Sessão de Cinema: Inception

“Qual é o parasita mais resistente? Uma bactéria? Um vírus? Não. Uma idéia! Resistente e altamente contagiosa. Uma vez que uma idéia se apodera da mente, é quase impossível erradicá-la. Uma idéia que é totalmente formada e compreendida, permanece”

Eu já escrevi um texto uma vez, falando sobre a incapacidade de Hollywood produzir coisas novas, ou seja, sobre a completa falta de criatividade dos cineastas de hoje. Controlados pelos estúdios que por causa do lucro fácil, exploram cada vez mais franquias fracas, e o boom dos reboots e refilmagens.

Uma pena grandes criadores como o Coppola, Scorcese, Peter Bogdanovitch, Warren Beatty, Paul Schrader, Hal Ashby, Towne entre tantos outros tenham se enchido tanto de drogas, bebidas, ilusões e complexos de grandeza absurda. O cinema comercial veio com os tão queridos – muito mais pelos estúdios que pelos amantes do cinema – blockbusters e seus defensores ferrenhos.

Existe um meio termo? Um ponto entre o comercial e o cinema autoral que podem ao mesmo tempo render muita grana e te dar um nó no cérebro? Um cinema onde você não precisa pagar de Cult – filmes Franceses, Iranianos e etc – mas que te faça sentir maluco?

Se depender de Christopher Nolan, existe sim. Eu não preciso apresentar todas as credencias do Nolan, é só ver o que ele fez com o Batman. Sim, mais uma adaptação de quadrinhos, como estamos vendo aos montes. Nolan fez mais do que adaptações, Nolan fez dois ótimos filmes com um dos melhores personagens já criados. Sem contar, que ele nos presenteou com o Coringa mais fantástico que o mundo já viu, seja nos quadrinhos, no cinema ou na televisão.

Daqui pra frente, soltarei trocentos SPOILERS do filme, mas como acredito que você tenha assistido o filme, eu vou em frente. E se você não assistiu você é um maluco do caralho.

A trama de Inception é teoricamente simples, afinal, teoricamente é um filme sobre um “roubo”. Um cara, precisa montar uma equipe para fazer um grande “assalto”, salvar a sua vida e encontrar a sua redenção para poder voltar para casa e para seus filhos. A diferença dessa trama, é que na verdade não é um roubo… eles querem na verdade é entrar em 3 camadas do subconsciente de um empresário para implantar uma idéia. Essa, no caso, é apenas uma das duas ou três tramas do filme. A segunda, é um drama, que faz uma reflexão sobre o passado que cada um guarda no seu subconsciente e os fantasmas que nós mantemos dentro de nossas cabeças.

A terceira, na minha opinião, é saber se a PORRA do pião cai ou não. Se é que você me entende.

Antes de continuar, quero que tenham em mente que eu sou apenas um amante do cinema que depois de ver o filme e ler algumas teorias, formulei a minha opinião sobre o filme.

O filme, contando apenas como o plot de assalto é simplesmente genial. Perfeito até. Porra, entrar num sonho, dentro de um sonho, dentro de outro sonho para implantar uma idéia em um empresário (concorrente do contratante do roubo) para que ele divida a herança do pai é fantástica. E a forma como é conduzida deixa o espectador alucinado.

Isso porque o filme – assim como os sonhos – tem várias camadas. Cobb (Leonardo Di Caprio) tem que se livrar do seu fantasma, Mal (Marion Cotillard) que está presente na sua mente e tenta atrapalhar todos os seus planos.

Nesses dois casos, eu não vou me aprofundar muito. Se você viu o filme (e espero que tenha visto) esses dois plots são fáceis de entender. E eu não quero ficar apenas babando o ovo do Nolan dizendo como tal cena é genial.

É no terceiro plot, que nós definitivamente temos nossas cabeças dilaceradas: Era um sonho o tempo todo? Era um sonho de tal parte até o fim? Era real? Aliás, como é bom ver um filme em que você – e aparentemente a sala inteira – está tão imerso dentro da história que você simplesmente grita de loucura no fim do filme.

