Olha, cansei viu.

Ultimamente tenho me sentido como se estivesse em um sonho (pesadelo) non-sense interminável. Sabem, tem umas coisas que estão acontecendo que eu simplesmente não consigo acreditar. O mundo está pirando, e junto com ele, nosso país está pirando ainda mais.

Graças a Deus eu não sabia como era o mundo quando era pequeno…imagina! Eu largava escola, largava tudo, ia viver na esbórnia desde pequeneninho e morrer com sei lá…30 anos. Ia morrer feliz da vida. Teria feito de tudo um pouco, as maiores loucuras e não teria conhecido nada do mundo. Preferia ter parado minha consciência lá pelos 16 anos. Ainda não sabia (e nem queria saber) de Danieis Dantas, crianças metralhadas, Lulas Inácios, CPI’s fajutas, inocentes mortos, Dunga técnico da selção, sheik’s malditos contratando nossos jogadores…

Porra, hoje eu não sei se deve ter mais medo de bandido ou de policial.

E o melhor de tudo é a naturalidade com o que isso tudo é tratado. Se isso tudo fosse nos 68′s da vida…essa galera ia ver. Naquela época, tinhamos músicos (de verdade) que em 2 minutos puxavam multidões com brados fortes e impotentes pedindo liberdade, paz e justiça.

E eu não sou hipócrita não, me incluo nessa massa jovem, no ‘movimento estudantil’ utópico que pensa “por que diabos não fazemos o que aqueles caras fizeram”, ir para as ruas, quebrar tudo, botar fogo em tudo, chamar a atenção, dizer um grande BASTA aos filhas-das-putas que fizeram com que o Brasil chegasse nesta situação.

Até porque a lei que manda hoje é conhecida há muito tempo, “Se não pode com ele, junte-se a ele”. Ele = o sistema. Como todos nós somos egoístas e pensamos apenas em “um” e “um” não pode contra o sistema, até o mais incólume dos seres se “vende” e se junta. Todo mundo quer um pedacinho deste paraíso chamado Inferno. Eu não vou negar, já que está tudo uma putaria mesmo, vou brigar pelo meu pedaço também. Por que, meus amigos Revolucionários do Sofá, eu prefiro ser um traidor de ideais na prática, mas de barriga cheia e podendo aproveitar o pouco de bom que resta neste planeta, do que ser um maldito revolucionário de esquina pedindo 1 real pra “janta”. E ser lembrado apenas em reportagens especiais.

Eu estou cansado, mesmo. E fico me perguntando todo dia…até quando vamos aguentar?

Até quando eu não sei, mais vou te falar, quero estar bem vivo, mas muuuuuuuuuuuito bem vivo quando o pau começar a quebrar. Vou estar pronto, com um molotov na direita e um isqueiro na esquerda, prontinho pra tentar fazer as pessoas, que têm o poder de parar com essa balbúrdia mortal, nos ouvirem.

Quantas meninas precisam ser jogadas de janelas para que alguém faça alguma coisa?
Quantos meninos precisam ser arrastados pela rua afora para que alguém faça alguma coisa?
Quantos meninos precisam ser metralhados para que alguém faça alguma coisa?
Quantas meninas precisam ser estupradas e mortas, por menores de idade, para que se faça alguma coisa?
Quantos aviões precisam cair para que se faça alguma coisa?
Quantos bilhões são necessários para que os safados de brasília sejam presos de verdade?
Quantos aumentos de salários são necessários para que esses malditos sentem suas bundas gordas no senado federal para não fazer PORRA NENHUMA?

Que MERDA DE PAÍS É ESSE?

“…é a porra do Brasil!”

Aaaaa, mais eles estão fodidos quando o pau começar a quebrar.

Que se foda os direitos humanos que protegem traficantes assassinos
Que se foda o estatudo do menor que protegem adolescentes estupradores e assassinos
Que se foda a sociedade brasileira e sua hipocrisia .

Pedro Américo

Ps.: eu também ia colocar “Quantas convocações de merda o Dunga precisa fazer para ser despedido?” e “Quantas vezes o Galo precisa ser rebaixado para mudar alguma coisa?” mas o texto ficou muito sério.

Tenho a certeza absoluta que todos, todos mesmo, conhecem esta imagem. Não só conhecem como sentem milhões de coisas ao vê-la.

Eu sinto o sorriso subindo e crescendo até a uma gostosa gargalhada ao mesmo tempo em que sinto as lágrimas descendo e levando a um choro sincero e silencioso. Sinto uma felicidade quase instantânea, acompanhada na mesma intensidade, por uma tristeza e saudades profundas. Sinto uma grande vontade de vencer e ao mesmo tempo, toma conta de mim, um grande sentimento de injustiça.

Neste momento escrevo sobre eles ouvindo o único CD de uma banda que fez história e marcou a vida e a infância da minha geração. Tenho certeza que, como eu, todo mundo ainda sabe as letras. Mesmo se não escuta há tantos anos e tal. Você nunca esquece algo que escutou pelo menos 1 zilhão de vezes.

“Pois pra mim, você é uma besta mitológica com cabelo pixaim parecida com a medusa, eu disse isso pra rimar com a soma dos quadrados dos cateto é igual a porra da hipotenusa” “Você foi, agora, a coisa mais importante que já me aconteceu neste momento, até hoje, em toda minha vida” “Um paradoxo do pretérito perfeito complexo da teoria da relatividade”.

Essas frases, para mim em especial, resumem tudo que eles significaram para um país, para uma geração. E para mim. Podem discordar o quanto que quiserem. Mas para mim eram gênios. Quer ver?

A melhor música nordestina da história: “Jumento Celestino”
A melhor balada da história: “Uma Arlinda Mulher”
O melhor Heavy Metal do Brasil: “Débil Metal”
O melhor pagode da história: “Lá Vem o Alemão”
A melhor música Portuguesa da história: “Vira-Vira”
A melhor música de corno da história: “Boys Don’t Cry”
A música mais engraçada da história: “Mundo Animal”
A melhor música pop da história: “Pelados em Santois”
A música mais crítica da história: “Robocop Gay”
A melhor música romântica da história: “Chopis Centis”
Os melhor hinos de excursão da história: “Sábado de Sol” e “Sabão Crá-Crá”

Nos exatos 38 minutos e 59 segundos que esses cinco rapazes fizeram uma revolução danada, eu volto a ser criança. Volto ao tempo em que a única coisa que importava era a diversão e o sorriso. Foi nestes minutos que eu aprendi a gostar de música. Comecei a procurar aqueles riffs, aquela guitarra. Foi quando comecei a prestar atenção no que as letras das músicas me diziam. Foi quando eu me apaixonei pelas palavras, pelo prazer de escrever, pelo humor e pela música.

Obrigado, de coração, Dinho, Júlio, Sérgio, Bento e Samuel.
Aonde quer que estejam, nem que seja apenas na memória de milhões de outros saudosos, vocês foram muito fodas.

Pedro Américo