Um Show de Rock

Você já foi em um show de rock? Você respondeu sim? Continue lendo a crônica porque você vai se identificar muito. Você respondeu não? Então leia e aprenda algumas coisinhas.
Com certeza você já viu, ouviu, falar sobre shows de rock. Já ouviu falar de como são um bando de retardados vestidos de preto, falando alto, cantanto toscamente músicas “horríveis”. Você que escuta Jota Quest, se empolga com as modinhas da música, acompanha de perto as bandas “super” legais que tocam no Faustão. Você que ama um funk engraçado, um axézinho dançante ou uma dupla sertaneja que está prestes a explodir, tipo Raineclan & Rondiclen (como futuro publicitário, tenho que dizer que os caras que inventam os nomes dessas duplas são sensacionais!!!!). É, você mesmo! Que diz que vai em show de axé pra pega “muié”, que mulher não gosta de rock. Que show de rock só da homem barbudo e cabeludo e que quando tem mulher, são feias pra cacete. Se identificou? Que bom, essa crônica está sendo escrita para você.
O que eu mais odeio nesse tipo de gente são duas coisas que elas sempre falam: “Como você consegue gostar de um monte de nego gritando?” (após perguntar a pessoa costuma soltar alguns urros terríveis, tipo um Cheewbacca rouco) e “Isso é coisa do capeta”.
Agora você se identificou ainda mais? Que bom. Continue. Lá vem os ensinamentos.
Rock antes de mais nada, significa (para mim) um protesto contínuo contra vários males do mundo. Rock é diversão, é um riff que te faz pular, uma letra que te faz rir ou uma balada que te faz chorar. O Rock é sociável. Pode perguntar aí para quem já foi em algum show de Rock. Pergunte a ele quantas pessoas bacanas que ele conheceu. Se o show for em outra cidade. Melhor ainda. Você passa horas do lado de caras com o mesmo propósito, as mesmas lutas e conversas intermináveis sobre músicas lendárias. Quem nunca quis em um show dos Beatles, para além de ver o quarteto, ouvir os gritos histéricos de milhares de mulheres enlouquecidas. Quem nunca quis ir a um show do Led Zeppelin e cantar Stairway to Heaven segurando um isqueiro. Quem nunca quis ver Keith Richards e Mick Jagger, se empolgando com Satisfaction. Quem assistiu Forest Gump e se enlouqueceu com aquelas músicas maravilhosas. Aquilo era Rock. Aquilo ainda é Rock.
Se eu ainda não te convenci. Vou contar duas coisinhas que eu vi com meus próprios olhos, precisamente nos dias 2 de março e 5 de abril desse ano. No primeiro, show do Iron Maiden. Na semana do show, a expectativa, a lembrança dos meus 10 ou 11 anos quando ouvi pela primeira vez The Number of The Beast, o baixo impressionante de Steve Harris e o vocal único de Bruce Dickinson. Já sentado na arquibancada, esperando o início do show, eu e mais 4 mineiros conversando, rindo e brincando com paulistas, cariocas e capixabas. Atrás de mim, dois garotos com seus 12 anos, não se aguentando de ansiedade. Os dois rodeados pelos pais, todos vestindo suas blusas pretas com Eddie estampado. O que me impressionou mesmo foi o que eu vi logo à minha frente. Pai, Mãe e Filho. Todos com a mesma camisa. A mãe jogando águar na cabeça do filho (fazia um calor do capeta – sem trocadilho), o pai segurando a camisa tampando o sol do rosto do pequeno garoto. Tamanha cumplicidade e amor presentes nesse cena me fez sentir orgulho. Orgulho de ver ali uma família, sentada no sol durante horas apenas para ver um bando de velhos fazer barulho e “gritar”.
A outra coisa foi no dia 5 de abril. Show do Ozzy. Não vou falar aqui, do quanto sou fã desse ser. Só me lembrava do dia em que ouvi Paranoid do Black Sabbath e me enlouqueci pela música desse velinho um “pouco” maluco. Me lembro de um show, que ele disse para o público “Por favor, não se machuquem, eu me importo de verdade com vocês, se eu estou aqui hoje, é por causa de vocês, eu amo vocês, que Deus os abençoe”. Pois é, eu estava no mesmissímo estádio para ver uma das maiores lendas do Rock. Atrás de mim, um senhor nos seus 70 ou 80 anos, parecendo um garoto de 15, prestes a ver o maior ídolo. Ele estava vestido com uma blusa preta (do ozzy), uma bandana, jaquetas e calças jeans. Estava de All Star também. Preto. Acompanhado pelo filho (acredito eu que era o filho), no mínimo uns 50 anos. Os dois, sentados, esperando por pelo menos 7 horas para ver o ídolo. Pareciam duas crianças na festa de aniversário.
Eu poderia escrever muito mais sobre essas e outras histórias. Mas só queria que vocês que responderam não, aprendessem um pouco mais sobre o que é ser apaixonado pela música e pelas transformações que ela causa em uma pessoa. E parar um pouco de achar que música é aquilo que passa na globo, que show bom é aquele que dá “muié”.

Pedro Américo.

**** [PÓS-REBOOT] ****

Um dos posts clássicos. Nada a se dizer.

Merece reedição já!

Sim, as headers dos posts irão desaparecer.

Editado dia 4/10/2011

Comments
2 Responses to “Um Show de Rock”
  1. Charles Cristiano says:

    um show de rock inesquecível foi o show do Deep Purple no mineirinho… escutando músicas que embalaram minha infância, juventude e até hoje escuto quase todos os dias, como se fosse a primeira vez…

    emoção é essa de escutar músicas que marcam tempos, ao contrário de outras também ditas ‘música’ que explodem com pólvora da vorás mídia, e se perdem rapidamente como areia soprada pelo vento.

    os Titãs define bem quando cantam: “… a melhor banda de todos os tempos da última semana…”

    nada mais verdadeiro, nada mais ridículo que músicas descartáveis, hits empurrados pela garganta de quem não se dá ao trabalho de escolher o que quer consumir..

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