Eu, depois de pensar bastante sobre o filme, acreditei mais que ele ainda estava sonhando. Por um motivo: os filhos. Os filhos estavam com a mesma idade, com a mesma roupa, e do mesmo jeito que na memória dele. Mas depois que eu li esse post absurdamente genial do blog Saindo da Matrix, eu tive certeza. Outros pontos, que me incomodaram, mas não ao ponto de não gostar do filme, se explicam com essa teoria.

Como Nolan sendo tão genial, tendo uma atriz fantástica (Ellen Page), cria uma personagem tão estranha, aparentemente sem motivação e que você estranha como ela está sempre peitando o Cobb que deveria ser fodão e tudo mais? Lembre que a personagem, Ariadhne, foi indicada por ninguém menos que Miles (Michael Caine) para ser a Arquiteta dos sonhos no grupo de Cobb.

A teoria é de que Miles é o grande manipulador. Ele irá colocar seu plano em prática juntamente com o plano da inserção na mente de Fischer (Cilian Murphy), repare que para a inserção ser feita é preciso de um estado mental que facilite a aceitação da idéia. Cobb diz a Miles que ele quer alguém para ser o arquiteto porque ele tem uma chance de limpar sua ficha e rever seus filhos, netos de Miles que é pai de Mal, ex-mulher de Cobb.

Repare, que além de Ariadne, coloborar tão facilmente, depois da viagem a África, você nunca mais vê o pião caindo, você o vê girando, mas nunca caindo. A teoria diz que além de Miles e Ariadne, Saito também faz parte do grande plano de Miles para a “cura” de Cobb. Ariadne é juntamente com Cobb a personagem mais importante do filme, é ela quem empurra Cobb o tempo todo. É ela quem o faz confrontar o seu pesadelo e se libertar, mesmo quando ele desiste, ela sempre tem a solução.

O pião, caindo ou não, na verdade não interessa. Cobb encontra sua redenção e retorna para os filhos. O sonho se concretiza. Eu me recuso a acreditar que Nolan tenha passado 10 anos escrevendo esse roteiro para que tivesse as falhas que muitos falam.

O que interessa na verdade, é o que disse um rapaz que comentou no Cabine Celular (isso está no post do Saindo na Matrix e tem tudo a ver com o que eu disse no início do post), “eu não sei qual é o final, mas dane-se, eu SENTI o filme! Eu não quero saber, eu quero sentir o filme. É assim que funciona nossa mente”.

Leiam o post sobre A Origem no Saindo da Matrix, explica de verdade a teoria que eu tentei resumir aqui.

Há muito tempo eu não via um filme tão original, tão genial e que mexesse tanto com a minha cabeça. Que história foda. Cinema é emoção, pura emoção, e nisso A Origem é um filme perfeito.

Além da direção e do roteiro sensacional, deve-se comentar as atuações brilhantes de Leonardo Di Caprio e Joseph Gordon-Levitt. E claro, a trilha sonora que te deixa arrepiado.

***

1 – Só para lembrar que IN NOLAN WE TRUST!

2 – Ouçam episódios de A Origem dos podcasts Matando Robôs Gigantes e do Nerdcast. É bom ouvir outras opiniões também.

3 – Eu estou sonhando?

Habemus iPad

Como diabos eu tenho um iPad? To nadando no dinheiro? Pagando de nerd gostosão?

Não to pagando de nerd, to pagando conta. To nadando na falta dele. E eu tenho um iPad porque meu irmão tirou férias nos Sazunizos e trouxe para mim. Simples assim. Tenho um gadget extremamente útil para mim e devo muita grana pro meu irmão. Mas isso não impede que eu fale aqui no blog minhas impressões sobre o meu novo brinquedo.

Se você não quer pagar de nerd gostosão, antenado em tecnologia que usa o iPad para mostrar suas fotinhas e para todo mundo pagar pau, se você realmente quer comprar um porque precisa de um, compre. É um investimento fabuloso.

