do meu amigo e atirar a flecha na presa dele. Isso matava de verdade o nosso amigo Pedro.
Sabe o que é pior de tudo? Essa maldita condição de ser um cara legal. Essa condição fez com que Pedro negasse veementemente (veja bem) a oferta do amigo para ficar ele com ela, ao invés dele mesmo. Homens podem ser bem desprezíveis minha cara. Eu até hoje chamo Pedro de burro por isso. Ele fica bem puto comigo, mas ele sabe que é verdade.
O final dessa história é fácil de descobrir, Hudson ficou com ela, e a noite acabou sendo na fossa. Ouso dizer que foi literalmente na fossa. O aniversário terminou como toda fossa em festa deve ser. Olhares gulosos e invejosos para o cara que ficou com a mocinha, olhos marejados com as musicas melancólicas de final de festa e obviamente a embriaguez, mãe de todos atolados na maldita fossa.
(Continua nos próximos capítulos)
***
O que parecia ser o suficiente para uma noite, era só o começo. Mas isto meus caros, vocês só saberão quando lerem o próximo capítulo das desventuras amorosas de Pedro, que se você estupidamente não percebeu, sou eu mesmo.
Desde quando isso (e o resto) me aconteceu queria escrever a história. Mas só depois de 6 anos resolvi numa madrugada whatever de sábado escrevê-la. E não me perguntem, eu não sei por que eu fiz isso na terceira pessoa. Talvez por querer ser a consciência daquele Pedro de 16 anos e fazê-lo exorcizar um pouco dos seus demônios. E já que é pra esculhambar com o coitado, decidi publicar isso no blog.
Essa seção, ou este conto autobiográfico, ficará em cartaz por mais ou menos duas semanas. Acredito que seja o tempo que eu vou levar para escrever mais duas vezes para contar a história inteira. Se eu achar que, por algum acaso, o exorcismo funcionou – de algum modo – escreverei pelo menos outra grande desventura amorosa.
E se você quer saber, ela ainda é bárbara.

Que susto, quando li Hudim jurei que era Gudim, que é meu apelido desde que eu nasci @_@
E ser um cara legal é um saco mesmo.
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Cara, muito legal essa história. Fico esperando o resto hehe
E se você quer saber, ela ainda é bárbara… A “Bárbara” da história?
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Pedro Turambar Reply:
September 12th, 2009 at 10:10 pm
@Luis Jhonne, Ela mesma cara… ela mesma. =D
é só acompanhar o blog.. o próximo capítulo sai hoje.
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Cara. Parece que é a história da minha vida. Eu também já fui apaixonado por uma Bárbara que ficou com um amigo. Foi uma merda! Ah, e pra constar a Bárbara da minha história também continua bárbara.
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Caramba, que texto foda. Pulitzer, já! (lol)
O impressionante é que já aconteceu algo assim comigo, e talvez, com quase todo mundo.
Além da sua desventura ter sido parecida com outras minhas, seu estilo de escrever também é parecido. Muito bom, principalmente as opiniões do narrador sobre o personagem principal(Que ao mesmo tempo são e não são a mesma pessoa).
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Pedro Turambar Reply:
September 12th, 2009 at 10:14 pm
@Ravi F., Ehehehehehe… obrigado pelo elogio… quem sabe essa história não possa virar um roteiro..
bem, eu ainda me assusto com essa história de escrever em terceira pessoa.. mas vamo que vamo.
=D
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Historias da época dos canais de mIRC, ICQ…..Adoro hahaha
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Pedro Turambar Reply:
September 12th, 2009 at 10:17 pm
@Larissa, ahahhaha ô época boa né?
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Muito bom o post.
Super engraçado e tenho certeza que muitas pessoas já passram por isso…
Estou curiosa para ver as outras desventuras.
Beijo
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Caralho pedrao! nem fragava isso velho! hahahahahahaha
Hudinho Chiko é tenso heim! hahahaha
mas que doido, cê tá mandano bem demais nos textos velho!
entro aqui diariamente pra ver se rolaram atualizações, acho bem doido!
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Pedro Turambar Reply:
September 12th, 2009 at 10:18 pm
@Kavalinhu, hahahaha para de entrar 5 vezes por dia e vai trabalhar rapaz!
valeu velho!
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Tava lendo os arquivos do blog, e percebi que muitos textos são de histórias parecidas com as minhas. Será que todos os gordinhos, que são da vanguarda geek, e lêem Harry Potter tem histórias parecidas?
=?
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Xu
Talento é apelido pra você né
Continuo sendo sua fã
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O Kavalim Hudim Chiko pegou pesado em parceria?? hehehehehehe
Ae Pedrão, ta mandano mto bem jovem.
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Ai que triste!
=/
Mas, paixões vem, vão.
[/Amor é diferente.
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Pois bem, hoje não pertenço mais ao mundo do blog, fotolog, flicker… Etc e etc. Uso apenas meu e-mail, msn sempre que dá e um orkut junto do meu namorado, o que pra mim é gratificante! Então Pedrão, essa tal Lorinha Jones, a “retardada” do início da história, se lembra bem de como se conheceram, de tudo que já fizeram juntos e de todos apaixonados pela irmã-linda-poderosa-dopeitograndesemsilicone-.com.br dela. Hoje ainda continuo irmã da nossa querida Bárbara, que diga-se de passagem ser mais que bárbara. Mas já quanto a você não digo o mesmo. Muito tempo sem nos vermos… E por incrível que pareça escutei falar sobre você semana passada. Transferi de faculdade, da Newton Paiva para a FEAD, e sabe quem encontrei depois de anos luz no PONTO DE ÔNIBUS? Sim, nossa querida Drielle. Saída da Engenharia, de outro curso que não me recordo e enfim, hoje cursando Cinema. É, na sua faculdade! Hahah. Agradeço por se lembrar de mim, isso significa que fiz parte de uma das melhores fases da nossa vida… A dos “15 aos 18″. Ou seria até os “17″? Porque a partir daí, quando nos formamos no 3º ano tudo deixa de ser farra e responsabilidades caem sobre nós, hehehe!
Gostaria de dizer que sempre senti carinho por você.
Beijos da Maria de Lourdes. Hoje ainda chamada por alguns de Loira, Lorinha… Se preferir, é claro.
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o crepusculo é muito legal e o eduardo e bonito né e lindão
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É Pedrão, acho q n tenho palavras…mas te falo q a bárbara realmente eh um ser apaixonante
=PP
um grande abraço e vamos continuar lendo as suas desventuras
[]‘s
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