Eu sabia que havia algo de errado com a educação





Desde que eu me entendo por gente eu e a maioria da mesma época já estávamos matriculados em alguma escolinha, fazendo seus desenhos de arte abstrata, solzinho e gaivotas. Nessa época você cantava, brincava, dançava, pintava e aprendia a ler e escrever. Que maravilha não? Eu simplesmente adorava ir para a escola e ‘brincar’ de estudar e aprender. O problema é que depois disso, eles fodem com a gente.

Vamos tomar meu querido irmão artista plástico como exemplo. Ele é cinco anos mais velho que eu e desde que me lembro, ele sempre foi artista. Sempre desenhava perfeitamente, pintava quadros belíssimos e tudo mais. Com não sei quantos anos tocava guitarra, pintava e desenhava como um profissional. Estava escrito que seria isso que ele faria para o resto da vida. Então porque diabos o mandá-lo saber quanto é Log de 10 na base 2? Ele teve sorte. Mas me digam, o que ele já poderia ter feito, se sua criatividade tivesse sido estimulada desde a infãncia ao invés de enfiarem outras coisas na cabeça dele? Ou melhor, se a sua criatividade, caro leitor, tivesse sido estimulada de acordo com o seu talento? Onde você estaria hoje?

Todo mundo tem um talento, todos temos. Acredito piamente nisso, mas também acredito que nossos queridos educadores insistem em matar essa criatividade enquanto estamos na escola. Qual é o conceito básico da criação? Lembrando é claro que não somos Deuses, então jamais criaremos alguma coisa do nada. Tudo que é criado – absolutamente tudo – é a junção de duas coisas que já existem transformadas em uma terceira coisa. E nada é criado se você não errar. Você jamais cria alguma coisa sem muito trabalho e muito erro. E o que as escolas fazem conosco é simplesmente te ensinar que você jamais pode errar. Eles ensinam que o erro é uma coisa intolerável. Ou seja, matam a criatividade.

Eu estou falando tudo isso depois de dois vídeos que eu vi no blog Trabalho Sujo, os vídeos são da palestra de Ken Robinson. Veja, que já voltamos a discutir nosso pequeno problema.




Incrível não é? Antes de continuar tenho que dizer, os ingleses são realmente um povo fantástico, o cara é um “acadêmico”, está fazendo uma palestra sobre educação e consegue ser mais engraçado que muito santd up comedy por aí. Bem, voltando ao nosso probleminha… eu me lembro que quando eu estava na quarta série, a professora de redação/português/literatura, pediu para a turma criar uma história cada um e entregar na próxima aula. Foi absolutamente ali que eu soube o que queria fazer pelo resto da vida: escrever. E a professora soube a mesma coisa quando veio me parabenizar pela história, que infelizmente não tenho guardada. Desde então, meu programa prefiro fora o Word. Passa horas e horas escrevendo no meu velho Compaq 486.

Desde novo você já sabe de qual gama de matérias você gosta mais. Eu sempre fui da turma do Português e História enquanto vários outros eram da turma da Matemática e de Ciências. Ninguém era da turma de Artes, que nos ensinavam qual cores eram quentes e frias. Eu estudava certas coisas que eu simplesmente ficava abismado, e pensava..”Putamerda!”. Quantas vezes eu deixei de fazer o que gostava, ler, escrever, jogar bola, dormir, porque tinha que resolver os exercícios da página 48, e tinha que mostrar a conta toda, se não não valia.

Uma outra pergunta, seus pais já tiveram com você uma conversa desse tipo?

- Filho, vem aqui que eu e sei pai queremos conversar com você.

O garoto larga o violão e vai cabisbaixo para a sala de visitas onde encontra o pai sentado no sofá olhando para ele. Ele senta e sua mãe senta ao lado de seu pai, ambos estão olhando para ele. O pai diz:

- Filho… eu e sua mãe estávamos conversando e… nós queremos que você seja músico e tenha uma banda.

Duvide o dó. Meu pai queria que eu e meus irmão fossemos engenheiros, advogados e fizéssemos concurso público. Minha mãe sonhava com um filho médico. Saiu um Turismólogo, um Artista Plástico e um Publicitário. Sua escola com certeza pensava da mesma maneira. Mate um garoto de estudar, decorar fórmulas porque o mundo não precisa mais de escritores, músicos e artistas. Deixe isso para os Hippies e para os sem causa.

Como o grande Ken disse, querem formar acadêmicos, professores e cientistas. Tudo bem para quem quer isso. Ou melhor, tudo bem para quem acha que quer isso. Cada um tem um talento, mas você só se dá bem se esse talento envolver muita grana na profissão. Professores acham que sabem de tudo, eles mesmos se esqueceram de que foram crianças um dia, que colaram, que já fizeram merdas. O que acaba ocorrendo é que cada vez mais precisamos estudar, estudar, estudar, formar, aumentar nosso nível acadêmico, porque agora todo mundo tem diploma, então o seu tem que ser mais foda.

Na boa, passar metade da vida estudando coisas sem sentido e a outra metade enfiado em um escritório não é o meu ideal de vida. Juntar dinheiro para nunca poder gastá-lo? Imagine um homem que passou a vida inteira trabalhando, juntando dinheiro, deixando de fazer trocentas coisas porque tinha que guardar dinheiro. Aí a vida acaba, e ele já não consegue fazer 10% das coisas que pretendia fazer com a grana.

Não não, isso para mim está errado. Pensem um pouco nisso, eu e você provavelmente fomos criados no mesmo sistema. Meus filhos não precisam aprender desse jeito. Eu vou apoiar e estimular o talento que tiverem, seja qual for.

***

1 – Pergunta que não quer calar. “Se um homem disser o que pensa numa floresta, e se nenhuma mulher estiver lá para ouvir, ele ainda está errado?”

2 – Cada comentário que o povo recebe…

3 – Um link bem interessante do Caixa Pretta, o efeito sanfona dos famosos

4 – Mais um ótimo post do Palavra Ácida

5 – E eu vou linkar o Jhony porque ele é foda.

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