Se você quer fazer tudo isso que eu disse, compre e enfie o iPad na bunda.

É sério. Apesar de toda pagação, e hype em cima do aparelho, ele é extremamente útil. Depende só do que você quer fazer com ele, as dicas aqui vão ser para aqueles que precisam de um computador portátil, para digitar textos, apresentar peças, fazer planilhas, e que gostam de entretenimento.

O iPad tem a função de me ajudar no trabalho e de me divertir. Atenção você reclama que ele não tem isso ou aquilo, e que não roda flash. Compre outra tablet e pare de me encher o saco. Eu comprei o iPad sabendo de tudo que ele tem de ponto negativo, só que os positivos superavam e ponto final.

Com o iPad em mãos descobri três coisas: o iTunes pode ser legal e que maneira de ganhar grana em Seu Jobs? E também descobri que não existe nenhum lugar com boas dicas para aplicativos ou como diabos usar o iPad de forma clara.

Você simplesmente fica louco e sai comprando aplicativos feito retardado. Claro que tem a dificuldade de comprar os mais bacanas que só vendem nas apps lá fora, mas com uma conta no Brasil eu consegui comprar (quase) todos os aplicativos que queria.

Ainda falta descobrir muita coisa e baixar muitos aplicativos e achar tempo para ver filmes. Mas que pra mim, só por me lembrar das minhas tarefas, baixar meus podcasts favoritos, ser leve e eu poder escrever em qualquer lugar e claro, poder ler qualquer quadrinho e livro que eu quiser apenas baixando-o para o aparelho, já é demais.

No próximo post, eu darei algumas dicas de aplicativos e sites para baixar quadrinhos.

***

1 – Se eu tivesse isso durante toda a faculdade, eu não teria nenhum problema em nenhuma matéria

2 – Sim, eu ando com ele na mochila, pego ônibus e o caralho. Morro de medo, mas não faz o menor sentido ter o negócio e deixar em casa.

3 – Eu prometo e eu cumpro. As vezes..

Sonhos

Não, ainda não é um post sobre o filme A Origem, que certamente merece alguma discussão aqui. E você também não está ficando louco, esse é um post novo e escrito por mim que não posta nada há mais ou menos um mês. E como acontecem coisas em um mês…

Vou tentar resumir antes de começar a falar o que interessa. Em um mês eu: gastei mais do que ganhei, viajei de avião 4 vezes em menos de uma semana, conheci Brasília, trabalhei o equivalente a um semestre, estou oficialmente fazendo monografia, comprei um iPad, roupas novas e jogos, tirei a chave da porta, comprei uma mesa de centro, conheci pessoas novas, reencontrei antigos amigos, o departamento virou uma agência, produzi muito e em um nível bom, fui no cinema uma porrada de vez e escolhi viver um pouco mais.

Nuh… já cansei de novo.

Sobre o último item, estou fazendo um novo regime. A diferença desse para último, é que eu sou uma pessoa completamente diferente, e apesar que a maioria vai pensar que eu vou relaxar de novo, dessa vez eu tenho certeza que vou conseguir. Bem, eu devo gastar o equivalente a uma moto fazendo esse tratamento e dinheiro é uma coisa que eu não vou jogar fora. Darei detalhes quando a coisa tiver avançado.

Tudo que aconteceu nesse mês que passou, na verdade tem a ver com o título deste post. Sonhos. Meu irmão mais velho sempre me disse “Cuidado com o que você deseja.” No sentido de “sonhos se realizam, basta você querer e estar preparado para realizá-los”, ta bom que ele não falou tão bonito assim, mas a idéia é essa.

Não vou falar aqui que você pode sonhar o que você quiser que você um dia irá realizar. Isso é mentira, hipócrita e coisa de livro de auto-ajuda. Estou dizendo que sonhos “tangíveis” são possíveis, mas não estou dizendo para você ter sonhos medíocres. Conheci um cara que era carvoeiro quando criança e que se tornou um dos grandes empresários desse país.

“Porra Pedro, o cara era carvoeiro e em alguns anos se tornou um mega empresário? Como isso não é um sonho impossível?” Não, não é. Vou tentar explicar. Você é um prodígio em física, matemática, e coisas do tipo. Seu sonho é ir pra Marte um dia. Esse é um sonho tangível. Você é odeia biologia e desmaia ao ver sangue. Você quer ser médico. Esse é um sonho impossível. E se por ventura você se tornar médico, me informe para que eu nunca caia em suas mãos.
Entende?

Partindo desse princípio, sim, entram todos os clichês. As duas coisas mais importantes são as duas mais difíceis: Paciência e Vontade. Paciência porque o mundo parece conspirar (na maioria das vezes, principalmente aquelas em que você não conta com a sorte), mas não a seu favor. As dificuldades que vão aparecer no seu caminho chegam a ser tão inacreditáveis que você pensa que alguém está de sacanagem com você e só com você.

Paciência porque vai chegar uma hora em que você vai querer ser Michael Douglas em Um Dia de Fúria. Paciência porque vai demorar. E paciência porque você vai pensar em desistir duzentas vezes.

Vontade porque você vai precisar querer muito conquistar seu sonho para que nenhuma dificuldade – por maior que ela seja – te faça desistir.

Somando isso tudo, com uma dose de sorte e apoio, você pode sim conseguir coisas que você imagina impossível. Lembre-se que apesar de tudo, sempre o maior inimigo que encontrará no caminho será você mesmo. E que o medo de não conseguir, muitas vezes é confundido com o medo de conseguir e não saber o que fazer, ou de achar que você não mereceu ter conseguido.

Fácil né?

***

1 – Pessoal, eu queria dizer que eu estou no momento mais feliz da minha vida. E que por mais vezes que eu tenha pensado em desistir disso aqui, eu quero mais do que nunca voltar a escrever, postar e tentar trazer de volta o que vocês mais gostam daqui: o conteúdo.

2 – A semana será recheada de posts, e eu só estou prometendo porque eles já estão prontos e agendados.

3 – Como é bom estar de volta.

Para onde estamos indo?

Nunca fui fã do System of a Down[bb], pra mim essa tranqueira – que Odin a tenha! – nunca foi grande coisa, e também nunca foi metal, porém ando gostando muito dos trabalhos solo do vocalista Serj Tankian[bb], que realmente mete o dedo na ferida sem dó nem piedade e tem umas sacadas boas.

Em breve ele vai lançar seu novo álbum, “Imperfect Harmonies”, e já nos apresentou o primeiro single desta grande obra, a música “Left of Center”. Vi o clipe, uma, duas, três vezes… li a letra e a pergunta que me faço é “para onde estamos indo?”

Confiram aqui o novo clipe do Serj, leiam a letra – tem abaixo um vídeo do YouTube com ela, que se der tempo eu posto uma tradução mais tarde – e tirem suas próprias conclusões.


Left of Center

Serj Tankian | MySpace Music Videos

Versão com a letra:

***

1- Por que a imagem do Dream Theater[bb] no topo? O símbolo se encaixa bem com todo o contexto.

2- Sem ideias de links hoje, vejam no Ocioso que sempre tem coisa boa por lá.

Enfim…

Enfim, mudei! Para todos que achavam que eu ia sair de casa antes de terminar a faculdade, para todos que acreditaram na história de mudar logo após o TCC, para todos que ainda confiaram no papo de esperar até a formatura e mudar…eis que eu finalmente cumpri o prometido.

Para desespero dos meus avôs, alegria da minha mãe e pânico dos meus familiares eu sai de casa e mudei para a China! Sim, é assim que todos encararam minha nova empreitada. O alvoroço foi tamanho que eu realmente me senti mudando para um lugar tão tão distante que ninguém nunca poderia me visitar.

Mas muita hora nessa calma, eu apenas subi a serra e agora sou mais um nariz inspirando poluição. E vou dizer que fora o nariz seco, também estou me sentindo a super mulher! Santos não tem ladeira, não tem corredor de ônibus (até tentaram, mas uma avenida só…aham, campeão), não tem tantos caras gatos (me apaixono a cada esquina, desculpem caiçaras, mas maresia corroe e eu não curto muito estilinho sossegado de ser), não tem tantas opções para sair e muito menos tantas alternativas de transporte.

Enfim cheguei e estou na crise do “onde estou”. Sei o caminho do abrigo até o trabalho e do trabalho até o abrigo (eu não me mudei ainda, vivo de adoção; se alguém tiver interesse eu sou organizada, sei fazer bolo e sou ‘moh legal’). Na verdade eu até sei andar em SP, mas ou de metrô ou de carro, mas trabalho longe de metrô e não estou de carro, ou seja, fu***.

Fora a moradia e a falta total de senso de direção estou bem e feliz. Sim, faz pouco tempo, mas o suficiente para pensar “enfim, cresci…”


Esse é um texto para avisar os amigos que eu não morri, não fui seqüestrada e vocês podem sobreviver sem mim durante a semana – final de semana ‘é nois, mano’! (Y)

Monólogo em frente ao espelho

Você já se olhou no espelho hoje? Não estou falando do espelho em que você se olha com a maior cara amassada do mundo enquanto escova os dentes de manhã. É de outro espelho que eu estou falando. Quem é você? Quais são suas verdades, seus princípios, seus orgulhos, seus medos, suas raivas, suas ternuras, suas piadas? As pessoas conhecem você? Não o você que se posiciona na frente do espelho de manhã para escovar os dentes, passar o rímel (para as calcinhas) ou só escovar os dentes mesmo (para os cuecas).

Esse você é você a olho nu. Esse você, você deixa ser revelado. Esse você, todo mundo pode conhecer. Porque é simples: de certo modo, você faz escolhas que não são passíveis de ser, digamos, escondidas. A calça que usa, se é de marca ou não, o tênis, o corte de cabelo, se usa batom, gloss, rímel e blush, somente um desses itens ou nenhum deles (para as minas-pá) se bota gel no cabelo ou não, se usa topete, moicano, dread, se é careca (para os manos-pô). Tudo isso diz alguma coisa sobre você, sobre seu estilo, sobre como você quer ser visto ou vista pelas pessoas com quem convive.

E é tudo muito natural. Ninguém se sente ofendido por você gostar de usar blusa roxa ou por pintar as unhas de amarelo. Você escolheu. Você ponderou. Você! Entre tantas outras opções, você escolheu a mais adequada para VOCÊ. As pessoas podem comentar algumas das suas “esquisitices” (entre aspas porque eu sou do lema do seja esquisito!), mas ninguém vai ficar magoado com você por essas escolhas superficiais mas importantes do dia a dia. Porque a escolha é sua e ela merece ser respeitada, e você tem o direito de ser quem você é. De se posicionar.

Mas eu quero falar sobre um outro tipo de posicionamento. Um posicionamento que vai além das roupas, do estilo, da aparência. Um posicionamento mais sutil, que, contraditório, causa tanta agressividade nas pessoas. O posicionamento das ideias, do subjetivo, de caráter, princípios e verdades individuais. Aquele que o espelho comum não pode nem nunca poderá refletir.

Hoje em dia, nós temos a possibilidade de espalhar nossos posicionamentos para além do nosso círculo físico de amizade. O Twitter está aí para provar. Os blogs estão aí para provar. E agora os vlogs. As mídias sociais são alimentadas por posicionamentos. De marcas e principalmente de pessoas. O conteúdo que rola nas mídias sociais é o espelho que reflete aquilo que o espelho do seu banheiro não pode refletir. Obviamente este conteúdo não revela tudo, mas pode revelar boa parte da nossa autoimagem e da imagem que queremos que tenham de nós.

Tem gente que escolhe não se posicionar. Não se posicionar garante passeio livre por todos os tipos de público, é fácil, não cansa, não causa atrito. Quem não se posiciona ideologicamente, não quer se olhar no espelho, porque tem medo de ser julgado.

Manter-se neutro, se é que existe neutralidade, não demanda trabalho, energia mental e emocional. O que é diferente de ter um pensamento dialético (ponderar prós e contras, botar tudo num liquidificador e se posicionar de maneira não-binária). Mas não se posicionar também não causa troca e tampouco permite aprendizados. Além do mais, pode ser perigoso. Falta de posicionamento me dá a impressão de descompromisso e apatia. Falta de paixão e envolvimento com alguma coisa. Quem não se posiciona, geralmente adora criticar quem se posiciona. Ironicamente, acaba tomando um posicionamento. E quer saber? Ponto pra quem causou esse posicionamento repentino. Ponto pra quem causou alguma coisa em quem tava lá, lendo sua timelinezinha, um blog ou assistindo a um vlog em estado letárgico. Acordar pessoas é sempre legal, mesmo quando você as acorda pra dar um sono no meio da sua cara.Se posicionar é difícil. É dar a cara a tapa. E que tapa! Quem se posiciona corre o risco de ser criticado, mal interpretado. As pessoas costumam confundir assertividade com arrogância.


Vide Felipe Neto. Quem é que entende que ele incorpora um personagem arrogante, irônico e agressivo para dar as próprias opinões?Ele chama na chincha, joga a merda no ventilador. Resultado? Assim ó, de gente criticando o que o Felipe Neto faz, sem primeiro fazer o mínimo esforço para entender a proposta dele. As críticas são importantes quando fundamentadas. Mas me incomodam muito quando elas só rolam porque, na cabeça da maioria, gente que se sente livre pra falar o que pensa, ofende. Não tanto pelas opiniões emitidas quanto pelo sentimento de liberdade e coragem com que a pessoa emitiu. Parece que não temos o direito de pensar de tal ou tal forma tanto quanto temos o direito de vestir tal ou tal roupa. Mas se pensarmos bem, enfrentar as críticas é o de menos. Porque quando uma pessoa se posiciona, ela ganha aliados também. Não para um combate lógico e racional, não para defender com unhas e dentes o posicionamento que os uniu. Mas para a vida. Quem se posiciona encontra pessoas valiosas, que não teria encontrado caso preferisse a neutralidade. Eu não acredito na neutralidade, não existe discurso neutro. Acredito na dialética, na ponderação de prós e contras. A neutralidade soa para mim como falsidade ou omissão. Já o posicionamento honesto nunca será impune. E a honestidade não é bonitinha, meiguinha, carinhosinha, fofinha. Ela só é cute quando assim ela deve ser, e ponto. A honestidade, meu amigo, às vezes é irônica. Às vezes é arrogante. Às vezes é chata. A honestidade às vezes é engraçada. A honestidade às vezes é depressiva. A honestidade é um monte de coisa, brodá. Só tem uma coisa que a honestidade não é: omissa.

Portanto, antes de criticar ou se sentir ofendido com o posicionamento alheio, tenho só uma perguntinha pra fazer pra você. E aí, você já se olhou no espelho hoje?

*

O que você realmente quer dizer?

Ok, tudo bem que twitter não é mais nenhuma novidade. Mas vamos levar em consideração que algumas pessoas viciaram agora, outras já enjoaram e algumas estão por lá apenas para fazer volume.

Cada um utiliza a ferramente como quiser. De forma profissional, para promover blogs, para SE promover, para conversar, para namorar ou para dizer a hora que foi ao banheiro. Não vou julgar isso, mas sim o que você pode passar em 140 caracteres.

Você pode dizer que está ocupado a semana toda e tuitar fotos da balada. Os seus seguidores vão entender que você é um mentiroso que está evitando conhecidos só para não fazer programas de índios com eles. Se for isso mesmo, ótimo, cumpriu o objetivo. E se o que te ocupava acabou? E se “estar ocupado” significa “já combinei uma balada com outras pessoas.”?

Você pode ser o chato que critica tudo e todos, e dar RT em comentários que falam super bem de você. Afinal, você é chato ou legal? Ou você se faz de chato na internet e na vida real é legal, ou pagou para os alguns arrobas mudarem a sua imagem. E se você simplesmente acha divertido alimentar um personagem e ser você mesmo nas ruas?

Não importa a situação. O que você fala em 140 caracteres não expressa o contexto. Cada um interpreta da maneira que lhe parecer conveniente e não importa o que você vai pensar disso, você deveria ter explicado melhor a situação. No final a culpa é sempre sua.

Foi você que não aproveitou o espaço mínimo para dizer o que realmente queria dizer. Jogos de palavras não fazem parte desse mundo, omitir informações também não. Uma hora a verdade aparece, ou a pessoa acredita que a verdade está lá para quem quiser ver, mas é apenas fruto de outra interpretação errada.

Eu já disse que a culpa é sua? Se não disse preste atenção. A culpa é sua que resolveu criar uma conta no twitter e divulgar sua vidinha, a culpa é sua que criou um personagem, a culpa é sua que esqueceu que twitter não é diário, a culpa é sua que mostrou o peito…a culpa é sempre sua.

E se não era nada disso que você queria dizer, me desculpa, mas ninguém vai tentar te entender em um texto gigante em um blog qualquer. A culpa é sua que não sabe se fazer entender CLARAMENTE em 140 caracteres. E se preciso for magoar alguém, aproveite e faça no twitter para todos lerem, pois só assim a pessoa realmente irá te entender sem causar transtornos piores em conversas maiores fora do twitter.

Abstinência de internet

Sim. Não preciso dizer que há uma febre de vlogs assolando a internet brasileira. Isso só corrobora uma coisa: nosso povo não lê e acaba se entretendo apelas pelo audiovisual. Não que isso seja tão ruim, sabemos que a leitura é essencial, o problema é a péssima qualidade do humor dos vlogs brasileiro.

Salvo exceções, que escapam pela boa edição, não sobra nada. Porém, há algumas pérolas escondidas que merecem relevância, o que é o caso do @chicorezende30, que faz vlogs sobre o cotidiano, bem ao estilo Cilada e, mesmo com edição caseira, fez um bom trabalho. Esse episódio que separei, o que mais gostei, por ter me identificado, fala sobre abstinência de internet. Take a look:

Amigo estou aqui

Hoje pela primeira vez eu acho, me dirijo a poucas pessoas. Aos meus amigos.

Apesar do título, não tenho estado sempre aqui. Pelo contrário aliás, tenho estado sempre lá. Só queria, amigos, dizer que apesar de nem todos vocês entenderem, eu – assim como vocês – tive que crescer e fazer algumas escolhas. Eu fiz as minhas e não me arrependo, mas sofro.

Sofro pela distância, sofro pelo contato perdido, sofro pelos litros de cerveja que deixamos de beber juntos. Sinto falta daquilo tudo, dos momentos bons, ruins e mais ou menos. Tento não admitir, mas sinto falta do Chefia, sinto falta de Monlevade e sinto falta de uma época em que éramos todos um só. Sinto falta do grude na mão.

Assim como entendo as escolhas de vocês, nunca deixei de estar presente nos momentos chave.

E principalmente, nunca deixo de pensar em vocês. Estamos seguindo com as nossas vidas, e temos que seguir em frente, mesmo que tenhamos que fazer alguns sacrifícios.

Amo vocês.

E vocês sabem quem vocês são.

Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Se a fase é ruim
E são tantos problemas que não tem fim
Não se esqueça que ouviu de mim
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui

Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os seus problemas são meus também
E isso eu faço por você e mais ninguém
O que eu quero é ver o seu bem
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui

Os outros podem ser até bem melhores do que eu
Bons brinquedos são
Porém, amigo seu é coisa séria
Pois é opção do coração (viu?)

O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui

***

1 – Tenho direito a um post piegas, não?

Um Diamante

Você sabe o que é um diamante?

Tá, eu sei que é aquela pedra valiosa e tudo mais, estou perguntando se você sabe do que é feito o diamante? Se sim, parabéns, você não matou aula de química no terceiro ano, se não, bem… eu digo.

Diamantes não são nada mais do que um amontoado de partículas de carbono. Assim, como nós, seres humanos. Um bando daquelas bolinhas de carbono ligadas umas nas outras fazendo toda aquela confusão. Outro fato interessante, é que (se eu me lembro bem da Rose [minha professora de química no terceiro ano. Beijo Rose!] falando, ela disse que a diferença do grafite para o diamante é meramente estrutural.

É sério. Pode pesquisar. Olhe para um grafite aí qualquer e imagine que por um pequeno acaso do destino ele não foi um diamante. Um C subiu pra lá ao invés de descer pra cá. E só isso.

Poderíamos tirar a conclusão então, que a diferença real entre o grafite e o diamante é apenas o layout.

Rolou o seguinte (eu acho): Deus demandou uma parada com carbonos, a galera do atendimento passou a demanda errada para a criação que fez o grafite. Deus então foi lá e esperneou com o pessoal e disse que queria uma refação para segunda na primeira hora. Galera da criação pediu uns pães sírios, queijo e vinho no delivery, ficou até tarde – reclamando que o cliente só queria meter a mão para levar o crédito – mexeu um carbonozinho aqui, trocou uma ligação de átomos lá e fizeram o diamante.

Layout. Apenas isso.

E agora que você chegou aqui, e está se perguntando que porra de papo de maluco é esse e o que diabos isso tem a ver com música. Eu te digo que toda essa introdução gigante é por causa de uma garota lá dos Estados Unidos.

Essa aí em cima, é a tal garota. O nome dela? Ariel Sabaj

Vendo assim, duvido que você dará alguma coisa por ela.

A imagem que me veio a cabeça, quando eu vi, foi de “oh céus, mais uma gordinha fazendo gordice no youtube e servindo de piada para milhões, e pela cara dela (beeem depressiva) isso acaba em tragédia”.

Isso foi porque eu vi. E não porque eu ouvi. Por favor, ouça:

Ghosts in my bed (original)

bullet proof (cover)

Impressionante não?

Está começando a entender o porque da introdução falar aquilo tudo? Isso que estamos vendo e ouvindo, meus amigos, é que é um verdadeiro diamante. Não é aquela historinha de “beleza por dentro”, “talento x aparência”, nem nada. Ariel pode ser mais uma que tem um talento incrível e que não fará sucesso algum por causa da estupidez coletiva que faz com que cada vez mais nos obrigue a virar os olhos para uma garota completamente fora dos padrões de beleza.

Eu torço para que isso não aconteça. Eu torço para que as coisas comecem a mudar, e que talvez percebamos que estamos aplaudindo de pé, admirando e idolatrando grafites, deixando de lado pedras muito mais preciosas.

Simples e puramente pela imagem que vemos.

Ariel além de ter uma voz digna de Norah Jones, ainda tem um humor nato que todos nós gordinhos temos. O bg do twitter dela é uma embalagem do sabão Ariel. Um rapaz comentou em um dos vídeos dela, algo como “Talvez você faria um enorme sucesso sem essas coisas na boca e uma aparência melhor, você não acha isso um elogio?” ela simplesmente respondeu “Talvez seja melhor da próxima vez eu colocar um saco de pão na cabeça”. Acho que isso ilustra um pouco o que eu quero dizer.

De qualquer forma, torço para que ela faça sucesso. Acho que não demora para isso sair em um monte de blogs, sites de jornais, portais e o escambau.

***

1 – Quem me passou o vídeo dela foi o @dougcastanheira que viu no Chongas.

2 – Canal do Youtube da Ariel Sabaj

3 – Aqui nesse site você pode baixar as músicas dela. São 6 ao todo. E digo que as melhores são as que ela mesmo escreveu e não os covers.

4 – Gostaram da nova header de música?